Quanto o esmalte dentário pode dizer sobre o ambiente que um mamífero viveu?

Escrito em: 24 de março de 2024

Por: Ananda Laet

A hipoplasia do esmalte (HE) é uma anomalia dental que diz respeito à formação incompleta ou defeituosa do esmalte dentário. Os registros de HE em fósseis são ideais para indicar alterações na fisiologia de um animal durante o desenvolvimento do dente, pela facilidade das análises e reconstruções dentárias, sendo excelentes evidências utilizadas por paleontólogos para reconstruir o passado. A HE carrega os danos dentários, sejam fisiológicos, deficiências de minerais, nascimentos prematuros ou doenças, o que tem grande ocorrência em mamíferos já extintos! Dessa forma, ao analisar o esmalte dentário de mamíferos, os paleontólogos analisaram as possibilidades de evolução ou extinção desses animais em determinados ambientes.

Os cientistas avaliaram 52 dentes de 35 animais das espécies Deinotherium pentatomidae e D. indicum, grandes mamíferos herbívoros, em que, a partir dos estudos da HE e comparações com a família Proboscidea do mesmo local, foi possível analisar o ambiente do Mioceno Médio do Siwalik, no Paquistão, e suas mudanças ambientais.

Ambas as espécies viviam em habitats parecidos e mantinham uma dieta semelhante, se alimentando de vegetação macia com dentes apropriados para pastagem, porém, ao longo de sua existência, a ocorrência de HE aumentou entre as espécies, em 13 de 52 dentes avaliados no estudo, cerca de 25%, evidenciaram hipoplasia do esmalte, sendo mais frequentes em molares (30,30%) em relação aos pré-molares (21,05%) indicando que o estresse sofrido por esses animais ocorreu na fase adulta possivelmente em decorrência das mudanças ambientais e competição.

Os fósseis analisados neste estudo foram descobertos do Mioceno Médio (aprox. 15-12 Ma) do Paquistão, pela análise isotópica de carbono e oxigênio dos ossos dos mamíferos, junto da análise de HE, foi possível concluir que houve uma grande mudança no habitat desses animais: as florestas úmidas foram substituídas por savanas e ainda mais tarde no fim do Mioceno médio, houve um grande aumento da aridez no ambiente. Essa mudança ocorreu pela diminuição no habitat dos animais, o que causou uma grande alteração na vegetação e por consequência alterando a sua dieta, aumentando os níveis de estresse sofridos, evidenciados pelo aumento da HE em seus dentes. Assim, com o encolhimento do habitat, os Deinotherium diminuíram a sua diversidade ao longo do Mioceno. Os animais da espécie Deinotherium indicum, que eram relativamente maiores em relação a D. pentapotamiae, ainda conseguiram migrar para outros ambientes, alguns dos seus fósseis foram encontrados na Índia! Portanto, com a grande mudança ambiental que alterou os padrões vegetacionais evidenciados na hipoplasia do esmalte dentário da família, os Deinotherium foram extintos do Siwalik do Paquistão.

Texto fonte: AMEEN, Muhammad et al. (2021). Appraisal of dental enamel hypoplasia in the Middle Miocene deinotheriidae: Implications of the Siwalik paleoenvironment of Pakistan. Revista Brasileira de Paleontologia, v. 24, n. 4, p. 357-368. Doi:10.4072/rbp.2021.4.06.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/80/93.

Acesso em: 24 de fevereiro de 2026.

Fonte e legenda da imagem de capa: Desenho de um Deinotherium, por Heinrich Harder.

Disponível em: https://es.wikipedia.org/wiki/Deinotherium#/media/Archivo:Deinotherium.jpg.


Texto revisado por: Ruan Honorato Marzano Cintra, Alexandre Liparini, Damiane Mello Andrade e Cruz, Sandro Ferreira

Uma caçada infeliz: O Primeiro Registro de Osteomielite Crônica em um Smilodon populator e sua Importância na Paleopatologia

Escrito em: 29 de março de 2024

Por: Matheus H. Lopes de Souza

A paleopatologia é a ciência responsável por identificar e estudar as enfermidades presentes nos fósseis e, por isso, possui grande importância para descobrirmos um pouco sobre a saúde e o ambiente dos seres vivos do passado. Nos últimos anos, a paleopatologia tem se desenvolvido bastante, especialmente com os estudos de grandes mamíferos do Pleistoceno, período datado entre 2,58 milhões e 11,7 mil anos, conhecido pela megafauna (conjunto de animais de grande porte que conviveram com a espécie humana) e pela última Era do Gelo (resfriamento do planeta devido a diversas glaciações).

No entanto, esses registros e estudos ainda são escassos, e a grande maioria é voltada para os Xenartros, uma superordem de mamíferos placentários. Dificilmente são encontrados registros de indivíduos da ordem Carnivora, como os Smilodon, um gênero extinto de felídeos da subfamília Machairodontinae, também conhecido como tigre-dente-de-sabre. Esse gênero inclui várias espécies, sendo uma delas Smilodon populator, na qual poucos indivíduos apresentam patologia óssea.

