Fóssil do menor pinguim existente é encontrado na Nova Zelândia

Escrito em: 03 de abril de 2024

Por: Bruna Nascimento Neiva

Em 2023, foram encontrados dois fósseis de crânios de pinguins pertencentes ao gênero Eudyptula. Estes fósseis remontam ao período Neógeno, cerca de 23 milhões de anos atrás, mais precisamente à idade do Piacenziano, há 3,6 milhões de anos, pertencente à época do Plioceno. Um dos fósseis corresponde a um pinguim adulto, enquanto o outro é de um juvenil. A coleta do material ocorreu em Taranaki, na Nova Zelândia, em uma formação geológica que é chamada de Tangahoe. É importante ressaltar que estes fósseis representam uma espécie já extinta do menor pinguim atualmente conhecido, ou seja, o menor pinguim do mundo só é encontrado no registro fóssil e os dados obtidos são de grande relevância devido à escassez de registros fósseis das aves desse gênero.

O espécime foi denominado Eudyptula wilsonae e é considerado ancestral do atual pinguim azul ou também conhecido como pinguim fada. Para a identificação das espécies de aves marinhas, foram realizadas medições nos crânios, bem como estimativas de idade baseadas na presença de suturas cranianas. Adicionalmente, foram conduzidas análises filogenéticas e morfométricas. Segundo o estudo, o fóssil apresenta um crânio ligeiramente mais estreito, porém outras características cranianas e a possível estatura do fóssil assemelham-se aos pequenos pinguins existentes na atualidade. Mesmo diante das mudanças ambientais ocorridas nos últimos 3 milhões de anos, características significativas permaneceram preservadas.
A descoberta desse fóssil fortalece a teoria que sugere que os pequenos pinguins do gênero Eudyptula têm suas origens na Nova Zelândia. Hoje em dia, os pinguins Eudyptula habitam tanto na Austrália quanto na Nova Zelândia, constituindo duas espécies distintas. Em síntese, essa pesquisa contribui de maneira significativa para a compreensão da história evolutiva desses pinguins e também destaca a importância de investigações mais detalhadas sobre essas aves.

Texto fonte: Thomas, Daniel B., Alan J.D. Tennyson, Felix G. Marx, and Daniel T. Ksepka. (2023). “Pliocene Fossils Support a New Zealand Origin for the Smallest Extant Penguins.” Journal of Paleontology 97(3): 711–21. doi: 10.1017/jpa.2023.30.

Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-paleontology/article/pliocene-fossils-support-a-new-zealand-origin-for-the-smallest-extant-penguins/A722D072F8EE3B5FC194A33EF7DBC47F.

Fonte e legenda da imagem de capa: A figura apresenta um comparativo entre o crânio da espécie fóssil descoberta e uma espécie de Eudyptula atual.

Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/journal-of-paleontology/article/pliocene-fossils-support-a-new-zealand-origin-for-the-smallest-extant-penguins/A722D072F8EE3B5FC194A33EF7DBC47F.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira, Damiane Melo e Alexandre Liparini.

Paleontologia: Newton e os dinossauros

Escrito em: 28 de março de 2025

Por: Luiza Rizzo Mello

Esta pesquisa busca analisar e interpretar o estudo feito pelo departamento de Física da Universidade Federal de Sergipe, desenvolvido pelos estudantes Lucas Freitas Calheiros e Ana Figueiredo Maia. 

Uma das dificuldades no ensino de Física é fazer o aluno conectar o que foi ensinado em sala com o mundo a sua volta. Com isso em mente é relevante pensar que a interdisciplinaridade no ensino é uma ferramenta muito útil para construir um aprendizado mais significativo. Atividades que contemplem conexões com outras áreas do conhecimento contribuem para um entendimento da natureza e seus fenômenos de forma mais completa. Assim, o artigo científico em análise possui como objeto de estudo um material didático em formato audiovisual relacionando conteúdos de física com a paleontologia. 

Foram realizadas 5 videoaulas, com conteúdos de biomecânica e o comportamento de combate dos dinossauros, correlacionando com as Leis de Newton. Durante a primeira videoaula é feita uma introdução do tema de paleontologia, abordando suas bases biológicas e geológicas, com exemplos de dinossauros brasileiros (Angaturama e o Titanossauro) e, finalmente, é feita uma proposta de interação entre a Física e a Paleontologia. 

