Como os tatus gigantes da megafauna podem mudar o que sabemos da chegada dos humanos na América?

Escrito em: 05 de dezembro de 2024

Por: Ítallo Cecílio

Imagine-se como um fazendeiro transportando seu gado e de repente encontra algo que mudaria parte do passado da humanidade nas Américas. Esse cenário se tornou real para o fazendeiro argentino Juan de Dios Sota. Durante o transporte dos seus animais pela região dos pampas argentinos, Juan encontrou quatro fósseis de tatus da megafauna (gênero Neosclerocalyptus). Estes animais surgiram na América do Sul a cerca de 25 milhões de anos, durante o oligoceno, e foram extintos a aproximadamente 10 mil anos, no início do holoceno – quando os humanos já estavam presentes no jogo da evolução.

Os tatus da megafauna, como popularmente são conhecidos, eram verdadeiros tanques de guerra, possuindo uma carapaça composta por placas de ossos fusionados (os osteodermos), podiam obter até quatro toneladas. Além disso, sua cauda era reforçada e usada como instrumento de defesa, equipada com placas de ossos maciços. Usavam este apêndice para poder se defender de grandes predadores, como os felinos e os humanos. Apesar disso, aparentavam ser animais pacíficos que tinham dieta herbívora.Algo muito extraordinário sobre estes animais, como já foi mencionado, é que eles dividiram parte do seu paleoecossistema com os seres humanos que chegaram nas Américas. Assim, podem ser bons indicadores destas interações entre o Homo sapiens de antigamente e o ambiente que os cercavam. Esta interação aparenta estar muito bem evidenciada nos fósseis encontrados por Juan de Dios Sota.

Como discutido no artigo de Delgado et al. (PLOS One, 17 de Julho de 2024), os fósseis apresentavam 32 marcas de cortes nos seus membros posteriores, principalmente na região caudal – cintura pélvica. Alguns podem argumentar que tais marcações talvez fossem feitas por carnívoros e/ou roedores, durante o ataque para caça ou depois, respectivamente. Todavia, estas interações ecológicas – predação no caso do carnívoro e necrofagia no caso do roedor – não deixam os padrões de marca que encontramos nestes fósseis. Os cortes encontrados nos animais do gênero Neosclerocalyptus aparentavam ser feitos por objetos afiados, como lanças e facas. Logo, os possíveis responsáveis aqui seriam os humanos.

Cortes feitos por lanças e facas, objetos afiados que os paleohumanos usavam para caçar e se defender, deixam padrões muito específicos. Um destes é o que conhecemos como cones hertzianos – Delgado explica que estes são estrias de formato triangular produzidos na superfície do osso quando ele é cortado por um objeto pontiagudo com uma variação de pressão durante o corte. Além disso, as análises estatísticas do artigo demonstram que os cortes tinham apenas dois padrões: cortar e fatiar. Por fim, todos foram feitos na região caudal do fóssil, conhecida por ter uma musculatura desenvolvida – logo, mais carne para quem for comer! Mas qual a importância disso? Já não sabíamos que estes animais viveram no mesmo período de tempo e interagiam entre si?

Os fósseis de tatu da megafauna encontrados e estudados tiveram uma datação absoluta por C14 entre 21.090 e 20.811 anos. Todavia, a maioria dos estudos até então arqueológicos e paleontológicos dizem que os humanos chegaram na América do Sul há aproximadamente 15 mil anos. Logo, o que se discute com este achado é que talvez nossos ancestrais americanos tenham chegado bem antes do que se considerava, tornando estes fósseis uma grande descoberta para entendermos nossa ancestralidade nas Américas e a história dos humanos pré-históricos.

Texto fonte:  Mariano Del Papa,Martin De Los Reyes,Daniel G. Poiré,Nicolás Rascovan,Guillermo Jofré,Miguel Delgado.(2024). Anthropic cut marks in extinct megafauna bones from the Pampean region (Argentina) at the last glacial maximum. PLOS ONE, 19(7), e0304956 https://doi.org/10.1371/journal.pone.0304956.

Disponível em: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0304956.

Fonte e legenda da imagem de capa: Os novos ocupantes das Américas caçando um animal da família Glyptodontidae (tatu gigante da megafauna).

Disponível em: https://socientifica.com.br/humanos-pre-historicos-podem-ter-cacado-tatu-gigante-na-america-do-sul/.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

O tubarão gigante Cacharocles megalodon predava presas pequenas ou grandes?