Felizmente, pesquisadores registraram um fóssil de Smilodon populator, que consiste em um metacarpo IV esquerdo isolado, no qual o indivíduo possivelmente pode ter desenvolvido uma lesão inflamatória. Algumas análises revelaram que a lesão poderia se tratar de uma osteomielite crônica, tornando este o primeiro registro de processo infeccioso nesse grande predador. Esse indivíduo viveu no Pleistoceno Superior e foi encontrado no Nordeste da Argentina, mais precisamente em Arroyo Toropí, nos afloramentos da Formação Toropí/Yupoí, uma região caracterizada por apresentar areia fina maciça, além de variações de sedimentos e argilas arenosas. Esse local pode ter sido uma grande planície alagada que fazia parte de um sistema fluvial.

Para identificar a taxonomia do indivíduo, o material em estudo foi comparado com fósseis de outros felídeos que habitavam a região no Pleistoceno. Os materiais de comparação foram de Smilodon populator, a única espécie do gênero registrada na Argentina, Panthera onca e Puma concolor, todos pertencentes ao Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia”. Por meio da comparação, foi possível concluir que o material apresenta várias diferenças em relação aos demais felídeos. Além disso, foram observadas características diagnósticas para o gênero Smilodon.

Com base nas análises macroscópicas, foi possível deduzir que esse indivíduo passou por um processo no qual uma reação inflamatória crônica do periósteo, a camada externa do osso, resultou na deposição de novo osso. Isso levou ao aumento das camadas dessa região e ao espessamento da camada cortical do osso, que é a camada mais externa e densa. Em resumo, o espessamento ósseo é maior em comparação com outros grandes felídeos devido à deposição óssea em certos locais do material. Além disso, também pode ser identificado um possível nódulo e tecidos moles associados.

Esses dados indicam osteomielite crônica, um processo infeccioso resultante de lesões penetrantes ou infecções de tecidos moles. Consequentemente, essas lesões teriam afetado a capacidade de caça do animal. A osteomielite em grandes predadores geralmente resulta de lesões traumáticas durante a caça. A presença dessas lesões indica um estilo de vida dependente da mobilidade dos membros anteriores, com o Smilodon utilizando-os para capturar presas. Embora as lesões possam comprometer a capacidade de caça, elas não costumam ser fatais, e outros grandes predadores, como leões, podem sobreviver a lesões semelhantes.

Texto fonte: LUNA, Carlos A. et al. Osteomyelitis in the manus of Smilodon populator (Felidae, Machairodontinae) from the Late Pleistocene of South America. Palaeoworld, 2023.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1871174X23000471#f0015.

Acesso em: 23 de fevereiro de 2026.

Fonte e legenda da imagem de capa: Material encontrado, trata-se de um metacarpo IV esquerdo isolado de Smilodon populator.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1871174X23000471#f0015.


Texto revisado por: Giulia Alves e Alexandre Liparini.

O maior golfinho de água-doce que já existiu era da Amazônia, será que ele tinha ligação com o boto-cor-de-rosa?

Escrito em: 27 de outubro de 2025

Por: Vinícius Delgado

Os ”golfinhos dos rios” fazem parte de uma subordem de animais chamada de Odontocetos, pelo fato de apresentarem dentes, diferentemente da ordem ao qual pertencem denominada Cetáceos (que possuem algumas espécies de baleia como exemplares). Existem quatro grupos que constituem tais animais e três desses são exclusivamente de água doce. Dentre esses três, os golfinhos baiji que habitavam o rio Yang-Tsé estão extintos, atualmente restando apenas representantes vivos de dois grupos que serão abordados no texto de hoje.
A família Platanistidae consiste nos golfinhos de rio do sul da Ásia e o estudo de sua evolução é extremamente difícil por conta de seu registro fóssil ser insuficiente para a demanda, é algo complexo com várias lacunas que não estão preenchidas. Os botos-cor-de-rosa constituem a família Iniidae mas não são eles que vão receber os holofotes também. Milhões de anos atrás, a Amazônia era o lar de um golfinho gigante, o Pebanista yacuruna, o maior de água doce já encontrado. Mas o que mais intriga os cientistas não é o seu tamanho, e sim de onde ele veio: seus parentes vivos mais próximos estão na Ásia, sendo justamente os platanistídeos (exemplares da família Platanistidae) mencionados anteriormente! Como este golfinho encontrado no continente sul-americano pode estar ligado a espécies do outro lado do mundo? 

Essa descoberta foi realizada por meio de programas computacionais que são capazes de comparar características similares provenientes de um ancestral em comum entre as espécies de golfinhos de rio que existem e que já foram extintas com base em um registro preestabelecido, como por exemplo uma forte assimetria na região facial encontrada tanto em Pebanista como em outros platanistídeos. Dessa forma, com esse levantamento, os cientistas conseguem traçar até mesmo práticas que exemplificam a semelhança entre o fóssil e o comportamento dos platanistídeos hoje, como os dentes alargados associados com o focinho forte e largo e as inserções musculares bem desenvolvidas no crânio, sugerindo uma atividade de caça ativa e voraz para captura de alimento. Algo comum entre os integrantes desse grupo.

