Alfabetização e paleontologia: construindo o conhecimento na Educação Infantil

15 de setembro de 2020

Por: Ana Cristina Rocha

Apesar do assunto despertar curiosidades, o estudo da paleontologia na educação básica possui muitas deficiências e carências que afetam a formação cultural e acadêmica dos alunos, o que pode causar um afastamento destes com a ciência. Pensando nesses problemas, foi-se desenvolvido um projeto que usa a Paleontologia como ferramenta para desenvolver atividades de aprendizado e alfabetização em alunos de 4 a 6 anos, ou seja, ingressados na Educação Infantil. Um dos objetivos desse, é popularizar o conhecimento científico paleontológico e promover um contato das crianças com o assunto desde o início das suas formações.

Para o projeto acontecer, foram desenvolvidas algumas atividades que transmitem as informações de forma criativa e com a linguagem adequada para a faixa etária das crianças. Assim, nas paredes da escola foi desenhado uma linha do tempo que conta a história da vida na Terra; foi criado um minijardim onde as crianças podem aprender sobre a diversidade e evolução das plantas; foi montada uma sala de exposição com o tema de Paleontologia e que complementam as atividades realizadas na sala de aula; além da realização de uma entrevista feita pelas crianças a pesquisadores da área.

Entretanto, a criação e a disponibilidade dos materiais didáticos não são suficientes para garantir uma boa qualidade de ensino. É necessário que os professores realizem a ligação dos conhecimentos com os alunos e para isso é preciso que esses tenham um conhecimento prévio sobre o assunto. Dessa forma, para a realização do projeto, foi ministrado um curso para os professores e educadores com o objetivo de orientar e informar sobre as atividades e os assuntos relacionados a elas. Além disso, como sugestões dos professores participantes, foi criado um canal de comunicação destes com os paleontólogos, assim os educadores podiam tirar suas dúvidas e aumentar os seus conhecimentos diretamente com os profissionais.

A execução do projeto trouxe resultados positivos tanto para os alunos, uma vez que houve um aumento do interesse deles pelo assunto e um grande envolvimento com as atividades, tanto para os pais e professores que conseguiram observar mudanças na construção dos conhecimentos das crianças. Sendo assim, o projeto concluiu que é possível sim trabalhar com um assunto científico que muitas vezes é visto como “complexo” pela população em geral, como a Paleontologia, na alfabetização dos pequenos, desde de que seja promovido com uma linguagem adaptada para o entendimento deles.

Artigo fonte: Fernanda Torello de Mello, Luiz Henrique Cruz de Mello, Maria Beatriz de Freitas Torello. (2005). A paleontologia na educação infantil: alfabetizando e construindo o conhecimento. Ciência & Educação, v. 11, n. 3, p. 397-410. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Prática utilizando a “caixa de fossilização”, exemplificando o processo de formação de fósseis. (Imagem extraída do artigo fonte.)

A Aranha-Quimera: Um Novo Marco na História das Aranhas

14 de setembro de 2020

Por: Vinicius Silva Ferraz

Com mais de 48 mil espécies viventes descritas e 2 mil espécies fósseis, as aranhas são um grupo muito bem-sucedido entre os animais viventes. Entretanto sempre há algo novo para se conhecer a respeito da evolução dos organismos na Terra e com elas não seria diferente. Um grupo de pesquisadores descreveu uma nova espécie de aracnídeo fóssil (Chimerarachne yingi, Wang) que, em termos comuns, parece uma “aranha com uma cauda”. Esse animal curioso contém tanto características presentes nas aranhas atuais — fiandeiras e um pedipalpo possivelmente modificado para transferência de esperma — como uma bendita cauda, presente em aracnídeos de outras ordens como os escorpiões-vinagre.

