Adaptações para o ambiente terrestre: A transição peixe-tetrápode

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por: Gabriel Ferreira de Aguilar

A ideia de que, em um passado distante, um peixe “criou pernas e saiu da água” é bem conhecida. Entretanto, a evolução não é um processo linear e simples, com intuito de melhora. O processo que levou ao surgimento dos tetrápodes (grupo composto por vertebrados de quatro patas, incluindo aqueles que perderam essas patas, como as cobras e baleias) a partir de um ancestral comum aquático foi uma série de eventos que, por muito tempo, permaneceu obscura.

Inicialmente, os pesquisadores tinham apenas três fósseis de tetrápodes primitivos, afastados temporalmente entre si e um deles já desenvolvido e especializado para seu hábitat. Esse acervo limitado impediu, por muito tempo, a compreensão do processo que levou ao surgimento dessas criaturas. Porém, nos últimos vinte anos, novas descobertas ao redor de todo o mundo possibilitaram um maior entendimento das condições ambientais que possibilitaram a transição para o ambiente terrestre e as adaptações relacionadas a este estilo de vida.

Sabe-se agora que os parentes mais próximos dos tetrápodes são os peixes sarcopterigios, cujos representantes vivos atualmente são os celacantos e os peixes pulmonados. Os ossos das nadadeiras desses peixes possuem grande semelhança com o arranjo ósseo dos membros de tetrápodes primitivos, evidenciando sua relação evolutiva.

Com base em fósseis do período Devoniano, os pesquisadores puderam inferir que os primeiros tetrápodes ainda não eram capazes de se sustentar completamente fora da água, em vez disso, possuíam membros dianteiros fortes, adaptados para levantar a cabeça fora da água para respirar e se arrastar na lama em busca de alimento.

Ademais, estudos sobre o paleoambiente do Devoniano indicam que, durante o período de surgimento dos tetrápodes, houve um aumento na diversidade de plantas terrestres, criando um ambiente de alta disponibilidade de alimento e baixa concorrência. Ao mesmo tempo, muita matéria orgânica passou a ficar disponível e ser consumida por microorganismos decompositores, que utilizam oxigênio nesse processo. Assim, nessa época, há dados geológicos que indicam uma diminuição nos níveis de oxigênio atmosférico e uma diminuição ainda maior do oxigênio disponível nos corpos d’água, tendo possivelmente favorecido organismos capazes de conseguir oxigênio por outras fontes que não a água.

Essa sucessão de eventos (mudanças climáticas e atmosféricas, aumento de biodiversidade vegetal, surgimento de novos ambientes) possibilita a compreensão de um grupo que hoje é tão diverso e onipresente que nem se pode imaginar um tempo em que não existiam.

Texto fonte: Clack, J.A. (2009). The Fish–Tetrapod Transition: New Fossils and Interpretations. Evo Edu Outreach 2, 213–223. https://doi.org/10.1007/s12052-009-0119-2 (2023) Current Biology, vol. 33, n.12, pp 2417-2424.

Disponível emhttps://evolution-outreach.biomedcentral.com/articles/10.1007/s12052-009-0119-2.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução artística de Tiktaalik roseae, um dos representantes mais antigos da superclasse tetrapoda.

Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiktaalik.


Texto revisado por: Lucélio Batista, Alexandre Liparini.

Origem e História Evolutiva dos Cetáceos

Escrito em:  23 de março de 2024

Por : Álvaro dos Santos Costa

Os cetáceos, grupo das baleias, botos e golfinhos são mamíferos conhecidos, pelas suas proporções gigantescas e por suas vidas exclusivamente aquáticas em mares e rios. No entanto, mesmo adaptados à vida aquática, estes animais  possuem pulmões e precisam subir à superfície para respirar oxigênio. Características como estas nos deixam com algumas perguntas: como animais que respiram ar evoluíram para viver permanentemente na água? Qual foi o caminho evolutivo para que os cetáceos tenham passado a viver com êxito nos mares do nosso planeta? Quem foram seus antepassados?

Estas e outras indagações nos levam a buscar suas origens evolutivas  para  mapear  a história evolutiva das baleias, botos e golfinhos modernos.

 Já é sabido pelo meio científico que o parente vivo mais próximo das baleias são os hipopótamos, mamíferos ungulados (mamíferos que se apoiam em uma quantidade par de cascos). Mas apesar dessa relação os hipopótamos e os cetáceos são profundamente diferentes, e é aí que começa o quebra-cabeças da linha evolutiva das baleias.

 Um dos primeiros indivíduos pertencentes a família dos cetáceos viveu há cerca de 56 milhões de anos (Ma), no Eoceno. conhecido como Pakicetus, seu nome faz referência ao local onde foi encontrado, o atual Paquistão. Era um mamífero terrestre semiaquático que, fisicamente, parecia muito pouco com os cetáceos atuais. Tinha quatro patas, poucos pelos curtos, um rosto alongado e dentes afiados, indicando uma alimentação carnívora assim como os cetáceos modernos.