Além disso, é importante  ressaltar que estamos tratando da maior espécie de golfinhos de água-doce encontrada equiparando-se em tamanho com os platanistídeos marinhos, hoje extintos. A estimação do tamanho do comprimento do Pebanista ocorreu por meio de cálculos que usaram os valores da largura máxima do rosto e reconstruíram seu tamanho com ressalvas de 2,81 a 3,47 metros, o que é muito maior que o tamanho de golfinhos de rios de hoje em dia, que têm um máximo de 2,5 metros.

Sob essa visão é essencial pensar que o Pebanista yacuruna apresenta características de uma espécie que realizou essa transição do habitat marinho para o ambiente de água-doce, o que de acordo com a datação do fóssil identificado justifica a presença desse organismo no sistema de bacias andino do continente sul-americano antes da invasão de ambientes de água-doce pela linhagem dos botos-cor-de-rosa, membros da família Iniidae. Essa colonização da linhagem do Pebanista que hoje é similar aos platanistídeos do Sul da Ásia, permite compreender a diversificação do ambiente Amazônico. A espécie se desenvolveu nessa bacia entre 16 e 11 milhões de anos, na época que a região da proto-Amazônia (a antiga Amazônia) conseguia suprir as demandas dessa espécie. A diversidade e abundância de recursos, um verdadeiro berçário de vida, promoveram que a linhagem marinha do Pebanista evoluísse para o gigante de água doce. Com o tempo, essa espécie se extinguiu, abrindo espaço para o surgimento do nosso boto-cor-de-rosa, que conhecemos hoje.

Texto fonte:  Benites-Palomino. A.; Aguirre-Fernández. G.; Baby. P.; Ochoa. D.; Altamirano. A.; Flynn. J. J.; Sánchez-Villagra. R. M.; Muizon. C.; Salas-Gismondi. R.; Tejada. J.V. (2024). The largest freshwater odontocete: A South Asian river dolphin relative from the proto-Amazonia. Science Advances, [S. l.], v. 10, n. 12, p. eadk6320, DOI: 10.1126/sciadv.adk6320.

Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.adk6320.

DOI: 10.1126/sciadv.adk6320.

Fonte e legenda da imagem de capa: Representação realista do Pebanista yacuruna em ambiente aquático com base nos fósseis datados do fim do Mioceno Inferior (há cerca de 16,5 milhões de anos) e encontrados na região de Loreto no percurso do rio Napo, no Peru.

Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.adk6320.


Texto revisado por: Vinícius Delgado, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Ictiossauro e a Índia Jurássica: Uma Descoberta Paleobiogeográfica

Escrito em: 01 de abril de 2024

Por: Arthur de Almeida Soares

Em uma escavação na formação Katrol, ao sul da vila de Lodai, no distrito de Kachchh, oeste da Índia, um grupo de pesquisadores encontrou um esqueleto parcialmente preservado de um animal da ordem dos Ictiossauros. Após estudar o conteúdo fossilífero encontrado, o grupo de estudiosos chegou à conclusão que se tratava de um ictiossauro do período jurássico, o primeiro encontrado na Índia. Embora não fosse possível apontar qual era a espécie desse ictiossauro, os cientistas puderam afirmar que se tratava de um espécime da família Ophthalmosauridae.

O conteúdo fossilífero encontrado consistia na pré-maxila, vértebras, nadadeira anterior esquerda e posterior direita, dois dentes, uma vértebra caudal posterior, três vértebras caudais pós-flexurais, três falanges isoladas e dois fragmentos mandibulares. A coluna vertebral representa a maior parte do fóssil, com 3,6 metros de comprimento. A pré-maxila do animal e as vértebras pós-flexurais ajudaram a estimar que o comprimento total do animal poderia ser de 5 metros.

Mas afinal de contas: qual a importância dessa descoberta para a paleontologia? Esse registro é o primeiro do jurássico da Índia, e por ser desse período ele despertou bastante interesse nos paleontólogos. Esse interesse se dá pela descoberta de fósseis muito similares a esses encontrados na América do Sul e na África. Por datarem do mesmo período e serem muito parecidos entre si, esses fósseis levaram os cientistas a teorizar que houve uma passagem no mar que conectava o oeste do Mar Tétis com a América do Sul. Essa seria uma grande descoberta da paleobiogeografia, ciência que estuda os locais onde animais viveram considerando fatores de mudança de ambiente, como a própria deriva continental na qual o ictiossauro se encontrava.

Texto fonte: Prasad, G. V., Pandey, D. K., Alberti, M., Fürsich, F. T., Thakkar, M. G., & Chauhan, G. D. (2017). Discovery of the first ichthyosaur from the Jurassic of India: implications for Gondwanan palaeobiogeography. PloS one, 12(10), e0185851.

Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0185851.

Fonte e legenda da imagem de capa: Ichthyosaur hharder.png, Pintura para representação da provável aparência de um Ictiossauro.

Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/mudanca-climatica-causou-extincao-de-golfinho-pre-historico-aywshhzds74f15k728kz6z3fn/.


Texto revisado por: Lucélio Batista, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Do T. rex ao Pardal: o que a dieta dos fósseis revela sobre a vida do passado?

Escrito em: 25 de outubro de 2025

Por: Sarah Luiza Dias Sousa

Quando pensamos em uma imagem clássica de um dinossauro, o que frequentemente vem à mente são aquelas criaturas de proporções enormes com escamas verdes e uma grande semelhança aos répteis modernos que conhecemos. Contudo, com a descoberta de novos fósseis ao longo dos anos, estudos científicos demonstram que essa visão do dinossauro clássico, tão prevalente na mídia como nos filmes “Jurassic Park” pode estar equivocada. Nossa tendência é imaginar que os dinossauros são esses grandes animais extintos que só podemos ver nos museus, mas não é bem assim, muitos dinossauros continuam a nos espreitar, voando pelos céus, pousados nas árvores e até mesmo andando pelo chão das grandes cidades. Sim! Nossas aves modernas são diretamente ligadas a um grupo de dinossauros, chamados de Theropoda. Este grupo incluía grandes carnívoros, hoje extintos, como o famoso T. rex. O que conhecemos como “a extinção dos dinossauros” foi um evento denominado como “a extinção do Cretáceo-Paleógeno” e aconteceu a cerca de 66 milhões de anos, contudo, algumas linhagens de dinossauros terópodes sobreviveram e deram origem as aves modernas.

O naturalista Charles Darwin em seu livro “A Origem das Espécies”, buscou compreender e discutir os fenômenos evolutivos. Neste livro, ele pressupõe que ao longo do tempo a humanidade encontraria fósseis “intermediários” que explicariam a evolução dos animais que conhecemos hoje em dia. A previsão feita pelo naturalista em pouco tempo seria cumprida quando pesquisadores encontraram na Alemanha um emblemático fóssil, nomeado como Archaeopteryx lithographica (nome que significa “asa antiga gravada em pedra”). A descoberta deste fóssil foi um grande divisor de águas no estudo da evolução, pois este era o fóssil de uma criatura que apesar de possuir características “reptilianas” como garras nas mãos, dentes e uma cauda longa, também eram encontrados elementos associados as aves como membros semelhantes a asas, boca semelhante a um bico e até mesmo penas. Essa descoberta tornou ainda mais claro o caminho que ligava os dinossauros e aves antigas a exemplares modernos da nossa fauna. Após a descoberta do icônico Archaeopteryx, diversos outros fósseis semelhantes foram encontrados e estudados.

O estudo paleontológico de fósseis de aves primitivas também permite a compreensão dos caminhos evolutivos percorridos pelas aves modernas. Um grande exemplar desse grupo foi encontrado no nordeste do Brasil, nomeado como Cratoavis cearensis (ave do Crato, do Ceará). Esse fóssil foi descoberto na Bacia do Araripe, local peculiar que se desenvolveu com a fragmentação do supercontinente Gondwana, o que desencadeou na formação do Oceano Atlântico. Nesta bacia hidrográfica está situada a Formação do Crato, local datado do período Aptiano (cerca de 113 milhões de anos atrás) que se destaca por suas formações fossilíferas de diversos exemplares de fauna e flora.

A Cratoavis é o fóssil de ave mais importante e mais antigo descoberto no Brasil, apesar de sabermos de suas pequenas dimensões e termos conhecimento que seu corpo era recoberto por penas, pouco se sabia sobre seus hábitos de vida e sua biologia. Felizmente, a Formação do Crato possui características excepcionais para a boa preservação de organismos, e com a Cratoavis não foi diferente. Após estudos aprofundados e análises desse fóssil, recentemente descreveram o que possivelmente seria a dieta desta ave primitiva. Dentro da região do intestino e ceco dessa ave, foram encontrados conjuntos de costelas e outros ossículos de peixes que habitavam a região no mesmo período.

Essa foi uma evidência direta da dieta do animal, uma grande descoberta, pois graças a estes achados podemos imaginar que tipo de ambiente esse animal ocupava ao analisar seus hábitos alimentares. Com os avanços nas pesquisas e análises minuciosas de fósseis, somos capazes de desvendar segredos do passado, encaixar as peças “perdidas” na história evolutiva das criaturas, revelando suas histórias de vida para compreender cada vez melhor como estes seres viviam e se adaptavam em seu ambiente.

Texto fonte:  SALGADO, Fernando Luiz Kilesse et al. (2025). Evidence of piscivorous diet in an enantiornithine bird from the Lower Cretaceous of Brazil. Cretaceous Research, p. 106161, 2025.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195667125000849.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.cretres.2025.106161.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução artistica da Cratoavis se alimentando de peixes em seu ambiente natural. Ilustração retirada do artigo, com a arte de autoria do Deverson Pepi.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195667125000849.


Texto revisado por: Sarah Luiza Dias Sousa, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Qual a cor de um dinossauro?