Durante o segundo vídeo o exemplo escolhido para exemplificar a soma de forças e aceleração é utilizada a biomecânica. Para iniciar a discussão sobre o tema de biomecânica foram disponibilizados momentos breves que retratam o combate de carneiros e bisões, a seguir são retratados outros exemplos que auxiliam em como a 1ª Lei de Newton se apresenta em cada situação. Ainda é incluído o exemplo de Pachycephalosaurus wyomingensise e Prenocephale prenes dinossauros que possuíam uma cabeça com uma calota muito espessa relacionada a um possível hábito de dar cabeçadas uns nos outros. Além disso, o professor pode seguir um roteiro opcional dado pelos pesquisadores que ajudará no domínio do tema e aplicação em sala de aula. 

Ao final de cada uma das aulas os alunos se deparam com uma atividade de investigação científica para aplicarem o conhecimento adquirido. Observou-se, ao fim das aulas, um maior interesse e empolgação  no que se refere às leis de Newton, consequentemente um entendimento mais evidente.

As referências utilizadas para elaboração dos vídeos foram: Structural Mechanics of Pachycephalosaur Crania Permitted Head-Butting Behavior [6], Dynamics of Dinosaurs and Other Extinct Giants [7] e Física 1 [8]. As videoaulas produzidas possuem de 2 a 6 minutos de duração e agrupadas numa lista de reprodução no Youtube denominada “Newton e os Dinossauros”, e estão disponíveis no link: https://www.youtube.com/watch?v=glI0hjZsG2s&ab_channel=F%C3%ADsicanaPalmadaM%C3%A3o.

Texto fonte: Freitas Calheiros, L., & Figueiredo Maia, A. (2022). Newton e os Dinossauros: uma proposta de aplicação da paleontologia no ensino das Leis de Newton. Scientia Plena, 18(8).

Disponível em: https://www.scientiaplena.org.br/sp/article/view/6448.

DOI: 10.14808/sci.plena.2022.084806.

Fonte e legenda da imagem de capa: Velociraptor vs protoceratops.

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Velociraptor_v._Protoceratops.jpg.

Paleontologia dos Alpes Cárnicos – Monte Cocco

Escrito em: 03 de Abril de 2024

Por: Caio Henrique de Martins Ferreira

O estudo realizado no Monte Cocco é a primeira parte do mapeamento da região dos Alpes Cárnicos, que se localiza no limite entre Itália e Áustria. Ele teve como objetivo reconstruir o processo de evolução da bacia durante o período Siluriano a partir da estratigrafia, ou seja, usando as camadas do sedimento da região do Monte Cocco, localizado na região oriental dos Alpes. A região do Monte Cocco é conhecida por ser rica em fósseis do Paleozoico e pela extração mineral de ferro e manganês. Por ser rica em fósseis, as rochas do monte são alvos de estudo de diversos geólogos, descrevendo inúmeros táxons de cefalópodes, que são moluscos como os polvos e lulas.

As rochas silurianas são distribuídas irregularmente em toda cadeia de montanhas e são, predominantemente, calcários bioclásticos, que são calcários formados por fragmentos de fósseis, de águas rasas, calcários contendo nautilóides e xistos intercalados com calcário. A desconformidade entre os períodos Ordoviciano e Siluriano criou uma fauna rica em conodontes (microfósseis) nesse espaço, o que possibilita afirmar que as rochas estudadas pertencem ao final do Siluriano (Ludlow-Pridoli). As características de deposição sugerem uma transgressão (quando o nível do mar aumenta, invadindo o continente) entre as épocas Llandovery e Ludlow, com uma sedimentação uniforme de calcário na época Pridoli.

A sequência estratigráfica do Monte Cocco é marcada por rochas carbonáticas de tom mais escuro, que marcam o Ludlow inferior. Por outro lado, as camadas acima são castanhas a vermelho escuro, devido à abundância de ferro e ao intemperismo da região. 

O conteúdo paleontológico é representado, em sua maioria, por cefalópodes, nautilóides, trilobitas e bivalves. Geralmente, cefalópodes em calcários depositados em forma de bioclastos por processos pelágicos, que ocorreram no fundo do oceano, e hemipelágicos, que ocorreram entre o mar aberto e o continente. Foi observada, na análise, grande concentração de pequenas conchas, o que indica retrabalho de deposição, que é quando o fóssil passa por processos depois do soterramento. Além disso, os calcários ricos em ferro são indícios de deposições em águas oxigenadas. 

