Fóssil de alga verde multicelular mais antigo do Mundo

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: Isabela Mascarenhas Abijaudi

Pesquisadores encontraram o fóssil da alga verde multicelular mais antigo já registrado no mundo na província de Liaoning, China. O artigo, publicado na revista Nature em 2020 por pesquisadores do Instituto Virginia Tech, destaca o achado de fósseis de Proterocladus antiquus, uma provável espécie de clorófita multicelular de cerca de 1 bilhão de anos de idade, encontrada na formação Nanfem, no norte da China.

Vale explicar que as clorófitas (filo Chlorophyta) são um grupo de algas verdes, muito próximas evolutivamente das plantas terrestres (embriófitas). A hipótese mais aceita é de que as plantas terrestres surgiram a partir de uma linhagem de algas verdes, e juntos eles formam o clado Viridiplantae ou plantas verdes. Essas algas provavelmente dominaram a bioprodutividade marinha e desempenharam um papel fundamental na facilitação da complexidade dos ecossistemas antes da diversificação mesozoica dos eucariotos fototróficos.

Ao todo, foram coletados 1.028 espécimes de Proterocladus, dos quais 301 foram encontrados na superfície de rochas sedimentares e classificados como muito bem preservados. Esses espécimes foram registrados como uma nova espécie dentro de um gênero já reportado em formações datadas de cerca de 800 milhões de anos (período Toniano) na Noruega e na Sibéria. Contudo, a nova espécie oferece um conjunto mais completo de características morfológicas, incluindo multicelularidade, diferenciação celular, uma estrutura de fixação e uma grande quantidade de ramificações, que reforçam sua posição filogenética dentro das Chlorophyta.

Dados anteriores apresentavam grandes incertezas sobre o provável surgimento das clorófitas, provavelmente a datação mais próxima é de 0,903 a 1,329 bilhões de anos atrás (Ga), devido ao escasso registro fóssil. Com cerca de 2 mm de comprimento e sendo habitantes de mares rasos, o achado indica que as clorófitas adquiriram tamanho macroscópico, multicelularidade e diferenciação celular há, no mínimo, 1 bilhão de anos, sugerindo que elas podem ter se diversificado filogeneticamente muito mais cedo do que o previsto de acordo com os dados do relógio molecular. 

Esses achados indicam que, provavelmente, as clorófitas macroscópicas exerceram um grande impacto nos oceanos do período Toniano, um papel anteriormente atribuído à dominância de cianobactérias. Eles também contribuem imensamente para ajustar o nosso entendimento sobre como a vida no planeta Terra se desenvolveu, sendo de grande relevância para a Paleontologia.

Texto fonte:   Tang, Q., Pang, K., Yuan, X. et al. (2020). A one-billion-year-old multicellular chlorophyte. Nat Ecol Evol 4, 543–549.

Disponível em:  https://www.nature.com/articles/s41559-020-1122-9

DOI: https://doi.org/10.1038/s41559-020-1122-9

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução de Proterocladus antiquus, a alga verde mais antiga já encontrada. Imagem retirada do artigo, elaborada por  D. Yang.

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41559-020-1122-9


Texto revisado por: Luís Filipe Cardoso Queiroz e Alexandre Liparini.

Parente triássico dos crocodilos encontrado no sul do Brasil

Escrito em: 07 de dezembro de 2024

Por Juliana Fantin

Os Em meio às rochas da região de Dona Francisca, no centro do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, pesquisadores encontraram os restos fossilizados de um animal pré-histórico, um rauissúquio. Essa criatura, que viveu durante o período Triássico, era um predador de grande porte e fazia parte de um grupo de animais chamado Pseudosuchia, grupo que inclui também os crocodilos. O fóssil, batizado de ULBRA-PVT-281, estava muitíssimo bem preservado, com crânio e coluna vertebral completos, e até mesmo de partes dos membros!

Uma das descobertas mais intrigantes nesse fóssil é um pequeno buraco no focinho, nunca visto antes em indivíduos tão grandes desta espécie. Os cientistas chamam esse buraco de forâmen subnarial, que é um orifício na parte inferior do nariz. Essa característica se mostrou importante para a identificação das espécies dentro desse grupo. Ela também pode revelar segredos sobre como os arcossauros (dinossauros, pterossauros, rauissúquios, crocodilos, aves e outros) evoluíram ao longo do tempo. 