Escrito em: 25 de março de 2024

Por: Izadora Cabral

Você já pensou em como os cientistas conseguem representar as cores dos dinossauros em séries, documentários e filmes? E se eu te contar que, para isso, basta alguns pigmentos fossilizados? É o que dizem os pesquisadores do artigo “Padrões de Coloração da Plumagem de um Dinossauro Extinto”! Para entender melhor esse processo, preciso te apresentar os melanossomas, organelas responsáveis pela síntese e deposição de melanina, que transmite uma cor. Eles conseguem variar de forma e tamanho, é aí que está o pulo do gato. Sabemos que a melanina não consegue ser preservada, certo? Mas as estruturas onde elas se encontram, os melanossomas, sim! Dito isso, conseguiu-se observar e padronizar a forma e tamanho de diversas cores, possibilitando identificar a coloração de algumas espécies fossilizadas! 

Nesse achado científico, os pesquisadores analisaram tamanho, forma, densidade e distribuição dos melanossomas em um fóssil bem preservado de Anchiornis huxleyi, um dinossauro emplumado, para descobrir o padrão de coloração do espécime. E qual a melhor maneira de descobrir qual é o padrão estrutural de um melanossoma para cada cor? Pegando exemplos dos mais recentes (e vivos) dinossauros, é claro, as aves! Foram usadas diferentes aves de diferentes famílias que possuíam melanina com pigmentação preta, cinza e marrom, principalmente, pois existem duas variedades principais de melanossomas: eumelanina (associados a tons preto-acinzentados) e feomelanina (indicativos de tons avermelhados a amarelos). Outros tipos de coloração, geralmente, surgem a partir da alimentação do animal, consequentemente, não são estruturais do organismo, por isso não podem ser incluídas. 

No fim das análises, os cientistas conseguiram diferenciar morfologicamente os melanossomas de A. huxleyi, encontrando as colorações cinza e preto na maior parte do corpo, branco nas pernas e braços, mas seu diferencial estaria na cabeça, um grande cocar laranja avermelhado e pequenos pontos, da mesma coloração, na bochecha. Esses padrões levam a pensar sobre o modo de vida desses animais, seu comportamento, habitat, entre tantas outras questões que estão sendo descobertas e redescobertas. 

A partir desse estudo, muitos outros vieram e estão constantemente ajudando a revelar a evolução dos mecanismos de padrão de pigmentação de cores em dinossauros. Trazendo respostas às nossas perguntas tão curiosas e envolventes, que permitem o entendimento sobre a história natural, evolução e biogeografia de toda a vida que já percorreu no nosso planeta, podendo assim enxergar o mundo com novas cores.

Texto fonte: Li, Q., Gao, K., Vinther, J., Shawkey, M., Clarke, J., D’Alba, L., Meng, Q., Briggs, D., Miao, L., & Prum, R. (2010). Plumage Color Patterns of an Extinct Dinosaur. Science. DOI: 10.1126/science.1186290.

Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/science.1186290.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução da cor da plumagem do troodontídeo jurássico A. huxleyi. Artista: MA DiGiorgio.

Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Reconstruction-of-the-plumage-color-of-the-Jurassic-troodontid-A-huxleyi-The-tail-is_fig4_41408373.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Primeiros fósseis de mamíferos são descobertos em caverna no Sergipe, e restos são do Pleistoceno

Escrito em: 02 de abril de 2024

Por: Lucas Freitas Viggiani

Em 1997, o registro do primeiro fóssil encontrado em cavernas no Sergipe foi um marco significativo para o estado. Na Gruta da Raposa, em Laranjeiras, dentes de tubarão, vértebras de peixes pequenos, gastrópodes e equinóides foram identificados, juntamente com a carapaça de um réptil do gênero Chelonoidis. No entanto, até então, não haviam evidências de mamíferos.

Recentemente, um grupo de espeleólogos fez uma descoberta emocionante ao encontrar restos de mamíferos nas cavernas. Foram encontrados fósseis de Glyptodon clavipes e Galea spixii, atribuídos à época Pleistoceno, embora não conseguirem uma datação precisa para esses fósseis. A presença desses espécimes enriqueceu a fauna pleistocênica sergipense, incluindo um dente trilobado peculiar com cristas de osteodentina e ramificações secundárias, mas infelizmente, sem sua face de oclusão devido a uma fratura durante a coleta.

Os fósseis de Glyptodon clavipes, semelhante a um tatu em muitos aspectos, e de Galea spixii, um roedor que ainda vive hoje, foram descobertos no teto de uma ala na Toca da Raposa, caverna situada em Simão Dias. Sua preservação provavelmente ocorreu devido às fortes enxurradas que, ao imobilizar os materiais na caverna, os levaram à fossilização.

Essa descoberta tem implicações significativas para a paleontologia, destacando a importância das cavernas como locais de interesse biológico e ecológico. Além disso, ressalta a necessidade de cuidar e preservar esses espaços naturais, reconhecendo seu valor como fontes valiosas de informações sobre o passado da vida na Terra.

