Paleontologia, Divulgação Científica e as Melhorias Sociais

Em 21 de março de 2020

Por: Caio Hander Obolari Lana

Em 1 de julho de 1989 foi criada a associação dos amigos do sítio paleontológico de Peirópolis, após aproximadamente um século de exploração pela mineração manual, trazida por imigrantes europeus e italianos (1890 a 1960) e com máquinas e explosivos, comandada pela mineradora Calcário Solofértil S.A (1987 a 1992), após 5 anos de conseqüente destruição dos fósseis e intensa degradação ambiental.

Por colocar em risco o vasto registro fossilífero da Serra do Veadinho, em 9 de maio de 1989 a comarca de Uberaba embargou a mineração por uso de dinamite. Posição essa desrespeitada pela mineradora que continuou escavações até que em 15 de setembro do mesmo ano quando a associação denunciou ao fórum que a área do sítio não estava sendo respeitada. Em uma perícia realizada em 6 de outubro foi constatado que a área do sítio parte de Uberaba-MG até Presidente Prudente-SP, englobando parte do Mato Grosso do Sul. A área de interesse paleontológico datada com 70 milhões de anos abriga sob as rochas calcárias fósseis de inúmeros dinossauros.

Com a população conscientizada a respeito do valor científico imensurável dos registros fossilíferos e da necessidade de se preservar a Serra do Veadinho e o Museu dos Dinossauros, ficou bem mais complicado para a mineradora conseguir outra licença, sabendo-se que apenas isso já seria suficiente para trazer melhorias nos aspectos sociais e econômicos da comunidade, através do turismo.

Tomando Peirópolis como exemplo de compatibilização entre mineração e os estudos científicos, pode-se entender que se houver um prévio estudo dos impactos ambientais, projetos de reabilitação da área com o termino da reserva mineral, incentivos financeiros aos trabalhadores das pedreiras para que possam encontrar fósseis, entre outras normas especificas para cada região o impacto ambiental pode ser amenizado e o patrimônio científico pode ser resgatado e destinado ao local apropriado.

Artigo fonte: Wellington Francisco Sá dos Santos, Ismar de Souza Carvalho & Antonio Carlos Sequeira Fernandes. (2010). Mineração versus Paleontologia: Uso e Ocupação da Serra do Veadinho em Peirópolis – Uberaba, Estado de Minas Gerais (Brasil). Anuário do Instituto de Geociências da UFRJ, v. 33, n. 2, p. 74-86. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte da imagem: Figura 6 extraída do artigo fonte.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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