Escrito em: 04 de dezembro de 2024

Por: Breno Gonçalves Gonze

Atualmente em nosso planeta, existem espécimes incríveis que chamam nossa atenção, seja por seu tamanho, força, aparência ou coloração, por exemplo. Existem também  aqueles que chamam atenção por todas essas características juntas, como é o caso do Tubarão-branco (Carcharodon carcharias). Esse animal é bem conhecido e não é à toa, é um animal de grande tamanho, com aparência intimidadora e grande força, sendo um predador de topo de cadeia! Mas e se eu te contar, que ao longo da história na Terra, mais precisamente no Mioceno até o Plioceno na era Cenozoica (23,03 milhões de anos até 2,59 milhões de anos atrás), existiu um tubarão, da mesma Ordem que o tubarão-branco, os Lamniformes, porém extremamente maior? Exatamente, esse é o Carcharocles megalodon, conhecido também como Megalodon. Seu tamanho variava bastante, baseado em alguns estudos ele poderia chegar a mais de 16 m de comprimento, 10 m a mais do que o maior tubarão-branco já encontrado, com cerca de 6 m, chamada de Deep-Blue, a título de curiosidade. 

Falando sobre o megalodon, quando pensamos em um animal desse porte, imaginamos que suas presas também eram extremamente grandes, como baleias por exemplo. Porém, em 2017 um artigo sugeriu uma nova ideia, ao invés do megalodon predar grandes animais, será que na verdade, ele não tinha como alvo pequenas presas? Visto que, por exemplo, os  tubarões-brancos apesar de serem predadores altamente generalista (dieta variando de tubarões, peixes ósseos, cetáceos, etc) eles possuem uma predileção por mamíferos marinhos pequenos, como focas e pequenos cetáceos. Assim, vamos tratar desse assunto daqui para frente!

RESUMO

O estudo em questão, analisou algumas marcas de mordidas, em ossos fósseis de mamíferos marinhos (5 no total). Esses ossos fósseis datam do Mioceno superior (entre 11,63 e 5,33 milhões atrás), e foram encontrados no sul do Peru (Sítio de Hueso Blanco). As marcas foram atribuídas à espécie de megalodon citada. O material analisado inclui restos de crânios de baleias-de-barbatana (de pequeno porte), cetáceos fragmentados e pós-crânios (um esqueleto completo ou parcial de um animal, exceto o crânio) de pinípedes (grupo de mamíferos marinhos adaptados à vida aquática e terrestre, como focas e leões-marinhos). Portanto, os pesquisadores propõem a seguinte hipótese: o C. megalodon é um predador de topo de cadeia, onde suas principais presas seriam animais de pequeno porte. Os pesquisadores também propõem uma ligação entre o colapso de várias linhagens de Misticetos (baleias-de-barbatana) e a extinção do C. megalodon.

NO CASO DESSES FÓSSEIS, FOI UMA PREDAÇÃO ATIVA OU APENAS VASCULHARAM CARCAÇAS?

Bem, exceto em alguns casos bem específicos, como marcas de mordidas muito preservadas em esqueletos completos ou uma certa cicatrização óssea, encontrada ao redor de uma ferida dentária, é basicamente impossível diferenciar entre a predação ativa ou coleta. O estudo em questão, utiliza o tubarão-branco moderno como base, analisando, que ele ataca vários alvos pinípedes, mas nunca baleias-de-barbatana adultas (exceto a baleia pigmeu – Caperea marginata). Isso acontece porque todos os misticetos adultos, vão superar bastante em tamanho os tubarões-brancos, assim, utilizando como base o tubarão-banco, possivelmente as baleias-de-barbatanas adultas não seriam interessantes ou apropriadas para a predação do C. megalodon

Sabemos também, que C. megalodon normalmente vasculhavam carcaças de misticetos adultos, além de terem uma preferência de iniciar a alimentação pela cauda antes de ir para as partes ricas em gordura no momento de vasculhar as carcaças. Sobre pequenas presas, temos que era bem menos comum o megalodon vasculhar carcaças de misticetos menores, tendo uma grande preferência para as grandes carcaças, podendo passar uma grande quantidade de tempo procurando por elas. Mas o que encontraram foram fósseis com mordidas, onde elas indicam que o C. megalodon era de 3 a 4 vezes maior que a sua presa, sugerindo uma relação predador-presa com esses indivíduos menores. 

Outra evidência é que podemos observar um padrão ecológico atual, que pode ter sido seguido pelo C. megalodon, indicando que eles se alimentavam de baleias-de-barbatanas de pequeno porte e mamíferos marinhos menores nas áreas costeiras. Esse padrão é observado no tubarão-branco moderno, onde eles se agregam em pontos costeiros, em torno de colônias de pinípedes (Pimiento et al., 2010).

Assim, o artigo propõe que o C. megalodon provavelmente possuía um grande espectro de alimentação, podendo variar em peixes, mamíferos marinhos, répteis marinhos e etc. Porém, ao que tudo indica, as suas presas alvo provavelmente eram os misticetos (que possuíam alta fonte de energia) de pequeno ou até médio porte como citado anteriormente. Mas é importante frisar, que apesar de não caçarem ativamente grandes misticetos, suas carcaças faziam sim parte de sua dieta.