Apesar das características intermediárias entre a ordem das aranhas e outras ordens que apresentam características consideradas mais antigas dentro dos aracnídeos, a “aranha-quimera” viveu no período Cretáceo com diversos representantes de aranhas de famílias atuais. Isso indica que ela não um “elo-perdido” entre as aranhas e outros aracnídeos, mas é possivelmente um representante de mais uma ordem extinta até então desconhecida pelo homem. Outro fato interessante sobre a Chimerarachne yingi é que suas fiandeiras na parte posterior do corpo colocam em cheque a hipótese de que essas estruturas teriam tido como primeira função na história evolutiva a construção de ovos. Essa hipótese se baseia no fato de que aranhas atuais da subordem Mesothelae, grupo conhecido por conter características plesiomórficas (mais antigas dentro de um clado), possuírem a suas fiandeiras localizadas na parte ventral do abdome, próximas ao órgão genital.

No fim das contas, como em quase tudo na ciência, essa nova descoberta traz mais perguntas do que respostas. O quão confiáveis são as suposições atuais sobre a classificação dos organismos? O quanto realmente sabemos sobre a origem das espécies? Quantas suposições evolutivas amplamente aceitas estão equívocadas? Não sabemos, ainda há muito o que se aprender!

Artigo fonte: Wang, B., Dunlop, J.A., Selden, P.A., Garwood R.J., Shear W.A., Müller P., Lei X. (2018). Cretaceous arachnid Chimerarachne yingi gen. et sp. nov. illuminates spider origins. Nature Ecology & Evolution, v. 2, p. 614–622. DOI: 10.1038/s41559-017-0449-3 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Fotografia de um dos espécimes utilizado na descrição da “aranha-quimera”. (Imagem extraída do artigo fonte.)

Nova espécie e gênero de inseto Sisírida do Cretáceo encontrado em âmbar no Mianmar é descrita

13 de setembro de 2020

Por: Luís Filipe Martins Pereira Souza

Encontrada e descrita, em âmbar do Mianmar, do Cenomaniano (Cretáceo), uma nova espécie e gênero de inseto, pertencente à ordem Neuroptera. O inseto pertence à família Sisyridae, uma das mais antigas famílias de Neuroptera, possuindo cerca de 70 espécies já extintas.

A família Sisyridae até então possuía 4 gêneros: Sisyria, Climacia, Sisyrina e Sisyborina, sendo Sisyria cosmopolita, Climacia ditribuída no neártico e neotrópico, Sisyrina nas regiões afro-tropicais, indo-malaia e australásia e Sisyborina restrita às regiões afro-tropicais.

A nova espécie de sisirída, Stictosisyra pennyi, pertence a um novo gênero também descrito, o gênero Stictosisyria. A espécie pôde ser facilmente distinguida dos outros gêneros da família pelo padrão de venação das asas.

Tendo sido encontrada em âmbar do Cenomaniano inferior, no Mianmar, é a segunda espécie da família a ser encontrada no local. A primeira espécie da família encontrada anteriormente, a Paradoxosisyra groehni possuía peças bucais longas e sifonadas e é única entre os Sisyridae. Essa espécie foi responsável por reerguer a extinta subfamília Paradoxosisyrinae. O novo sisirída encontrado não pertence à essa subfamília mas compartilha muitos caracteres em comum com os Sisyridae pertencentes à espécimes da subfamília existente.

As peças de âmbar onde foi encontrado o espécime masculino que deu origem a esta nova epécie e gênero foram coletadas no Vale Hukawng, no estado de Kachin, ao norte de Mianmar. O âmbar é proveniente de matriz vulcaniclástica estimada em aproximadamente 99 milhões de anos, entre o Albiano e Cenomaniano, dentro do período Cretáceo.

O trabalho foi feito pelos pesquisadores Qiang Yang, Chaofan Shi, Dong Ren, Yongjie Wang e Hong Pang que publicaram o artigo “New genus and species of sisyrids (Insecta, Neuroptera) from the Late Cretaceous Myanmar amber” descrevendo a espécie.

Artigo fonte: Yang Q, Shi C, Ren D, Wang Y, Pang H. (2018). New genus and species of sisyrids (Insecta, Neuroptera) from the Late Cretaceous Myanmar amber. ZooKeys, v .739, p. 151-158. DOI: 10.3897/zookeys.739.22310 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: (A) Stictosisyra pennyi em âmbar. (B) Desenho do holótipo de Stictosisyra pennyi, (C) detalhes das antenas, (D) detalhes das asas. (Imagem extraída do artigo fonte.)

