Insetos e suas verminoses — Descobertas sobre o parasitismo de nematódeos em insetos no Cretáceo Médio

Escrito em: 04 de Novembro de 2023

Por: Geisler Peixoto da Cruz

Pelo título, já é possível sentir certo desconforto, não é, caro leitor? Pois é, até mesmo os insetos podem sofrer com animais semelhantes às temidas lombrigas. Os insetos e os nematódeos (nome dado ao grande grupo que engloba esses parasitos), têm uma relação muito antiga que perdura até os dias atuais.

Hoje, você vai descobrir um pouco sobre insetos que foram parasitados por esses vermes já no Período Cretáceo, e a relevância das descobertas destes seres presos no âmbar, uma resina vegetal que guarda curiosidades do passado profundo de nosso planeta.

Em uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto de Geologia e Paleontologia de Nanjing, da Academia Chinesa de Ciências (NIGPAS), em colaboração com outros pesquisadores dos EUA e do Reino Unido, foi descrita a descoberta de cerca de 16 espécies de uma Família de nematódeos chamada Mermithidae. Os registros foram feito a partir de âmbares de Kashin, um sítio fossilífero localizado no Vale Hukawng no norte de Myanmar, um país do sudeste asiático.

Primeiramente, como são os Mermithidae? Estes parasitos se diferenciam por ter um corpo relativamente grande, e são normalmente enrolados. Para identificação, foram feitas comparações com membros dessa Família atualmente viventes. Outro ponto importante é que estes animais são parasitos obrigatórios de invertebrados. O que isso quer dizer? Quer dizer que, para completar seu ciclo de desenvolvimento, em alguma etapa precisam estar em um hospedeiro e no caso dos Mermithidae, seus hospedeiros são os insetos.

Animais infectados por esse grupo morrem quando os parasitos emergem, e há registros de que os parasitos podem romper os corpos de seus hospedeiros mesmo antes de se tornarem adultos, em caso de estresse fisiológico no inseto. Ambos esses fatos são importantes, pois aumentam a chance de preservação destes animais no registro fóssil, mais especificamente dos que morreram presos em âmbar ao emergirem do inseto. Sabendo disso, também, é possível hipotetizar que esses parasitos podem ter desempenhado o papel de controle populacional de seus hospedeiros nos paleoambientes do Período Cretáceo.

Nessa pesquisa, foram feitas descobertas bem curiosas. Uma delas é o registro de insetos que foram parasitados por esses vermes, mas que não se tinha conhecimento dessa relação seja no passado ou no presente, por exemplo, as traças-saltadoras (Archaeognatha) ou que atualmente não são mais parasitados, como por exemplo, os piolhos (Psocodae).

O estudo revela pontos bastante interessantes sobre o parasitismo. Hoje, sabemos que esses nematódeos de insetos possuem uma certa preferência por insetos que têm desenvolvimento holometábolo, que é o que chamamos de desenvolvimento completo. Porém, nos estudos feitos com esses fósseis do Cretáceo, percebeu-se uma prevalência desses parasitos em insetos não holometábolos. O que se leva a crer, fazendo comparações com achados em âmbar Báltico (Eoceno ~45Ma) e âmbar Dominicano (Mioceno ~18Ma), que esses parasitos não exploraram de forma ampla os insetos holometábolos, talvez por uma maior disponibilidade de não-holometábolos no passado evolutivo desta relação. Aparentemente, esta relação parasita-hospedeiro em holometábolos se deu de forma mais efetiva no Cenozóico.

Pode-se dizer que o estudo dos fósseis de Mermithidae em âmbar nos fornece informações valiosas sobre a evolução, ecologia e diversidade desses parasitos e seus hospedeiros. Espero que você tenha gostado de aprender um pouco mais sobre esses vermes que atormentam os insetos há milhões de anos!

Texto fonte: Luo, C., Poinar, G. O., Xu, C., Zhuo, D., Jarzembowski, E. A., & Wang, B. (2023). Widespread mermithid nematode parasitism of Cretaceous insects. eLife, 12, e86283.


Disponível em: https://doi.org/10.7554/eLife.86283

Fonte e legenda da imagem de capa: Imagem mostra nematódeos Mermithidae emergindo de seus hospedeiros. É possível perceber os abdomens ocos por conta do desenvolvimento dos nematódeos em seu interior.

Disponível em: https://elifesciences.org/articles/86283.

Texto revisado por: Gustavo Firpe, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Como a relação parasito – hospedeiro pode nos ajudar a compreender a história evolutiva?

Escrito em: 04 de Novembro de 2023

Por: Beatriz Rodrigues Ferreira

Você muito provavelmente já se deparou com o termo ‘parasitismo’ ou estudou esse termo em sua vida escolar para alguma prova de biologia. Em poucas palavras, o parasitismo é uma relação ecológica que envolve dois organismos: um chamado parasito, que se ‘beneficia’ às custas de outro organismo, chamado de hospedeiro. Apesar de constantemente associado a uma conotação negativa, o parasitismo é essencial para a vida. Muitas teorias, inclusive, associam a origem da vida a essa relação ecológica a nível molecular e intracelular, o que permitiu a diversificação e evolução das espécies. Mas, como isso é estudado? Através da paleoparasitologia!

