Paleobiologia da Conservação: Lições do Passado para Salvar o Futuro

Escrito em: 05 de dezembro de 2024

Por: Luana Maria Silva

A paleontologia é a ciência que estuda a terra, os seres vivos e a biodiversidade ao longo do tempo. Ela possui diversas áreas, e por vezes é confundida como uma ciência que estuda somente o passado. Mas sabia que, assim como outras ciências que estudam a história da terra, a paleontologia busca aplicar este conhecimento no presente?

Existem diversas áreas dentro da paleontologia, uma delas é a Paleobiologia da Conservação. O campo da Paleobiologia da Conservação, ou PBC do inglês, Conservation Paleobiology, engloba cientistas de diversas áreas como Paleoclimatologia, Ecologia da Conservação,  Arqueologia, etc. Esse campo tem como foco o estudo de diferentes organismos, que podem variar desde plantas, a animais e inclusive os seres humanos que viveram em diversos períodos de tempo, comparados e aplicados à terra no presente e os impactos dos mesmos na atualidade.

O tempo abordado pela Paleobiologia da Conservação pode variar de acordo com a linha de pesquisa do cientista. O tempo dentro da Paleontologia é extremamente importante, é como um quebra cabeças que contém a história da vida, e precisa ser encaixado cuidadosamente. Nossa Terra já foi palco de cenários completamente diferentes dos que vivenciamos na atualidade, seja pelo calor e nenhuma forma de vida do Hadeano, que foi a mais de bilhões de anos, ou pelo frio da última era glacial. E saber qual período de tempo está sendo referenciado em seu estudo é como encaixar uma informação, cuidadosamente, no grande quebra cabeça da terra.

O período de tempo estudado pela Paleobiologia da Conservação são períodos que vão até centenas de milhões de anos. Embora a menção da palavra ‘milhões’ pareça muito tempo, isso pode ser considerado um estudo de períodos mais recentes. Pois devemos nos lembrar que nosso planeta possui bilhões de anos.

Os estudos apontam pontos relevantes, como relações entre o clima da terra a milhões de anos e seu clima hoje, e como isso pode ajudar a entender os processos de mudanças climáticas. Mas em termos práticos ainda falta treinamento para conectar estas ideias a profissionais e gerar impactos práticos, como novas políticas de manejo ecológico, propostas econômicas para redução de impacto ambiental, ou até mesmo ações de educação ambiental e ciência cidadã, etc. A quantidade de áreas englobadas na PBC leva muitos a definirem esta área como transdisciplinar, pois embora seja um braço da Paleontologia, esta vertente precisa de conhecimentos de Ecologia, Climatologia, Arqueologia, Biogeografia, Ciências Sociais, etc. Portanto, é difícil encontrar pessoas que estejam familiarizadas e qualificadas em todas estas áreas, logo, parte da distância entre acadêmicos e profissionais se deve a falta de pessoas capacitadas em todas estas áreas.

Os objetivos de estudo da PBC passam por todos os seres vivos, sociedade humana, clima e as formações geológicas e precisa de diversos profissionais para atuar na área. Portanto ainda é uma vertente jovem e que precisa de tempo para se consolidar totalmente.

Texto fonte:DILLON, Erin M.; PIER, Jaleigh Q.; SMITH, Jansen A.; RAJA, Nussaïbah B.; DIMITRIJEVIĆ, Danijela; AUSTIN, Elizabeth L.; CYBULSKI, Jonathan D.; DE ENTRAMBASAGUAS, Julia; DURHAM, Stephen R.; GRETHER, Carolin M.; HALDAR, Himadri Sekhar; KOCÁKOVÁ, Kristína; LIN, Chien-Hsiang; MAZZINI, Ilaria; MYCHAJLIW, Alexis M.; OLLENDORF, Amy L.; PIMIENTO, Catalina; REGALADO FERNÁNDEZ, Omar R.; SMITH, Isaiah E.; DIETL, Gregory P., 2022, What is conservation paleobiology? Tracking 20 years of research and development, Front. Ecol. Evol., 06 December 2022 Sec. Paleoecology Volume 10 – 2022 

Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/ecology-and-evolution/articles/10.3389/fevo.2022.1031483/full?trk=organization_guest_main-feed-card_feed-article-content em 06/12/2024

DOI:  https://doi.org/10.3389/fevo.2022.1031483

Fonte e legenda da imagem de capa: Michael Barera, CC BY-SA 4.0

Árvore da vida exibida em Museu Público de Milwaukee, em Milwaukee.