Reconstrução de Pakicetus (eoceno inferior, Paqistão) constituído por múltiplos indivíduos, (Photo H.J.G. Thewissen), (barra de escala = 20 cm).

 Ao chegarmos ao período do Eoceno médio, (47.8 Ma) no Paquistão, encontramos, Ambulocetus com características físicas já mais bem melhor adaptadas à vida próxima a corpos d’água do que Pakicetus. Possuía longos membros traseiros –especialmente as tíbias e fíbulas –, membros posteriores maiores que a cauda e uma pelve bem desenvolvida. Todas estas são adaptações para locomoção em ambientes aquáticos, o que leva a crer que Ambulocetos não necessitava da terra firme para muitas coisas. Com base em suas características, a maneira com que se comportava deveria lembrar muito os hábitos de leões marinhos atuais.

Reconstrução do esqueleto de Ambulocetus natans (eoceno inferior, Paqistão) reconstruído a partir de seu holótipo (barra de escala = 30 cm) (Courtesy of H.J.G. Thewissen)

Pulando para o Eoceno Superior (38 Ma), os cetáceos apresentam um modo de vida totalmente aquático, com características totalmente adaptadas à vida na água. Gêneros como Dorudon, Basilossauro, e Cynthiacetus já se assemelhavam muito aos cetáceos modernos. Membros posteriores já muito atrofiados e pelve completamente desconectada da coluna vertebral, são características que explicitam como estes animais – diferentemente de Ambulocetus –  possuíam uma vida já completamente aquática.

Nesta reconstrução do esqueleto de Durodon, um basilossaurídeo é possível observar a pelve completamente descolada da coluna vertebral (barra de escala= 50cm) (courtesy of P.D. Gingerich).

Outra notável característica evolutiva foi o tamanho destas criaturas, os basilosaurídeos chegavam a grandes dimensões com indivíduos medindo até 18 metros de comprimento enquanto Pakicetus e Ambulocetus chegavam no máximo a 4 metros de comprimento.

Os primeiros Misticetos (Llanocetus) já do último período do Eoceno, possuíam individuos   com dentes e alguns com pequenas estruturas filtradoras as cerdas, este é um momento chave para a divisão de misticetos e odontocetos. Estas cerdas enunciam um tipo de alimentação baseada por pequenos animais com o desenvolvimento deles e a perda de dentes, os Misticetos desenvolveram uma adaptação eficiente, a alimentação com filtro relacionada a uma estratégia alimentar diferente da dos basilosaurídeos. neste momento da história da evolução dos cetáceos as narinas já estão na parte de cima do crânio, o que permite uma respiração mais prática e rápida, seus crânios também já estão alongados e projetados para frente como os cetáceos atuais

Ao chegarmos nos tempos atuais veremos duas classes de cetáceos:. Odontocetos, cetáceos com dentes calcificados como de orcas e golfinhos-nariz-de-garrafa; Misticetos , que possuem cerdas,fibras de queratina como das baleias-azuis e baleias jubarte.

Foi um longo caminho até os cetáceos chegarem aonde chegaram, milhões de anos de constante evolução para a adaptação de um ser terrestre para um totalmente aquático. A chegada aos mares permitiu a  esses animais atingirem  tamanhos enormes e formatos totalmente hidrodinâmicos perfeitos para a vida na água, sendo um dos processos de evolução mais complexos e extremos da história da evolução.

Texto fonte:  The origin and evolutionary history of cetaceans Author, Christian de Muizon.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1631068308001097

Imagem Fonte: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1631068308001097, imagem 15.

Texto fonte: Département histoire de la Terre, UMR 5143 (CNRS, MNHN, UPMC), CP 38, 57, rue Cuvier, 75005 Paris, France Author: Christian de Muizon Publication: Comptes Rendus Palevol Publisher: Elsevier Date: March–April. (2009). https://doi.org/10.1016/j.crpv.2008.07.002 Christian de Muizon, L’origine et l’histoire évolutive des Cétacés, Comptes Rendus Palevol, Volume 8, Issues 2–3, 2009, Pages 295-309, ISSN 1631-0683.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S16310683080010;97.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.crpv.2008.07.002.

Fonte e legenda da imagem de capa: Capa do livro na qual foi feito o texto.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S16310683080010;97.

Texto revisado por: Ana Damiane, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini,

TRILOBITAS BRASILEIROS  DA BACIA DO AMAZONAS E SEUS HÁBITOS DE VIDA

Escrito em: 22 de Março de 2024

Por Leticia de Souza Lopes

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

Você sabia que existiam trilobitas no território brasileiro? E que eles apresentam hábitos de vida diferentes entre eles? 