A paleoparasitologia é um campo em expansão da paleontologia, que pesquisa e estuda parasitas e outros microrganismos, como fungos, bactérias e vírus, em materiais antigos. Ao analisar esses materiais, é possível compreender os hábitos de vida dos organismos, como rotas de migração, desenvolvimento e disseminação de patógenos, o que pode contribuir para áreas do conhecimento como arqueologia, paleontologia, microbiologia, biogeografia, entre outros.

Atualmente, existem diferentes abordagens para o estudo dessa área, incluindo evidências indiretas, como as lesões ósseas, e evidências diretas, como a análise microscópica e diagnóstico imunológico, ou biologia molecular de restos de organismos, como coprólitos (fezes fossilizadas), âmbar, ossos, dentes e pelos, entre outros.

Dentre os métodos de estudos apontados acima, o estudo de biologia molecular, ou paleoparasitologia molecular, é o que mais tem avançado. Essa área consiste basicamente no que tentaram fazer no filme Jurassic Park, em 1993 (com a diferença que aqui a gente não clona dinossauros, até porque, isso provavelmente não é possível). O objetivo é recuperar material genético de parasitas e hospedeiros em populações desaparecidas, o que permite rastrear os mecanismos coevolutivos de sistemas parasita-hospedeiro-ambiente. Apesar de muito interessante, essa recuperação de DNA ainda é desafiadora e é mais comumente realizada para animais que viveram até o final do período Quaternário, na ‘Era do Gelo’, quando as condições ambientais proporcionaram a boa conservação de vestígios orgânicos.

Um exemplo disso é o estudo realizado com coprólitos de aves Moa já extintas da Nova Zelândia. Esse estudo utilizou da tecnologia mencionada anteriormente e foi capaz de identificar DNA de parasitos Apicomplexa, Nematoda e Trematoda. Análises microscópicas anteriores só tinham identificado ovos de nematódeos. Com isso, foi possível obter informações valiosas sobre a diversidade e a evolução de parasitas gastrointestinais que infectaram as espécies de Moas. Isso pôde ajudar a entender melhor a ecologia e a biologia desses animais extintos. Além disso, esses estudos mostram como a filogenia molecular pode ser usada para identificar e caracterizar parasitos encontrados em coprólitos de Moas, o que pode contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias para o diagnóstico e tratamento de doenças parasitárias em humanos e animais, por exemplo.

Em resumo, a paleoparasitologia é um campo de estudo fascinante, com o potencial de desvendar inúmeros segredos sobre organismos do passado e suas interações com o ambiente e seus patógenos. Assim, contribuir para diversas áreas de conhecimento e revisitar eventos que moldaram a história da vida na Terra.

Textos fonte:

ARAÚJO, A. et al.(2003). Parasitism, the diversity of life, and paleoparasitology. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, v. 98, p. 5–11, jan.

CASCARDO, Paula; PUCU, Elisa; LELES, Daniela. (2017). The history of evolution of life on Earth told by paleoparasitology. Global Journal of Archaeology & Anthropology, v. 1, n. 2.


Disponíveis em:

https://www.scielo.br/j/mioc/a/tGh9qWKQFHw7G7KsCtZ9hYJ/?lang=en

https://www.researchgate.net/profile/Daniela-Leles-2/publication/324159465_The_History_of_Evolution_of_Life_on_Earth_Told_by_Paleoparasitology/links/5ac39a99458515564eaf06d6/The-History-of-Evolution-of-Life-on-Earth-Told-by-Paleoparasitology.pdf

Fonte e legenda da imagem de capa: Ovos de parasitos em coprólitos de aves Moa da Nova Zelândia. Fonte: Wood JR, Wilmshurst JM, Rawlence NJ, Bonner KI, Worthy TH, Kinsella JM, Cooper A. A megafauna’s microfauna: gastrointestinal parasites of New Zealand’s extinct moa (Aves: Dinornithiformes). PLoS One. 2013;8(2):e57315. doi: 10.1371/journal.pone.0057315. Epub 2013 Feb 25. PMID: 23451203; PMCID: PMC3581471.

Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3581471/.

Texto revisado por: Gustavo Firpe, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Você já comeu Dinossauro?

Escrito em: 08 de novembro de 2023

Por Gabriela Ferreira Oliveira

E se eu te dizer que provavelmente sim, você acreditaria? Pois bem, a grande maioria dos seres humanos provavelmente já comeu um dinossauro. Contrariando o que muitos aprenderam na escola, alguns sobreviventes desse grupo diverso de animais existem até hoje, sendo representados pelas aves modernas.

