Fósseis ajudam a caracterizar o ambiente da bacia do Parnaíba, no Piauí

Escrito em: 08/11/2023

Por Bernardo Ribeiro Mendes

Um estudo publicado na Revista da Academia de Ciências do Piauí realizou um levantamento dos registros fósseis de invertebrados, como moluscos e crustáceos. O objetivo foi caracterizar o ambiente das formações Poti e Piauí (do período Carbonífero) e Pedra de Fogo (do período Permiano) da Bacia do rio Parnaíba, no estado do Piauí e, assim, ajudar a compreender os aspectos evolutivos da fauna desses ecossistemas no passado. Para realizar o levantamento a escolha de se utilizar invertebrados (animais que não possuem coluna vertebral) para tentar reconstruir a paleoecologia dos antigos ecossistemas não foi por acaso, na verdade esse é o grupo mais favorável para esta abordagem devido a sua abundância no registro geológico e sua grande diversidade.

A partir desse levantamento, foi constatado um grande registro de invertebrados fósseis na região, principalmente em sedimentos de topo, popularmente denominados de ‘Calcário Mocambo’, que são ambientes marinhos de águas rasas. O curioso é que, mesmo com tanta abundância, dentre os grupos estudados, os bivalves foram os únicos invertebrados encontrados nas três formações isso pode ser explicado pela insuficiência de trabalhos para essas formações da região ou por consequência de movimentos tectônicos, por exemplo. Mas essa constatação também confirma a similaridade entre as faunas carboníferas das formações Poti e Piauí e as do Permiano da formação Pedra de Fogo.

Também foram coletadas outras informações interessantes, como a ocorrência em um mesmo período de trilobitas do gênero Ameura (um grupo de artrópodes já extinto) com moluscos bivalves do gênero Aviculopecten (animais que possuem uma concha formada por duas valvas) na região, e a descrição de uma nova espécie em 2012: a Oriocrassatela piauienses encontrada no leito próxima ao município de José de Freitas, no Piauí. Essa nova espécie foi gravada para formação Piauí e acredita-se que teve sua fase inicial de dispersão do Carbonífero superior ao Permiano inferior, desenvolvendo-se em ambientes de água fria associados à glaciação.

Texto fonte: SILVA, L. C. R. (2022). REGISTRO FÓSSIL DE INVERTEBRADOS DA SEQUÊNCIA PERMO-CARBONIFERO DA BACIA DO PARNAÍBA. Revista da Academia de Ciências do Piauí, 3(3).

Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/acipi/article/view/1603/1564 acessado em: 30/04/2025.

Fonte e legenda da imagem de capa: A Bacia do rio Parnaíba, localizada no estado do Piauí, é uma das bacias hidrográficas mais importantes do Brasil.

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Parna%C3%ADba_Basin_in_Piracuruca,_State_of_Piau%C3%AD,_Brazil.png.


Texto revisado por: Lucélio Batista e Alexandre Liparini.

A importância de ter uma visão ampla em biologia e paleontologia

Escrito em: 04 de novembro de 2023

Por: Patricio Nogueroles

Há uma distinção importante entre os conceitos de paleobiologia e neontologia.

Vamos começar explicando o que é cada um. A paleobiologia é uma disciplina científica interdisciplinar que combina conceitos e métodos da paleontologia e da biologia moderna. Centra-se no estudo da vida no passado geológico da Terra, utilizando evidências fósseis e outras fontes para compreender a evolução, a biodiversidade e a ecologia de organismos extintos. Lida com uma ampla gama de organismos, desde microrganismos até plantas e animais complexos, com o objetivo de reconstruir a história da vida e compreender os processos evolutivos que moldaram a biodiversidade ao longo do tempo geológico. Portanto, a paleobiologia é necessária para compreender a vida, uma vez que abrange uma escala temporal e espacial mais ampla em comparação com a neontologia, que se concentra nos sistemas vivos. Mas o que especificamente é neontologia?

Neontologia refere-se ao estudo de organismos vivos e sistemas vivos. É a maior parte da biologia e se concentra na compreensão do funcionamento e das características dos organismos que estão vivos atualmente. É considerado um recurso rico para a compreensão dos sistemas vivos ao longo dos tempos, mas também é reconhecido como tendo limitações como fonte de comparação. O que está vivo atualmente representa apenas uma pequena fração do que viveu e pode não ser totalmente representativo. A filosofia da biologia baseia-se muitas vezes apenas na neontologia para tirar conclusões, o que pode resultar numa perspectiva paroquial, isto é, numa visão estreita ou limitada das coisas, concentrando-se em questões locais ou em pequenos detalhes, em vez de considerar o quadro geral ou global. A filosofia da biologia não deve limitar-se apenas à neontologia, mas deve incluir também a paleobiologia na reconstrução da história da vida.