Os trilobitas Brasileiros  viveram no Tempo Paleozoico, especificamente no período  Devoniano e viviam nas formações geológicas Maecuru e Ererê na Bacia do Amazonas, no estado do Pará. Esses trilobitas tinham diferentes hábitos de vida e adaptaram-se ao ambiente marinho da época, eles foram divididos em dois grupos sendo os Maecuru e os Ererê.  

Os trilobitas da Formação Maecuru foram encontrados em arenitos marinhos finos e grossos e datam do período Eifeliano, eles faziam parte de uma comunidade diversa de organismos marinhos como braquiópodes e moluscos. Os fósseis estudados estavam preservados em blocos coletados nas margens do rio Maecuru, já os da Formação Ererê foram encontrados em siltitos micáceos intercalados por folhelhos e arenitos de granulação fina, no ambiente marinho.

Os trilobitas dos dois grupos estudados tinham hábitos alimentares predadores, eles viviam perto do fundo do mar e podiam escavar o sedimento, seja em busca de comida ou para se protegerem. Além disso, algumas espécies de trilobitas podem enrolar seus corpos para se defenderem de predadores. Por fim, os trilobitas foram classificados em três morfotipos com base em suas características físicas, sendo:

Morfotipo I

Os trilobitas desse morfotipo tinham sua área estomacal pequena, isso sugere que o trilobita não ingeria um grande volume de comida e que apenas engolia partículas pequenas de alimento, e eles eram excelentes escavadores.

O Morfotipo II 

Os trilobitas do Morfotipo dois, não eram escavadores tão rápidos quanto o Morfotipo I. No entanto, ainda podiam escavar o sedimento para capturar presas ou se proteger e seu estômago era maior que o do morfotipo um.

Morfotipo III

Os trilobitas do morfotipo três tinham um hábito alimentar semelhante aos tipos anteriores, mas com uma área estomacal maior que todos. Eles provavelmente consomem mais comida e se enrolavam para se proteger de predadores ou distúrbios ambientais. 

Podemos concluir que ambos os três morfotipos possuíam um hábito alimentar predador/necrófago, necessitando de escavações para conseguir o alimento e se diferenciando na capacidade individual de cada grupo em escavar e na quantidade de alimento que conseguia ingerir, isso mostra o quanto os organismos se adaptam e diferenciam mesmo pertencendo ao mesmo táxon.

Texto fonte:   DA SILVA, C. F., & DA FONSECA, V. M. M. (2005). Hábitos de vida dos trilobitas das formações Maecuru e Ererê, Devoniano da Bacia do Amazonas, Brasil. Revista Brasileira de Paleontologia, 8, 1.

Disponível em: https://www.sbpbrasil.org/revista/edicoes/8_1/silva&fonseca.pdf.

Fonte e legenda da imagem de capa  Trilobita enrolado para se defender contra predadores.

Disponível em: https://www.sbpbrasil.org/revista/edicoes/8_1/silva&fonseca.pdf.


Texto revisado por: Leticia Lopes, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Os Menores Pinguins do Mundo: Uma História Contada pelos Fósseis

Escrito em: 02 de Abril de 2024

Por Isabele Cardoso Santos

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

Na Nova Zelândia, mais especificamente na Ilha Norte, há uma fascinante formação geológica que conta a história de muitas espécies já extintas: a Formação Tangahoe. As rochas dessa área consistem em arenitos lamacentos, formados abaixo do nível do mar durante o Plioceno (3.4 a 3 milhões de anos atrás), os quais proporcionam um ambiente adequado para a conservação de fósseis. Entre as espécies marinhas extintas que variam de tubarões, focas e cetáceos, essa massa rochosa conservou restos de um curioso gênero de pinguim: Eudyptula

Esse gênero, também conhecido como “pequeno pinguim”, atualmente subdivide-se entre duas espécies, uma presente na Nova Zelândia, a Eudyptula minor, e uma presente na Austrália, a Eudyptula novaehollandiae. Porém, um estudo foi feito com base em fósseis do pequeno pinguim e, relacionando esse material com espécies atuais de tal gênero, os pesquisadores descobriram que a distribuição geográfica desses animais nem sempre foi a mesma, e havia um equívoco sobre onde se pensava ser a origem deles.

Explorar a relação de fósseis com espécies ainda viventes permite aos paleontólogos recontar a história do indivíduo, seja do ambiente em que vivia, da relação com outros seres ou do seu comportamento no ecossistema. E não é diferente com o tema em questão: por meio de medidas feitas no crânio do fóssil do animal, foi possível determinar vários aspectos, como distinção morfológica entre as duas espécies citadas e o grau de maturidade antes de morrer. Na realidade, dois fósseis coletados na Nova Zelândia e pertencentes ao Plioceno foram descritos, o que permitiu concluir que os pequenos pinguins viveram durante o Neógeno (23 milhões – 2,58 milhões de anos atrás).