Disponível em: <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons


Texto revisado por: Ana Luísa Ferreira, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Possível Toca Fóssil de Peixe Pulmonado Descoberta em Minas Gerais: Implicações Paleobiológicas e Paleoambientais

Escrito em: 07 de dezembro de 2024

Por: Marcos Paulo Pimenta da Cruz

Pesquisadores brasileiros descobriram uma possível paleotoca atribuída a um peixe pulmonado na Formação Adamantina, no município de Ituiutaba – Minas Gerais. Essa formação geológica data do Cretáceo Superior (Turoniano-Santoniano, ~90 milhões de anos) e é conhecida por abrigar fósseis de dinossauros terópodes, crocodiliformes e outros vertebrados. 

No entanto, registros de paleotocas de vertebrados são pouco comuns e relativamente pouco estudadas nessas formações. Assim, essa descoberta fornece novas pistas sobre as condições ambientais e contribui para ampliar o registro fóssil local, evidenciando a possível existência de peixes pulmonados que podem ter habitado a região há milhões de anos atrás.

Diversos organismos são capazes de escavar o solo, dando origem à buracos ou túneis,  geralmente utilizados como abrigo, permanente ou temporário, para reprodução ou proteção.  No caso de peixes pulmonados, essa adaptação é datada desde o Devoniano e a produção dessas tocas geralmente indica períodos de seca, em que esses animais escavavam o solo para se abrigar e sobreviver em estado de dormência, conhecido como estivação, reduzindo sua taxa metabólica e a necessidade por oxigênio.

A paleotoca encontrada apresenta uma forma simples, semelhante a um frasco, medindo cerca de 35 centímetros de profundidade e 32 centímetros de largura e sua estrutura interna encontrava-se preenchida por sedimentos que se acumularam ao longo do tempo, possivelmente devido a inundações. Além disso, fragmentos ósseos foram encontrados em seu interior, no entanto, dados mostram que eles não são do animal que a escavou. 

A análise da paleotoca, bem como a análise sedimentar do local em que foi encontrada é de extrema importância, uma vez que os dados obtidos podem ajudar a esclarecer como era o clima local no passado, assunto que é amplamente debatido. Nesse sentido, a descoberta reforça hipóteses anteriores de que o clima na região da Formação Adamantina era predominantemente seco, com episódios ocasionais de inundação. 

Além disso, ainda que estudos mais detalhados sejam necessários, atribuir a toca à um peixe pulmonado é de grande relevância para reconstruir os antigos ecossistemas de nosso país e compreender como diferentes espécies interagiam com o ambiente, além de ampliar o registro desse grupo na formação geológica em questão, o que enriquece ainda mais a paleofauna brasileira e contribui para o melhor entendimento da mesma.

Texto fonte: Rangel, C. C., Francischini, H., Rodrigues, S. C., Netto, R. G., Buck, P. V., & Sedorko, D. (2022). A possible lungfish burrow in the Upper Cretaceous Adamantina Formation (Bauru Basin, Brazil) and its paleoecological and paleoenvironmental significance. Revista Brasileira De Paleontologia, 25(3), 167–179. https://doi.org/10.4072/rbp.2022.3.01.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/336.

DOI: https://doi.org/10.4072/rbp.2022.3.01.

Fonte e legenda da imagem de capa: Figura 1 do artigo. Registro da paleotoca e localização em que foi encontrada.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/336.


Texto revisado por: Ítalo Augusto de Oliveira Barboza, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Por que os Tiranossauros não Conseguem se Abraçar?

Escrito em: 06 de dezembro de 2024

Por: Larissa Assaf

A hipótese do uso e desuso propõe que os braços dos tiranossauros foram reduzidos ao longo do tempo porque simplesmente deixaram de ser úteis. À medida que esses dinossauros se especializaram em caçar grandes presas, suas necessidades de mobilidade e força nas patas traseiras e mandíbulas se tornaram mais importantes do que o uso dos braços. Com o tempo, os membros anteriores foram se tornando desnecessários para a caça e outras atividades. A ideia é que, sem um uso constante, os braços sofreram uma redução gradual, já que a seleção natural favoreceu dinossauros com membros menores, mais eficientes para suas novas necessidades. Isso levanta a questão: será que indivíduos com braços maiores não teriam a mesma vantagem evolutiva?

A hipótese nula, por sua vez, sugere que a redução dos braços dos tiranossaurídeos pode não ter sido motivada por uma necessidade específica. Em vez de um processo de adaptação para uma função específica, a diminuição dos membros poderia ser um efeito secundário de outras mudanças evolutivas. Em outras palavras, os braços podem ter diminuído sem uma pressão seletiva clara para isso. Essa hipótese defende que a evolução nem sempre segue uma lógica de otimização funcional, e que a redução dos braços pode ter ocorrido sem trazer um benefício direto para a sobrevivência ou reprodução do animal.