Além disso, ao comparar o fóssil com outros já conhecidos, eles perceberam que o ULBRA-PVT-281 apresentava as características exclusivas de uma espécie chamada Prestosuchus chiniquensis. Além disso, a descoberta desse novo fóssil permitiu aos cientistas refinar as relações de parentesco entre os diferentes grupos de rauissúquios. Os resultados obtidos sugerem que o Prestosuchus chiniquensis e o Saurosuchus galilei, outro gênero de rauissúquio, podem estar mais próximos evolutivamente do que se pensava anteriormente, além de reforçar a ideia de que esses animais eram muito bem adaptados ao ambiente em que viviam e que habitaram diversas regiões do planeta.

Essa descoberta é de fundamental importância para a paleontologia, pois nos ajuda a reconstruir a história evolutiva dos vertebrados terrestres. Ao compreendermos melhor a diversidade e as relações entre os diferentes grupos de rauissúquios, podemos desvendar os mistérios da extinção em massa que ocorreu no final do Triássico e que abriu caminho para a ascensão dos dinossauros! E vocês aí achando que nessa época os dinossauros reinavam sempre, né…

A paleontologia é uma ciência fascinante que nos permite viajar no tempo e explorar mundos distantes. A descoberta do ULBRA-PVT-281 é apenas um exemplo do que ainda podemos encontrar. Quem sabe quais outros tesouros estão escondidos no nosso planeta? A busca por respostas continua, e você pode fazer parte dessa aventura. Acompanhe nossas próximas publicações e descubra mais sobre as histórias fascinantes que a paleontologia nos proporciona!

Texto fonte:  Um novo espécime de loricata (Archosauria: Pseudosuchia) proveniente da sequência pinheiros-chiniquá (zona de associação de dinodontosaurus), Bacia do Paraná: descrição, taxonomia e considerações filogenéticas | Manancial – Repositório Digital da UFSM 

Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/handle/1/14840

Fonte e legenda da imagem de capa: Fonte e Legenda da imagem de capa :foto mostrando a disposição do ULBRA-PVT-281, ainda no bloco de rocha no campo: Imagem mostra o fóssil ainda preso à rocha, com algumas ferramentas de escavação manual como uma pá e pincel na proximidade. Figura 14 retirada do próprio artigo: foto mostrando a disposição do ULBRA-PVT-281, ainda no bloco de rocha no campo.


Texto revisado por: Lucélio Batista, Alexandre Liparini.

A Conexão entre um Pequeno Dente e uma Preguiça-gigante

Escrito em: 30 de março de 2026

Por: Henrique Tosta Hernandez

Em 2023, cientistas brasileiros estudavam um fóssil de dente que havia sido encontrado anos antes no interior do Sergipe, quando se depararam com um problema: não havia identificação sobre a qual espécie de preguiça-gigante o fóssil pertencia. Sem essa resposta, eles não tinham como prosseguir com estudos sobre o dente. Assim, os cientistas se viram com a missão de classificar tal fóssil, mas, como fazer isso? 

O último paleontólogo que havia estudado aquele dente, conseguiu classificar o achado como pertencente a um animal da subfamília Mylodontinae, mas isso ainda abria portas para, no mínimo, 3 espécies de preguiça-gigante: Glossotherium phoenesis, Mylodonopsis ibseni e Ocnotherium giganteum. Além disso, essas 3 espécies, todas já extintas, viviam na mesma região e numa mesma época (Pleistoceno Tardio, entre 129 mil e 11 mil anos atrás), e se alimentavam de coisas parecidas. Com tantas semelhanças, de que forma os cientistas poderiam descobrir o verdadeiro dono daquele dente? Dadas as situações, restava apenas uma característica que poderia diferenciar esses 3 animais: o tamanho dos dentes. Então, os pesquisadores buscaram as medidas dos diâmetros dos dentes dessas 3 espécies e compararam-nas. 

Para isso, foi necessária muita pesquisa, interpretação de dados e a criação de uma tabela e um gráfico. Com 19,6 mm de diâmetro mesodistal (face relacionada ao plano sagital) e 14,0 mm de diâmetro vestíbulo-lingual (faces dentárias voltadas para a bochecha e a língua, respectivamente), o fóssil misterioso era pequeno demais para ter pertencido a G. phoenesis. Além disso, ele era muito grande para ter sido da mandíbula superior e muito pequeno para a mandíbula inferior de O. giganteum. Dessa forma, restava apenas M. ibseni. E eles acertaram! Os cientistas puderam provar que o dono daquele fóssil foi uma preguiça-gigante da espécie Mylodonopis ibseni, mais especificamente, um dente do tipo molariforme, da mandíbula inferior, de um indivíduo juvenil. 

Esse foi o primeiro registro feito da presença desse animal no Sergipe, o que abre portas para futuras pesquisas: em quais outros estados brasileiros ela viveu? Quantas vezes ela comia por dia? O quão parecida ela era com os bichos-preguiça que existem hoje? Essas e outras perguntas só serão respondidas por completo com o avanço das pesquisas paleontológicas no Brasil.