Estamos falando dos Dinossauros Terópodes (Dinosauria: Theropoda), grupo de dinossaurosque era bípede e que continha carnívoros em sua maioria, mas também herbívoros (em menor quantidade). Um dos mais famosos animais pertencentes a esse grupo é o Tiranossauro rex. Os terópodes surgiram há 230 milhões de anos atrás, num período conhecido como Triássico.

Mas como isso pode ser possível? As aves têm penas, são animais de sangue quente e muitas são herbívoras. Esse texto vai te explicar como, provavelmente, esse fenômeno da evolução aconteceu e quais ramificações da árvore da vida possivelmente gerou os mais diversos animais.

Antes das aves surgirem em meio aos Terópodes, vários animais desse grupo possuía adaptações essenciais ao voo, mesmo que só planassem com estilo por aí, como fazem as galinhas modernas. Os tataravós das aves possuíam membros posteriores fortes (pernas musculosas) e inúmeras adaptações em seus membros superiores, essas adaptações permitiram que a aerodinâmica necessária tanto para voar, quanto para planar, surgisse e possibilitou o aparecimento de um peitoral mais musculoso.

Mas a mais fantástica transformação aconteceu com as penas. As penas das aves são formadas por beta-queratina, proteína que compõem as escamas dos crocodilianos modernos. A análise genética foi fundamental para entendermos como isso aconteceu. Através da análises de DNA de aves e crocodilianos modernos, percebemos a duplicação e modificação do gene responsável pela produção dessa proteína nesses dois grupos de animais.

Assim, podemos inferir que o ancestral comum de crocodilos e aves possuía tal gene e este foi passado para sua prole, passando pelos dinossauros, até chegar às aves modernas. Como o ancestral comum das aves e dos crocodilos é muito antigo, o gene teve tempo suficiente para expressar a beta-queratina no formato de penas. E é bem provável que elas tenham surgido antes das aves conseguirem voar, para ajudar na regulação da temperatura corporal e talvez até como seleção sexual.

Sendo assim, fica claro a inserção das aves aves dentro do grupo dos terópodes. Apesar de aves e Dinossauros parecerem grupos distintos hoje, esses seres alados que povoam nosso planeta são sobrevivente desses incríveis animais que dominaram a Era Mesozoico e perduram, até hoje, em nosso imaginário como tiranos reis lagartos (uma tradução do Latim de Tiranossauro rex).

Texto fonte: FAVRETTO. A, Mario. Controvérsia em Relação à Origem das Aves. Boletim do Centro Português de Geo – História e Pré-História, Campos Novos, Santa Catarina, volume 1, p. 53-56, 2018. Disponível em: Favretto_M_A_2018_BoletimCPGP-V1N1.pdf. Acesso em: 08 de novembro de 2023.
08.037 Acesso em: 04/11/2023


Fonte e legenda da imagem de capa: O grande dinossauro

Disponível em : https://ovo.blog.br/wp-content/uploads/2019/08/Ovo-com-duas-gemas-3.jpg


Texto revisado por: Leticia Lopes , Alexandre Liparini.

De que se alimentavam os “elefantes brasileiros”?

Escrito em: 09 de abril de 2023

Por David Matos Mendes

De que se alimentavam os “elefantes brasileiros”? Espera aí, não nos contaram que o lar dos elefantes consiste em áreas dos continentes africano e asiático? Estaríamos aqui por acaso falando de elefantes de circos ou de zoológicos que foram transportados ao Brasil em algum momento do século passado?

Para ser sincero, o tema desse texto se refere a acontecimentos bastante, repito, bastante anteriores ao século XX e o comércio de animais para entretenimento. Os elefantes brasileiros de que vamos falar são genuinamente nativos do nosso país, ou melhor, do território que atualmente chamamos de Brasil, mas que naquele momento nem sonhava em receber as caravelas de Cabral. Nem mesmo Portugal sonhava em existir enquanto nação; na verdade, nenhuma nação sequer existia…

Enfim, estamos falando do território brasileiro de cerca de 11 mil anos atrás. O Notiomastodon platensis, o nosso “elefante” que na verdade era um mastodonte, era física e geneticamente muito semelhante aos atuais Loxodonta e Elephas (os dois gêneros de elefantes viventes) pertencendo à mesma ordem taxonômica, à qual nomeamos Proboscidea (basicamente, inclui os mamíferos que se alimentam utilizando sua tromba). Um verdadeiro gigante herbívoro que habitou por muito tempo o nosso continente.

Quando falamos de um animal extinto há tanto tempo assim, pode parecer difícil estudar características que vão além dessas semelhanças que sabidamente são estudadas através dos ossos encontrados pelos paleontólogos. É compreensível que se consiga estudar o “parentesco” entre espécies extintas e as atuais, afinal a similaridade entre características ósseas é consideravelmente palpável no imaginário popular, mas, voltando ao título do nosso texto, será que é mesmo possível estudar, através de ossos de 11 mil anos, o que esses animais comiam?