O Monte Cocco é rico em cefalópodes (macrofósseis) e conodontes (microfósseis), com trilobitas e bivalves presentes em algumas camadas. As espécies do gênero Orthoceras são o tipo de cefalópodes mais abundantes encontrados. Foram encontradas, também, conchas raras, como de Cyrtocone, e indivíduos juvenis de Orthoceras contendo protoconchas, que são conchas jovens, se tornando apenas resquícios no organismo adulto. A fauna encontrada no Monte Cocco faz uma ligação com diversos pontos do norte da Gondwana, como o Sudoeste da Sardenha, Saara no Marrocos e, pelo fato de possuir o gênero Andigenoceras, com o Cazaquistão.

O estudo nos possibilita afirmar que os calcários contendo cefalópodes no Monte Cocco vão desde a época Llandovery até a Pridoli, compreendendo todo o Siluriano. Além disso, observamos a ocorrência de nautilóides jovens que portam protoconchas que, apesar de poucas, estão preservadas. O que foi observado pela primeira vez naquela região!

Texto fonte: Corradini, Carlo & Pondrelli, Monica & Serventi, Paolo & Simonetto, Luca. (2003). The Silurian cephalopod limestone in the Monte Cocco area (Carnic Alps, Italy): Conodont biostratigraphy. Revista española de paleontología. 35. 285-294

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/256444339_The_Silurian_cephalopod_limestone_in_the_Monte_Cocco_area_Carnic_Alps_Italy_Conodont_biostratigraphy

Legenda da imagem de capa: Fósseis presentes nos Alpes Cárnicos

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/256444339_The_Silurian_cephalopod_limestone_in_the_Monte_Cocco_area_Carnic_Alps_Italy_Conodont_biostratigraphy

Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini

Como as amebas com casca surgiram e se desenvolveram: uma história que une DNA, forma e fósseis!

Escrito em: abril de 2024

Por: Wesley L. S. Ferreira

Os Arcellinida são organismos microscópicos fascinantes que habitam ambientes de água doce, como lagos, rios e solos úmidos. No entanto, a história evolutiva desses seres levanta questões intrigantes para os cientistas. Neste texto, buscaremos explorar algumas das questões por trás da transição dos ancestrais dos Arcellinida do ambiente marinho para o ambiente de água doce, mergulhando nas descobertas e desafios enfrentados pelos pesquisadores.

Um dos principais enigmas enfrentados pelos cientistas é compreender como os protistas mais antigos relacionados aos Arcellinida, representados pelos microfósseis em forma de vaso do Neoproterozoico (VSMs), estão relacionados com os Arcellinida modernos, e quando exatamente ocorreu a transição do ambiente marinho para o ambiente de água doce. Duas hipóteses fundamentais emergem dessa questão: os VSMs seriam ancestrais diretos dos Arcellinida modernos, ou ambos evoluíram separadamente de ancestrais diferentes?

A interpretação dos dados filogenéticos e do registro fóssil apresenta desafios significativos para os cientistas. A reconstrução das relações filogenéticas entre os VSMs e os Arcellinida modernos é complexa devido à falta de informações morfológicas detalhadas nos fósseis. Além disso, a interpretação das condições tafonômicas (os processos que afetaram – positivamente ou não – a preservação dos organismos ao longo do tempo) das rochas onde os VSMs foram encontrados ainda não é bem compreendida, sendo necessária para determinar o ambiente em que esses organismos viveram.

Com base nas evidências disponíveis, uma síntese do conhecimento atual sugere que os VSMs estão relacionados aos Arcellinida modernos, e a transição do ambiente marinho para o ambiente de água doce ocorreu várias vezes ao longo do Fanerozoico, período marcado por uma diversificação da vida na Terra.

As pesquisas para desvendar a evolução dos Arcellinida são complexas e desafiadoras, mas repletas de descobertas intrigantes. À medida que os cientistas continuam a explorar esses pequenos organismos e seu passado distante, esperamos que mais conhecimento seja alcançado sobre a história evolutiva da vida em nosso planeta.

Texto fonte: Lahr, D. J.. (2021). An emerging paradigm for the origin and evolution of shelled amoebae, integrating advances from molecular phylogenetics, morphology and paleontology. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, 116, e200620. Doi: 10.1590/0074-02760200620.

Disponível em: https://doi.org/10.1590/0074-02760200620.