Texto fonte: DANTAS, Mário André Trindade; FRANÇA, Lucas de Melo; SOARES, Alexia David Santos; VIEIRA, Fabiana Silva. (2024). New Record of the Giant Ground Sloth Mylodonopsis ibseni Cartelle, 1991 in the Late Pleistocene of Brazilian Intertropical Region. Anuário do Instituto de Geociências – UFRJ 47.

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/386748877_New_Record_of_the_Giant_Ground_Sloth_Mylodonopsis_ibseni_Cartelle_1991_in_the_Late_Pleistocene_of_Brazilian_Intertropical_Region.

Fonte e legenda da imagem de capa: Litografia de crânio de Mylodonopsis sp. por Johannes Theodor Reinhardt.

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mylodon_skull.jpg.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Como os Fósseis são Preservados nas Cavernas do Brasil

Escrito em: 30 de março de 2026

Por: Daniel dos Santos Araújo

Cavernas do Brasil preservam grande diversidade de fósseis. Esses ambientes podem registrar restos de animais que viveram no passado e fornecer informações importantes sobre a história natural do país, pois o ambiente interno possui características específicas que permitem a conservação dos restos, como a baixa atividade de microrganismos.

Desde o século XIX, pesquisadores estudam restos de animais encontrados em cavernas, com os primeiros estudos sendo realizados na Europa. Posteriormente, pesquisas desse tipo também passaram a ocorrer no Brasil. Um dos primeiros pesquisadores a realizar esse tipo de estudo no país foi o naturalista dinamarquês Peter Lund, considerado o pai da espeleologia e da paleontologia do Brasil, que investigou fósseis na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Com o avanço das pesquisas, estudos também passaram a ser realizados em outros estados brasileiros, como Bahia, Piauí, Tocantins e São Paulo. A partir dos anos 2000, pesquisas começaram a ocorrer em novas regiões, incluindo Ceará, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Paraná, ampliando o conhecimento sobre os depósitos fossilíferos em cavernas brasileiras.

No início desses estudos, o foco era principalmente taxonômico, ou seja, voltado para a identificação e classificação dos organismos encontrados. Com o desenvolvimento da pesquisa, passou-se também a investigar como os restos chegaram às cavernas e quais processos atuaram em sua preservação. Essa abordagem está relacionada à tafonomia, área da ciência que estuda os processos que ocorrem com os restos dos organismos desde a morte, passando pelo processo de fossilização e sua preservação até os dias atuais. O conceito de tafonomia, no entanto, ainda não havia sido formalizado na época de Peter Lund, sendo desenvolvido apenas no século XX.

Os fósseis podem chegar às cavernas por diferentes processos. Animais podem cair acidentalmente em aberturas naturais, entrar nesses ambientes em busca de abrigo ou alimento, ou ter seus restos transportados por predadores. A água também pode carregar sedimentos e fragmentos ósseos para dentro das cavernas. Esses processos fazem parte do que a tafonomia estuda, incluindo o transporte dos restos, o estado de fossilização e o grau de fragmentação dos ossos. Em muitos casos, os fósseis apresentam fragmentação significativa, que pode ocorrer devido ao retrabalhamento dos sedimentos dentro da própria caverna ao longo do tempo.

Diversos fósseis encontrados nessas cavernas pertencem à megafauna do Pleistoceno, Época geológica que ocorreu aproximadamente entre 2,6 milhões e 11 mil anos atrás. Esse grupo inclui grandes mamíferos que viveram no passado, como preguiças-gigantes, mastodontes (parentes dos elefantes atuais e que viveram aqui no Brasil) e gliptodontes (os famosos tatus-gigantes). Além desses grandes animais, muitos depósitos cavernícolas também apresentam fósseis de pequenos vertebrados, como roedores, marsupiais e répteis.

Muitas cavernas estudadas no Brasil são formadas por rochas carbonáticas, como o calcário. Nesses locais, minerais podem se depositar ao redor dos restos orgânicos, fazendo com que muitos fósseis fiquem cimentados nos sedimentos, isso exige que a coleta de fósseis em cavernas seja realizada com bastante cuidado, para não quebrá-los. Durante as escavações, os pesquisadores delimitam áreas de estudo e removem o sedimento ou a rocha, em camadas, utilizando ferramentas como espátulas, martelos, ponteiras de metal, pincéis e pequenas pás. A posição e a profundidade de cada fóssil são registradas, pois essas informações ajudam na interpretação tafonômica do depósito.

