Paleontologia e educação, como combinar?

16 de setembro de 2020

Por: Thalita O. Carneiro

O ensino de paleontologia está presente nos documentos oficiais, mas as escolas carecem de ferramentas para trabalhar esse tema tão instigante e curioso. Par além disso, como desmistificar o uso de exemplos de fósseis apenas de dinossauros? Uma boa estratégia metodológica alinhada ao kit paleontológico pode estimular o interesse dos estudantes e promover melhores oportunidades de aprendizagem.

As pesquisadoras Lílian Paglarelli Bergqvist Stella Barbara Serodio Prestes, do laboratório de macrofósseis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveram um material didático interessante. O kit paleontológico é composto por moldes de fósseis procedentes da Bacia de Itaboraí, no estado do Rio de Janeiro, de idade paleocênica, e um bloco de rochas da Formação Pirabas, nos estados do Maranhão, Piauí e Pará, de idade miocênica e uma cartilha que auxiliaria no uso do material.

Este material é destinado a estudantes do terceiro ciclo, contemplando objetivos conceituais previstos nos documentos oficiais à disciplina de ciências. Além disso, o ensino da paleontologia perpassa pela integração de diferentes assuntos em ciências, como a história evolutiva, processos, ciclos geológicos e educação ambiental. Dessa forma, além dos objetivos conceituais, possibilita um ensino contextualizado e aplicado.

A estratégia mais comum ao se trabalhar paleontologia ao longo do ensino fundamental é a ida ao museu. Essa prática tem sua importância, e tem sido aperfeiçoada, se tornando mais interativa e menos expositiva. No entanto, ainda assim, depende de recursos específicos como transporte, tempo e a existência de um museu paleontológico acessível. A proposta do material didático desenvolvido pelas autoras é que funcione como uma ferramenta na qual o estudante terá além de uma participação ativa, contato com exemplares de fósseis a partir dos moldes.

Este material propõe a compreensão dos fósseis como objetos fundamentais para se investigar a história evolutiva da terra, assim como a dissociação da ideia que o registro fóssil é composto apenas por dinossauros e fomentar a identificação com a paleontologia desenvolvida no Brasil.

O kit paleontológico é composto por moldes de fósseis esculpidos em uma mistura de gesso, cimento branco e cola Cascorez e uma cartilha, materiais de fácil acesso. Os fósseis replicados referentes a Formação Pirabas são fósseis de bivalves, gastrópodes, corais e equinoides. Já os fósseis moldados a partir da Bacia de Itaboraí, um representante das ordens de mamíferos Condylarthra, Notoungulata, Xenungulata e Marsupialia, um gastrópode e uma semente da ordem Rosales. A cartilha apresenta definições de termos chaves como o que são fósseis, tempo geológico e traz informações sobre os exemplares disponibilizados no kit.

Os desafios propostos pela cartilha são orientados através do ensino por investigação, uma metodologia que tem se mostrado relevante no ensino de ciências. Os desafios instigam os estudantes a pensarem sobre como era o ambiente a partir das características dos fósseis e a idade geológica da Bacia.

Os resultados da aplicação dessa ferramenta didática apontam que estimula a cooperação, instiga o interesse e a curiosidade. Essa ferramenta posiciona o professor como mediador da atividade, aumentando a autonomia dos estudantes. Além disso os objetivos conceituais do uso do kit foram completamente atingidos. Apesar do trabalho ter sido produzido a alguns anos, mostra-se como uma ferramenta ainda promissora.

Artigo fonte: Bergqvist, L. P.; Prestes, S. B. S. (2014). Kit paleontológico: um material didático com abordagem investigativa, Ciência & Educação, vol. 20 no. 2, p. 345-357, DOI: 10.1590/1516-73132014000200006. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Exemplares dos moldes de fósseis proposto pelas autoras. (Figura extraído do artigo fonte.)

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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