Descoberta de restos caudais de Titanosauria em Sítio da Prata – MG

11 de setembro de 2020

Por: Luíza Tolomelli

Restos de ossos da cauda de um titanossaurídeo, dinossauro da ordem Saurischia, foram encontrados próximo a cidade da Prata no estado de Minas Gerais. Apesar de o termo utilizado para o fóssil ser “restos caudais”, o osso em questão foi encontrado totalmente preservado, com apenas alguns fragmentos que permitiram a observação da composição porosa da vértebra.

Os titanossaurídeos foram um grupo de dinossauros que tiveram ampla distribuição geográfica durante o Cretáceo, período geológico compreendido entre há 145 milhões e 66 milhões de anos. Por isso, fósseis desses animais ocorrem abundantemente nos sedimentos dessa idade, ao longo da América do Sul. A descoberta dos restos caudais ocorreu em 2002 durante uma expedição conjunta do Laboratório de Macrofósseis (Departamento de Geologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Museu de Minerais e Rochas (Instituto de Geografia, Universidade Federal de Uberlândia), na área da Serra da Boa Vista, Sítio da Prata – MG, onde diversos outros restos de titanossaurídeos vem sendo encontrados.

A vértebra que foi encontrada em excelente estado de conservação, permite a observação de diversas características que os Sherlock Holmes da paleontologia, com seus olhos treinados conseguiram visualizar e “traduzir” para todos a importância dessa descoberta. Segundo especialistas, o canal hemal aberto dorsalmente sugere que esta vértebra pertença a um Sauropoda Camarasauromorpha, por outro lado os titanossaurídeos também possuem essa característica. O formato em “Y” do arco hemal sugere que a vértebra pertença a um Titanosauria, há também a característica das faces articulares distais cordiformes nas vértebras proximais e médias, tal característica pertence a dois titanossaurídeos chamados Gondwanatitan faustoi e Aeolosaurus.

Assim, essas características permitem relacionar a vértebra encontrada aos dois gêneros citados acima, mas ainda é necessário a realização de estudos para avaliar a validade da espécie. Como todo Sherlock Holmes precisa de um Watson, diversos pesquisadores devem ser contatados para gerar cada vez mais informações sobre essa nova descoberta. Aguardaremos ansiosamente por mais novidades.

Artigo fonte: Almeida, EB; Avilla, LS; Candeiro, CRA. (2004). Restos caudais de Titanosauridae da Formação Adamantina (Turoniano – Santoniano), Sítio do Prata, estado de Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Paleontologia, v. 7, n. 2, p. 239-244. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Restos de ossos da cauda de um Titanossaurídeos (Extraída do artigo fonte. Legenda original: “Vista lateral (A), anterior (B) e posterior (C), arco hemal (D). Abreviaturas: CN, canal neural; PRL, lâmina pré-espinhal; PRZ, pré-zigapófise; PT, processo transverso; PZ, pós-zigapófise; SN, espinho neural. Escala = 5 cm”).

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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