Evidência de carnívoro no Tanque do Jirau

15 de janeiro de 2021

Por: Yuri Lisboa

Um trabalho de 2011 foi o primeiro a registrar a ocorrência de marcas de dentes de carnívoros/carniceiros em fósseis de mamíferos do Pleistoceno no nordeste do Brasil. Os fósseis foram encontrados no “Tanque do Jirau” em Itapipoca no Ceará. Marcas desse tipo ainda não tinham sido registradas para a região.

É possível dizer que os fósseis encontrados são do Pleistoceno tardio devido a presença de dois animais que tem datação, com base em elementos do esqueleto encontrados em outros tanques do nordeste. Foram identificados marcas de dentes de carnívoros em 26 dos 4149 elementos esqueletais coletados. Todos eram elementos esqueletais de herbívoros de grande porte.

Potenciais geradores das marcas, como Felídeos e Ursídeos, foram descartados, pois os padrões observados não são compatíveis com esses grupos. Também foi descartada a possibilidade das marcas terem sido produzidas por homens, uma vez que as marcas geradas por instrumentos de corte formam concavidade em formato de “V“ e as marcas observadas formam concavidade em formato de “U”, que é característico de mordida de carnívoro.

Entre os grupos encontrados nos depósitos pleistocênicos nordestinos, Protocyon troglodytes tem maior abundância de registro e é encontrado inclusive em tanques a 10 km de distância do tanque do Jirau. Considerando por tanto o porte e a distribuição geográfica é sugerido Protocyon troglodytes como o principal candidato para as marcas estudadas. Curiosamente esse táxon não esta registrado no tanque do Jirau em forma de fóssil corporal até o momento, porém essas marcas podem evidenciar sua presença na região.

Artigo fonte: Hermínio Ismael de ARAÚJO JÚNIOR; Kleberson de Oliveira PORPINO; Lílian Paglarelli BERGQVIST. (2011). Marcas de dentes de carnívoros/carniceiros em mamíferos pleistocênicos do nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Paleontologia, v. 14, n. 3, p. 291-296. Doi: 10.4072/rbp.2011.3.08 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Ulna de mamífero com marcas de mordidas encontrada no tanque do Jirau (extraída do artigo fonte).

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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