Aranha pirata (Araneae: Mimetidae) em âmbar de 23 milhões de anos descrita, fotografada e adicionada à lista de aranhas fósseis de Chiapas, México

12 de setembro de 2020

Por: Juliana Rodrigues Moraes

Um fóssil de uma aranha pirata preservado em âmbar foi descrito, fotografado e registrado na lista de aranhas fósseis do município de Simojovel de Allende, do estado de Chiapas (México), por Miguel Ángel García-Villafuerte, do Museu de Paleontologia “Elisio Palacios Aguilera”, em 2018.

A peça, proveniente das minas de Los Pocitos (município de Simojovel de Allende) e datada do início do Mioceno (de 23 milhões de anos), foi doada por Glen Peter Osborne para a Coleção Paleontológica do Museu de Paleontologia “Elisio Palacios Aguilera”.

A peça, com dimensões iguais a 1,7 cm de comprimento, 0,7 cm de largura e 2,5 mm de espessura, foi polida com um abrasivo para melhor visualização e identificação. As fotografias foram realizadas com uma câmera Cannon STi conectada a um esteroscópio Zeiss Stemi 2000.

A identificação da aranha foi feita com base no manual de identificação de aranhas de Ubick et al (2005). O fóssil foi identificado como pertencente da ordem Aranea, família Mimetidae. A aranha foi descrita como tendo 1,4 mm de comprimento, a parte anterior do corpo piriforme (em formato de pera), cor amarelada e amarronzada, quelíceras longas e grossas, quatro pares de olhos distintos entre si dispostos em duas linhas na cabeça e região posterior do corpo em formato oval e com poucas cerdas. Não foi possível observar algumas características devido a fraturas no âmbar.

A aquisição da peça de aranha pirata em âmbar e sua descrição sistemática contribuíram para o conhecimento da fauna de aranhas fósseis do estado de Chiapas, no México.

Artigo fonte: Gárcia-Villafuerte, M.A. (2019). Una “araña pirata” (Araneae: Mimetidae) en el ámbar del mioceno temprano y actualización del listado de arañas fósiles para Chiapas, México. Acta Biológica Colombiana, v. 25, n. 1, p. 155-161. Doi: 10.15446/abc.v25n1.74722 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Aranha pirata em âmbar (escala 0,5 mm). (Imagem extraída do artigo fonte.)

Primeira descoberta de um genoma de paleovírus mesozoico

12 de setembro de 2020

Por: Rafaela Rocha Pezzopane

Vírus fóssil, você já ouviu falar? No dia 30 de abril de 2013 foi publicado um artigo sobre o genoma de um paleovírus mesozaico que evidenciava a evolução dos vírus da Hepatite B. O estudo foi realizado por um grupo de pesquisadores composto por Alexander Suh, Jürgen Brosius, Jürgen Schmitz e Jan Ole Kriegs das Universidade de Uppsala na Suécia e Alemanha. Primeiro vale ressaltar que os vírus são organismos intracelulares obrigatórios, ou seja, para se multiplicarem e perpetuarem sua espécie é preciso que eles infectem células. Nesse momento é possível que o material genético viral seja incorporado ao genoma da espécie hospedeira. Além disso, são compostos por material genético (RNA ou DNA), um capsídeo proteico e em alguns casos uma membrana lipídica.

Por terem essas características o processo de fossilização dos vírus é quase que impossível de se alcançar, por isso a Paleovirologia se dedica a estudá-los de uma forma indireta. A partir de análises moleculares de material genético “deixado” nos hospedeiros eucarióticos ao longo do tempo é possível datar a origem de um vírus. Esse material genético é chamado de elementos virais endógenos. A pesquisa realizada trata-se do vírus da Hepatite B (HBV), pertencente à família Hepadnaviridae ou também chamado de vírus de transcrição reversa de DNA. A HBV é considerada um problema de saúde global.