RELAÇÃO ENTRE TUBARÕES MEGADENTES E MISTICETOS

Por muito tempo, foi discutido  o momento e como ocorreu a extinção dos tubarões megadentes (grupo de tubarões gigantes, extintos, pertencentes a família Otodontidae, onde o megalodon é o mais conhecido). As mudanças globais e/ou mudanças dos mamíferos marinhos, seriam as principais responsáveis pela extinção do grupo. O gênero Carcharocles (pertencente à família Otodontidae), possuem uma característica bem chamativa, uma tendência ao gigantismo, ao longo do tempo. Observado por Ehret (2010), essa tendência foi interpretada e relacionada ao aumento da diversidade dos cetáceos. O gigantismo, também apareceu nos misticetos durante o mioceno, onde no final do Plioceno, o cenário era de misticetos maiores, ou seja, se tornou uma tendência dessa linhagem. Essa tendência, também tem relação com o declínio ou desaparecimento de misticetos menores. Portanto, os cientistas acreditam e argumentam que o C. megalodon sofreu uma forte redução populacional no Plioceno e que essa redução tem bastante proximidade com a queda da diversidade de misticetos menores. Isso alinhado a mudanças do planeta na época, como o início da glaciação no hemisfério norte, ao final do Plioceno, possivelmente levou a um processo de coextinção, entre presa e predador.

Texto fonte: Alberto Collareta, Olivier Lambert, Walter Landini, Claudio Di Celma, Elisa Malinverno, Rafael Varas-Malca, Mario Urbina, Giovanni Bianucci, Did the giant extinct shark Carcharocles megalodon target small prey? Bite marks on marine mammal remains from the late Miocene of Peru, Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, Volume 469, 2017, Pages 84-91, ISSN 0031-0182

Disponível em:https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018216305417

DOI: https://doi.org/10.1016/j.palaeo.2017.01.001.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução da vida de um adulto de Carcharocles megalodon predando um indivíduo de Piscobalaena nana ocupado em forragear em um cardume de sardinhas (Sardinops sp. cf. S. sagax) ao longo a costa do atual Peru durante o final do Mioceno

Alberto Collareta, Olivier Lambert, Walter Landini, Claudio Di Celma, Elisa Malinverno, Rafael Varas-Malca, Mario Urbina, Giovanni Bianucci, Did the giant extinct shark Carcharocles megalodon target small prey? Bite marks on marine mammal remains from the late Miocene of Peru, Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, Volume 469, 2017, Pages 84-91, ISSN 0031-0182, https://doi.org/10.1016/j.palaeo.2017.01.001.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018216305417


Texto revisado por: Ana Luísa Ferreira, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Tecendo o Passado: Novas Espécies de Aranhas Fósseis Encontradas

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: Paula Carolina Dias Silva

Uma descoberta fascinante na Formação Kishenehn, em Montana (EUA), trouxe à luz fósseis impressionantemente preservados de aranhas que habitavam o planeta há cerca de 46 milhões de anos, da época Eoceno. Entre os achados, destacam-se duas novas espécies de aranhas-tecelãs, pertencentes à família Araneidae, um grupo conhecido por suas teias complexas.

A análise do solo e dos fósseis associados — incluindo outros artrópodes e plantas — revelou que o ambiente em que essas aranhas viviam era uma região de lagos de água doce, com clima quente e úmido, característico de regiões subtropicais ou tropicais. Essas condições não apenas sustentavam uma rica biodiversidade, mas também contribuíram para a preservação extraordinária dos organismos. 

Embora muitos dos fósseis de aranha encontrados estivessem bem preservados, a identificação específica de grande parte deles foi dificultada pela ausência de detalhes taxonômicos cruciais. No entanto, as duas novas espécies, Consteniusi leonae e Greenwaltarachne pamelae, foram descritas com base em características minuciosamente conservadas, como o formato do corpo, a estrutura das pernas e a presença de cerdas. Os nomes foram escolhidos em homenagem aos pesquisadores que participaram da descoberta.

Essa descoberta não apenas amplia nosso conhecimento sobre a diversidade das aranhas no passado, mas também reforça a importância da paleontologia para desvendar a história evolutiva e ecológica do nosso planeta. Estudar fósseis como esses ajuda a conectar os padrões de evolução das espécies modernas às suas origens ancestrais, enriquecendo nossa compreensão sobre a biodiversidade ao longo do tempo.

Texto fonte: DOWNEN, Matthew R.; SELDEN, Paul A. (2020). Fossil spiders (Araneae) from the Eocene Kishenehn Formation of Montana, USA. Palaeontologia Electronica, v. 23, n. 3, p. a56. DOI: 10.26879/1135.