Texto fonte: DANTAS, M.A.T. (2009). PRIMEIRO REGISTRO DE FÓSSEIS DE MAMÍFEROS PLEISTOCÊNICOS EM CAVERNA DE SERGIPE, BRASIL. Rev. bras. paleontol, v. 12, n. 2, p.161-164. Doi:10.4072/rbp.2009.2.06.

Disponível em: https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/30560291/DANTAS_MAT_%282009%29_Revista_Brasileira_de_Paleontologia-libre.pdf?1391836007=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DPrimeiro_registro_de_fosseis_de_mamifero.pdf&Expires=1712281104&Signature=K6UoWOENpni~RIw~u8DTcvrCtspYsTHSVV7DE8dn54DZJh1NUqMoRn~gZOrucu8yJVqnAEqzFjRk6aJjmzek3eD8hEucbacwW3BtGmjuAWwFEYTj0pWq2KUyWjtdBUe0vTs8dkXnuXfmbwF~ezFnaVL4Shxxp1RKhu4Snso3FC~-W26z61sWUp-PPIwSeTbPMnhK6M68JJdbPuKb6uo-XhZTMQEzNc8McH~7vcZ6zSRKN~3RSimORDyW2qzLTtIasgfz1iba~R4nnVa4tkFM96l3epeiUC5y8dPE39sCTN84ilPRN4a0PF4kgeHMdgxWSHIaFVTT8IgHfeuJzhu4tw__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA.

Fonte e legenda da imagem de capa: Restos de dente trilobulado de um mamífero.

Disponível em: https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/30560291/DANTAS_MAT_%282009%29_Revista_Brasileira_de_Paleontologia-libre.pdf?1391836007=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DPrimeiro_registro_de_fosseis_de_mamifero.pdf&Expires=1712281104&Signature=K6UoWOENpni~RIw~u8DTcvrCtspYsTHSVV7DE8dn54DZJh1NUqMoRn~gZOrucu8yJVqnAEqzFjRk6aJjmzek3eD8hEucbacwW3BtGmjuAWwFEYTj0pWq2KUyWjtdBUe0vTs8dkXnuXfmbwF~ezFnaVL4Shxxp1RKhu4Snso3FC~-W26z61sWUp-PPIwSeTbPMnhK6M68JJdbPuKb6uo-XhZTMQEzNc8McH~7vcZ6zSRKN~3RSimORDyW2qzLTtIasgfz1iba~R4nnVa4tkFM96l3epeiUC5y8dPE39sCTN84ilPRN4a0PF4kgeHMdgxWSHIaFVTT8IgHfeuJzhu4tw__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Um Estudo de Robert K. Carr: “Paleoecology of Dunkleosteus terrelli (PLACODERMI: ARTHRODIRA)”

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por: Cristiano F. Filho

Introdução

Dunkleosteus terrelli é um grande Arthrodira, ordem extinta de peixes “blindados”, é também o fóssil vertebrado numericamente predominante do período Devoniano tardio — aproximadamente 382,7 milhões de anos —, além de ser um dos melhores membros da fauna Famenniana descritos. Em sessão cruzada, tem forma oval e possui um esqueleto dérmico bem desenvolvido, com ossos individuais chegando até 7,5 centímetros de largura ao longo do espessamento lateral e occipital de sua cabeça. A criatura, participante do Devoniano tardio, período limitado pela pouca diversidade de espécies, é uma das poucas espécies da fauna Famenniana, o que gerou imprecisões em seu estudo, visto que na paleoecologia, é deveras comum a utilização de analogias entre faunas com altas taxas de similaridades, dessa forma gerou várias confusões até o momento, já que tais analogias geralmente envolvem a comparação de fácies — conjunto de rochas com características distintas — e composições de fauna dissimilares, exatamente o que foi analisado no estudo de Robert K. Carr.

História Fóssil

Historicamente, a maioria dos placodermos foram vistos como organismos bênticos obrigatórios, que ingressavam às colunas de água somente para se alimentar, o que sugere que a presença das carcaças na bacia com baixa diversidade representa um acúmulo de restos originados de comunidades bênticas estabelecidas nas regiões aeradas rasas da bacia. Para os Dunkleosteus, essa afirmação é inválida, já que, através da análise da distribuição de seus elementos na Bacia Appalachian, foi descoberto que seus ossos se separaram relativamente cedo no processo de desarticulação, que teoricamente, geraria acumulação próxima ao local da morte. Ademais, os fósseis do Dunkleosteus evidenciam, além do supracitado, estimativas de peso, que os categorizam como organismos pelágicos, já que sugerem que, além de serem incapazes de descansar no fundo do oceano, devido às suas propriedades sedimentares, eles apresentavam um mecanismo de flutuação estática.