Outra característica intrigante é a conservação da espécie. A datação de 3 milhões de anos atrás mostra que a Terra passou por intensas mudanças climáticas, desde aquecimentos globais até eras glaciais durante vários períodos. O pequeno pinguim fóssil, tendo sobrevivido na região, manteve características semelhantes às que são vistas em espécies atuais, o que pode significar ser um possível ancestral delas. Essa ideia é apoiada pela evidência da distinção das espécies já citadas, e a idade calculada dos fósseis cranianos determina a origem neozelandesa do pinguim pequeno. Análises biogeográficas também apoiam o estudo, já que, apesar da origem ser na Nova Zelândia, observou-se uma dispersão para a Austrália durante o Pleistoceno, e uma expansão que levou a espécie de volta para sua origem, durante o Holoceno, período em que vivemos.

Texto fonte:  Thomas, Daniel B. et al. (2023). Pliocene fossils support a New Zealand origin for the smallest extant penguins. Journal of Paleontology v. 97, p. 711-721.

Disponível em: https://doi.org/10.1017/jpa.2023.30.

Fonte e legenda da imagem de capa:  Família da espécie Eudyptula minor, na Austrália.

Disponível em: https://www.biodiversity4all.org/taxa/472610-Eudyptula-minor-minor.


Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.

Novela do Cretáceo ganha novo capítulo!

Escrito em: 25 de março de 2024

Por Pedro Henrique Lima dos Santos

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

O paleontólogo Paul Sereno e sua equipe, publicaram em 2022 um estudo no qual contesta a hipótese de que o Spinosaurus fosse um animal de hábitos aquáticos, como proposto pelo paleontólogo Nizar Ibrahim e seus colaboradores em um estudo de 2020. Essa discussão é importante pois nos ajuda a entender a evolução dos dinossauros, e sua adaptação em ambientes aquáticos.

Este grande terópode carnívoro, pertencente à família Spinosauridae, habitou nosso planeta durante o período Cretáceo, entre aproximadamente 99 e 93,5 milhões de anos atrás. Esse dinossauro é reconhecido pela presença marcante de uma estrutura óssea, similar a uma vela em suas costas, além de sua aparição no filme Jurassic Park 3.

Em 2020, o pesquisador Nizar e sua equipe propuseram ao mundo que o Spinosaurus seria o primeiro dinossauro a possuir hábitos totalmente aquáticos. No estudo, sugeriu que esses animais habitavam ambientes marinhos, costeiros ou de águas profundas, sendo excelentes nadadores e mergulhadores, destacando como um dos principais argumentos a densidade óssea do Spinosaurus.

Entretanto, o estudo mais recente de Paul e seus colegas refuta essa hipótese, afirmando que, na realidade, o Spinosaurus não seria um bom nadador, sendo inclusive incapaz de mergulhar profundamente. Segundo Paul e colaboradores, o Spinosaurus seria um animal de hábitos predominantemente terrestres, ocasionalmente frequentando ambientes semiaquáticos, onde poderia nadar apenas em áreas mais rasas. Além disso, apontam que a densidade óssea desse animal pode variar dependendo da parte do osso analisada, afirmam também  que o estudo apresentado por Nizar e colaboradores possui vários erros. 

Agora nos resta aguardar os próximos capítulos dessa novela do Cretáceo sem Era marcada para terminar!

Texto fonte:  Paul C Sereno , Nathan Myhrvold, Donald M Henderson , Frank E Fish, Daniel Vidal, Stephane L Baumgart, Tyler M Keillor, Kiersten K Formoso,Laurem L Conroy. (2022). Spinosaurus is not an aquatic dinosaur. eLife ,30 de Novembro de 2022 , Sereno et al . eLife 2022,11e80092.

Disponível em: https://doi.org/10.7554/elife.80092

Fonte e legenda da imagem de capa:  A imagem apresenta o Spinosaurus em um ambiente de águas profundas, algo próximo a teoria de Ibrahim.

Disponível em: https://www.reddit.com/r/Paleontology/comments/1jz5rji/could_spinosaurus_swim_the_fierce_dinosaur/?show=original. Créditos: David Bonadonna.


Texto revisado por: Gabriel Félix Diório, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Qual é a origem dos camaleões

Escrito em: 24 de março de 2024

Por: Octavio Augusto Greco

Camaleões são animais fascinantes, com estilos de vida que variam de arbóreos a terrestres, habitando desde matas fechadas até savanas abertas, e distribuídos da África à Ásia e Europa. No entanto, são um grupo que deixa pouquíssimos registros fósseis, o que torna muito difícil sua caracterização e o estudo de sua história evolutiva. Por exemplo, até o momento, não há registros dos primeiros ancestrais da família. Dessa forma, investigar seu desenvolvimento e dispersão é uma tarefa bastante complexa.