Compreender as práticas e métodos das ciências paleontológicas é muito importante para explicá-las e obter uma compreensão filosófica da ciência em geral. Isto exige enfatizar a necessidade de uma compreensão mais matizada da complexa interação entre evidência empírica e teórica na produção de conhecimento científico. Por exemplo, a natureza subdeterminada dos fósseis influencia a forma como os paleontólogos reconstroem o passado, baseando-se principalmente no registo fóssil, enquanto os neontólogos confiam em ferramentas e teorias centradas nos organismos vivos atuais para fazer o mesmo. Esta distinção entre paleobiologia e neontologia revela as limitações da neontologia na compreensão plena da vida e enfatiza a importância de levar em conta a escala temporal e espacial mais ampla da paleobiologia. A necessidade de uma abordagem abrangente que integre a paleobiologia e a neontologia no estudo da vida é imperativa.

Texto fonte: Currie, A. (2019). Paleobiology and philosophy. Biol Philos 34, 31 (2019).

Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10539-019-9682-2.

Fonte e legenda da imagem de capa: Os trilobitas e um ecossistema do passado.

Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/49/Trilobite_Heinrich_Harder.jpg.

Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini.

Os ácaros sempre foram pequenos?

Escrito em: 7 de novembro de 2023

Por Daniel Bastos

Ao contrário do que muitos pensam, os ácaros não são insetos, mas sim aracnídeos, assim como as aranhas e os escorpiões. Estes pequenos animais são amplamente conhecidos por viverem na poeira domiciliar e causarem alergias respiratórias em seres humanos. Entretanto, os ácaros domésticos representam uma parcela mínima de sua biodiversidade, pois este grupo de animais conta com mais de 55 mil espécies descritas em todo o mundo que colonizaram o ambiente terrestre, marinho e dulcícola. Além de serem diversos, os ácaros também têm uma longa história evolutiva na Terra, uma vez que os fósseis mais antigos conhecidos datam de 410 milhões de anos atrás, no período conhecido como Devoniano Inferior.

Uma das características mais marcantes dos ácaros é o seu pequeno tamanho corporal, o que desempenhou um papel fundamental em sua capacidade de se adaptar a diversos tipos de ambientes e explorar nichos ecológicos de pequena escala. A partir disso, uma pergunta que podemos fazer sobre a história evolutiva desse grupo é a seguinte: os ácaros sempre foram pequenos? Uma resposta para esse questionamento pode ser adquirida através da análise de fósseis de ácaros oriundos de diferentes eras geológicas e da comparação de seus respectivos tamanhos médios.

A partir da comparação do tamanho de 260 fósseis de ácaros de diferentes idades, variando de 410 a 15 milhões de anos atrás, foi constatado que os tamanhos máximos encontrados ocorreram nos indivíduos mais recentes do registro fóssil, medindo aproximadamente 7500 micrômetros, ou 0.75 cm. Ou seja, sim, os ácaros sempre foram pequenos. Isso indica que a miniaturização foi um processo evolutivo que antecede a existência do grupo, ou seja, já era uma característica presente nos ancestrais desses animais.

Ao longo da história geológica da Terra, é possível observar pequenas variações nos tamanhos médios dos ácaros. Os ácaros mais antigos, com idade entre 410 e 320 milhões de anos, tinham um tamanho médio de cerca de 200 a 400 micrômetros. Os menores tamanhos observados no registro fóssil ocorreram durante o Triássico, cerca de 230 milhões de anos atrás, no qual foram observados ácaros com tamanhos inferiores a 100 micrômetros, enquanto os maiores são encontrados principalmente durante o Mioceno, há cerca de 15 milhões de anos atrás.

É válido ressaltar que, devido à maior facilidade de preservação dos fósseis, parte considerável dos ácaros utilizados no estudo é de origem mais recente, o que pode afetar a precisão da análise devido a uma amostragem desigual ao longo das eras geológicas. Entretanto, com base nesses achados paleontológicos, é possível inferir que o tamanho médio dos ácaros sofreu variações ao longo de sua história evolutiva, as quais podem ter ocorrido por diferentes motivos que ainda precisam ser estudados em maior profundidade.

