Fósseis de bactérias ajudam a NASA a descobrir vida extraterrestre

22 de junho de 2022

Por: Henrique da Silva Vieira

A área científica responsável por estudar os fósseis de bactérias é a paleontologia bacteriana. Nessa área, estuda-se a forma, o tamanho e as condições em que o microrganismo vivia, por meio de características das rochas em que o ele foi encontrado. Além disso, a paleontologia bacteriana é importante para um ramo da ciência chamada astrobiologia, que visa detectar vida extraterrestre.

Desde a descoberta que as bactérias podem ser preservadas como fósseis em rochas, a NASA começou a estudar os materiais vindo do espaço, como por exemplo, os meteoritos. Com isso, a NASA segue em busca de fósseis de bactéria, pois isso evidenciaria a existência de vida extraterrestre. Um exemplo é um microrganismo encontrado no meteorito de Murchison, que caiu em 1969 na Tasmânia.

Você deve estar se perguntando: — “mas isso não pode ser uma contaminação que ocorre quando o meteorito cai na terra ou quando vão analisar ele”? A resposta é não! O que acontece é que, no processo de análise, são aplicados pelos pesquisadores protocolos rigorosos para evitar contaminação durante o preparo, manuseio e análise microscópica das amostras. Lembra daquele meteorito de Marte que os pesquisadores encontraram na Antártida em 1984, chamado por eles de ALH84001? Acredite se quiser, mas quando eles foram analisar as características químicas desse meteorito, eles encontraram uma substância química incomum muito semelhante às encontradas em bactérias. Essa substância é a magnetita, um mineral magnético que pode ser produzido por um grupo específico de bactérias. Essa magnetita é um bom marcador de presença de vida, pois se apresenta com uma aparência única, formando um “colar de pérolas” desse mineral. Isso torna essas estruturas inconfundíveis, uma vez que é muito diferente de magnetitas resultantes de processos não biológicos.

Todas essas descobertas fornecem grandes evidências da presença de atividade de um ser vivo nesse meteorito de Marte. Podendo sugerir que, no passado, pode sim ter tido vida bacteriana em Marte. Além disso, a paleontologia bacteriana, poderá auxiliar futuramente a NASA a encontrar nos materiais vindo do espaço a presença de novos microrganismos que evidenciam a presença de vida extraterrestre. Podendo encontrar indícios de vida não somente nos meteoritos vindos de marte, mas também de outros planetas do sistema solar que até então imaginamos não ter tido vida em nenhum momento.

Artigo fonte: ROZANOV, Alexei Yu et al. Bacterial paleontology for astrobiology. In: Instruments, Methods, and Missions for Astrobiology IV. SPIE, Proceedings of the International Symposium on Optical Science and Technology, 2002, v. 4495, p. 283-294. Doi: 10.1117/12.454765. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte e legenda da imagem de capa: Logo da NASA. Autoria de NASA (Dan Gauthier). Extraída do site commons.wikimedia.org <link>.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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