Uma terceira hipótese, chamada de hipótese de troca de desenvolvimento, sugere que a redução dos braços foi uma consequência de uma “troca” evolutiva, nesse processo os recursos energéticos para o desenvolvimento do T. rex foram redirecionados para outras partes do corpo, como a cabeça e a mandíbula. Como esses dinossauros precisavam de uma mordida extremamente poderosa para caçar grandes presas, a evolução pode ter favorecido características como um crânio maior e dentes mais fortes, em detrimento do desenvolvimento de membros anteriores maiores. Essa troca de prioridades evolutivas pode ter levado à redução dos braços, já que a mordida se tornou a principal arma de caça e os braços se tornaram cada vez mais dispensáveis.

Uma teoria recente, proposta pelo paleontólogo Kevin Padian, sugere que a redução dos braços pode ter sido uma adaptação para evitar ferimentos durante a alimentação em grupo. Tiranossauros, com suas cabeças e mandíbulas enormes, alimentavam-se de carcaças e, por isso, poderiam dar mordidas acidentais uns nos outros. Se os braços fossem maiores, haveria mais chances de serem atingidos por uma mordida fatal. A redução dos membros anteriores, portanto, poderia ter minimizado o risco de lesões durante esses momentos de alimentação intensiva.

Um grupo de Tiranossauros comendo uma carcaça.

Essas teorias ilustram a complexidade da paleobiologia do T. rex e a dificuldade de entender as funções anatômicas de estruturas em espécies extintas. A pesquisa continua avançando, oferecendo novas perspectivas sobre a vida desses antigos predadores. Mas e você, qual sua opinião sobre os pequenos braços do T. rex?

Texto fonte: DE MELO ALBERTO, G.; BEZERRA, F. I.; GIUPPONI, A.; MENDES, M. (2023). A new specimen of whip scorpion (Arachnida; Thelyphonida) from the Crato Formation, Lower Cretaceous of Brazil. Revista Brasileira de Paleontologia, 26(3), 147–155.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/404/187.

Fonte e legenda da imagem de capa: Dois tiranossauros esfregando o focinho um no outro.

Disponível em: https://dinoplanet.com.br/2023/01/15/tiranossauro-rex-era-tao-inteligente-quanto-os-primatas-modernos-sugere-estudo-de-brasileira/.


Texto revisado por: Damiane Mello, Alexandre Liparini e Sandro Ferreira de Oliveira.

Novo espécime de Escorpião Chicote encontrado no Brasil

Escrito em: 04 de dezembro de 2024

Por: Gabrielle Caroline de Souza Dutra

Pesquisadores descobriram na Formação Crato, localizada na Bacia do Araripe, no Ceará, Brasil,  um novo espécime de escorpião-chicote, do Cretáceo, com aproximadamente 115 milhões de anos. Este fóssil, raro e incompleto, traz à tona uma descoberta notável: pela primeira vez, pulmões foliáceos foram identificados em fósseis dessa espécie. Até o momento, apenas quatro espécimes foram descritos, todos pertencentes ao gênero Mesoproctus, com a espécie Mesoproctus rowlandi Dunlop sendo a única formalmente identificada. 

Os escorpiões-chicote (Mesoproctus rowlandi) são aracnídeos mais próximos das aranhas que dos escorpiões. Eles podem ser reconhecidos por seus pedipalpos robustos (primeiro par de apêndices táteis) e um flagelo longo e fino que se assemelha a um chicote. São predadores noturnos, alimentando-se principalmente de insetos, milípedes, escorpiões e isópodes terrestres.

O fóssil encontrado, apresenta pernas estreitas e alongadas, com prosoma (parte anterior do corpo) e quelíceras (apêndices articulados que auxiliam na alimentação) visíveis como uma impressão bidimensional. O opistossoma (parte posterior do corpo) é alongado, e os seus pedipalpos são grandes, robustos e bem desenvolvidos, e seu pigídio (extremidade posterior do corpo) é bem estruturado e seguido por um flagelo típico da espécie.

Embora o fóssil esteja incompleto, ele é de tamanho superior em relação aos espécimes que foram descritos anteriormente, e é possível observar pela primeira vez, a presença de pulmões em fósseis de escorpiões-chicote. Apesar da preservação incompleta, é possível associar este fóssil a espécie Mesoproctus rowlandi com base nas semelhanças morfológicas e ao fato de já ter sido registrada na mesma formação. No entanto, a falta de detalhes dificulta uma identificação taxonômica mais precisa, dessa forma, compreende-se a necessidade de investimentos na área da paleontologia para que haja novos estudos e consequentemente novas descobertas na ciência

Texto fonte: DE MELO ALBERTO, G.; BEZERRA, F. I.; GIUPPONI, A.; MENDES, M. (2023). A new specimen of whip scorpion (Arachnida; Thelyphonida) from the Crato Formation, Lower Cretaceous of Brazil. Revista Brasileira de Paleontologia, 26(3), 147–155.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/404/187.

