Paleontologia e educação básica: até que ponto o conhecimento é compartilhado?

17 de janeiro de 2021

Por: Sinangelus

Sabe-se que as abordagens sobre a Paleontologia no ensino básico são escassas e superficiais. Isso se dá principalmente devido à formação precária dos professores e ao desinteresse ou dificuldades por parte dos alunos. Muitas vezes, o ensino da Paleontologia trabalhado no ensino básico brasileiro abrange apenas conteúdos com foco em dinossauros e ligeiramente em evolução da vida na Terra. Esse desinteresse e falta de investimento no ensino básico faz com que haja maior dedicação ao estudo paleontológico por instituições universitárias para formação de pesquisadores. Porém como fazer com que os alunos despertem interesse em sala de aula e reconheçam a importância do assunto?

O trabalho em questão apontou as principais deficiências que fazem com que a disseminação de conhecimento sobre a Paleontologia seja pobre no ensino infantil. Portanto, os pesquisadores têm como objetivo desenvolver um projeto que promova o contato das crianças ao tema, utilizando a Paleontologia para a alfabetização dos jovens. Para que o objetivo fosse cumprido, foram desenvolvidas diversas iniciativas focadas no processo de aprendizagem característico de cada faixa etária (ex.: crianças pequenas trabalham melhor com a manipulação de objetos, enquanto as crianças mais velhas precisam de estímulos cognitivos). O foco era que o conhecimento fosse transmitido sem restrições e de forma lúdica e clara.

As iniciativas criadas variam desde o desenvolvimento de uma linha do tempo – retratando a história biológica da Terra –, um minijardim paleobotânico nas interdependências da escola, uma sala de exposições – atuando como um pequeno museu na escola – à criação de atividades voltadas diretamente aos professores e educadores, como um canal de dúvidas permanente e a confecção de apostilas contendo conteúdo paleontológico atualizado e de linguagem simplificada. O projeto auxiliou no processo da alfabetização das crianças em questão e no maior envolvimento e interesse na área da Paleontologia.

Conclui-se que o que pode influenciar um aluno não é apenas o conteúdo que é apresentado a ele, mas a maneira como esse conteúdo é apresentado. Ambos alunos e educadores tiveram de atuar e se envolver mais com o ensino da Paleontologia em sala de aula, de forma teórica e prática. O projeto contribuiu para a construção de um conhecimento mais aprofundado, tanto por alunos quanto por professores, uma vez que foi aplicada a metodologia correta.

Artigo fonte: MELLO, Fernanda Torello de; MELLO, Luiz Henrique Cruz de; TORELLO, Maria Beatriz de Freitas. (2005). A paleontologia na educação infantil: alfabetizando e construindo o conhecimento. Ciência & Educação, v. 11, n. 3, p. 397-410. Doi: 10.1590/S1516-73132005000300005 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Linha do tempo criada por alunos e educadores no Colégio Pequenópolis (São Paulo, SP) para promover o conhecimento em Paleontologia (extraída do artigo fonte).

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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