A resposta é sim! Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro analisaram os dentes desse bicho colossal encontrados na região de Águas de Araxá, em Minas Gerais, e encontraram fragmentos antigos e bastante deteriorados de plantas no cálculo (o famoso tártaro) do dente. Para se ter uma ideia, esses fragmentos eram tão pequenos que são chamados de microfósseis.

Tudo bem, tudo bem, você deve estar se perguntando: E aí? Como se identifica? É possível saber algo mais sobre essa planta além de saber que… é uma planta?

Novamente, a resposta foi positiva. Os cientistas executaram tratamentos químicos, através dos quais foi possível, por análise em microscópio, perceber algumas características que os levaram a concluir os grupos em que se encaixavam as plantas às quais pertenciam os fragmentos.

Surpreendentemente, dentre os fragmentos, foram encontradas seções de traqueídes e elementos de vaso (estruturas celulares condutoras das plantas) de uma conífera (árvores do grupo dos pinheiros). Isso nos diz que esses animais se alimentavam também de madeira! De um modo geral, o estudo concluiu que os Notiomastodon dessa região tinham hábitos alimentares bastante diversos.

Uma vez que também foram encontradas fibras, grãos de pólen e esporos dentre os fragmentos, é possível entender que diversas partes das plantas, não só folhas, como era de se imaginar, estavam no cardápio dos nossos gigantes.

Ufa, quanta coisa um dente mais que antigo de um velho e há muito falecido elefante pôde nos contar, não é? Esse é mais um exemplo de como a ciência e seu desenvolvimento contínuo trazem conhecimento dos mais diversos âmbitos do nosso mundo, sejam estes relativos ao presente ou ao passado.

Texto fonte: ASEVEDO, L.; WINCK, G.R.; MOTHÉ, D.; AVILLA, L.S. (2012). Ancient diet of the Pleistocene gomphothere Notiomastodon platensis (Mammalia, Proboscidea, Gomphotheriidae) from lowland mid-latitudes of South America: Stereomicrowear and tooth calculus analyses combined. Quaternary international, v.255, p. 42-52. Doi: 10.1016/j.quaint.2011.08.037 Disponível em: https://sci-hub.se/https://doi.org/10.1016/j.quaint.2011.08.037 Acesso em: 04/11/2023


Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução simples do Notiomastodon.


Texto revisado por: Cíntia Silva, Alexandre Liparini.

Do Fundo dos Mares às Páginas da História: Os Antigos Répteis Marinhos

Escrito em: 05 de novembro de 2023

Por Aiessa Santos Marques

Ao contrário do que muitos pensam, nem todos os dinossauros eram gigantescos, ou pareciam lagartos que caminhavam apenas sobre a terra firme. Outro equívoco popular é pensar que, todos os animais pré-históricos eram dinossauros. Durante a Era Mesozoica, entre 250 e 65 milhões de anos atrás, os mares foram habitados por répteis aquáticos que, assim como os pterossauros (répteis voadores) e crocodilomorfos (grupo dos crocodilos), também não pertencem ao grupo dos dinossauros mas compartilharam o mesmo período na Terra. Alguns desses animais não possuem mais representantes atuais, são eles: os ictiossauros, plesiossauros e mosassauros. 

Os ictiossauros são facilmente associados aos golfinhos por suas semelhanças superficiais, como a presença de nadadeira dorsal e as narinas posicionadas do topo do crânio, mas apesar  das aparências os ictiossauros possuíam características únicas e marcantes, dentre elas: a presença de membros posteriores e o movimento da nadadeira caudal igual ao dos peixes, com movimentos laterais. Os fósseis desses animais datam de 250 a 90 milhões de anos atrás e indicam que eles estão relacionados com um grupo de répteis conhecidos como diápsidos o que pode sugerir uma evolução semelhante à dos psitacídeos (golfinhos e baleias) que possuíam antepassados terrestres que gradativamente se adaptaram ao ambiente aquático. 

Um fato curioso sobre esse grupo é que ele possuiu um dos maiores globos oculares em comparação à massa corporal dentre os animais, podendo chegar a 23 centímetros em um animal de 4 metros de comprimento! Se compararmos com uma baleia azul que pode chegar a 30 metros de comprimento com um globo ocular de 15 centímetros podemos dimensionar o quão importante deveria ser o sentido da visão para essesanimais

Os plesiossauros eram criaturas incomparáveis a qualquer outro animal que conhecemos hoje ! Sua estrutura corporal comportava   e um pescoço longo e esguio com até 71 vértebras e  caudas curtas que pela estranheza do animal, foram motivo de confusão para um pesquisador que reconstruiu o fóssil de maneira errada, trocando a cabeça pela cauda. Estes gigantes possuíam dentes longos e afiados adaptados para a caça, além de adaptações para a locomoção aquática, como corpo alongado e  grandes nadadeiras em forma de remo. 

A origem desse grupo é um tema não concluído dentro da paleontologia, já tendo surgido diversas teorias sobre o seu parentesco, como a união dos plesiossauros e ictiossauros em uma única subclasse chamada Euryapsida, mas nenhuma das hipóteses estava correta.  