Como, então, isso pode ser feito, já que não há evidências fósseis abundantes para confirmar hipóteses? Para esse estudo, foram realizadas análises do DNA mitocondrial desses animais, com foco em traços evolutivos que indicam uma certa cronologia, comparando esses dados com a biogeografia histórica e atual.

Os camaleões estão distribuídos na África, Europa e Ásia, predominando na África continental e em Madagascar. Acredita-se que o táxon tenha surgido em uma dessas regiões. Uma das questões levantadas é como ocorreu a dispersão entre esses dois locais, considerando que a origem do grupo teria acontecido após a separação de Gondwana, e que as diferenças genéticas entre as espécies desses locais datam de aproximadamente 50 a 90 milhões de anos. A principal conclusão é que houve uma dispersão oceânica da África para Madagascar, hipótese sustentada por estudos das correntes marítimas da época, além do fato de que seu grupo-irmão é encontrado apenas no território continental.

Pode ser, no entanto, que uma população mais antiga desse grupo tenha existido em Madagascar e sido posteriormente extinta. Nesse caso, não temos os indivíduos viventes, para recontar essa história através do DNA e também  não teríamos (ainda) os fósseis, que corroborem essa possibilidade.

Posteriormente, a dispersão para a Ásia e Europa teria ocorrido, com as espécies alcançando e se diversificando nessas regiões há aproximadamente 10 milhões de anos.

Como se pode observar, a família Chamaeleonidae é relativamente recente, especialmente quando comparada a outros grupos de répteis. Esse caso evidencia a importância da vicariância e da dispersão oceânica na evolução e no povoamento das espécies — neste caso, superando a distância média de cerca de 1000 km que separa Madagascar do continente africano.

Texto fonte: Tolley, K; Townsend, T (2013). Large-scale phylogeny of chameleons suggests African origins and Eocene diversification. Proceedings of the Royal Society, v. 280 issue 1759.

Disponivel em: https://royalsocietypublishing.org/doi/full/10.1098/rspb.2013.0184#d1e225 acessado em 24/03/2024.

Doi: https://doi.org/10.1098/rspb.2013.0184.

Fonte e legenda da imagem de capa: Imagem explicitando a evolução da família. Em azul espécies de Madagascar, em verde da África, em roxo da Ásia e em rosa da Europa, laranja Seychelles e  verde-lima Socotra.

Disponivel em: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2013.0184.

Paleotocas Megaichnus major

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por:  Lara Karoline Silva Cardoso

As preguiças-gigantes são mamíferos extintos que habitaram a América do Sul durante o Plioceno e o Pleistoceno. Esses animais pertencem à ordem Cingulata, assim como os tatus atuais, e foram responsáveis pela criação das chamadas paleotocas do icnogênero Megaichnus, definidas como túneis e salões formados pela escavação de rochas que já estavam alteradas. Dessa forma, os Megaichnus representam uma evidência fóssil das atividades desses gigantescos animais passados.  

Nas paleotocas estão registradas as marcas deixadas pelas preguiças-gigantes, além de serem locais que possuem entradas e saídas, pois eram utilizadas como abrigo. Além disso, por meio da análise da extensão das paleotocas é possível até mesmo diferenciar as que foram escavadas por preguiças-gigantes, Megaichnus major, e aquelas que foram por tatus-gigantes, Megaichnus minor. É importante evidenciar que a maior parte dos Megaichnus estão localizados na região sul do Brasil, principalmente em Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). Porém, é difícil determinar suas idades exatas, visto que não há relação entre a época de construção desses abrigos e a idade das rochas locais, contudo, alguns Megaichnus encontrados no Brasil datam do Pleistoceno, por volta de 325 mil anos.  

As paleotocas são locais instáveis para visitação, mas então como preservar e ao mesmo tempo ser acessível ao público? Para resolver isso foram criados Modelos Digitais Tridimensionais (M3D) de Megaichnus major em Doutor Pedrinho, município localizado no Estado de Santa Catarina. Dessa forma, é possível conhecer e estudar estes icnofósseis de maneira virtual, sem necessariamente ir ao local em que eles se encontram, possibilitando a ampliação do conhecimento àqueles que têm interesse de visitar o ambiente, além de que, segundo o artigo de Caroline et al. (2022) “O M3D possibilita a visualização interativa e novas possibilidades de aprendizagem, pois essa ferramenta permite fácil acesso por meio da internet e diferentes maneiras de manuseio, como girar e ampliar detalhes”. 