Os pesquisadores mostraram que os Hepadnaviridae são 63 milhões de anos mais antigos do que anteriormente estudado (meros 125 mil anos atrás) e forneceram evidências diretas para a coexistência de vírus da hepatite B e pássaros durante as eras Mesozoica e Cenozoica. Até onde se sabia os vírus da hepatite B tinham se originado em mamíferos. Surpreendentemente, foi encontrado 99% da sequência de um vírus da hepatite B em um tentilhão zebra, que atualmente não é considerado um hospedeiro do vírus. O estudo contou com análises computacionais e filogenéticas das sequências obtidas de fragmentos genômicos de 6 espécies de pássaros. Essa reconstrução de endogenização foi feita em programas como BLAST.

A descoberta de um paleovírus coexistindo com linhagens de pássaros neonavianos desde o Cretáceo Superior a partir de análises de elementos virais endógenos mudou o olhar sobre a evolução dessa família viral. Além disso, a pesquisa se mostrou ser um importante estudo para a Paleovirologia, que ainda é uma área pouco explorada. Desta forma, este estudo se tornou o primeiro trabalho a apresentar a sequência genômica de um paleovírus mesozoico.

Artigo fonte: Suh, A.; Brosius, J.; Schmitz, J.; Kriegs, J. (2013). The genome of a Mesozoic paleovirus reveals the evolution of hepatitis B viruses. Nature communications, v. 4, n. 1791, p. 1-7. Doi:10.1038/ncomms2798 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Eventos de endogenização do vírus da hepatite B durante a evolução das aves. Repare na escala abaixo da filogenia e na endogenização começando a partir da linhagem de pássaros Neonaves. (Imagem extraída do artigo fonte.)

Descoberta de restos caudais de Titanosauria em Sítio da Prata – MG

11 de setembro de 2020

Por: Luíza Tolomelli

Restos de ossos da cauda de um titanossaurídeo, dinossauro da ordem Saurischia, foram encontrados próximo a cidade da Prata no estado de Minas Gerais. Apesar de o termo utilizado para o fóssil ser “restos caudais”, o osso em questão foi encontrado totalmente preservado, com apenas alguns fragmentos que permitiram a observação da composição porosa da vértebra.

Os titanossaurídeos foram um grupo de dinossauros que tiveram ampla distribuição geográfica durante o Cretáceo, período geológico compreendido entre há 145 milhões e 66 milhões de anos. Por isso, fósseis desses animais ocorrem abundantemente nos sedimentos dessa idade, ao longo da América do Sul. A descoberta dos restos caudais ocorreu em 2002 durante uma expedição conjunta do Laboratório de Macrofósseis (Departamento de Geologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Museu de Minerais e Rochas (Instituto de Geografia, Universidade Federal de Uberlândia), na área da Serra da Boa Vista, Sítio da Prata – MG, onde diversos outros restos de titanossaurídeos vem sendo encontrados.

A vértebra que foi encontrada em excelente estado de conservação, permite a observação de diversas características que os Sherlock Holmes da paleontologia, com seus olhos treinados conseguiram visualizar e “traduzir” para todos a importância dessa descoberta. Segundo especialistas, o canal hemal aberto dorsalmente sugere que esta vértebra pertença a um Sauropoda Camarasauromorpha, por outro lado os titanossaurídeos também possuem essa característica. O formato em “Y” do arco hemal sugere que a vértebra pertença a um Titanosauria, há também a característica das faces articulares distais cordiformes nas vértebras proximais e médias, tal característica pertence a dois titanossaurídeos chamados Gondwanatitan faustoi e Aeolosaurus.

Assim, essas características permitem relacionar a vértebra encontrada aos dois gêneros citados acima, mas ainda é necessário a realização de estudos para avaliar a validade da espécie. Como todo Sherlock Holmes precisa de um Watson, diversos pesquisadores devem ser contatados para gerar cada vez mais informações sobre essa nova descoberta. Aguardaremos ansiosamente por mais novidades.

Artigo fonte: Almeida, EB; Avilla, LS; Candeiro, CRA. (2004). Restos caudais de Titanosauridae da Formação Adamantina (Turoniano – Santoniano), Sítio do Prata, estado de Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Paleontologia, v. 7, n. 2, p. 239-244. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Restos de ossos da cauda de um Titanossaurídeos (Extraída do artigo fonte. Legenda original: “Vista lateral (A), anterior (B) e posterior (C), arco hemal (D). Abreviaturas: CN, canal neural; PRL, lâmina pré-espinhal; PRZ, pré-zigapófise; PT, processo transverso; PZ, pós-zigapófise; SN, espinho neural. Escala = 5 cm”).