Algumas pessoas já ouviram falar sobre esse estranho animal pescoçudo nas histórias sobre monstros! Uma lenda antiga sobre uma serpente nas águas do Lago Ness nas Terras Altas da Escócia roda o mundo com montagens fotográficas que ilustram o Monstro do Lago Ness, com seu pescoço longo e crânio pequeno. Tudo indica ser um plesiossauro, mas que existe apenas na imaginação da população, já que a aparição do animal foi confirmada como um mito.

Já os mosassauros tiveram uma grande importância no desenvolvimento das ciências naturais e da teoria da evolução biológica por terem sido os primeiros répteis extintos reconhecidos pela ciência. Os fósseis indicam que eles viveram entre 100 e 66 milhões de anos atrás e foram animais adaptados à vida no ambiente aquático. Esses animais tinham hábitos de caça e possuíam entre 1 a 15 metros de comprimento. 

A respeito da origem e parentesco desses animais, acredita-se que eles evoluíram de um grupo de répteis terrestres que inclui serpentes e lagartos atuais, que possuem relação com o dragão-de-komodo (Varanus komodoensis) e os lagartos-monitores.

Todos esses répteis, juntamente com grande parte dos dinossauros, desapareceram sem deixar descendentes.

Texto fonte: Sgarbi G.N.C., Bittencourt J., Marinho  T.S. (2016). Répteis que um dia dominaram os  mares. Terræ Didatica, v. 12, n. 1, p. 69-77. Doi: 10.20396/td.v12i1.8645966.

Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8645966.

Fonte e legenda da imagem de capa: Imagem ilustrativa próxima do que seria um espécime do gênero Elasmosaurus da ordem Plesiosauria.

Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8645966/13159.

Texto revisado por: Damiane Mello, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

De petiscos a jantar completo

A apetitosa evolução das baleias ao longo do tempo

Escrito em: 5 de novembro de 2023

Por Vinícius Caldeira

No texto de hoje vamos falar sobre a evolução das baleias predominantemente marinhas ao longo da Época do Eoceno, 56.0Ma~33.9Ma. Período importante na história da vida na Terra, principalmente devido a mudanças climáticas como o Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno, (PETM), que mudou os rumos da evolução dos mamíferos terrestres da época. As baleias dentadas, (Odontocetos), e baleias sem dentes, (Mysticeti).  Ambos os clados atualmente predominantemente marinhos, fazendo parte dos Cetáceos, no qual têm raízes comuns terrestres.

Ambos os dois ramos de Catáceos evoluíram a partir dos artiodáctilos, (Artiodactyla), terrestres durante o início do Eoceno.

A transição dos artiodáctilos de vida terrestre para a vida aquática é documentada por fósseis de arqueocetos, (Archaeoceti), no qual mostram estágios de adaptação cada vez maior à vida no mar ao longo do Eoceno. Durante esse período, acredita-se que a alimentação e a dieta das baleias tenham mudado de herbívora ou onivoria para piscivoria e carnivorismo.

Pesquisadores utilizaram uma técnica chamada análise de “microwear”, (microdesgaste), dental, que envolve a observação das superfícies dos dentes das baleias fósseis para entender o que elas comiam. Eles analisaram os dentes de arqueocetos do Eoceno inicial, médio e tardio, bem como de cetáceos modernos, e carnívoros terrestres para fazer comparações. Os resultados mostraram que os arqueocetos tinham uma dieta muito diversificada, semelhante à de focas modernas, (Phocidae), comendo uma variedade de invertebrados e vertebrados marinhos, além de peixes. Isso sugere que as baleias primitivas não eram principalmente piscívoras ou carnívoras. A mesma pesquisa também indicou que a adaptação à alimentação aquática começou cedo na evolução das baleias, já no Eoceno inicial. Os Archaeoceti desse período tinham dentes que se assemelhavam aos de Phocidae, sugerindo que já eram capazes de capturar presas aquáticas.

À medida que a evolução continuava, as baleias basilosaurídeas do Eoceno médio a tardio mostraram um desgaste dental diferente, indicando que estavam ingerindo alimentos mais duros ou de maior tamanho. Isso pode estar relacionado à transição para uma dieta mais carnívora. 

Em suma, o estudo revela que as baleias evoluíram de animais terrestres para criaturas marítimas ao longo do Eoceno, com mudanças significativas em sua dieta ao longo desse processo. A diversidade alimentar das baleias primitivas sugere que a piscívora e o carnivorismo observados em baleias modernas representam especializações dietéticas mais recentes. Isso nos ajuda a entender melhor a história evolutiva das baleias e como elas se adaptaram à vida no mar.