Em alguns casos, os fósseis estão preservados em depósitos muito compactos chamados de solos carbonatados ou brechas fossilíferas, nos quais os ossos ficam fortemente cimentados nos sedimentos. Nesses casos, pode ser necessário remover blocos de rocha contendo os fósseis para posterior preparação em laboratório.

No laboratório, a remoção dos fósseis da matriz rochosa é feita com ferramentas específicas, como cinzéis, martelos e equipamentos pneumáticos de precisão. Durante esse processo, os pesquisadores também registram a posição e orientação dos fósseis dentro da matriz, medindo distância, profundidade, inclinação e direção, o que permite reconstruir a disposição original dos restos no depósito e entender como eles foram parar ali.

Atualmente, pesquisas continuam sendo realizadas em cavernas brasileiras utilizando métodos cada vez mais detalhados. Esses estudos ajudam a compreender como os fósseis foram depositados e preservados nesses ambientes, além de revelar informações importantes sobre a fauna que habitou o território brasileiro no passado e sua relação ecológica em um ambiente bem diferente do que temos atualmente.

Texto fonte: Vasconcelos A.G., Kraemer B.M., Meyer K.E.B. (2018). Tafonomia em cavernas brasileiras:histórico e método de coleta de fósseis preservados em solo carbonatado. Terræ Didática, 14(1):49-68.

Disponível em: https://www.ige.unicamp.br/terraedidatica/v14_1/PDF14-1/TD14-203-2018-5.pdf.

Fonte e legenda da imagem de capa: Visão em perfil de uma caverna, feita por Lund (1836), onde são indicadas as hipóteses de entrada de animais (ou de seus restos): (1) à procura de água ou sal; (2) carregados por predadores; (3) queda através de fendas verticais; (4) à procura de abrigo (ex.: morcegos); (5a) levados por correntezas de água – somente os ossos; (5b) levados por correntezas de água – como carcaças.

Disponível em: https://www.ige.unicamp.br/terraedidatica/v14_1/PDF14-1/TD14-203-2018-5.pdf.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Como a Inteligência Artificial está sendo utilizada na Paleontologia?

Escrito em: 05 de dezembro de 2024

Por: Carollyna Carneiro

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui

Durante os últimos anos, as funções da Inteligência Artificial foram muito bem recebidas pela população. As ferramentas de IA ganharam espaço nas atividades cotidianas como ferramenta de pesquisa, gerador de imagens, vídeos etc. Na produção científica a inteligência artificial também trouxe uma variedade de possibilidades, em que destaca-se de maneira especial a contribuição desse advento na produção de ilustrações e também nas análises quantitativas de conjuntos massivos de dados. 

Na paleontologia não foi diferente, as diferentes ferramentas de IA têm sido amplamente aplicadas nos estudos sobre os fósseis e os eventos geológicos, incluindo assuntos complexos como ecologia e comportamento. Além disso, trabalhos anteriores de classificação dentro da paleontologia têm contado com a participação de modelos  de redes neurais convolucionais (CCN) modernos e conjunto de dados. 

A IA conhecida como Knowledge-Based System (KBS) foi a primeira a ser utilizada em um trabalho de Paleontologia, em 1985, mas hoje a inteligência artificial dominante no mundo e nas pesquisas é a de aprendizado de máquina. Essa IA envolve redes neurais, árvore de decisão e floresta aleatória (ou random forest). O ponto central dessa inteligência artificial baseada em aprendizado de máquina é que ela é capaz de aprender com as suas interações e é treinada, não apenas programada para seu objetivo. Assim, quanto mais informação ela receber, mais certeira será a análise que ela fará a respeito de um determinado assunto. Uma revisão escrita por Congyu Yu e colaboradores, publicada na revista Elsevier em 2024, analisou 70 trabalhos paleontológicos e o envolvimento de inteligência artificial nesses estudos. Descobriu-se com esse trabalho que os estudos envolvendo IA na paleontologia são majoritariamente sobre microfósseis. Desafios particulares foram atribuídos ao menor uso da IA para os macrofósseis, como a maior deformação e fragmentação do material fossilizado nesses grupos.

Apesar das numerosas vantagens do uso da inteligência artificial é evidente que, assim como qualquer outra área do conhecimento, as IAs na paleontologia demandam validação humana, confirmação da coerência de seus resultados e análise crítica por um cientista capacitado. Além disso, os autores do estudo mencionado citam a perspectiva da integração da inteligência artificial com abordagens já conhecidas, como a morfometria geométrica,  uma metodologia já utilizada que permite analisar quantitativamente a disparidade e semelhança morfométrica entre espécimes.  

Nesse sentido, fica claro também que a inteligência artificial pode contribuir para avanços importantes e coexistir com métodos já conhecidos, de forma complementar e interdisciplinar, agregando contribuições interessantes para a ciência.