Disponível em: palaeo-electronica.org/content/2020/3237-kishenehn-fossil-spiders.

DOI: https://doi.org/10.26879/1135.

Fonte e legenda da imagem de capa: Fotografia, desenho interpretativo e destaque dos detalhes morfológicos do espécime de Consteniusi leonae.

Disponível em: palaeo-electronica.org/content/2020/3237-kishenehn-fossil-spiders.


Texto revisado por: Ítalo Augusto de Oliveira Barboza, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Os Mamíferos Sempre Demoraram Tanto para Atingir a Idade Adulta?

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: Lucas Fernands Rezende

Pequenos mamíferos atuais como ratos, camundongos, musaranhos e preás demoram muito pouco para chegar até a fase adulta e possuem vidas relativamente curtas, como por exemplo a espécie Rattus norvegicus – ratinhos de laboratório –  que demoram até 49 dias para a maturidade e vivem entre 1 e 3 anos. Mas será que isso sempre foi assim? Um artigo publicado na Nature no ano de 2024 mostra que provavelmente os ancestrais dos mamíferos demoravam muito mais para crescer e tinham vidas mais longevas.  O estudo analisa os fósseis, de dois indivíduos da espécie mamaliforme Krusatodon kirtlingtonensis que viveram no período Jurássico, há 166 milhões de anos. 

Mas afinal, o que é um mamaliforme? Podemos pensar em mamaliformes como uma linhagem mais ampla e antiga que a dos mamíferos (Mammalia). Sendo assim, o grupo dos mamíferos está dentro de um agrupamento maior, mamaliforme, que inclui outras linhagens extintas como é o caso do Krusatodon kirtlingtonensis. Assim, todo mamífero é mamaliforme, mas nem todo mamaliforme é mamífero.

Estudar estes grupos permite que nós possamos compreender melhor quais características dos mamíferos atuais surgem dentro deste grupo e quais são divididas com os grupos próximos. Neste estudo, a característica é a capacidade de se desenvolver rapidamente e atingir eficientemente a idade reprodutiva. E, para entender isso, a equipe de membros dos Museus Nacionais da Escócia estudou dois fósseis:  um de um adulto e um de um juvenil. O primeiro, deve ter morrido em torno de sete anos de idade. Já o segundo, entre seis meses e dois anos e apresentava indícios de ainda estar em fase de amamentação, que é um indicador de que os pais já cuidavam dos filhotes! Eles chegaram a essa conclusão comparando a dentição dos dois exemplares, o mais jovem ainda não havia feito a troca de seus dentes de leite enquanto o adulto já tinha a dentição permanete.

Imagem retirada do artigo original demonstrando o interior do crânio do indivíduo mais jovem. Observe em verde os dentes em erupção dentária. Em púrpura, dentes molares; azul, pŕe-molares; vermelho, caninos; amarelo, incsivos.

Ao fim do trabalho, os pesquisadores sugerem que estes animais tinham um desenvolvimento lento e viviam bastante se comparado com mamíferos atuais de mesmo tamanho (como ratos). Isso pode significar que a capacidade de atingir a idade reprodutiva rapidamente —bastante presente em grupos como os roedores— surgiu posteriormente na linha evolutiva. E não só os pequenos mamíferos, mas também os maiores, como a gente, também se beneficiaram dessa capacidade, Imagina passar mais alguns anos na puberdade? Ainda bem que se desenvolver rapidamente foi uma característica favorecida pela evolução.

Agora, novos estudos com outros exemplares de mamaliformes e até mamíferos mais basais podem fortalecer essa hipótese e, a partir dela, abrir uma nova gama de perguntas a serem pesquisadas. Essa descoberta nos faz repensar como os mamíferos conquistaram o mundo. O que mais podemos aprender sobre nossos ancestrais ao explorar fósseis tão antigos? A ciência ainda tem muito a desvendar.

Texto fonte: Panciroli, E., Benson, R.B.J., Fernandez, V. et al. Jurassic fossil juvenile reveals prolonged life history in early mammals. Nature 632, 815–822 (2024). https://doi.org/10.1038/s41586-024-07733-1.

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-024-07733-1.

Fonte e legenda da imagem de capa: O mamífero do tamanho de um rato que viveu ao lado dos dinossauros há 166 milhões de anos em uma antiga ilha escocesa.

Disponível em: https://www.scotsman.com/news/environment/the-mouse-sized-mammal-that-lived-alongside-dinosaurs-166-million-years-ago-on-an-ancient-scottish-island-4715667.

Texto revisado por: Damiane Mello Andrade e Cruz e Alexandre Liparini.

O dia em que um mamífero predou um dinossauro!