Texto fonte: FAHLKE, J. M. et al. Paleoecology of archaeocete whales throughout the Eocene: Dietary adaptations revealed by microwear analysis. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, v. 386, p. 690–701, set. 2013. https://doi.org/10.1016/j.palaeo.2013.06.032

Fonte e legenda da imagem de capa: Exemplar do gênero extinto Basilosaurus, da ordem dos arqueocetos (ancestrais das baleias atuais)
<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bb/Basilosaurus_illustration.jpg/420px-Basilosaurus_illustration.jpg>, acesso em: 05/12/2024


Texto revisado por: Gabriel Félix Diório e Alexandre Liparini.

Pequenos Artrópodes Preenchem Grandes Lacunas da Paleobiologia

Escrito em: 3 de novembro de 2023

Por Gabriela Mathias de Andrade

A ordem Pseudoscorpiones abriga os ilustres falsos escorpiões, também conhecidos como pseudoescorpiões. São pequenos aracnídeos predadores muito semelhantes aos escorpiões, diferindo-se pela ausência da “cauda” típica, formada pelo chamado metassoma, seguido de uma estrutura afilada chamada télson, que abriga a temida glândula de veneno dos escorpiões verdadeiros.

Apesar de constituírem uma das linhagens mais antigas de animais terrestres conhecidas, com exemplares datando do Devoniano Médio, 390 milhões de anos atrás, os fósseis de pseudoescorpiões são raros. Isso se deve à fragilidade de seus corpos relativamente moles e ao pequeno tamanho das estruturas. Por esse motivo, quase todos os fósseis desses pequenos animais são preservados em inclusões de âmbar, um material derivado de resinas vegetais valioso na conservação de fósseis, permitindo a preservação de organismos diminutos e delicados.

Algumas plantas lenhosas produzem resina, uma substância bastante viscosa e insolúvel em água, que, quando exposta ao ar, endurece. Às vezes, quando essas árvores liberam a resina, acabam por aprisionar pequenos seres vivos no material pegajoso, que perde cada vez mais água, endurecendo gradualmente. Ao ser soterrada, a resina pode sofrer lentas mudanças químicas em virtude da pressão e temperatura. Esse processo, ao longo de milhões de anos, a transforma em âmbar, tornando-a uma fonte importante de informações sobre o passado.

O projeto desenvolvido por János Novák e colaboradores identificou um novo gênero e espécie de um pseudoescorpião fóssil em um depósito de âmbar Ajkaite, na Hungria. Batizado de Ajkagarypinus stephani sp. nov, em referência ao local onde foi encontrado e à família taxonômica na qual a nova espécie foi classificada, a família Garypinidae. O tipo âmbar da região, chamado de Ajkaite, pertencente ao Cretáceo Superior – mais precisamente ao estágio Santoniano – é especialmente rico em artrópodes preservados, como aranhas e baratas. A descoberta desse fóssil é de grande importância para a área, se caracterizando como o mais antigo fóssil europeu da família Garypinidae – e um dos mais bem preservados.

Além da importância direta para a caracterização de uma nova espécie do registro fóssil, essa descoberta implica, também, uma contribuição valiosa para o entendimento da paleofauna Ajkaite, ou seja, aos animais que viveram no local no passado geológico – nesse caso, no Cretáceo. Além disso, o achado permite uma melhor compreensão da paleobiota do carvão Ajka, quer dizer, as formas de vida fósseis descobertas no local.

Com base na localização em que foi encontrado, é possível inferir, ainda, o ambiente em que o Ajkagarypinus stephani sp. nov viveu – seu paleohábitat. O local era, provavelmente, uma floresta pantanosa e lacustre com alta precipitação, marcada por clima tropical. O ambiente projetado se alinha com as necessidades ecológicas dos parentes viventes mais próximos das plantas fósseis no carvão de Ajka.

Os estudos paleontológicos com âmbar, como esse, são fundamentais não apenas para a identificação e preservação de fósseis, mas também para a reconstrução de ecossistemas e a compreensão das interações ecológicas em tempos geológicos distantes. Ao permitir a preservação de organismos pequenos e delicados, o âmbar oferece uma visão única da vida no passado, fornecendo dados essenciais para o entendimento da evolução das espécies, das condições ambientais e da biodiversidade ao longo da história da Terra. Essas descobertas enriquecem nossa visão da história natural e podem ter implicações significativas para a ciência contemporânea.

Texto fonte: Novák, J.; Harvey, M. S.; Szabó, M.; Hammel, J. U.; Harms, D.; Kotthoff, U.; Hörweg, C.; Brazidec, M.; Ősi, A. (2024). A new Mesozoic record of the pseudoscorpion family Garypinidae from Upper Cretaceous (Santonian) Ajkaite amber, Ajka area, Hungary. Cretaceous Research, v. 153, 105709. https://doi.org/10.1016/j.cretres.2023.105709.

Fonte e legenda da imagem de capa: Amostra de âmbar Ajkaite contendo o pseudoescorpião. Fig. 3B do texto fonte. Disponível em <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0195667123002379>, acesso em: 04/12/2024


Texto revisado por: Lucas Rabelo e Alexandre Liparini.

É possível um fóssil vir do fogo?