Texto fonte:  Congyu Yu, Fangbo Qin, Akinobu Watanabe, Weiqi Yao, Ying Li, Zichuan Qin, Yuming Liu, Haibing Wang, Qigao Jiangzuo, Allison Y. Hsiang, Chao Ma, Emily Rayfield, Michael J. Benton, Xing Xu. (2024). Artificial intelligence in paleontology, Earth-Science Reviews, Volume 252, 104765, ISSN 0012-8252.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0012825224000928.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.earscirev.2024.104765.

Fonte e legenda da imagem de capa: Imagem gerada através do OPENAI ChatGPT (Generative Pre-Trained Transformer) a partir do comando: “Gere uma imagem de um dinossauro robótico”. A imagem representa a fusão da tecnologia com a Paleontologia.

Disponível em: ChatGPT 4.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

A “Mona Lisa” do Eoceno Superior

Escrito em: 08 de dezembro de 2024

Por: Sophia Januzzi Teixeira

Há mais de cinco séculos, na região de Florença na Itália, quando o pintor Leonardo da Vinci finalizava o retrato de uma jovem mulher, não poderia imaginar que a obra, anos depois, se tornaria a obra mais apreciada e reconhecida do planeta. Assim como a “Mona Lisa”, as pesquisadoras Eva-Maria Sadowski e Christa-Charlotte Hofmann trouxeram um estudo que “redescobriu” um fóssil que estava no norte da Europa há mais de 150 anos. O raro exemplar em destaque trata-se de um âmbar do Báltico que contém, em seu interior, uma flor incrivelmente grande preservada integralmente. 

O âmbar do Báltico é uma resina fóssil orgânica, uma substância pegajosa que não se dissolve em água e que endurece quando exposta ao ar. Esse líquido viscoso é expelido por árvores e arbustos do grupo das coníferas, presentes nas regiões banhadas pelo Mar Báltico. Essas resinas foram soterradas em sedimentos e passam por um processo de endurecimento de milhões de anos — as condições de  pressão e calor exercidas durante milhares de anos promoveram a síntese de grandes moléculas no material resinoso — até atingir as densidade e coloração características do âmbar como é conhecido hoje. É um material que tem a capacidade de preservar inclusões orgânicas em sua totalidade, ou seja, pode conter a presença de animais, plantas e outros organismos conservados de forma íntegra! Essa característica possibilitou que as pesquisadoras analisassem a morfologia e o pólen da flor. Os resultados possibilitaram atribuir a flor ao gênero Symplocos, que são angiospermas — plantas cujas sementes são protegidas por frutos — do atual Leste e Sudeste Asiático. A espécie de planta à qual a flor foi atribuída teve sua origem na Época Eoceno Superior, ou seja, apresenta, no mínimo, 34 milhões de anos. Quando o âmbar foi descoberto, por volta da década de 1880, a flor fora classificada como pertencente ao gênero Stewartia, recebendo o nome de Stewartia kowalewskii. Após a pesquisa, foi rebatizada de Symplocos kowalewskii.

Além de visualmente belo, o destaque do exemplar consiste em sua raridade singular, especialmente em relação ao seu tamanho: a inclusão possui 2,8 cm de diâmetro. Uma vez que as poucas inclusões de flores em âmbar do Báltico variam de milímetros a 1,5 cm, esta é quase duas vezes maior do que as anteriormente encontradas. Adicionalmente, de acordo com o artigo produzido pelas pesquisadoras, inclusões botânicas em âmbares do Báltico e do Período Eoceno Superior são extremamente raras por si só, representando apenas 1% a 3% da totalidade de inclusões encontradas nessa resina em particular. Por fim, assim como a “Mona Lisa” e sua grandiosa reputação no mundo das artes, Symplocos kowaleswskii destaca-se como a maior inclusão floral conhecida, contribuindo significativamente para um novo capítulo na história da botânica.

Texto fonte: Sadowski, E.; Hofmann, C. (2023). The largest amber-preserved flower revisited. Scientific Reports, v.13. Doi: 10.1038/s41598-022-24549-z.

Disponível em: https://doi.org/10.1017/ S0016756825100484.

Fonte e legenda da imagem de capa: Fotografia retirada do artigo original, expondo a inclusão da espécime Symplocos kowalewskii em um âmbar do Báltico da Época Eoceno Superior.

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-022-24549-z/figures/1.