Fonte e legenda da imagem de capa: Ameba com casca do tipo Schoenbornia. A casca é como uma “concha” feita de grãos minerais colados juntos. Imagem retirada do artigo.

Disponível em: https://doi.org/10.1590/0074-02760200620.


Texto revisado por: Milena Ramos Fonseca e Alexandre Liparini. 

Nematoides e insetos: Revelações de uma antiga relação no Cretáceo

Escrito em: 03 de março de 2024

Por Nathália Oliveira

Link para espaço biótico: https://www.potencialbiotico.com/espacobiotico/paleontologia/nematoides-e-insetos-revelacoes-de-uma-antiga-relacao-no-cretaceo?searchTerm=Nematoides+e+insetos%3A+Revela%C3%A7%C3%B5es+de+uma+antiga+rela%C3%A7%C3%A3o+no+Cret%C3%A1ceo

Embora os nematoides sejam conhecidos pelos danos que causam aos humanos e outros animais, novas pesquisas sugerem que eles já desempenharam um papel importante como controle biológico de insetos durante o período Cretáceo.

Esses parasitas, apesar de serem comuns, raramente são observados no registro fóssil. No entanto, um estudo recente trouxe à luz a família Mermithidae, parasitas de invertebrados, sobretudo insetos, encontrados em âmbar de cerca de 99 milhões de anos. Este estudo, realizado por pesquisadores chineses, baseia-se em fósseis encontrados no Vale Hukawng, em Mianmar, no sudoeste asiático. A descoberta mais notável é que esses nematoides parasitaram vários grupos de insetos no Cretáceo que não são conhecidos por serem infectados atualmente. Além disso, há evidências de que houve uma mudança nos hospedeiros, de insetos em sua forma imatura semelhante ao adulto no Cretáceo Médio para insetos com metamorfose “completa” no Eoceno.

Os representantes da família Mermithidae geralmente são específicos quanto a espécie e família de insetos e são quase sempre letais para seus hospedeiros. Eles colocam seus ovos no ambiente, depois se desenvolvem e saem dos ovos em sua forma infectante. Após um crescimento rápido, os nematoides Mermithidae deixam seus hospedeiros e passam por um último estágio no ambiente até se tornarem adultos. É justamente no momento da saída que os hospedeiros geralmente morrem, por isso que esses nematoides estão sendo estudados como possíveis agentes de controle biológico, principalmente contra estágios aquáticos de insetos de importância clínica. Estes nematoides exercem um impacto significativo na morfologia, fisiologia e comportamento de seus hospedeiros, e sua análise pode fornecer percepções fascinantes sobre a coevolução de parasitas e seus hospedeiros.

Os resultados deste estudo ajudam nosso conhecimento do registro fóssil de Mermithidae, os quais são parasitas ecológicos importantes de artrópodes, anelídeos e moluscos. Atualmente, esses nematoides são encontrados em uma variedade de ambientes, infectando grandes porcentagens de populações hospedeiras e causando mortalidade em massa. A grande diversidade de nematoides Mermithidae encontrados no período Cretáceo Médio nos fornece uma ideia de como eram as relações entre esses parasitas e seus hospedeiros, e como evoluíram ao longo de 100 milhões de anos.

Texto fonte: Luo, C., Poinar, G. O., Xu, C., Zhuo, D., Jarzembowski, E. A., & Wang, B. (2023). Widespread mermithid nematode parasitism of Cretaceous insects. Elife, 12, e86283. Doi: 10.7554/eLife.86283.

Disponível em: https://elifesciences.org/articles/86283

Fonte e legenda da imagem de capa:

https://elifesciences.org/articles/86283

Fotografias detalhadas de Cretacimermis perforissi sp. nov., holótipo NIGP201868 (A–E) e parátipo NIGP201878 (F–H). (A) Hospedeiro, Perforissidae (Hemiptera: Fulgoromorpha), observar o abdômen oco (indicado por seta), que provavelmente continha o nematódeo em desenvolvimento. (B) Hábito do corpo enrolado de C. perforissi, alguns restos de trofossoma estão marcados por setas pretas triangulares. (C) Detalhe do corpo, observar as cristas artefatuais na cutícula. (D) Cabeça. (E) Cauda. (F) Hospedeiro, Perforissidae (Hemiptera: Fulgoromorpha), observar o abdômen rompido, provavelmente devido à emergência do mermitídeo. (G) Vista frontal do hospedeiro, indicando que se trata de um fulgoromorfo da família Perforissidae. (H) Detalhe do corpo, mostrando cutícula lisa e trofossomas escuros e fraturados (indicados por seta). Barras de escala = 0,5 mm (A, B, F), 0,2 mm (G), 0,1 mm (C–E, H).


