A Aranha-Quimera: Um Novo Marco na História das Aranhas

14 de setembro de 2020

Por: Vinicius Silva Ferraz

Com mais de 48 mil espécies viventes descritas e 2 mil espécies fósseis, as aranhas são um grupo muito bem-sucedido entre os animais viventes. Entretanto sempre há algo novo para se conhecer a respeito da evolução dos organismos na Terra e com elas não seria diferente. Um grupo de pesquisadores descreveu uma nova espécie de aracnídeo fóssil (Chimerarachne yingi, Wang) que, em termos comuns, parece uma “aranha com uma cauda”. Esse animal curioso contém tanto características presentes nas aranhas atuais — fiandeiras e um pedipalpo possivelmente modificado para transferência de esperma — como uma bendita cauda, presente em aracnídeos de outras ordens como os escorpiões-vinagre.

Apesar das características intermediárias entre a ordem das aranhas e outras ordens que apresentam características consideradas mais antigas dentro dos aracnídeos, a “aranha-quimera” viveu no período Cretáceo com diversos representantes de aranhas de famílias atuais. Isso indica que ela não um “elo-perdido” entre as aranhas e outros aracnídeos, mas é possivelmente um representante de mais uma ordem extinta até então desconhecida pelo homem. Outro fato interessante sobre a Chimerarachne yingi é que suas fiandeiras na parte posterior do corpo colocam em cheque a hipótese de que essas estruturas teriam tido como primeira função na história evolutiva a construção de ovos. Essa hipótese se baseia no fato de que aranhas atuais da subordem Mesothelae, grupo conhecido por conter características plesiomórficas (mais antigas dentro de um clado), possuírem a suas fiandeiras localizadas na parte ventral do abdome, próximas ao órgão genital.

No fim das contas, como em quase tudo na ciência, essa nova descoberta traz mais perguntas do que respostas. O quão confiáveis são as suposições atuais sobre a classificação dos organismos? O quanto realmente sabemos sobre a origem das espécies? Quantas suposições evolutivas amplamente aceitas estão equívocadas? Não sabemos, ainda há muito o que se aprender!

Artigo fonte: Wang, B., Dunlop, J.A., Selden, P.A., Garwood R.J., Shear W.A., Müller P., Lei X. (2018). Cretaceous arachnid Chimerarachne yingi gen. et sp. nov. illuminates spider origins. Nature Ecology & Evolution, v. 2, p. 614–622. DOI: 10.1038/s41559-017-0449-3 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Fotografia de um dos espécimes utilizado na descrição da “aranha-quimera”. (Imagem extraída do artigo fonte.)

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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