Fonte e legenda da imagem de capa: Fotografia microscópica de LP/UFC CRT 2798, Mesoproctus rowlandi. Barra de escala = 5 mm.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/404/187.


Texto revisado por: Ruan Honorato Marzano Cintra, Alexandre Liparini, Sandro Ferreira de Oliveira.

Paleobiogeografia Ordoviciana da Subordem Cheirurina (Trilobita)

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: Thalita Cardoso Hott

O artigo aborda a paleobiogeografia da subordem Cheirurina, um grupo diversificado de trilobitas, durante o período Ordoviciano (485,4 a 443,8 milhões de anos atrás). Este grupo teve ampla distribuição geográfica e desempenhou um papel importante nos ecossistemas marinhos. A pesquisa investiga como fatores como tectônica de placas e mudanças climáticas moldaram a distribuição desses organismos, utilizando ferramentas como cluster hierárquico e escalonamento multidimensional não métrico (NMDS) para identificar padrões de dispersão e reorganização ao longo do tempo.

No início do Ordoviciano (Tremadociano), as faunas de Cheirurina eram altamente isoladas, devido ao grande afastamento entre os continentes. Três províncias principais foram identificadas: Alta Latitude, Latitude Intermediária e Baixa Latitude. Cada província era caracterizada por grupos específicos, como Anacheirurus na Alta Latitude, Parapilekia na Latitude Intermediária e Pilekia na Baixa Latitude. O isolamento geográfico resultava em alto endemismo, com espécies restritas a poucas regiões.

Com o passar do tempo, os continentes começaram a se mover, reduzindo as barreiras geográficas. Avalônia e Báltica se aproximaram de Laurentia, enquanto a China do Sul migrou para áreas tropicais. Esses movimentos tectônicos promoveram o intercâmbio faunístico entre regiões, transformando as províncias existentes. Durante o Floiano ao Darriwiliano, quatro grandes províncias biogeográficas surgiram: Alta Latitude, Baixa Latitude Gondwana, Baixa Latitude Laurentia-Sibéria e a Província Báltica. Essas novas províncias eram mais amplas e conectadas, mas ainda apresentavam diferenças faunísticas notáveis.

No final do Ordoviciano (Katiano), o cenário mudou novamente. A redução contínua do isolamento geográfico, combinada com eventos climáticos, como o aquecimento global associado ao Evento Boda, resultou em um aumento significativo no cosmopolitismo. As províncias de Alta Latitude, Baixa Latitude Gondwana e Baixa Latitude Laurentia-Sibéria permaneceram, mas com composições faunísticas mais integradas. Já a Província Báltica perdeu sua identidade distinta, sendo absorvida pelas faunas de Laurentia e Gondwana.

Mudanças climáticas também desempenharam papéis importantes. No Darriwiliano, uma grande transgressão marinha expandiu habitats e conectou áreas antes isoladas. No Katiano, o aquecimento permitiu que faunas tropicais colonizassem regiões de alta latitude. Esses eventos moldaram a biodiversidade e ajudaram a integrar as faunas globais.

O estudo destacou a redução progressiva do endemismo ao longo do Ordoviciano. No início, as espécies eram limitadas a poucas regiões. Com o tempo, o aumento da conectividade resultou em uma fauna mais integrada e cosmopolita. Essas transformações refletem processos evolutivos globais e ajudam a compreender o Grande Evento de Biodiversificação Ordoviciana (GOBE), um marco no aumento da diversidade marinha impulsionado por mudanças paleogeográficas e climáticas.

Texto fonte:   Pérez-Peris, Francesc; Adrain, J.M.; Daley, A.C. (2024). Ordovician paleobiogeography of the Suborder Cheirurina (Trilobita). Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, v. 647, n.112222, ISSN 0031-0182.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018224002116, acesso em 08 de abril de 202.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.palaeo.2024.112222

Fonte e legenda da imagem de capa: Mapa paleogeográfico representando a distribuição dos continentes e oceanos durante o Período Ordoviciano, há aproximadamente 470 milhões de anos. As massas continentais, como Laurência, Sibéria, Báltica e Gondwana, estão localizadas em diferentes latitudes, evidenciando a configuração tectônica e climática que influenciou a biodiversidade marinha, incluindo os trilobitas da subordem Cheirurina. Os oceanos, como Pantalassa e Paleo-Tétis, desempenharam papel crucial na dispersão e isolamento das faunas.

Disponível em: https://www.invivo.fiocruz.br/cienciaetecnologia/extincao-em-massa-5-maiores/


Texto revisado por: Giulia Alves Viana e Alexandre Liparini.

Fóssil de alga verde multicelular mais antigo do Mundo

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: Isabela Mascarenhas Abijaudi

Pesquisadores encontraram o fóssil da alga verde multicelular mais antigo já registrado no mundo na província de Liaoning, China. O artigo, publicado na revista Nature em 2020 por pesquisadores do Instituto Virginia Tech, destaca o achado de fósseis de Proterocladus antiquus, uma provável espécie de clorófita multicelular de cerca de 1 bilhão de anos de idade, encontrada na formação Nanfem, no norte da China.