Escrito em: 02 de dezembro de 2024

Por: Marcos Ataide

Imagine voltar no tempo, há 125 milhões de anos, onde vulcões rugiam e criaturas extraordinárias viviam no nosso planeta. Agora imagine que, um pequeno mamífero se lança contra um dinossauro para caçá-lo. Essa história foi preservada no tempo e descoberta por cientistas em um fóssil.

O fóssil, encontrado na China, mostra o dinossauro herbívoro Psittacosaurus e o mamífero carnívoro Repenomamus robustus entrelaçados. Aparentemente, o mamífero, embora menor, estava em uma tentativa de predar o dinossauro. No entanto, antes que isso tivesse um desenrolar, um fluxo vulcânico de lama os enterrou instantaneamente, preservando para sempre essa cena.

Os cientistas analisaram os esqueletos e as rochas ao redor e concluíram que o fóssil é autêntico, sem sinais de manipulação. O dinossauro tinha cerca de 6 quilos, enquanto o mamífero pesava aproximadamente 1,4 quilos. O mais impressionante é que este fóssil desafia a visão clássica de que mamíferos da era dos dinossauros viviam apenas fugindo dos dinossauros. Em vez disso, revela que eles também podiam ser predadores formidáveis

Essa descoberta pode ajudar a reescrever o papel dos mamíferos no ecossistema do Mesozóico e oferece um raro vislumbre das interações entre espécies há milhões de anos. Esse fóssil  é uma das poucas evidências diretas de como possivelmente esses animais conviviam e competiam no mesmo ambiente

Texto fonte: Han, G., Mallon, J.C., Lussier, A.J. et al. An extraordinary fossil captures the struggle for existence during the Mesozoic. Sci Rep 13, 11221 (2023). 

Disponível em:https://doi.org/10.1038/s41598-023-37545-8

Acesso em: 12 de março de 2026.

Fonte e legenda da imagem de capa: Representação artística da luta entre o pequeno mamífero e o dinossauro, Divulgação/Michael Skrepnick

Disponível em: https://cdn.sci.news/images/2023/07/image_12111f-Psittacosaurus-Repenomamus.jpg


Texto revisado por: Ruan Honorato e Alexandre Liparini.

A Importância dos Fósseis na Filogenia das Plantas

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: Lorenna Paiva

O artigo “Fossils and Plant Phylogeny”, publicado no American Journal of Botany em 2004 por Crane et al., discute a importância dos fósseis na compreensão da história evolutiva das plantas, especialmente na construção das árvores filogenéticas das espécies vegetais. Embora os avanços na biologia molecular tenham fornecido importantes insights sobre as relações evolutivas, os fósseis continuam a desempenhar um papel crucial na elucidação de eventos evolutivos antigos e no preenchimento de lacunas na história das plantas.

A filogenia das plantas descreve a evolução dos grupos vegetais ao longo do tempo, permitindo a comparação de características morfológicas e genéticas para inferir as relações de parentesco entre as linhagens. No entanto, muitos grupos de plantas originados em períodos geológicos remotos não possuem representantes vivos, ou suas linhagens evolutivas foram modificadas de tal forma que a análise genética direta se torna difícil.

Nesse contexto, os fósseis se tornam essenciais, pois fornecem informações sobre formas vegetais antigas, suas adaptações e interações com o ambiente. Estudar fósseis permite que os paleobotânicos reconstruam características morfológicas e transições evolutivas de plantas que não têm contrapartes modernas.

O artigo de Crane et al. sublinha a importância dos fósseis para compreender a origem das principais linhagens de plantas, como as gimnospermas e angiospermas. Fósseis de estruturas vegetais antigas fornecem evidências cruciais para determinar como essas linhagens se diversificaram ao longo do tempo, principalmente por conservarem informações estruturais que as metodologias moleculares atuais não conseguem extrair de plantas viventes. Assim, em muitos casos, as informações fósseis complementam os dados moleculares e ajudam a preencher lacunas na árvore filogenética das plantas.

Além disso, os fósseis desempenham um papel significativo na compreensão das interações das plantas com os ecossistemas do passado. Estudar fósseis permite aos cientistas inferirem como as plantas interagiam com seu ambiente e com outras formas de vida, como fungos, animais e bactérias. Essas interações ecológicas são essenciais para entender como as plantas se adaptaram a eventos-chave da história evolutiva, como a transição do ambiente aquático para o terrestre. Através dos fósseis, é possível observar como as plantas moldaram e foram moldadas pelos ecossistemas ao longo de milhões de anos.

Os autores também abordam os desafios enfrentados pela paleobotânica, como a preservação incompleta ou danificada de alguns materiais e a complexidade das formas morfológicas. A integração de dados fósseis com informações genéticas tem sido eficaz para superar essas dificuldades, proporcionando uma visão mais abrangente da evolução das plantas. Contudo, essa integração ainda enfrenta obstáculos, pois as diferenças na taxa de fossilização e nas características morfológicas podem gerar ambiguidades.