Textos fonte: Sidorchuk, E. A. (2018). Mites as fossils: forever small? International Journal of Acarology, v. 44, n. 8, p. 349–359. Doi: 10.1080/01647954.2018.1497085.

Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/epdf/10.1080/01647954.2018.1497085?needAccess=true acessado em: 07/11/2023.

Fonte e legenda da imagem de capa: Ácaro extinto da família Glaesacaridae, fossilizado em âmbar báltico, que viveu há aproximadamente 44 milhões de anos durante o período.

Disponível em : Eoceno.https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Milbe_cf_Glaesacarus_rhombeus.jpg acessado em: 07/11/2023.

Também disponível em : https://www.potencialbiotico.com/espacobiotico/paleontologia/dinossauros-piavam.

Texto revisado por: Leticia Lopes e Alexandre Liparini.

Cobra tem membro?

Escrito em: 6 de novembro de 2023

Por Lara Gabriella Parreiras

Marinhas, terrestres, venenosas e cegas são algumas características atribuídas às cobras ou serpentes. São organismos pertencentes ao grupo dos répteis, com tamanhos variados, cores e habitats (ambientes onde vivem), possuindo uma grande diversidade. Isso leva a comunidade científica a questionar: de onde vieram e como elas eram antes?

A origem e evolução das cobras é constantemente discutida, especialmente após a descoberta de fósseis datados do período Cretáceo, tempo em que os dinossauros ainda dominavam a Terra.

Pachyrhachis problematicus, Haasiophis terrasanctus e Eupodophis descouensi foram três fósseis de cobras marinhas encontrados no Oriente Médio, com uma característica interessante: a presença de pequenos membros posteriores. Essa descoberta levantou o debate sobre como seria o ancestral comum de todas as cobras: ele teria patas ou adquiriu a característica e depois perdeu?

Ainda não há uma conclusão definitiva sobre como as cobras perderam seus membros, mas fósseis como o de Haasiophis revelam algo curioso: algumas cobras antigas, mesmo já pertencendo a grupos mais derivados, ainda possuíam patas traseiras relativamente bem desenvolvidas. Com o tempo, essas estruturas foram diminuindo e, em muitas linhagens, deixaram apenas vestígios como os pequenos resquícios encontrados nos pítons atuais, ou desapareceram quase completamente nas espécies mais recentes. Por outro lado, fósseis de espécies mais basais, como Najash rionegrina, mostram que os primeiros representantes das cobras ainda possuíam patas funcionais, bem conectadas ao esqueleto. Isso sugere que a perda completa dos membros ocorreu de forma independente em diferentes momentos da história evolutiva das serpentes.

Diante disso, hipóteses sobre o ancestral comum das cobras e suas características ainda permanecem em constante discussão. No entanto, esses fósseis, com membros bem preservados, ajudam os cientistas a entender melhor a história evolutiva das cobras e como essas mudanças anatômicas aconteceram ao longo do tempo.

Textos fonte: ZAHER, Hussam El Dine e APESTEGUIA, Sebastián. (2009). The anatomy of the upper cretaceous snake Najash rionegrina Apestiguía & Zaher, 2006, and the evolution of limblessness in snakes. Zoological Journal of the Linnean Society, v. 156, p. 801-826, 2009.

Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1096-3642.2009.00511.x e https://doi.org/10.1126/science.287.5460.2010. Acesso em: 16 jun. 2025.

Fonte e legenda da imagem de capa: Naja indiana, uma das cobras venenosas da Índia. KAMALNV. Indian Spectacled Cobra, Naja Naja Family, Part of India’s venomous snake. Wikimedia Commons, 12:51, 25 outubro 2008.

Disponível em:  https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Indiancobra.jpg. Acesso em: 22 abr. 2025.


Texto revisado por: Lucas Rabelo e Alexandre Liparini.

Os mais velhinhos do Brasil, a Ediacara brasileira

Escrito em: 09 de novembro de 2023

Por: Otávio A. Zanon Soares

Aqueles que já sabem o que é a Fauna de Ediacara dificilmente pensarão em algo relacionado ao Brasil, possivelmente o primeiro lugar que virá a cabeça será o Canadá, uma vez que foram achados os primeiros exemplares lá, mas sim, o Brasil também tem seus próprios fósseis de mais de 560 Milhões de anos atrás. E se você ainda não sabe o que é Ediacara, fique tranquilo, pois iremos explicar. 