Escrito em: 06 de novembro de 2023

Por: Esther Martins

Incêndios hoje em dia são comuns de acontecerem especialmente em áreas propensas a secas, florestas e regiões urbanas densamente povoadas. Mas e quando não havia humanos? Como eram originados esses incêndios e como conseguimos identificar que houve um incêndio naquela era? Essas questões podem ser compreendidas com estudos sobre a Paleobotânica da época e do local, mas afinal o que é isso?   

A paleobotânica estuda os fósseis de plantas para entender a evolução, mudanças ambientais, distribuição passada e interação com outros organismos. Também ajuda a reconstruir paleoambientes e compreender as mudanças climáticas na história da Terra.

Um período de especial interesse para a compreensão dessas interações de cenários anteriores de mudanças climáticas é o Permiano Superior, pois durante essa época, houve a formação de grandes florestas tropicais, o surgimento dos primeiros répteis e o desenvolvimento dos primeiros animais do grupo que no período seguinte, o Triássico, daria origem aos mamíferos. Foi também uma época de intensa atividade vulcânica e mudanças climáticas significativas, por conta da formação da Pangeia.

Na formação Raniganj, na Índia, os depósitos fossilíferos da Época Permiano Superior fornecem evidências paleobotânicas de incêndios florestais. Esses incêndios podem ter sido causados por atividade vulcânica, raios naturais, combustão de material vegetal seco e outras fontes de ignição natural. Os pesquisadores fizeram a análise do carvão vegetal fóssil encontrado, em que características macroscópicas, como a morfologia e a estrutura do carvão, são usadas para identificar a espécie de planta de origem e obter informações sobre o ambiente em que o fogo ocorreu. Então é sim possível um fóssil, de certa forma, ter vindo do fogo. Isso ajuda a reconstruir os padrões de incêndios florestais do passado e entender as mudanças ambientais ao longo do tempo.

Mas afinal, por que isso é importante? Os estudos sobre incêndios florestais no Permiano Superior e outras pesquisas relacionadas à paleobotânica têm influência na atualidade, ajudando a compreender os padrões históricos de incêndios e as respostas das plantas aos distúrbios. Isso pode fornecer insights para a gestão e prevenção de incêndios florestais contemporâneos, bem como para a conservação da biodiversidade e a adaptação das plantas às mudanças climáticas. Além disso, esses estudos contribuem para a compreensão da história e evolução dos ecossistemas terrestres.

Palavras-chaves: Permiano superior, Paleoincêndios, carvão, paleobotânica, fogo.

Fonte: Jasper, A., Uhl, D., Bernardes-de-Oliveira, M. E. C., Ghosh, A. K., Tewari, R., Secchi, M. I., & Guerra-Sommer, M. (2012). Palaeobotanical evidence of wildfire in the Upper Permian of India: Macroscopic charcoal remains from the Raniganj Formation, Damodar Basin. The Palaeobotanist, v. 61, n. 1, p. 75-82. 

Disponível em: https://repositorio.usp.br/item/002391039

Legenda da imagem: Permiano superior e suas transformações

Fonte da imagem: https://mega.ibxk.com.br/2014/09/29/29181002282452.jpg?ims=610x

Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini


Romance fossilizado: Revelando a cópula antiga

Escrito em: 30 de outubro de 2023

Texto escrito por: Vitória Loiola Batista

Para desvendar os mistérios do comportamento de animais pré-históricos a partir de descobertas fósseis, frequentemente são usadas características indiretas. Um caso surpreendente surgiu no sítio Messel pit, na Alemanha, onde fósseis raros de tartarugas do gênero Allaeochelys foram encontrados num estado um tanto quanto íntimo: durante o acasalamento. Esta descoberta única abre uma janela de oportunidades para cientistas compreenderem o habitat, o comportamento reprodutivo, a dieta, o estilo de vida e a anatomia funcional dessas tartarugas.

O sítio fossilífero de Messel pit é um dos locais mais ricos do mundo para a compreensão do ambiente de vida do Eoceno, possuindo fósseis muito bem preservados. O local possui uma extensão de xisto betuminoso formado pela deposição de lama e materiais orgânicos, que foi responsável pela formação de um ambiente anóxico (sem oxigênio). Várias hipóteses tentam explicar o porquê do local possuir uma riqueza de espécimes preservadas nos sedimentos do lago e a teoria mais aceita atualmente sugere que ocorreu emissão constante de gases vulcânicos, causando a morte de indivíduos que viviam dentro e ao redor do mesmo.

A partir de detalhes morfológicos foi possível distinguir o sexo masculino e feminino entre as tartarugas. Os machos, com caudas longas que se estendem além da carapaça, são relativamente menores em comparação com as fêmeas. As fêmeas, por outro lado, apresentam caudas mais curtas. As propriedades fisiológicas das tartarugas da espécie Allaeochelys crassesculpta não são muito bem conhecidas, mas se infere que parte da absorção de oxigênio se dava através da pele, possibilitando maior tempo de submersão. Em contrapartida, o dióxido de carbono e as toxinas do lago também eram absorvidas sob condições de pouco oxigênio. Diante disso, acredita-se que estas tartarugas começaram o acasalamento em águas superficiais, não tóxicas, mas vieram a falecer à medida que se aprofundaram nas águas anóxicas.