Em conclusão, o artigo enfatiza que, apesar dos avanços na biologia molecular, os fósseis continuam sendo essenciais para a compreensão da evolução das plantas. Eles não apenas ajudam a preencher lacunas na árvore genealógica das plantas, mas também oferecem informações valiosas sobre a diversificação e adaptação das plantas ao longo da história da Terra. O estudo dos fósseis vegetais é uma ferramenta indispensável para entender a complexidade da evolução das plantas e suas interações com o ambiente.

Texto fonte: CRANE, P.; HERENDEEN, P. & FRIIS, E. (2004). Fossils and Plant Phylogeny. American Journal of Botany 91(10): 1683–1699. DOI: https://doi.org/10.3732/ajb.91.10.1683.

Disponível em: https://bsapubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.3732/ajb.91.10.1683

Acesso em: 11 de março de 2026.

Fonte e legenda da imagem de capa: Prancha ilustrada de um conjunto remanescentes orgânicos vegetais mineralizados. Conjunto de fósseis vegetais em prancha.

Disponível em: https://www.lindahall.org/about/news/scientist-of-the-day/james-parkinson/


Texto revisado por: Giulia Alves e Alexandre Liparini.

Fóssil de pássaro do Cretáceo tardio encontrado no Brasil pode ajudar a explicar a evolução do crânio e do sistema nervoso central das aves

Escrito em: 25 de novembro de 2024

Por Raquel Teles Rocha

Os enantiornites são uma subclasse de pássaros voadores que viveu durante a era dos dinossauros, no Mesozoico, e provavelmente foi extinta no final do período Cretáceo, junto com os dinossauros. Um dos desafios de estudar esses animais é que, nos locais onde seus fósseis são encontrados, as camadas de rocha muitas vezes esmagaram os ossos, dificultando a preservação de crânios completos em três dimensões. Isso cria uma lacuna de cerca de 60 milhões de anos na história da evolução das aves, entre os primeiros pássaros, como o Archaeopteryx, e os mais modernos, como o Ichthyornis e o Hesperornis.
Recentemente, uma descoberta feita por cientistas de instituições no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos pode ajudar a preencher essa lacuna. No Sítio Paleontológico José Martín Suárez, em Presidente Prudente (São Paulo), foi encontrado o crânio completo e tridimensionalmente preservado de uma ave chamada Navaornis hestiae, que viveu no final do Cretáceo. Essa espécie apresenta características intermediárias entre pássaros antigos e modernos.
Por meio de uma tomografia computadorizada, os pesquisadores reconstruíram a estrutura do crânio do N. hestiae e identificaram traços em comum com aves primitivas e atuais. Por exemplo, o crânio não possui dentes e tem grandes cavidades oculares, além de um cérebro dobrado, características típicas de aves modernas. Ao mesmo tempo, ele apresenta traços primitivos, como um palato fixo (parte superior da boca), duas aberturas atrás dos olhos e um maxilar dominante. O cerebelo do Navaornis também é menor e mais simples, parecido com o de pássaros antigos, embora os hemisférios cerebrais mostrem sinais de expansão, algo visto em aves mais avançadas.
Essas características sugerem que mudanças complexas no cérebro das aves começaram antes que seus crânios e cérebros se tornassem totalmente modernos. Isso reforça a hipótese da evolução modular, que propõe que diferentes partes do cérebro evoluíram separadamente e se adaptaram a funções específicas, como melhor coordenação motora e integração sensorial, que são típicas de pássaros atuais.

Texto fonte: CHIAPPE, Luis M.; NAVALÓN, Guillermo; MARTINELLI, Agustín G.; CARVALHO, Ismar de Souza; SANTUCCI, Rodrigo Miloni; WU, Yun-Hsin; FIELD, Daniel J (2024). Cretaceous bird from Brazil informs the evolution of the avian skull and brain. Nature, 635, 376-381. Doi:10.1038/s41586-024-08114-4.

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-024-08114-4#Abs1 acessado em 25/11/2024

Fonte e legenda da imagem de capa: Retirada do artigo no qual foi baseado o texto. Elaborada pelos pesquisadores do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles. O fóssil encontrado e as reconstruções obtidas por meio de tomografia computadorizada, evidenciando as estruturas intermediárias presentes no animal.


Texto revisado por: Lucélio Batista, Alexandre Liparini.