As Paleotocas de Minas Gerais: icnofósseis singulares e ameaçados

11 de setembro de 2020

Por: Júlio, J.L.

Pesquisadores brasileiros publicaram nos últimos anos, os primeiros registros de paleotocas desenvolvidas em formações ferríferas no Brasil, em Minas Gerais. Neste contexto, a caracterização da paleotoca da Serra do Gandarela (AP38) é ainda mais especial, pois trata-se do único testemunho para o Quadrilátero Ferrífero (QF) da megafauna pleistocênica extinta há mais de dez mil anos. Contudo, esses ambientes já se encontram sob diversas ameaças, correndo o risco de desaparecerem antes de serem melhores compreendidos, ainda que apresentem alto potencial turístico e científico.

Paleotocas ou crotovinas (quando preenchidas por sedimento posteriormente) são registros geológicos relativamente raros, sendo considerados icnofósseis (do grego ichnós: traço, marca), isto é, vestígios de atividades biológicas fósseis, como pegadas, rastros e tocas de animais pré-históricos, que podem ser utilizados para reconstruir aspectos climáticos e ecológicos do passado do planeta. Associada à cavidade natural (caverna) denominada AP38, pesquisadores caracterizaram a única paleotoca descrita para o quadrilátero ferrífero (QF), que possui também a maior altitude (1.500m) dentre as ocorrências do país e é considerada ainda, a maior delas, com 345 metros de desenvolvimento horizontal, escavados pela megafauna Sul Americana que vivia por aqui há mais de 10 mil anos, durante o último período geológico: o Pleistoceno.

Determinar a autoria de icnofósseis é uma tarefa difícil, ainda mais em substratos ferruginosos, pois estes dificultam a preservação de fósseis. Porém, através de análises do material escavado, das dimensões dos túneis e galerias e das incríveis impressões das garras deixadas nas paredes, os pesquisadores chegaram aos possíveis autores da paleotoca da Serra do Gandarela: as preguiças terrestres gigantes de dois dedos, provavelmente do gênero Nothrotherium. Estes animais possuíam uma anatomia adaptada aos hábitos fossoriais e bem distinta das preguiças arborícolas atuais, com quem compartilham o mesmo grupo taxonômico, junto dos tatus e tamanduás: os Xenarthra e que chegaram inclusive a conviver com a espécie humana nas Américas.

Ao longo dos anos e com a extinção da megafauna, as paleotocas foram sendo reocupadas por novos e distintos moradores, como alguns animais troglófilos e trogloxenos (cavernícolas facultativos como alguns insetos, anfíbios, morcegos e até humanos) e os animais denominados troglóbios, que possuem adaptações para viver nestes ambientes escuros (como a perda da visão e de pigmentos do corpo) e que apenas são encontrados nestas cavidades. Recentemente, diversas espécies de troglóbios foram descritas pela primeira vez em cavernas ferruginosas de Minas Gerais, contudo, tal biodiversidade é ainda pouco conhecida e muitas espécies possivelmente ameaçadas ainda não são conhecidas.

As paleotocas abrigam um relevante patrimônio geoambiental, arqueológico e biológico ainda pouco estudado e que, portanto, necessita de urgentes medidas de conservação, como a criação de geoparques, a regulação do turismo e o fomento da pesquisa científica. Em Minas Gerais, essa necessidade é agravada pela concorrência de uso do solo com atividades econômicas de alto impacto, como a mineração em geossistemas ferruginosos, que pode inclusive danificar ou destruir por completo a AP38, na Serra do Gandarela.

Capítulo de livro fonte: Bittencourt, Jonathas; Vasconcelos, Andre; Carmo, Flávio; Buchmann, Francisco. (2018). Registro paleontológico em caverna desenvolvida em formações ferríferas na Serra do Gandarela. In: RUCHKYS, U.; TRAVASSOS, L. E. P.; RASTEIRO, M.; FARIA, L. (org). Patrimônio espeleológico em formações ferríferas | Propostas para sua conservação no Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. São Paulo: SBE, cap. 11. p 192-209.