Essa descoberta excepcional possibilita uma compreensão ecológica enorme a respeito do sítio fossilífero de Messel pit, destacando a importância de locais como este na preservação de momentos únicos da vida pré-histórica.

Palavras-chave: acasalamento, tartarugas, comportamento, fósseis

Fonte e legenda da imagem de capa: Macho (à direita) é cerca de 20% menor que a fêmea e pode ser reconhecido pela cauda relativamente mais longa e pela falta de cinesia plastral, referente à mobilidade de parte do seu casco debaixo (mobilidades esta, ausente nas fêmeas e presente nos machos). Imagem referente à imagem 1 no texto fonte.

Texto fonte: Joyce, W. G., Micklich, N., Schaal, S. F., & Scheyer, T. M. (2012). Caught in the act: the first record of copulating fossil vertebrates. Biology letters, 8(5), 846–848.

Doi: 10.1098/rsbl.2012.0361

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/168/62 acessado em: 02/12/2024

Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini Campos.

Paleontologia nos livros didáticos: problema ou solução?

Escrito em: 04 de novembro de 2023

Texto escrito por: Gabriela Alvarenga

Saudações paleontológicas, caro leitor!

Escrevo este texto motivada por uma curiosidade que surgiu ao longo das minhas pesquisas para a realização desta atividade: como as nossas escolas levam o tema da Paleontologia aos estudantes do Ensino Fundamental e Médio? Afinal, de que maneira esse conteúdo chega até os nossos alunos? Vem comigo e vamos descobrir juntos!

Honestamente, não me lembro de ter tido contato com a Paleontologia nos anos finais do Ensino Fundamental até a conclusão do Ensino Médio. Ok, sejamos sinceros, admito que eu não era uma exímia aluna, mas, em assuntos relacionados às disciplinas de Geografia e Ciências, eu posso garantir que prestava muita atenção. Ainda assim, nunca fui apresentada a um ensino investigativo que abordasse eventos responsáveis por mudanças ambientais ao longo da história geológica da Terra. Muito menos fui introduzida sobre temas como geoturismo e geoconservação. Esses são apenas alguns exemplos das várias áreas que compõem essa ciência tão rica chamada Paleontologia, que, de maneira resumida, nos leva a uma verdadeira viagem ao passado – aos seres que habitaram a Terra e ao funcionamento do planeta naquela época.

Pois bem, vamos aos fatos. Segundo os resultados do artigo científico que me inspirou a escrever este texto, as escolas brasileiras não transmitem o conteúdo da Paleontologia de modo criativo e contextualizado, tornando-o apenas mais um tópico entre os muitos assuntos estudados na longa jornada educacional, que vai desde os 11 anos até os 17 anos, aproximadamente. Ademais, nos livros didáticos utilizados nas escolas da rede pública e particular de ensino em Juiz de Fora, MG, observa-se uma abordagem fantasiosa e distante da realidade, que apresenta o assunto de maneira limitada e sem a interdisciplinaridade necessária.

Por outro lado, no mesmo material citado acima, nota-se também uma ausência de ligação com outras áreas do conhecimento, fazendo com que a Paleontologia fique desconexa e não se relacione com grandes áreas de interesse vinculadas à Biologia, Física e Química. Exemplos disso incluem a discussão sobre formas de vida extintas, mudanças na diversidade de espécies e composição atmosférica em ambientes passados. Além disso, é interessante destacar que os assuntos paleontológicos também podem ser relacionados às Ciências Humanas, ao abordar a responsabilidade e o papel do ser humano na dinâmica do meio natural.

Em síntese, é necessário que os professores extrapolem o conteúdo da Paleontologia apresentado nos livros didáticos, propondo aulas investigativas, vinculadas a outras disciplinas e, principalmente, mostrando aos estudantes que a Paleontologia está muito mais presente em nosso cotidiano do que imaginamos. Formar cidadãos críticos e curiosos é algo necessário e fundamental!

Afinal, conhecimento é poder!

Palavras-chave: paleontologia, escolas, livros didáticos, alunos, ciências

Fonte e legenda da imagem de capa: Como a Paleontologia é ensinada nas salas de aula do Brasil? Imagem elaborada pela própria autora do texto, Gabriela Azevedo Alvarenga.

Texto fonte: Silva, C.N; Mendes M.A.F; Carvalho M.M; Stroppa G.M. (2021). Paleontology and basic education: analysis of Parametros Curriculares Nacionais and textbooks in Juiz de Fora, MG, Brazil. Revista Brasileira de Paleontologia, v.24, issue.1, p. 62-69.

Doi: 10.4072/rbp.2021.1.05.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/168/62 acessado em: 02/11/2024

Texto revisado por: Giulia Alves Viana