Texto revisado por: Ruan Honorato Marzano Cintra, Alexandre Liparini.

Primeiro registro de fósseis de mamíferos pleistocênicos em caverna de Sergipe, Brasil

Escrito em: 02 de abril de 2024

Por Letícia Pereira dos Santos

Os estudos paleontológicos em Sergipe, apontam que o estado possui alto índice de fósseis, do período Cretáceo e da época Pleistocênica, principalmente em cavernas. Em 1997 foi registrado uma das primeiras descobertas paleontológicas em cavernas sergipanas. Foi encontrado na Gruta da Raposa, em Laranjeiras, restos e vestígios de animais marinhos. Tempos depois foi encontrado em outra caverna a carapaça de um réptil no Abismo de Simão Dias. Desde então houve vários registros de fósseis em cavernas, mas nunca de mamíferos, esses por sua vez eram encontrados somente em afloramentos do tipo tanque, que são cavidades ou depressões em rochas, formadas a partir de processos de intemperismo em fraturas preexistentes e são preenchidas por sedimentos e água.

A primeira aparição de mamíferos nessas cavidades no Estado de Sergipe foi em meados de 2008, com a descoberta da arcada dentária de duas espécies, a Galea spixii (preá) e Glyptodon clavipes (uma espécie de tatu-gigante) na Toca da Raposa, no município de Simão Dias. A partir da descoberta começou a coleta e a deposição para estudos na coleção científica do Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal de Sergipe (LPUFS). Dentre os materiais encontrados, foram descobertos fragmentos em formato de molares, osteodermos e um fragmento dentário. 

Como descrito no artigo, as análises apontaram que os molariformes são trilobados (com três cúspides), sem raízes e de crescimento contínuo, assim compatíveis com o fato que os Gliptodontes eram herbívoros e pastadores. Já os estudos com o Galea mostraram que seus dentes são de crescimento contínuo, com dois prismas de esmalte, lâminas cortantes e projeções angulares. É importantes ressaltar que os Galea spixii é uma espécie ainda vivente conhecida como Preá que são adaptados a ambientes abertos, que vivem na caatinga e no cerrado, tendo gramíneas como sua mais importante fonte de alimentação

Texto fonte: ANDRÉ TRINDADE DANTAS, MÁRIO. Maio/Agosto 2009. PRIMEIRO REGISTRO DE FÓSSEIS DE MAMÍFEROS PLEISTOCÊNICOS EM CAVERNA DE SERGIPE, BRASIL. Revista Brasileira de Paleontologia by The Sociedade Brasileira de Paleontologia. v. 12(2), p.161-164. 

Disponível em: https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/30560291/DANTAS_MAT_%282009%29_Revista_Brasileira_de_Paleontologia-libre.pdf?1391836007=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DPrimeiro_registro_de_fosseis_de_mamifero.pdf&Expires=1712088500&Signature=NzUTzHJn7yBZFP1br8OcYyCo4sVZQplxwidYZ5dtCGSqDO5OcJiZp4VIvIirsyRuCUDQ52Vn55lRMpHL9NOI1Z~F29YmWwNn1ON2KEwC8K-VggmLm1u1oUAROEpHA-RGCPZGshQWtcJUCfRTCi7wpEYLlZ~Z2vh1DECjeLKju2tWWiyocfjaHUJxixd6YbnMFnWz2rrj10bBi-S9vUJSI5hoG92dkWb7WktJQ6NNTbBf7dWkqj~15hP26Q~lrOHP6B-blNqpxW0CU9eJcsCMqEnH597zRJLmYsQ6ClLYexSd4VHx2gKSFx8AZlU8c9xS25ZNXuXa2qNH5noiC-kOSQ__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA.

Fonte e legenda da imagem de capa: Glyptodon clavipes feito por Sanrou


Texto revisado por: Ana Luísa Ferreira, Alexandre Liparini.