Dinossauros X Mosquitos: A batalha invisível que marcou a Era Mesozoica

Escrito em: 25 de novembro de 2024

Por: Júlia Paula Rabelo

Sabe-se que os dinossauros tiveram grande sucesso evolutivo, eles existiram entre 230 a 65 milhões de anos atrás, vivendo por uma extensa história de 165 milhões de anos, muito mais larga que a da espécie humana, que conta com, no máximo, apenas 300 mil anos aproximadamente. Contudo, uma curiosidade pouco conhecida é que, tal qual nós humanos sofremos cotidianamente, essas espécies também foram vítimas de pequenos “predadores”, conhecidos popularmente como mosquitos.

    Embora os dinossauros tenham sim um destaque e uma conquista do ecossistema por toda a Era Mesozoica, sobretudo no período Jurássico, eles não eram as únicas espécies habitando a Terra nesse período. Os insetos surgiram bem antes deles, a cerca de 350 milhões de anos atrás e coevoluíram com vários vírus e outros microrganismos patogênicos, tornando-se importantes transmissores de patógenos, inclusive no passado. Dentro desses insetos, se destacavam os mosquitos e os flebótomos, que são hematófagos(seres que se alimentam do sangue de outros) e, durante o repasto sanguíneo, podiam transmitir algumas espécies de parasitos por meio da saliva. 

   Esses insetos não se intimidaram com a grandeza dos dinossauros e começaram a atacá-los, principalmente aqueles dinossauros que possuíam peles mais finas e com penas. Mesmo as espécies como pele mais grossa não escapavam desses mosquitos, uma vez que esses pequenos artrópodes conseguiam picar entre as escamas grossas de queratina desses animais. Portanto, todos estavam suscetíveis à picada desse assassino, afinal, em uma época sem repelente, inseticidas e roupas, os dinossauros não tinham proteção alguma contra os mosquitos.

    Essa relação entre grandes e pequenos seres foi inferida pelo descobrimento espécimes de dípteras (ordem das moscas e pernilongos, por exemplo) conservados em âmbar, uma resina vegetal polimerizada, que continham sangue com DNA de dinossauros e tinham o material genético de uma das espécies do parasita causador da malária, que, posteriormente, também foram encontrados em coprólitos e no vaso sanguíneo de um tiranossauro. Isso prova que os dinossauros sofreram os impactos do Plasmodium sp., que conseguiu superar o sistema imunológico desses organismos, por ser causar diferentes respostas imunológicas e sintomas nos seres vivos. Além disso, se formos analisar o clima da Terra na época dos dinossauros, percebemos que era o ambiente ideal para a reprodução dos mosquitos, sendo quente e úmido. Ou seja, os dinossauros estavam totalmente suscetíveis aos efeitos da grande concentração de insetos hematófagos do período Jurássico.

Por fim, há diversos artigos científicos que firmam a ideia de que os dinossauros foram extintos pelo impacto do meteoro Chicxulub e por atividades vulcânicas intensas na Terra. Entretanto, é interessante pensar que a malária pode ter debilitado essas espécies e ter contribuído com seu declínio, originando espaço para a ascensão dos mamíferos. Assim, numa Era dominada por gigantes e implacáveis, os pequenos e silenciosos mosquitos mostraram-se mais adaptados ao meio ambiente e às mudanças do mesmo.

Texto fonte:  WINEGARD, Timothy C. O mosquito: a incrível história do maior predador da humanidade. Tradução de Alves Calado. São Paulo: Intrínseca, 2020.

Disponível em: https://statics-americanas.b2w.io/produtos/4754459070/documentos/4754459070_1.pdf

ISBN:  978-65-5560-510-5

Fonte e legenda da imagem de capa: Arquivo Pessoal. (Ilustração feita por Júlia Paula Rabelo, 2024); Ilustração colorida de um dinossauro sendo picado por um mosquito, em uma paisagem semelhante ao senso comum de como era o período Jurássico.

Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.adk6320.


Texto revisado por: Luís Filipe Cardoso Queiroz e Alexandre Liparini.

Anomalocaris: O Quebra-Cabeça de 100 Anos

Escrito em: 06 de dezembro de 2024

Por Tiago Lopes Siqueira

Os Anomalocaris foram animais que viveram nos oceanos do período Cambriano, de 539 a 485 milhões de anos atrás. Durante esse período, esses animais eram o pior pesadelo para qualquer outro: possuindo 50 centímetros enquanto a maioria dos outros animais da época não passavam de 10, o Anomalocaris era um verdadeiro colosso. Esse tamanho era essencial para conseguir seu alimento, já que ele foi o primeiro predador ativo que existiu no planeta, nadando atrás de sua presa com objetivo de predá-la.

Só isso já coloca uma importância enorme nesse animal, mas não é só disso que vive a fama do nosso grande predador. A sua descoberta também foi marcada por inúmeras controvérsias que duraram 100 anos para serem esclarecidas, ainda existindo a chance de ter sobrado uma lacuna ou outra nessa história. Para começar, em 1892, foi descrito um fóssil de um crustáceo alongado com várias pernas que nomearam de Anomalocaris. Alguns anos depois, em 1911, foram descritos outros dois fósseis de importância, um tipo de água-viva, chamada Peytoia, e um pepino-do-mar bem grande, nomeado Laggania.