Texto revisado por: Manuela dos Santos Rojas, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Os fósseis semelhantes de tubarões encontrados na África e América do Sul

Escrito em: 20 de fevereiro de 2026

Por: Eric Issao Inamura

Os hibodontes pertencem a um grupo de tubarões extintos, datados desde o final do Devoniano ao final do Cretáceo (aproximadamente 358 milhões de anos até 66 milhões de anos), cujo intervalo em que esse grupo habitou o planeta Terra, existiam três províncias paleobiogeográficas: Ásia, Europa-América do Norte e África-América do Sul, dado que os continentes que conhecemos hoje em dia ainda não tinham sido separados por movimentos geológicos. Nesse contexto, a África e América do Sul eram conectadas geograficamente, ocasionando em fósseis semelhantes encontrados nesses dois locais distintos.

Em um artigo científico recente, foram analisados pequenos dentes de tubarões da espécie Lonchidionoides trifurcatum, encontrados em Djebel Amour, na Argélia e comparados com fósseis encontrados no Brasil, da espécie Lonchidionoides sp., devido às suas semelhanças. O conjunto fóssil examinado compreende uma dentição heterodonte (a espécie apresenta dentes com diferentes formas e funções na boca), em que os dentes laterais e posteriores têm formas e tamanhos parecidos, contudo os dentes anteriores e a raiz dentária não puderam ser comparados devido ao pequeno número de amostra.

Os pesquisadores reconstruíram a arcada dentária da espécie, com base em materiais isolados de outras amostras de fósseis, resultando em 17 dentes na mandíbula inferior, número compatível com as características dos hibodontes. Além disso, deduz que a dieta desse tubarão anão fosse de microcrustáceos, os dentes anteriores seguravam as presas, enquanto os posteriores esmagavam as carapaças ou conchas.

A partir desse estudo, é possível inferir que os fósseis são evidências importantes para a reconstrução biológica e geológica do planeta, pois é uma prova de que os continentes atuais estavam unidos, antes da abertura do oceano que separa a África e a América do Sul, além de evidenciar que essas regiões compartilhavam de um ancestral comum.

Texto fonte:  Vullo R, Fragoso LGC, Bittencourt JS, Pérez-García A, Bouchemla I, and Benyoucef M. (2026). A new genus of lonchidiid hybodontiform sharks from the Cretaceous of North Africa and South America. Geological Magazine 163(e6): 1–9.

Disponível em: https://doi.org/10.1017/ S0016756825100484.

Fonte e legenda da imagem de capa: Figuras dos dentes de tubarão (na direita, encontrados na Árgelia, e na esquerda, encontrados no Brasil) coletadas no próprio artigo.

Disponível em: https://doi.org/10.1017/ S0016756825100484.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Os Therizinossauros e a evolução de suas grandiosas garras

Escrito em: 05 de dezembro de 2024

Por João Vitor Ferry

Os Therizinossauros eram um grupo de dinossauros que viveram no final do período Cretáceo (143 a 66 milhões de anos atrás), na região que hoje corresponde à Ásia. Eles pertenciam aos terópodes, o mesmo grande grupo que inclui os famosos raptores e tiranossauros. Muitas vezes, em diversas mídias, tais dinossauros eram caracterizados como grandes máquinas agressivas que atacavam outros animais com suas grandes garras sem pensar duas vezes.  No entanto, diferentemente de muitos de seus parentes, que eram carnívoros e atuavam como caçadores ou carniceiros, os Therizinossauro estavam em um processo evolutivo voltado para um estilo de vida herbívoro.

Eles eram animais de grande porte, medindo até 10 metros de comprimento, 5 metros de altura e pesando entre 3 e 5 toneladas. Apesar do tamanho, possuíam um crânio pequeno com um bico córneo no topo de seu longo pescoço. Além disso, caminhavam de forma bípede e tinham uma grande barriga, adaptada para digerir plantas. Sua característica mais marcante, que dá origem ao seu nome (Therizinossauro, ou “Lagarto Foice”), são suas impressionantes garras. Essas magníficas estruturas, que podiam medir até 80 centímetros, geram diversas discussões entre os pesquisadores sobre quais seriam suas principais funções.

Existem várias hipóteses acerca de como os Therizinossauros usavam suas garras. As principais incluem a possibilidade de retirar cascas de árvores e arrancar vegetação. O paleontólogo inglês Stephan Lautenschlager publicou um estudo em 2014 que analisou a morfologia e a diversidade no uso das garras dos Therizinossauros. Nesse estudo, por meio de análises biomecânicas e comparações com garras de mamíferos modernos (nos quais o uso das garras é mais bem compreendido), foi possível testar hipóteses específicas sobre o uso dessa curiosa estrutura.