Mamífero de grande porte do quaternário no Espírito Santo, Brasil

Escrito em: 01 de abril de 2024

Por Danielle Assis

Fósseis terrestres do período Quaternário brasileiro são comumente descobertos em depósitos de rios, lagos, áreas aluviais, regiões costeiras e, sobretudo, em tanques naturais e cavernas. Esses são frequentes no nordeste do país, formados por sedimentos depositados em depressões em inselbergs que são formações rochosas que resistiram ao tempo e erosão. Dessa forma, os espécimes são costumeiramente encontrados em túneis repletos de sedimentos de origem siliciclástica nas cavernas. No entanto, no Espírito Santo, onde predominam rochas metamórficas e ígneas, a descoberta de fósseis de vertebrados é rara. Mesmo assim, foram encontrados mamíferos fósseis do Pleistoceno, destacando-se os restos de Eremotherium, Gomphotheriidae, Dayproctidae relatados por Paulo Couto em 1978 e fragmentos ósseos de Amphibia, Reptilia e Neornithes coletados em 1974. Esses fósseis foram encontrados em um conglomerado de seixos de mármore em matriz de argila localizada em uma pedreira (Indústria de Mármore Italva Ltda) na Serra de Gironda, no distrito de Itaoca, Município de Cachoeira de Itapemirim.


O material fóssil analisado consiste em diversos fragmentos ósseos, incluindo partes do crânio, mandíbula, vértebras, costelas e ossos dos membros inferiores, todos identificados sob o número UFES-Pal-001. Como dito posteriormente, esses fósseis foram coletados no Distrito de Itaoca- ES, durante a extração de mármore em uma jazida. O material foi encontrado depositado em uma fenda entre calcários e dolomíticos, parcialmente cobertos por argila. Após o resgate, os fósseis foram brevemente analisados e separados em três partes, sendo duas delas depositadas em coleções públicas no Museu do Espírito Santo (UFES), enquanto a terceira parte foi guardada em uma coleção particular no Município onde ela foi encontrada. Infelizmente, devido ao incêndio no Museu Nacional em 2018, apenas os espécimes tombados na coleção de paleontologia da UFES estão disponíveis para análises atuais


Após a investigação do material, concluiu-se que os fósseis encontrados na mesma área pertencem a um único individuo de Eremotherium Laurillardi,com exceção de um fragmento de dente e uma porção de fêmur que são atribuídos a outros animais. Dessa forma, a morfologia dos ossos, incluindo crânio, mandíbula, vértebras e tíbia, é congruente com características conhecidas da espécie E.laurillardi, uma preguiça gigante que habitava desde a América do Sul até os Estados Unidos. Ademais, a presença de ossos de outras espécies sugere transporte e deposição conjunta, enquanto as marcas nos ossos indicam exposição ao ar após a morte, embora por um curto período, e também mostram evidências de necrofagia por carnívoros, principalmente canídeos. Portanto, a análise da integridade física dos ossos sugere transporte hidráulico de baixa energia que os conduziu ao interior de uma fenda formada por rochas metamórficas.

Texto fonte: Germano, R.V.;Buchmann, R.;Rodrigues, T.(2019). Fósseis em uma frente de extração de mármore? Análises tafonômica e paleoicnológica de mamíferos de grande porte do quaternário do Espírito Santo, Brasil.Revista Brasileira de Paleontologia, v.22, n.3, p. 240-252. Doi: 10.4072/rbp.2019.3.06

Disponível em: https://sbpbrasil.org/assets/uploads/files/rbp2019306.pdf acessado em 03/04/2024

Fonte e legenda da imagem de capa: figura 9 do artigo

Disponível em: https://sbpbrasil.org/assets/uploads/files/rbp2019306.pdf acessado em 03/04/2024


Texto revisado por: Lucélio Batista, Alexandre Liparini.

Paleontologia de Vertebrados no Brasil

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por: Gustavo Henrique Jamarino Parreira

Uma infinidade de fósseis de vertebrados se mostram no Brasil em diversas bacias e formações rochosas. Os mais conhecidos são fósseis de peixes e répteis, além de, em menores quantidades, mamíferos da época do Pleistoceno. Muito pouco se tem sobre vertebrados do Paleozóico devido às limitações dos afloramentos do país.

O conhecimento sobre fósseis de vertebrados no país data de 1820, quando dois naturalistas alemães, Johann Baptist von Spix e Karl Friedrich Philipp von Martius, descreveram pela primeira vez o que atualmente se conhece como Formação Santana, uma das mais importantes e vastas do país. Desde então, o conhecimento na área se amplificou cada vez mais.