Outros 74 anos se passaram, e depois de diversas análises, cientistas perceberam que esses três fósseis não eram de animais diferentes, mas de apenas um. Laggania, o pepino-do-mar, era o corpo desse animal. O crustáceo com várias pernas, era um apêndice, um braço, que o animal utilizava para segurar outros animais. E a água-viva era a boca do Anomalocaris, nosso querido predador do cambriano.

Em 1985 ele foi descrito por inteiro como um grande animal nadador, que possuía dois apêndices frontais, para segurar e manipular o que encontrar, e um disco bucal na parte de baixo da cabeça, que possivelmente removia pedaços de outros animais com o auxílio de seus apêndices.Em 1996, foi publicado o nome Anomalocaris para o animal inteiro, Peytoia foi utilizado em um outro animal, parente próximo do nosso predador, e Laggania ficou perdido como um sinônimo, mas também como história de um quebra-cabeça incrivelmente longo. Deixando um legado de que, no estudo dos fósseis, os paleontólogos trabalham com o que tem no momento, o que nem sempre é suficiente. No final das contas, o trabalho em equipe é essencial para a resolução de diversos quebra-cabeças que possam existir dentro da paleontologia e qualquer outra ciência.

Texto fonte:  POTIN, G. J.-M. .; DALEY, A. C. The significance of Anomalocaris and other Radiodonta for understanding paleoecology and evolution during the Cambrian explosion. Frontiers in Earth Science, v. 11, 9 maio 2023.

Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/earth-science/articles/10.3389/feart.2023.1160285/full

Fonte e legenda da imagem de capa:

Reconstrução em modelo do Anomalocaris canadensis.

https://www.shapeoflife.org/sites/default/files/styles/large_480_wide_/public/global/anomalcaris_0.png?itok=Pn29QI1-


Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.

Anomalocaris canadensis e a predação de trilobitas

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: André Durço

Na terra, 538 milhões de anos atrás, acontecia a “explosão do cambriano”, onde surgiram alguns grupos de animais ancestrais que se assemelham muito aos artrópodes que temos hoje em dia. Parentes distantes de aranhas e escorpiões, mas que habitavam um ambiente marinho bastante diversificado. Um desses parentes é o Anomalocaris, considerado um superpredador desse período. 

O Anomalocaris possuía duas projeções frontais. Ao longo desses dois apêndices estão inseridos pequenos “espetos”, chamados “enditos”. Acredita-se que os enditos eram usados para capturar, manipular e talvez até triturar a presa antes de levá-la para a boca. Acredita-se também que eles eram predadores ativos, que nadavam atrás de suas presas e caçavam em mar aberto, possuindo várias vítimas como artrópodes de esqueleto externo biomineralizado, como os trilobitas, por exemplo. No entanto, no artigo: “Raptorial appendages of the Cambrian apex predator Anomalocaris canadensis are built for soft prey and speed” eles debatem essa noção, através de simulações realizadas em cima de uma reconstrução digital desses apêndices, feita usando dados morfológicos de fósseis de Anomalocaris canadensis, e comparadas a apêndices raptoriais de artrópodes atuais, como os dos aracnídeos amblipígios e uropígios. Estes testes simulavam a hidrodinâmica e resistência dos apêndices, durante o nado, e durante a captura de uma presa. Os testes acabaram mostrando que, mesmo que eficientes na captura, eles não seriam resistentes o suficiente para aguentar a força exercida durante a predação de animais com partes biomineralizadas, e acabariam danificados. Como a grande parte dos fósseis encontrados não possui enditos danificados, surge a ideia de que então, na realidade, Anomalocaris canadensis era predadores de outros animais, sem uma carapaça externa resistente, que nadavam rápido na coluna d’água, e não de trilobitas.

Texto fonte:  Texto fonte: Bicknell Russell D. C., Schmidt Michel, Rahman Imran A., Edgecombe Gregory D., Gutarra Susana, Daley Allison C., Melzer Roland R., Wroe Stephen and Paterson John R. 2023. Raptorial appendages of the Cambrian apex predator Anomalocaris canadensis are built for soft prey and speed. Proc Biol Sci 1 July 2023; 290 (2002)

Disponível em: https://royalsocietypublishing.org/rspb/article/290/2002/20230638/86810/Raptorial-appendages-of-the-Cambrian-apex-predator

DOI: https://doi.org/10.1098/rspb.2023.0638

Legenda da imagem de capa: Apêndice frontal de Anomalocaris canadensis

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=anomalocaris&title=Special:MediaSearch&go=Go&type=image


Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini.