Preguiça marinha da América do Sul!

Em 11 de setembro de 2019

Por: Vítor Emídio de Mendonça

É estranho imaginar, mas há cerca de sete ou oito milhões de anos atrás, os mares da América do Sul possuíam uma fauna muito diferente do que observamos hoje. Um exemplo que é particularmente chocante de um dos animais marinhos desse período – conhecido como Mioceno Superior — são as preguiças gigantes marinhas. Esses animais eram parentes das preguiças atuais e das preguiças gigantes extintas que encontramos no registro fóssil brasileiro, mas diferem radicalmente de hábito de vida: ao contrário dos seus primos terrestres, as preguiças do gênero Thalassocnus tinham hábitos aquáticos.

Esse grupo é composto por quatro espécies, sendo que todas habitavam a costa peruana e apresentam adaptações notáveis para o hábito aquático. Em 2003, um grupo de pesquisadores liderado por Christian de Muizón descreveu uma nova espécie para esse gênero, denominada Thalassocnus antiquus, encontrada na formação de Pisco, também no Peru. Essa espécie é menor em tamanho e tem o crânio menos robusto do que as demais preguiças marinhas conhecidas até então.

Os autores do estudo também apontam a possibilidade de que a espécie nova tenha sido a primeira espécie de preguiça marinha aquática que surgiu. O trabalho também sugere que os animais desse grupo foram aumentando em tamanho ao longo da evolução do grupo. Com esse trabalho, o número de espécies do gênero Thalassocnus sobe para quatro, e é preenchida mais uma lacuna de conhecimento da estranha fauna do Mioceno sulamericano.

Artigo fonte: Christian De Muizon, H. Gregory McDonald, Rodolfo Salas & Mario Urbina. (2010). A new early species of the aquatic sloth Thalassocnus (Mammalia, Xenarthra) from the Late Miocene of Peru. Journal of Vertebrate Paleontology, v. 23, n. 4, p. 886–894. Doi: 10.1671/2361-13 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte da imagem: Extraída do livro de Thomas Defler, History of Terrestrial Mammals in South America (2019), p. 133. Arte de Roman Uchytel.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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