Paleoecologia do Dunkleosteus

Na paleoecologia, é impossível analisar um contexto sem estudar a região que o abrange. Dito isso, sabe-se que os espécimes de Dunkleosteus estudados foram encontrados na região de Ohio, Cleveland, em meio à Ohio Shale, uma formação geológica do tipo xisto preto. Tais formações são indícios de bacias anóxicas, e vários fatores contribuem para diversas hipóteses relacionadas aos seus desenvolvimentos, incluindo: quantidade mínima ou completa falta de oxigênio; presença de sulfeto de hidrogênio, representando uma potencial toxina; um substrato instável composto de sedimentos finos com alta porosidade; profundidades com pouca luz ou abaixo da zona fótica; e falta ou limitação de icnofóssil e bioturbação. Os efeitos combinados dos primeiros quatro fatores apresentados, claramente impactam o potencial estabelecimento de comunidades bentônicas. Desse modo, à partir da avaliação da distribuição paleogeográfica do Dunkleosteus terrelli gera-se duas possíveis hipóteses: D. terrelli viveu, morreu, e foi preservado em meio à bacia; ou, D. terrelli viveu e morreu em outro lugar, mas foi transportado para a bacia, onde foi preservado. 

Os restos de Dunkleosteus terrelli descobertos no Cleveland Member são geralmente desarticulados e possuem diversos pedaços desaparecidos, vide os elementos gnatais inferiores e superiores dos arthodiras. Para isso, existem três possíveis culpados: flutuação, catação, ou transporte por correntes. Porém, na Bacia Appalachian, os dois últimos mecanismos têm pouca influência nos restos orgânicos depois de se assentarem no fundo, e outros mecanismos propostos para responsabilizar a anoxia e a deposição dos xistos pretos necessitam de um ambiente mais profundo. Ademais, um ambiente anóxico faria com que o fundo fosse insustentável para catadores macroscópicos, no entanto, ainda não exclui a possibilidade de catação à partir da flutuação de carcaças em meio à coluna de água. Outrossim, a presença de um hábitat de fundo insalubre é sustentada em parte pela falta de bioturbação e icnofósseis. Em outro ponto, o tamanho dos grãos finos dos sedimentos do Cleveland Member sugerem um ambiente deposicional de baixa energia, além da falta de correntes o suficiente para mover os fósseis relativamente grandes do Dunkleosteus terrelli. Além disso, não existem estruturas sedimentares que sugerem a presença de correntes profundas fortes na região. Dito isso, a flutuação continua sendo o mecanismo mais plausível para descrever os restos desarticulados do Dunkleosteus terrelli, já que placas gnatais isoladas sugerem que carcaças flutuantes podem ter soltado esses elementos relativamente próximos ao hábitat original das criaturas.

A presença dos restos do Dunkleosteus terrelli nos xistos pretos da Bacia Appalachian pode ser explicada tanto como uma acumulação post mortem de organismos que viviam na bacia, quanto uma “chuva” de partes, vindas de regiões aeradas, de carcaças transportadas via flutuação. Ademais, os resultados de uma análise estatística qui-quadrada desses fósseis não suportam a hipótese de que D. terrelli era restrito às áreas aeradas rasas e que sua presença nos sedimentos distais era resultado de carcaças flutuando até a bacia. Além disso, a distribuição aleatória dele pela bacia sugere que a espécie era possivelmente pelágica e não obrigatoriamente um morador das profundezas. Paralelamente, todas as evidências paleontológicas, sedimentológicas e geoquímicas apontam para a inospitalidade do ambiente do fundo de bacia, no entanto, mesmo se os peixes pudessem chegar ao fundo, o substrato era estável demais para sustentar o peso desses organismos. Dito isso, para o D. terrelli sobreviver nessas condições, devido ao seu peso, teria que nadar continuamente.

Conclusão

Após o evidenciado, torna-se claro que os registros tafonômicos não apoia a interpretação do Dunkleosteus terrelli ser um organismo bêntico, além da análise estatística qui-quadrada da distribuição dos restos da espécie ter falhado em suportar a hipótese da vivência restrita ao fundo. Assim, torna-se evidente que Dunkleosteus terrelli foi uma espécie de nado livre, o que pode ajudar a explicar sua distribuição em toda a América do Norte. Portanto, as implicações deste estudo formam as bases do trabalho contínuo na fauna do Cleveland Member, abrangendo desde a estratégia reprodutiva do animal até a completa trajetória de vida.

Texto fonte: CARR, Robert K. (2010). PALEOECOLOGY OF DUNKLEOSTEUS TERRELLI (PLACODERMI: ARTHRODIRA). KIRTLANDIA, v. 57, p. 36-45.

Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Robert-Carr-9/publication/235924093_The_Cleveland_Museum_of_Natural_History_PALEOECOLOGY_OF_DUNKLEOSTEUS_TERRELLI_PLACODERMI_ARTHRODIRA/links/546229a40cf2c0c6aec1a831/The-Cleveland-Museum-of-Natural-History-PALEOECOLOGY-OF-DUNKLEOSTEUS-TERRELLI-PLACODERMI-ARTHRODIRA.pdf.

Fonte e legenda da imagem de capa:  Fóssil majoritariamente completo da cabeça de um Dunkleosteus.