Vale explicar que as clorófitas (filo Chlorophyta) são um grupo de algas verdes, muito próximas evolutivamente das plantas terrestres (embriófitas). A hipótese mais aceita é de que as plantas terrestres surgiram a partir de uma linhagem de algas verdes, e juntos eles formam o clado Viridiplantae ou plantas verdes. Essas algas provavelmente dominaram a bioprodutividade marinha e desempenharam um papel fundamental na facilitação da complexidade dos ecossistemas antes da diversificação mesozoica dos eucariotos fototróficos.

Ao todo, foram coletados 1.028 espécimes de Proterocladus, dos quais 301 foram encontrados na superfície de rochas sedimentares e classificados como muito bem preservados. Esses espécimes foram registrados como uma nova espécie dentro de um gênero já reportado em formações datadas de cerca de 800 milhões de anos (período Toniano) na Noruega e na Sibéria. Contudo, a nova espécie oferece um conjunto mais completo de características morfológicas, incluindo multicelularidade, diferenciação celular, uma estrutura de fixação e uma grande quantidade de ramificações, que reforçam sua posição filogenética dentro das Chlorophyta.

Dados anteriores apresentavam grandes incertezas sobre o provável surgimento das clorófitas, provavelmente a datação mais próxima é de 0,903 a 1,329 bilhões de anos atrás (Ga), devido ao escasso registro fóssil. Com cerca de 2 mm de comprimento e sendo habitantes de mares rasos, o achado indica que as clorófitas adquiriram tamanho macroscópico, multicelularidade e diferenciação celular há, no mínimo, 1 bilhão de anos, sugerindo que elas podem ter se diversificado filogeneticamente muito mais cedo do que o previsto de acordo com os dados do relógio molecular. 

Esses achados indicam que, provavelmente, as clorófitas macroscópicas exerceram um grande impacto nos oceanos do período Toniano, um papel anteriormente atribuído à dominância de cianobactérias. Eles também contribuem imensamente para ajustar o nosso entendimento sobre como a vida no planeta Terra se desenvolveu, sendo de grande relevância para a Paleontologia.

Texto fonte:   Tang, Q., Pang, K., Yuan, X. et al. (2020). A one-billion-year-old multicellular chlorophyte. Nat Ecol Evol 4, 543–549.

Disponível em:  https://www.nature.com/articles/s41559-020-1122-9

DOI: https://doi.org/10.1038/s41559-020-1122-9

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução de Proterocladus antiquus, a alga verde mais antiga já encontrada. Imagem retirada do artigo, elaborada por  D. Yang.

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41559-020-1122-9


Texto revisado por: Luís Filipe Cardoso Queiroz e Alexandre Liparini.

Parente triássico dos crocodilos encontrado no sul do Brasil

Escrito em: 07 de dezembro de 2024

Por Juliana Fantin

Os Em meio às rochas da região de Dona Francisca, no centro do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, pesquisadores encontraram os restos fossilizados de um animal pré-histórico, um rauissúquio. Essa criatura, que viveu durante o período Triássico, era um predador de grande porte e fazia parte de um grupo de animais chamado Pseudosuchia, grupo que inclui também os crocodilos. O fóssil, batizado de ULBRA-PVT-281, estava muitíssimo bem preservado, com crânio e coluna vertebral completos, e até mesmo de partes dos membros!

Uma das descobertas mais intrigantes nesse fóssil é um pequeno buraco no focinho, nunca visto antes em indivíduos tão grandes desta espécie. Os cientistas chamam esse buraco de forâmen subnarial, que é um orifício na parte inferior do nariz. Essa característica se mostrou importante para a identificação das espécies dentro desse grupo. Ela também pode revelar segredos sobre como os arcossauros (dinossauros, pterossauros, rauissúquios, crocodilos, aves e outros) evoluíram ao longo do tempo. 

Além disso, ao comparar o fóssil com outros já conhecidos, eles perceberam que o ULBRA-PVT-281 apresentava as características exclusivas de uma espécie chamada Prestosuchus chiniquensis. Além disso, a descoberta desse novo fóssil permitiu aos cientistas refinar as relações de parentesco entre os diferentes grupos de rauissúquios. Os resultados obtidos sugerem que o Prestosuchus chiniquensis e o Saurosuchus galilei, outro gênero de rauissúquio, podem estar mais próximos evolutivamente do que se pensava anteriormente, além de reforçar a ideia de que esses animais eram muito bem adaptados ao ambiente em que viviam e que habitaram diversas regiões do planeta.

Essa descoberta é de fundamental importância para a paleontologia, pois nos ajuda a reconstruir a história evolutiva dos vertebrados terrestres. Ao compreendermos melhor a diversidade e as relações entre os diferentes grupos de rauissúquios, podemos desvendar os mistérios da extinção em massa que ocorreu no final do Triássico e que abriu caminho para a ascensão dos dinossauros! E vocês aí achando que nessa época os dinossauros reinavam sempre, né…

A paleontologia é uma ciência fascinante que nos permite viajar no tempo e explorar mundos distantes. A descoberta do ULBRA-PVT-281 é apenas um exemplo do que ainda podemos encontrar. Quem sabe quais outros tesouros estão escondidos no nosso planeta? A busca por respostas continua, e você pode fazer parte dessa aventura. Acompanhe nossas próximas publicações e descubra mais sobre as histórias fascinantes que a paleontologia nos proporciona!

Texto fonte:  Um novo espécime de loricata (Archosauria: Pseudosuchia) proveniente da sequência pinheiros-chiniquá (zona de associação de dinodontosaurus), Bacia do Paraná: descrição, taxonomia e considerações filogenéticas | Manancial – Repositório Digital da UFSM 

Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/14840

Fonte e legenda da imagem de capa: Fonte e Legenda da imagem de capa :foto mostrando a disposição do ULBRA-PVT-281, ainda no bloco de rocha no campo: Imagem mostra o fóssil ainda preso à rocha, com algumas ferramentas de escavação manual como uma pá e pincel na proximidade. Figura 14 retirada do próprio artigo: foto mostrando a disposição do ULBRA-PVT-281, ainda no bloco de rocha no campo.


Texto revisado por: Lucélio Batista, Alexandre Liparini.

A Conexão entre um Pequeno Dente e uma Preguiça-gigante

Escrito em: 30 de março de 2026

Por: Henrique Tosta Hernandez

Em 2023, cientistas brasileiros estudavam um fóssil de dente que havia sido encontrado anos antes no interior do Sergipe, quando se depararam com um problema: não havia identificação sobre a qual espécie de preguiça-gigante o fóssil pertencia. Sem essa resposta, eles não tinham como prosseguir com estudos sobre o dente. Assim, os cientistas se viram com a missão de classificar tal fóssil, mas, como fazer isso? 

O último paleontólogo que havia estudado aquele dente, conseguiu classificar o achado como pertencente a um animal da subfamília Mylodontinae, mas isso ainda abria portas para, no mínimo, 3 espécies de preguiça-gigante: Glossotherium phoenesis, Mylodonopsis ibseni e Ocnotherium giganteum. Além disso, essas 3 espécies, todas já extintas, viviam na mesma região e numa mesma época (Pleistoceno Tardio, entre 129 mil e 11 mil anos atrás), e se alimentavam de coisas parecidas. Com tantas semelhanças, de que forma os cientistas poderiam descobrir o verdadeiro dono daquele dente? Dadas as situações, restava apenas uma característica que poderia diferenciar esses 3 animais: o tamanho dos dentes. Então, os pesquisadores buscaram as medidas dos diâmetros dos dentes dessas 3 espécies e compararam-nas. 

Para isso, foi necessária muita pesquisa, interpretação de dados e a criação de uma tabela e um gráfico. Com 19,6 mm de diâmetro mesodistal (face relacionada ao plano sagital) e 14,0 mm de diâmetro vestíbulo-lingual (faces dentárias voltadas para a bochecha e a língua, respectivamente), o fóssil misterioso era pequeno demais para ter pertencido a G. phoenesis. Além disso, ele era muito grande para ter sido da mandíbula superior e muito pequeno para a mandíbula inferior de O. giganteum. Dessa forma, restava apenas M. ibseni. E eles acertaram! Os cientistas puderam provar que o dono daquele fóssil foi uma preguiça-gigante da espécie Mylodonopis ibseni, mais especificamente, um dente do tipo molariforme, da mandíbula inferior, de um indivíduo juvenil. 

Esse foi o primeiro registro feito da presença desse animal no Sergipe, o que abre portas para futuras pesquisas: em quais outros estados brasileiros ela viveu? Quantas vezes ela comia por dia? O quão parecida ela era com os bichos-preguiça que existem hoje? Essas e outras perguntas só serão respondidas por completo com o avanço das pesquisas paleontológicas no Brasil.

Texto fonte: DANTAS, Mário André Trindade; FRANÇA, Lucas de Melo; SOARES, Alexia David Santos; VIEIRA, Fabiana Silva. (2024). New Record of the Giant Ground Sloth Mylodonopsis ibseni Cartelle, 1991 in the Late Pleistocene of Brazilian Intertropical Region. Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ 47.

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/386748877_New_Record_of_the_Giant_Ground_Sloth_Mylodonopsis_ibseni_Cartelle_1991_in_the_Late_Pleistocene_of_Brazilian_Intertropical_Region.

Fonte e legenda da imagem de capa: Litografia de crânio de Mylodonopsis sp. por Johannes Theodor Reinhardt.

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mylodon_skull.jpg.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Como os Fósseis são Preservados nas Cavernas do Brasil

Escrito em: 30 de março de 2026

Por: Daniel dos Santos Araújo

Cavernas do Brasil preservam grande diversidade de fósseis. Esses ambientes podem registrar restos de animais que viveram no passado e fornecer informações importantes sobre a história natural do país, pois o ambiente interno possui características específicas que permitem a conservação dos restos, como a baixa atividade de microrganismos.

Desde o século XIX, pesquisadores estudam restos de animais encontrados em cavernas, com os primeiros estudos sendo realizados na Europa. Posteriormente, pesquisas desse tipo também passaram a ocorrer no Brasil. Um dos primeiros pesquisadores a realizar esse tipo de estudo no país foi o naturalista dinamarquês Peter Lund, considerado o pai da espeleologia e da paleontologia do Brasil, que investigou fósseis na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Com o avanço das pesquisas, estudos também passaram a ser realizados em outros estados brasileiros, como Bahia, Piauí, Tocantins e São Paulo. A partir dos anos 2000, pesquisas começaram a ocorrer em novas regiões, incluindo Ceará, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Paraná, ampliando o conhecimento sobre os depósitos fossilíferos em cavernas brasileiras.

No início desses estudos, o foco era principalmente taxonômico, ou seja, voltado para a identificação e classificação dos organismos encontrados. Com o desenvolvimento da pesquisa, passou-se também a investigar como os restos chegaram às cavernas e quais processos atuaram em sua preservação. Essa abordagem está relacionada à tafonomia, área da ciência que estuda os processos que ocorrem com os restos dos organismos desde a morte, passando pelo processo de fossilização e sua preservação até os dias atuais. O conceito de tafonomia, no entanto, ainda não havia sido formalizado na época de Peter Lund, sendo desenvolvido apenas no século XX.

Os fósseis podem chegar às cavernas por diferentes processos. Animais podem cair acidentalmente em aberturas naturais, entrar nesses ambientes em busca de abrigo ou alimento, ou ter seus restos transportados por predadores. A água também pode carregar sedimentos e fragmentos ósseos para dentro das cavernas. Esses processos fazem parte do que a tafonomia estuda, incluindo o transporte dos restos, o estado de fossilização e o grau de fragmentação dos ossos. Em muitos casos, os fósseis apresentam fragmentação significativa, que pode ocorrer devido ao retrabalhamento dos sedimentos dentro da própria caverna ao longo do tempo.

Diversos fósseis encontrados nessas cavernas pertencem à megafauna do Pleistoceno, Época geológica que ocorreu aproximadamente entre 2,6 milhões e 11 mil anos atrás. Esse grupo inclui grandes mamíferos que viveram no passado, como preguiças-gigantes, mastodontes (parentes dos elefantes atuais e que viveram aqui no Brasil) e gliptodontes (os famosos tatus-gigantes). Além desses grandes animais, muitos depósitos cavernícolas também apresentam fósseis de pequenos vertebrados, como roedores, marsupiais e répteis.

Muitas cavernas estudadas no Brasil são formadas por rochas carbonáticas, como o calcário. Nesses locais, minerais podem se depositar ao redor dos restos orgânicos, fazendo com que muitos fósseis fiquem cimentados nos sedimentos, isso exige que a coleta de fósseis em cavernas seja realizada com bastante cuidado, para não quebrá-los. Durante as escavações, os pesquisadores delimitam áreas de estudo e removem o sedimento ou a rocha, em camadas, utilizando ferramentas como espátulas, martelos, ponteiras de metal, pincéis e pequenas pás. A posição e a profundidade de cada fóssil são registradas, pois essas informações ajudam na interpretação tafonômica do depósito.

Em alguns casos, os fósseis estão preservados em depósitos muito compactos chamados de solos carbonatados ou brechas fossilíferas, nos quais os ossos ficam fortemente cimentados nos sedimentos. Nesses casos, pode ser necessário remover blocos de rocha contendo os fósseis para posterior preparação em laboratório.

No laboratório, a remoção dos fósseis da matriz rochosa é feita com ferramentas específicas, como cinzéis, martelos e equipamentos pneumáticos de precisão. Durante esse processo, os pesquisadores também registram a posição e orientação dos fósseis dentro da matriz, medindo distância, profundidade, inclinação e direção, o que permite reconstruir a disposição original dos restos no depósito e entender como eles foram parar ali.