De acordo com o pesquisador, existia uma ampla diversidade funcional no uso das garras entre as diferentes espécies de Therizinossauros. No entanto, não foi identificada uma correlação clara entre a morfologia das garras e uma função específica. Segundo a análise, as garras curtas e compactas, como as das espécies Alxasaurus e Erliansaurus (outros terópodes com garras relativamente longas), eram usadas de forma generalista, enquanto as garras alongadas e aumentadas, como as das espécies Therizinosaurus e Beipiaosaurus, não eram otimizadas para funções fossoriais. Em vez disso, esse “design” de garras parecia ser mais adequado para alcançar e puxar vegetação durante a alimentação.

Diante disso, é evidente que as garras desses animais eram adaptadas para auxiliar em um hábito de vida herbívoro. Funções como combate ou exibição sexual ainda são totalmente negligenciadas pela falta de evidências, mas isso não descarta a possibilidade de que essas estruturas poderiam ter sido usadas como recurso de defesa. Além disso, o dimorfismo sexual,ou seja, diferenças entre machos e fêmeas nessa estrutura, também não foi encontrado no registro fóssil.

Por fim, umas das únicas coisas que é possível afirmar com certeza com todas essas informações é de que os Therizinossauros não eram máquinas de matar como já foram caracterizados por causa de suas garras. Na verdade, eram animais herbívoros que não as utilizavam pro combate, já que mesmo que muito impressionantes, elas não possuíam a rigidez necessária para a perfuração da pele de outros dinossauros.

Texto fonte:  Lautenschlager, S. (2014). Morphological and functional diversity in therizinosaur claws and the implications for theropod claw evolution. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, [online] 281(1785), p.20140497. doi:https://doi.org/10.1098/rspb.2014.0497.

Disponível em: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2014.0497 acessado em: 05/12/2024

Fonte e legenda da imagem de capa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Therizinosaurus#/media/Ficheiro:Therizinosaurus_Restoration.png

Representação paleoartística de um Therizinossauro da espécie Therizinosaurus cheloniformis.


Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.

Terror no Cenozoico: um novo membro na família Phorusrhacidae

Escrito em: 04 de dezembro de 2024

Por: Sarah Morgana

NOs Phorusrhacidae, chamados de “aves do terror”, são uma família de aves superpredadoras extintas que dominaram a Era Cenozoico. Essas aves chamam a atenção por seus enormes bicos, indicando comportamento predatório, e longos membros adaptados para correr. Apresentam grande diversidade e variação de tamanho, com 20 espécies descritas, podendo alcançar de 5 kg a mais de 100 kg. Por causa do peso, suas asas não eram utilizadas para voo. Fósseis desses grandes animais já foram descobertos na Argentina, no Uruguai e também no Brasil.

Recentemente, pesquisadores analisaram um fragmento de tibiotarso, um osso da perna das aves, de Phorusrhacidae, encontrado no deserto Tatacoa, no sítio paleontológico de La Venta, na Colômbia, famoso por sua avifauna da Época do Mioceno, aproximadamente 23 a 5 milhões de anos atrás. Este é o primeiro fóssil da família proveniente dessa região, onde a maior parte dos fósseis são de aves aquáticas. O estudo revelou o que pode ser a maior ave do terror conhecida, com peso estimado em 156 kg. Quanto ao seu tamanho, há possibilidade da ave ser ao menos 10% maior que as maiores espécies atualmente conhecidas Kelenken guillermoi e Titanis walleri. O fragmento foi comparado com outros tibiotarsos conhecidos da família Phorusrhacidae e além dos estudos confirmarem que ele pertence a esse grupo, também destacaram características únicas em seu desenvolvimento, diferenciando-o de espécies já descritas. Apesar disso, devido à falta de outros fósseis mais semelhantes para aprofundar as análises, os pesquisadores optaram por não classificá-lo como uma nova espécie. O osso foi, então, apenas atribuído à subfamília Phorusrhacinae.  

A ocorrência de fósseis de Phorusrhacidae é predominante na América do Sul, sugerindo que essas aves são originalmente sul-americanas e eram adaptadas a climas tropicais. A descoberta em La Venta reforça a ideia, e também explica a escassez de fósseis: o clima quente e úmido da região favorece uma rápida decomposição e dificulta a preservação tanto de partes moles quanto de partes duras.

Essa pesquisa não apenas amplia o nosso conhecimento sobre o tamanho impressionante que essas aves poderiam atingir, mas também contribui para o entendimento da diversidade dos Phorusrhacidae. Além disso, marca um importante avanço nos estudos em paleontologia no norte sul-americano ao registrar o primeiro fóssil deste grupo em La Venta, trazendo novas perspectivas sobre a história de sua distribuição geográfica e sua adaptação ao ambiente.

Texto fonte: DEGRANGER, Federico J; COOKE, Siobhan B; ORTIZ-PABON, Luis G.; PELEGRIN, Jonathan S.; PERDOMO, Cesar A.; SALAS-GISMONDI, Rodolfo; LINK, Andrés (2024). A gigantic new terror bird (Cariamiformes, Phorusrhacidae) from Middle Miocene tropical environments of La Venta in northern South America. Papers in Paleontology, v. 10, n. 6, p. 1-10.

Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/spp2.1601

DOI: 10.1002/spp2.1601

Legenda da imagem de capa: Reconstrução de Titanis walleri, espécie da família Phorusrhacidae, em um museu de História Natural na Flórida

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Skeleton_of_Titanis_at_the_Florida_Museum_of_Natural_History.jpg


Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini.

Primeira Descoberta de Ovo Amniótico Fossilizado na Formação Romualdo

Escrito em: 07 de dezembro de 2024

Por: Bruna Luiza Santos Damaceno

Pesquisadores brasileiros identificaram um ovo amniótico fossilizado na Formação Romualdo, localizada na Bacia do Araripe, no nordeste do Brasil. Esse ovo, encontrado em uma concreção carbonática no município de Simões, Piauí, foi atribuído a um crocodilomorfo, grupo ancestral dos crocodilos modernos. A descoberta é considerada um marco na paleontologia brasileira, trazendo informações inéditas sobre a reprodução e o desenvolvimento desses animais.

Ovos amnióticos fossilizados são considerados icnofósseis, ou seja, vestígios de atividades biológicas preservados. Apesar de existirem registros de ovos fósseis no Brasil, principalmente na Bacia Bauru, no Sudeste, este é o primeiro ovo atribuído a um crocodilomorfo encontrado na Formação Romualdo e, possivelmente, o primeiro no mundo a conter restos embrionários.

Com dimensões de 26,02 mm por 18,15 mm e uma casca espessa de 0,45 mm, o ovo apresenta características típicas de crocodilomorfos, como poros interconectados e superfície lisa, mas possui particularidades que o diferencia de outros ovos fossilizados conhecidos. Uma fratura na porção inferior esquerda foi observada, e os pesquisadores levantaram a possibilidade de que isso possa ter causado alterações na sua estrutura original.

A análise do ovo utilizou técnicas como microscopia eletrônica, espectroscopia e tomografia computadorizada. Um dos pontos mais fascinantes da pesquisa foi a identificação de estruturas internas que sugerem a presença de um embrião fossilizado. Por meio das imagens tomográficas, foram reconhecidos contornos anatômicos, como a cavidade craniana, a coluna vertebral e a região abdominal. Para validar essas observações, os pesquisadores realizaram uma tomografia em um ovo moderno de Caiman latirostris, um crocodilomorfo em fase final de desenvolvimento embrionário. A comparação com o fóssil ajudou a confirmar as possíveis estruturas anatômicas do embrião.

A Formação Romualdo, datada do Cretáceo Antigo, é conhecida por suas condições de preservação de fósseis. Nela, já foram encontrados pterossauros, peixes, tartarugas e outros vertebrados, mas este ovo fossilizado traz uma nova perspectiva para a paleontologia da região. Ele nos dá informações sobre os hábitos reprodutivos e o ambiente em que esses crocodilomorfos viveram há cerca de 110 milhões de anos.

Mais que uma descoberta científica, este achado reforça a importância de proteger os sítios fossilíferos brasileiros, que guardam informações de extrema importância sobre a história da vida na Terra. O ovo (MDJ IC-069), compotencial para ser o primeiro registro no mundo de restos embrionários de crocodilomorfo, é um registro paleontológico raro que nos dá vislumbres da reprodução e do desenvolvimento desses animais do passado.

Texto fonte:  Abreu, D.; Viana, M.S.S.; Oliveira, P.V.; Viana, G.F.; Borges-Nojosa, D.M. (2020). First record of an amniotic egg from the Romualdo Formation (Lower Cretaceous, Araripe Basin, Brazil). Revista Brasileira de Paleontologia, v. 23, n. 3, p. 185-193.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/166

Fonte e legenda da imagem de capa: Na imagem é possível visualizar a tomografia de um ovo amniótico fossilizado, que revela possíveis vestígios de um embrião, incluindo a cavidade craniana, coluna vertebral e região abdominal. 

Para que essas estruturas fossem validadas, fez-se uma comparação com imagens de um ovo moderno de Caiman latirostris, um crocodilomorfo. 

Esse achado pode ser o primeiro registro de vestígios embrionários de crocodilomorfo, o que torna a imagem ainda mais interessante.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/166


Texto revisado por: Milena Ramos Fonseca e Alexandre Liparini.