Fontes complementares:

CARMO, F. F.; CARMO, F. F.; BUCHMANN, F. S. C.; FRANK, H. T.; JACOBI, C. M. Primeiros registros de paleotocas desenvolvidas em formações ferríferas, Minas Gerais, Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ESPELEOLOGIA, 31º, 2011b, Ponta Grossa-PR. Anais da Sociedade Brasileira de Espeleologia, julho de 2011. p. 531-540.

RUCHKYS, U.A.; BITTENCOURT, J. S. & BUCHMANN, F.S.C. A paleotoca da Serra do Gandarela e seu potencial como geossítio do Geoparque Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. Caderno de Geografia, v.24, n.42, 2014. DOI: 10.5752/P.2318-2962.2014v24n42p249

Leituras recomendadas:

CARMO, F. F. CARMO, F. F. CAMPOS, I. C. JACOBI, C. M. Cangas ilhas de ferro estratégicas para a conservação. Revista Ciência Hoje, Rio de Janeiro, agosto de 2012, p. 48-53. CARTELLE, C. Das grutas à luz: Os mamíferos pleistocênicos de Minas Gerais. Belo Horizonte: Bicho do Mato. 2012, 236p.

RUCHKYS, U. A; MACHADO, M. M; CASTRO, P. T. A; RENGER, F. E.; TREVISOL, A. Geoparque Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais. In: C. SHOBBENHAUS E C. SILVA. (ORG.) Geoparques do Brasil: propostas. 1ed. Rio de Janeiro: Serviço Geológico do Brasil, 2012. p. 183-220.

Legenda e fonte da imagem: Paleotúneis da AP38 (Foto: Joaquim Lacerda).

Métodos lúdicos no ensino da paleontologia na educação básica

11 de setembro de 2020

Por: Sandra Leticia

Uma revisão sobre o estudo da paleontologia na educação básica — Press release.

Apesar de a paleontologia ser um tema muito interessante para toda a sociedade e para os alunos do ensino fundamental e médio, é um assunto problemático na educação básica. A falta de conexão entre o ensino da paleontologia e áreas afins como a evolução, biogeografia e a geologia compromete o aprofundamento do aluno nessa área tão fascinante da biologia.

É relevante considerar que há muitos equívocos cometidos pelos alunos da educação básica em relação à paleontologia. Informações erradas são passadas constantemente pela mídia o que reforça uma necessidade urgente de ensinar os alunos a filtrar informações, porém a mídia não é a única responsável pela disseminação de informações erradas. Há muitos livros didáticos com erros conceituais e professores que não conseguem passar a informação corretamente para os alunos.

Visando promover uma consolidação maior do saber e tentando preencher a lacuna de conhecimento deixada pelos livros didáticos, alguns professores adotam medidas lúdicas para facilitar o estudo da paleontologia por estudantes do ensino fundamental e médio. Essas atividades estão divididas entre jogos, visitação a museus, oficinas, palestras e claro o manuseio de réplicas fósseis. Essa didática lúdica é fundamental para instigar os alunos a conhecer cada vez mais sobre o maravilhoso mundo dos fósseis e fixar o conhecimento adquirido em sala de aula.

A união entre uma aula teórica com conceitos corretos e bem definidos e integrados a outras áreas do conhecimento e métodos lúdicos para a resolução de questões complexas é a chave para a construção de um aluno interessado e apto a discutir e construir o conhecimento sobre a paleontologia e a ciência no mundo contemporâneo.

Artigo fonte: Dias, Bruna Borba; Martins, Rodrigo Milek. (2018). Métodos didáticos no ensino da paleontologia na educação básica do Brasil. Anuário do Instituto de Geociências (ISSN 0101-9759), v. 41, n. 2, p. 22-30. DOI: http://dx.doi.org/10.11137/2018_2_22_30 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Crianças visitando um museu. Imagem extraída do site londonist. com <link>

Como ensinar paleontologia

11 de setembro de 2020

Por: Jefferson Caio

Essa é uma síntese do artigo “A PALEONTOLOGIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: ALFABETIZANDO E CONSTRUINDO O CONHECIMENTO” e o mesmo foi elaborado por Fernanda Torello de Mello, Luiz Henrique Cruz de Mello e Maria Beatriz de Freitas Torello. Nesse artigo os autores tentam trazer um questionamento de como anda o ensino sobre a paleontologia no cenário brasileiro, uma vez que o mesmo é conteúdo de formação básica dos alunos de todos os formatos de ensino. Entretanto, tal conteúdo é um assunto que não tem tanta visibilidade ou existe uma certa desinformação sobre o tema abordado.

O artigo quebra todo aquele paradigma de que o conhecimento de paleontologia é algo complexo e restrito a pesquisa , e tenta apontar algumas possíveis soluções como a visita a museus e a aulas expositivas sobre o tema com itens didáticos, assim trazendo o assunto mais íntimo para a sociedade.

Para o trabalho do artigo foram selecionados os principais pontos que mantém essa relação de complexidade entre o ensino e o tema e com isso foram traçados objetivos para tentar elucidar essas questões. Desta forma, foi possível manter um contato íntimo com alunos e educadores, assim estimulando o aprendizado durante o ensino e trazendo para o cotidiano.

Para a execução projeto os autores pegaram um colégio de São Paulo, chamado Colégio Pequenópolis durante o ano de 2002, e para esta atividade pegaram alunos de 4 a 6 anos, que nesta idade possuem um entusiasmo de questionar nato. Como material de apoio foram utilizadas apostilas para trabalhar com as crianças a fim de instigar o saber pelo passado.

Com o trabalho podemos observar quais são as ações que devemos tomar para que possamos estimular os alunos ao conhecimento paleontológico, desta forma buscar a aproximação do saber do passado para os tempos atuais.

Artigo fonte: Mello, Fernanda Torello de; Mello, Luiz Henrique Cruz; Torello, Maria Beatriz de Freitas. (2005). A paleontologia na educação infantil: alfabetizando e construindo conhecimento. Ciência & Educação, v. 11, n. 3, p. 395-410. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Trabalho realizado no colégio, para aproximar a paleontologia do cotidiano. Figura extraída do artigo fonte.

Paleontologia: Evolução biológica nas escolas

09 de setembro de 2020

Por: Sara Rocha

A paleontologia estuda os aspectos da vida na Terra em diferentes períodos geológicos utilizando como principais objetos de análises os fósseis. Apesar de sua importância para compreensão da evolução de espécies e da história do planeta como um todo, ainda é pouco difundida nas escolas.

Tempo para tratar o assunto de forma adequada, carência de compreensão dos alunos da parte teórica sem a parte prática, algumas questões religiosas e a falta de adaptação de linguagem científica para popular culminam no distanciamento da evolução biológica da sociedade. Pensando nesses fatores, surge-se a dúvida: onde de fato está o maior déficit do ensino de paleontologia nas escolas? E como melhora-lo?

Foram realizados testes de conhecimentos específicos em paleontologia em uma escola de ensino médio, onde foram separados em grupos dos quais 1. não tinham conhecimento prévio e 2. faziam programa de iniciação cientifica na área. Também foram realizadas várias oficinas educativas, como jogos e discussões de artigos. Após esses processos o mesmo teste foi aplicado novamente. Assim, foi possível determinar o nível de conhecimento pela escolaridade e onde estavam as maiores dificuldades dos alunos.

A partir desse estudo foi possível perceber que grande parte dos alunos reconhecem conceitos básicos de paleontologia, no entanto, suas maiores dificuldades são com evolução de aves, processo de fossilização e convívio de espécies na megafauna. Ademais, atividades lúdicas, palestras e atividades práticas se mostraram eficazes para a compreensão desses assuntos.

Artigo fonte: Borsonelli, M; Rodrigues, T. (2019). Paleontologia na escola: detecção de lacunas e uma proposta de complementação ao ensino da evolução biológica. Experiências em Estudo de Ciências, v.14, n. 2, p. 424-438. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Desenho elaborado por um grupo de estudantes retratando a origem das penas e a extinção dos dinossauros não avianos. Figura extraída do artigo fonte.