No âmbito geral, o que se observa é que o Brasil possui uma grande diversidade de alguns tipos de fósseis. Na grande maioria das formações e bacias, encontram-se fósseis de peixes e, em boa parte delas, de répteis. Formações como a Botucatu e a Rio do Peixe possuem grande quantidade de fósseis de rastros e pegadas (icnofósseis). São encontrados alguns fósseis de pterossauros e tetrápodes. Mais raro, mas ainda relevante, vemos fósseis de dinossauros, anfíbios, mamíferos e aves, e o único local que possui fósseis de répteis marinhos é a Bacia Pernambuco Paraíba, umas das poucas no mundo que preservaram tais animais.

Entre todas as abordadas, destaca-se a Formação Santana uma das mais importantes e famosas no quesito de vertebrados para o Brasil e para o mundo. Ela é dividida em membro Crato e membro Romualdo, com Crato possuindo fósseis de peixes, tetrápodes e alguns raros pterossauros, enquanto Romualdo possui fósseis de milhares de espécimes de peixes, muitos grupos de répteis, algumas espécies de dinossauros e tetrápodes, assim como de pterossauros. Ainda vale a pena citar as Formações Adamantina e Marília, que também possuem uma quantidade significativa de registros de vertebrados.

Portanto, essas descobertas realçam a importância do estudo paleontológico no Brasil, deixando evidente a grande variedade de fósseis preservados no país. Esse tipo de pesquisa revela cada vez mais sobre a diversidade de animais, plantas e paleoambientes que já existiram nos territórios brasileiros, o que nos ajuda a entender um pouco mais da história do lugar onde vivemos.

Texto fonte:  Alexander W. A. Kellner; Diogenes de Almeida Campos. (1999). Vertebrate paleontology in Brazil – a review. IUGS Episodes. v. 22, n. 03, p. 238-252. 

Disponível em: https://www.episodes.org/journal/view.html?doi=10.18814/epiiugs/1999/v22i3/012.

DOI: https://doi.org/10.18814/epiiugs/1999/v22i3/012.

Fonte e legenda da imagem de capa: Pegadas de dinossauro.

Disponível em: Figura 2(c) do artigo.


Texto revisado por: Luís Filipe Cardoso Queiroz e Alexandre Liparini.

Uma descoberta de folhas fósseis— com vestígios de interação planta-animal

Escrito em: 29 de março de 2024

Por: Micaella Eduarda

As plantas desempenham um papel fundamental na evolução do nosso planeta. Os fósseis vegetais são peças-chave para compreender não apenas a evolução das plantas, mas também a história da terra e suas condições ambientais ao longo do tempo. Fósseis de flora são restos ou vestígios de plantas preservados em rochas sedimentares ao longo de milhões de anos.

   O artigo trazido relata a descoberta de folhas fossilizadas com vestígios de interação planta-animal, encontradas no Quaternário dos Açores, território de Portugal. O material utilizado para este estudo consistiu em coleções de impressões de plantas fósseis dos Açores, localizadas nos depósitos de diversos museus e universidades localizados na cidade de Angra do Heroísmo.

   A amostra acima está presente nas coleções do Museu Vulcanoespeleológico “Os Montanheiros”, que abriga uma coleção de 30 amostras contendo impressões de folhas, cascas de galhos e troncos de árvores. Esta amostra, relacionada ao Icnogênero Cuniculonomus, está associada a minas de folhas feitas por insetos conhecidos como anófionomos, pertencentes à família Anophionidae.

   “Devido ao pequeno número de amostras coletadas, não é possível identificar as espécies ou gêneros exatos dos criadores de rastreamento. No entanto, considera-se que pode ser o resultado da atividade de insetos (Lepidoptera, Orthoptera e Coleoptera).”- parte retirada do artigo.

 A descoberta de folhas fósseis é crucial para ampliar nosso conhecimento sobre a história da vida vegetal no planeta Terra.

Texto fonte: Texto fonte: RICHARD POKORNÝ1* and PAULO A. V. BORGES2,Plant–insect interactions in the Quaternary fossil record of the Azores Archipelago (Portugal), Quaternary Sci., Vol. 38(4) 597-607 (2023),Disponível em: https://repositorio.uac.ptbitstream/10400.3/6839/1P2101_Borges_2023_JournalQuaternaryScience.pdf Acesso em: 29/03/2024.

Fonte e legenda da imagem de capa: Uma amostra da folha com traço fóssil.


Texto revisado por: Cíntia Silva, Sandro Ferreira de Oliveira e Milena Ramos Fonseca.