Dessa maneira, foi feito o mapeamento do Megaichnus major em Doutor Pedrinho, por meio da realização das medidas das dimensões dos túneis e salões, e dos levantamentos fotogramétricos, a fim de garantir uma visão detalhada das marcas deixadas pelas preguiças-gigantes e então elaborando um banco digital de dados, executado no Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia (LEP), da UNESP, para organizar as informações que foram retiradas e, a partir disso, criar o M3D.

Posteriormente, ele foi transformado em um aplicativo de Realidade Virtual que seria acessível ao público. Por fim, a paleotoca estudada foi escavada em arenitos do Grupo Itararé e por preguiças-gigantes da família Mylodontidae, mas também houve presença de outros tipos de seres vivos, devido à alternância do tamanho dos túneis. Além disso, o processo de pesquisa realizado tornou público a visualização detalhada desse local por meio do M3D, fazendo com que esse conhecimento paleontológico pudesse ser ampliado visando atingir o maior número possível de pessoas.

Texto fonte: AUDI, C.; MEYER, D.; TJUI YEUW, T.; BARALDO, K. B.; FEY, J. D.; SPANGHERO, N. F.; MUNHOZ, M. S.; OLIVEIRA, B. J. de; BUCHMANN, F. S. (2022). Fotogrametria de um icnofóssil escavado por preguiças-gigantes (Megaichnus major). Revista Brasileira de Paleontologia, [S. l.], v. 25, n. 3, p. 208–218.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/306. Acesso em: 4 apr. 2024.

DOI: 10.4072/rbp.2022.3.04.

Fonte e legenda da imagem de capa: Ilustração de como ocorre o processo de escavação na rocha para gerar a paleotoca.

Disponível em: Extraída do site GZH.

Asas do passado: nova espécie-fóssil de Neuroptera descoberta!

Escrito em: 28 de março de 2024

Por: Maria Eduarda Manini Soutelo

Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

Dentre os organismos no chamado Reino Animal, o grupo dos insetos é um dos maiores e mais diversos! Eles possuem enorme importância para a vida como conhecemos no planeta, seja pelos serviços ecossistêmicos que eles desempenham – como a polinização – ou por seu papel na transmissão de doenças, por suas interações com plantas e outros organismos, entre outros aspectos. Sua grande biodiversidade inclui diversos subgrupos, chamadas ordens, dentre elas a ordem Neuroptera.

A ordem Neuroptera é bastante diversa e conhecida por seus membros terem asas transparentes. Dentro desse grupo, temos uma família já extinta muito famosa: Kalligrammatidae, que habitou o planeta na Era Mesozoico, mais de 170 milhões de anos atrás! Essa família se destaca por incluir alguns dos maiores neuroptera que já existiram, havendo estimativas de espécies que podem ter atingido até 16 cm de comprimento de asa! Além disso, uma característica interessante desses insetos é a presença de ocelos, que são manchas arredondadas, nas asas.

Em 2021, foi publicado, na revista Cretaceous Research, um artigo dos pesquisadores Renato J.P. Machado, André V.L. Freitas e Guilherme C. Ribeiro, em que se descrevia uma nova espécie de Kalligrammatidae. O fóssil em que se baseia essa pesquisa foi encontrado na Formação Crato, um paleoambiente importante localizado no nordeste do Brasil. A partir dele, os autores caracterizaram uma nova espécie – com o nome Makarkinia irmae – e analisaram suas relações evolutivas dentro dessa família. Além disso, foi discutida a questão da presença do ocelo na asa posterior desse inseto, comparando com o conhecimento que temos sobre os lepidópteros atuais: borboletas e mariposas.

Dentro da ordem Neuroptera, o único outro grupo conhecido que compartilha a presença de ocelos nas asas é um gênero vivo muito raro: Pseudimares! Por isso, é comum que os Kalligrammatidae sejam comparados com o grupo das borboletas, que é conhecido por ter essa mesma característica. Os autores concordam com a hipótese de evolução paralela com a ordem Lepidoptera, em que ambos os grupos alcançaram de forma independente caracteres parecidos. Porém, na maioria das borboletas diurnas, como a família Satyrinae, os ocelos são pequenos e localizados na borda das asas. Os ocelos em Kalligrammatidae são maiores e centralizados, como ocorre em muitas mariposas noturnas, por exemplo a família Saturniidae.

Assim, no artigo é apresentado que os integrantes de Kalligrammatidae eram, na verdade, ecologicamente convergentes com mariposas. Ou seja, eles independentemente foram selecionados de acordo com certas características, sendo noturnos e usando os ocelos para evitar a predação, provavelmente de pterossauros! Entre os Neuroptera, aquele único grupo que apresenta ocelos – o inseto do gênero Pseudimares – é noturno, reforçando essa teoria!

Essa é uma descoberta importante que contribui para o conhecimento que temos da família extinta Kalligrammatidae, tanto em relação à sua divisão em subgrupos quanto relativo à ecologia desses insetos. Além disso, essa pesquisa enriquece nossa compreensão da relação desses animais extintos com a época e o local em que eles existiram!

Texto fonte: Renato J.P. Machado, André V.L. Freitas, Guilherme C. Ribeiro. (2021). A new giant species of the remarkable extinct family Kalligrammatidae (Insecta: Neuroptera) from the Lower Cretaceous Crato Formation of Brazil. Cretaceous Research, Volume 120. 104724, ISSN 0195-6671.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195667120304110?via%3Dihub.

Legenda da imagem de capa: Fotografia do fóssil encontrado, usado para descrever a espécie ‘Markakinia irmae’.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0195667120304110?via%3Dihub.

Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini.

Fungos Nas Florestas de Âmbar no Norte Europeu

Escrito em: 3 de abril de 2024

Por: Anderson Luiz Magalhães Júnior

Quando se pensa nos fósseis preservados em âmbar, geralmente vem à mente aquela típica imagem do mosquito em resina que é mostrada no filme Jurassic Park, porém outras espécies de organismos também podem ser preservados, como flores, aranhas e fungos. Infelizmente, é muito raro que os fungos e materiais fúngicos sejam preservados no âmbar, geralmente quando se tem esses fósseis são de fungos microscópicos como ascomicetos, tendo poucos achados dos fungos macroscópicos.

Primeiramente, o que é o âmbar? Cerca de 24 a 47 milhões de anos atrás, em algumas regiões da Alemanha (Báltico e Bitterfeld), provavelmente devido a condições climáticas favoráveis, se desenvolveram  grandes florestas de árvores  que armazenavam quantidades significativas de uma resina amarelada. Essa resina pegajosa permitia a conservação de organismos que ficassem presos a ela, os protegendo de ações de predadores e decompositores, quando ela atinge mais de 40 mil anos ela é chamada de âmbar. Assim, essas regiões ficaram conhecidas como florestas de âmbar, podendo ser caracterizadas pelas suas condições geológicas e taxonômicas  que permitiram a fossilização de tais organismos.

Como foi abordado anteriormente, existe uma vasta gama de organismos que podem estar preservados no âmbar, esse processo pode ocorrer de duas formas, a primeira consiste quando o ser vivo é preso na resina fresca que é muito pegajosa e vai sendo expelida aos poucos, formando camadas onde o material biológico é aprisionado. A segunda forma de inclusão ocorre quando uma generosa quantia de resina líquida desce pela árvore ou escorre até o chão e pode ocasionalmente preencher cavidades ou aprisionar material biológico nesse trajeto, inclusive fungos.

Grande parte das inclusões não são facilmente visíveis, como no caso dos microfungos que necessitam de muita técnica e experiência para serem estudados. O âmbar geralmente é coberto por uma crosta que impede a visualização, então é necessário que essa crosta seja removida, de forma que os processos de desgaste utilizados geralmente se dão por lixamento ou por uma abrasão especial que utiliza de um tambor rotativo, onde há o desgaste por areia e água facilitando a observação do material. Caso algum organismo  importante seja detectado, esse âmbar poderá ser estudado com diferentes técnicas.

 Apesar do âmbar ser uma ótima ferramenta para a visualização de seres que não costumam ser encontrados fossilizados, a inclusão de fungos maiores nessa resina é muito improvável , devido ao seu curto ciclo de vida e tamanho, logo são necessárias condições muito específicas de inclusão, como uma quantia suficiente de resina para cobrir esses fungos durante um limitado período de tempo antes de iniciar a sua decomposição que ocorre rapidamente. Outro fator limitante é que grande parte da produção da resina acontecia no início da estação chuvosa enquanto que os macrofungos se desenvolviam no final, de forma que os microfungos, principalmente os ascomicetos (líquenes), não eram afetados.

Finalmente, acerca dos ascomicetos encontrados, pode se constatar que houve uma explosão de diversificação de liquens no norte europeu entre 23-66 milhões de anos. O que de fato permitiu essa diversificação ainda não é bem compreendido, mas provavelmente pode ter sido por fatores climáticos, como clima temperado subtropical e também pela diversidade na densidade de vegetação e na estrutura das cascas mais grossas das árvores produtoras de âmbar.

Texto fonte: Hans Halbwachs.(2020). Fungi in amber forests of northern Europe, Field Mycology, Volume 21, Issue 1, Pages 18-24,

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1468164120300086.

Doi: https://doi.org/10.1016/j.fldmyc.2020.01.007.

Fonte e legenda da imagem de capa: Fotos de uma inclusão de um fungo em Âmbar Báltico.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1468164120300086.

Texto revisado por: Marina Purri, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Quem protege os fósseis no Brasil?

Escrito em: 03 de março de 2024

Por: Caju

Os fósseis são restos, impressões ou vestígios de organismos que viveram no passado geológico da Terra e foram preservados em rochas sedimentares ou em outros materiais, como âmbar (resina de árvore) e gelo. Seu estudo é fundamental para compreender a evolução da vida, os processos geológicos e a formação dos ecossistemas. Atualmente, as pesquisas ultrapassam os limites das geociências e alcançam também áreas como física, química e medicina, o que ressalta ainda mais a importância de sua preservação.

A primeira lei a assegurar a proteção dos depósitos fossilíferos no Brasil foi o Decreto-Lei nº 4.146, de 4 de março de 1942, que estabelece que os fósseis pertencem à União e são de responsabilidade do então Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), atual Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia desde 2017. No entanto, apenas em 2014, por meio da Portaria DNPM nº 542, foram estabelecidos os critérios para a extração de fósseis, bem como os responsáveis por tal atividade:

  1. A extração só pode ser feita com autorização prévia do DNPM (atual ANM);
  2. É permitida apenas para fins relacionados a projetos técnicos de salvamento paleontológico ou projetos científicos e atividades de caráter científico, técnico ou didático, destinados a museus e universidades públicas ou subsidiadas pelo Governo;
  3. É proibida a venda de fósseis.

Apesar dessas diretrizes, estudos apontam uma preocupante situação de perda do patrimônio fossilífero brasileiro: mais da metade dos holótipos (material que serve para definir espécies novas) encontra-se depositada fora do país, e 64,5% dessas espécies foram descritas por estrangeiros. Há registros de fósseis brasileiros sendo vendidos ilegalmente em leilões internacionais e expostos em museus estrangeiros, contribuindo para o mercado ilegal conhecido como paleopirataria. A normatização recente no Brasil, por sua vez, agrava o problema, ao deixar muitos depósitos fossilíferos vulneráveis à destruição — especialmente em razão da atividade mineradora.

Do ponto de vista jurídico, os fósseis são considerados patrimônio cultural, nos termos do artigo 216 da Constituição Federal de 1988, que define esse patrimônio como:

“bens de natureza material ou imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.”

Entretanto, como demonstrado, a realidade da perda científica contrasta com esse reconhecimento legal. Dessa forma, diversos órgãos — inclusive internacionais — atuam em defesa da preservação paleontológica, como o IPHAN, a UNESCO e o SIGEP. Entre as propostas já implementadas, destacam-se:

  1. A criação de Geoparques (2004), que propõe a identificação de sítios geológicos ao redor do mundo, caracterizando-os como áreas de proteção e valorização de recursos geológicos;
  2. A criação da Comissão Brasileira dos Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), cuja principal atribuição é apoiar o gerenciamento de um banco de dados nacional de geossítios.

Diante desse cenário, torna-se evidente a importância da atuação dos órgãos responsáveis e das legislações já existentes, mas também a necessidade urgente de novas normativas específicas. A ausência de uma legislação própria sobre o tema incentiva a paleopirataria e dificulta a responsabilização dos infratores.

Para conhecer outros regimentos legais sobre fósseis e os órgãos envolvidos na proteção do patrimônio paleontológico, recomenda-se a leitura do artigo “Os Fósseis Além da Paleontologia – Uma Questão Jurídica”, disponível na Revista da Academia de Ciências do Piauí:
🔗 https://periodicos.ufpi.br/index.php/acipi/article/view/1745/1576
Ou ainda, o site da Sociedade Brasileira de Paleontologia:
🔗 https://sbpbrasil.org/legislacao-brasileira/


Palavras-chave: ANM, DNPM, FOSSIL, LEGISLACAO, PALEOPIRATARIA, GEOSSITIOS

Disponível em: PIRES, Juliana Nunes. Imagem ilustrativa de fóssil. Canva, 2025. Disponível em: https://www.canva.com/design/DAGA_5KEKGE/jWMBbMNr7ViazGh7McnhDw/edit. Acesso em: 30 maio 2025.

Texto fonte: OLIVEIRA, Paulo Victor de, VIANA, Maria Somália Sales, GONÇALVES, Yana de Moura. (2022). Os Fósseis Além da Paleontologia – Uma Questão Jurídica. Revista da Academia de Ciências do Piauí, Volume 3, Número 3, p.197-210, Janeiro/Junho 2022. ISSN: 2675-9748.

Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/acipi/article/view/1745/1576 acessado em: 20/03/2024).

DOI:10.29327/261865.3.3-13.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução do ”Ubirajara Jubatus” em vida. Um dos fósseis brasileiros contrabandeados.

Texto revisado por: Giulia Alves.