Atualmente, pesquisas continuam sendo realizadas em cavernas brasileiras utilizando métodos cada vez mais detalhados. Esses estudos ajudam a compreender como os fósseis foram depositados e preservados nesses ambientes, além de revelar informações importantes sobre a fauna que habitou o território brasileiro no passado e sua relação ecológica em um ambiente bem diferente do que temos atualmente.

Texto fonte: Vasconcelos A.G., Kraemer B.M., Meyer K.E.B. (2018). Tafonomia em cavernas brasileiras:histórico e método de coleta de fósseis preservados em solo carbonatado. Terræ Didática, 14(1):49-68.

Disponível em: https://www.ige.unicamp.br/terraedidatica/v14_1/PDF14-1/TD14-203-2018-5.pdf.

Fonte e legenda da imagem de capa: Visão em perfil de uma caverna, feita por Lund (1836), onde são indicadas as hipóteses de entrada de animais (ou de seus restos): (1) à procura de água ou sal; (2) carregados por predadores; (3) queda através de fendas verticais; (4) à procura de abrigo (ex.: morcegos); (5a) levados por correntezas de água – somente os ossos; (5b) levados por correntezas de água – como carcaças.

Disponível em: https://www.ige.unicamp.br/terraedidatica/v14_1/PDF14-1/TD14-203-2018-5.pdf.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Como a Inteligência Artificial está sendo utilizada na Paleontologia?

Escrito em: 05 de dezembro de 2024

Por: Carollyna Carneiro

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui

Durante os últimos anos, as funções da Inteligência Artificial foram muito bem recebidas pela população. As ferramentas de IA ganharam espaço nas atividades cotidianas como ferramenta de pesquisa, gerador de imagens, vídeos etc. Na produção científica a inteligência artificial também trouxe uma variedade de possibilidades, em que destaca-se de maneira especial a contribuição desse advento na produção de ilustrações e também nas análises quantitativas de conjuntos massivos de dados. 

Na paleontologia não foi diferente, as diferentes ferramentas de IA têm sido amplamente aplicadas nos estudos sobre os fósseis e os eventos geológicos, incluindo assuntos complexos como ecologia e comportamento. Além disso, trabalhos anteriores de classificação dentro da paleontologia têm contado com a participação de modelos  de redes neurais convolucionais (CCN) modernos e conjunto de dados. 

A IA conhecida como Knowledge-Based System (KBS) foi a primeira a ser utilizada em um trabalho de Paleontologia, em 1985, mas hoje a inteligência artificial dominante no mundo e nas pesquisas é a de aprendizado de máquina. Essa IA envolve redes neurais, árvore de decisão e floresta aleatória (ou random forest). O ponto central dessa inteligência artificial baseada em aprendizado de máquina é que ela é capaz de aprender com as suas interações e é treinada, não apenas programada para seu objetivo. Assim, quanto mais informação ela receber, mais certeira será a análise que ela fará a respeito de um determinado assunto. Uma revisão escrita por Congyu Yu e colaboradores, publicada na revista Elsevier em 2024, analisou 70 trabalhos paleontológicos e o envolvimento de inteligência artificial nesses estudos. Descobriu-se com esse trabalho que os estudos envolvendo IA na paleontologia são majoritariamente sobre microfósseis. Desafios particulares foram atribuídos ao menor uso da IA para os macrofósseis, como a maior deformação e fragmentação do material fossilizado nesses grupos.

Apesar das numerosas vantagens do uso da inteligência artificial é evidente que, assim como qualquer outra área do conhecimento, as IAs na paleontologia demandam validação humana, confirmação da coerência de seus resultados e análise crítica por um cientista capacitado. Além disso, os autores do estudo mencionado citam a perspectiva da integração da inteligência artificial com abordagens já conhecidas, como a morfometria geométrica,  uma metodologia já utilizada que permite analisar quantitativamente a disparidade e semelhança morfométrica entre espécimes.  

Nesse sentido, fica claro também que a inteligência artificial pode contribuir para avanços importantes e coexistir com métodos já conhecidos, de forma complementar e interdisciplinar, agregando contribuições interessantes para a ciência.

Texto fonte:  Congyu Yu, Fangbo Qin, Akinobu Watanabe, Weiqi Yao, Ying Li, Zichuan Qin, Yuming Liu, Haibing Wang, Qigao Jiangzuo, Allison Y. Hsiang, Chao Ma, Emily Rayfield, Michael J. Benton, Xing Xu. (2024). Artificial intelligence in paleontology, Earth-Science Reviews, Volume 252, 104765, ISSN 0012-8252.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0012825224000928.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.earscirev.2024.104765.

Fonte e legenda da imagem de capa: Imagem gerada através do OPENAI ChatGPT (Generative Pre-Trained Transformer) a partir do comando: “Gere uma imagem de um dinossauro robótico”. A imagem representa a fusão da tecnologia com a Paleontologia.

Disponível em: ChatGPT 4.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.