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Dunkleosteus_CMNH_5768_skull.png.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Resumo do artigo: ANATOMIA E MORFOLOGIA DE MACROFÓSSEIS VEGETAIS QUATERNÁRIOS DA FORMAÇÃO BOA VISTA DA BACIA DO TACUTU- RR

Escrito em: 30 de março de 2024

Por: Rodrigo J. de Souza Alves

Em sua dissertação, Dayse Alves Oliva realizou um estudo morfológico e anatômico detalhado de macrofósseis vegetais encontrados na Formação Boa Vista, uma unidade estratigráfica com grande potencial fitofossilífero, da Bacia do Tacutu, em Roraima. O material analisado consiste em fósseis vegetais preservados como impressões e compressões, inseridos em cascalhos e possuem similaridades mineralógicas entre si. Eles se assemelham a outras amostras retiradas de alguns afloramentos, o que sustenta a ideia de pertencerem à Formação Boa Vista.

Foi feita a criação de um banco de dados para armazenar informações sobre os fósseis encontrados, que consistiu na preparação, descrição e inclusão de 24 espécimes nesse banco de dados, conseguindo identificar ao todo 16 espécimes, as outras amostras foram agrupadas em 5 morfotipos e também descritas. A unidade estratigráfica estudada cobre a região do Graben do Tacutu, datando do final do Pleistoceno ao Holoceno, sendo considerada uma unidade sedimentar relativamente rasa, cuja espessura muda de acordo com a conformação do terreno, variando entre 15 a 120 metros. Análises sugerem que o clima de Roraima no Quaternário era semelhante ao atual, com predominância de plantas adaptadas a ambientes secos, bem semelhante a uma savana, a qual é constituída por poáceas e ciperáceas dominando em áreas mais abertas e com plantas arbustivas e arbóreas em áreas de vegetações mais fechadas.

Texto fonte: OLIVA, D.A. (2022). ANATOMIA E MORFOLOGIA DE MACROFÓSSEIS VEGETAIS  QUATERNÁRIOS DA FORMAÇÃO BOA VISTA DA BACIA DO TACUTU- RR, Repositório institucional-UFC. 74.:il.color.

Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/67133.

Fonte e legenda da imagem de capa: Fóssil foliar de um espécime de Psidium.

Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/67133. Figura 7 do artigo.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira.

Frondes Pecopterídeas

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por: Matheus Borges Freire Pereira

As frondes pecopterídeas, são um grupo de samambaias exclusivas do período Paleozoico, apesar disso, seu primeiro registro foi datado no final do Mississipiano, há cerca de 350 milhões de anos. As folhas de Pecopteris são pequenas, têm uma aparência simples e o padrão de veias são as principais características que as distinguem. Neste estudo, as coletas de amostras e dados de campo foram realizadas na bacia sedimentar do Paraná, mais especificamente na Formação Teresina, caracterizada por rochas com grãos finos como os siltitos, e arenitos finos.

Apesar de estarem espalhadas pelo mundo, várias formas das folhas de Pecopteris foram encontradas na Bolívia, Argentina e no Brasil durante o Paleozoico, causando debates devido à diversidade de registros e preservação. Cientistas usaram critérios visuais para reduzir os morfotipos, mas pequenos pedaços e diferentes estágios de desenvolvimento aumentaram a contagem do número de espécies. Isso levou a várias revisões nas classificações das folhas. Pecopteris é conhecido por ser um grupo amplo que engloba características do Paleozoico Superior da Bacia do Paraná, e suas folhas férteis geralmente estão associadas a estruturas reprodutivas.

Durante o Paleozoico, as frondes pecopterídeas eram comuns nos domínios paleofitogeográficos gondwânicos, mas desapareceram durante uma extinção no limite Permiano-Triássico. No Permiano, essas plantas eram subjugadas por outras na região oeste do Gondwana. Elas eram encontradas globalmente, com distribuição variável ao longo do tempo. No início do Permiano, eram predominantes no Brasil, especialmente no estado de São Paulo. Os gêneros Pecopteris, Asterotheca e possivelmente Dizeugotheca têm semelhanças e diferenças na aparência e densidade das folhas. As frondes pecopterídeas são classificadas em dois gêneros principais: Pecopteris e Dizeugotheca. Asterotheca é a mais antiga registrada para o Permiano na Bacia do Paraná, embora algumas tenham sido realocadas para o gênero Pecopteris devido à sua polimorfia.

Texto fonte: CAMBRIA, Vittor et al. (2021). Elementos de frondes Pecopterídeas do Permiano do Extremo Sul da Bacia do Paraná, Brasil. Terr@ Plural, v. 15, p. 1-17.

Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/tp/article/view/18261.

DOI:https://revistas.uepg.br/index.php/tp/article/view/18261.

Fonte e legenda da imagem de capa: Figura 2 do artigo. Elementos de frondes Pecopterídeas do Permiano do Extremo Sul da Bacia do Paraná, Brasil.

Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/tp/article/view/18261.


Texto revisado por: Ruan Honorato Marzano Cintra, Alexandre Liparini e Sandro Ferreira.