A fauna de Ediacara nada mais é do que os vestígios mais antigos de animais macrométricos (visíveis a olho nu) que temos até o momento, ou seja, os primeiros animais grandes que passaram pelo nosso planeta, mas apesar de serem animais, muitos deles pareciam mais com plantas, sendo alguns bentônicos (que vivem no fundo do mar), e outros planctônicos (que vivem à deriva na coluna d’água). Tipicamente, os animais dessa época tinham decímetros ou centímetros de tamanho, mas alguns eram “gigantes” durante o período Ediacariano, podendo ter mais de um metro. Outra característica que vale ressaltar é que alguns eram sésseis (que vivem aderidos ao solo, como os atuais corais) e outros já possuíam meios de locomoção, o que nos permite achar alguns rastros ou “pegadas” desses animais, o que chamamos de icnofósseis (registros fósseis de atividade biológica, ou seja, que não é parte do ser vivo).

Certamente não sabemos tanto sobre esses animais quanto sabemos dos famosos dinossauros, uma vez que por serem mais de 200 milhões de anos mais antigos, a preservação desses seres se torna mais difícil. Ainda assim sabemos algumas coisas sobre esses animais, um exemplo disso é que alguns animais constituíam seu esqueleto interno com areia, ao invés de cálcio como no nosso caso. Sabemos que esses que parecem plantas tinham alguns graus de organização interna, uma base da qual se ergue um pedúnculo cilíndrico, que continua em uma haste central, dessa haste saíam ramos que se dividiam em primários, secundários e terciários. Além disso, eles possuíam diferentes aparências.

Teorias surgiram para tentar entender o que de fato eles eram, sendo que uma bem radical dizia que na verdade eram colônias enormes de micróbios, porém, essa teoria não explicava a existências dos fósseis discoides. Atualmente, existe um consenso que esses animais são vários táxons (agrupamento de seres vivos) não relacionados. 

Afinal, o que o Brasil tem haver com esses seres já que eles foram descritos primeiramente no Canadá? Bem, como já dito na frase anterior, primeiramente no Canadá, em 1872, mas outros fósseis desse mesmo período também foram achados em outros lugares do mundo como no Austrália e Rússia, mas somente em 2012 foi publicado um artigo, descrevendo a existência dessa fauna aqui no Brasil, na região noroeste do Ceará em uma cidade chamada Pacujá, e lá foram encontradas cerca de 10 espécies diferentes, sendo que nenhuma delas era inédita.

Ainda há mais o que falar sobre a Fauna de Ediacara, como por exemplo a sua extinção, sua relação com grupos modernos, mas … que tal deixarmos para um outro dia e uma nova história! 

Texto fonte: BARROSO, Francisco Rony Gomes (2012). Fauna de Ediacara na Bacia do Jaibaras, Noroeste do Ceará: a primeira ocorrência no Nordeste do Brasil.

Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/12022 .

Fonte e legenda da imagem de capa: Desenho representativo da Fauna Ediacarana.

Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/12022.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Os primeiros mamíferos sergipanos

Escrito em: 11 de novembro de 2024

Por: Julia Rodrigues Ferreira

Bem, você já sabe que o estado do Sergipe, é muito rico em biodiversidade, possui belas praias, mas e fósseis ? Nesse texto gostaria de contar um pouco sobre isso.
Em meados dos anos noventa, houve a primeira descoberta de fósseis em uma caverna sergipana, quando um grupo de pesquisadores encontraram um dente de tubarão e pequenas vértebras, nesse momento ainda não se imaginava que poderia haver fósseis de mamíferos naquele local. Após alguns anos esse cenário mudou, outro grupo de pesquisadores encontram fósseis de Galea spixii, uma espécie popularmente conhecida como Preá-do-nordeste e outra espécie encontrada foi a Glyptodon clavipes, uma mamífero gigante já extinto e muito parecido com o tatu, essas espécies foram registradas no município de Simão Dias.

Em relação a espécie Glyptodon clavipes pertencente a família Glyptodontinae, eles encontraram um dente molar, com três protuberâncias e com cristas de osteodentina. Os gliptodontes eram animais herbívoros, pastadores e acostumados com ambientes abertos, isso se é confirmado devido a sua dentição. No Brasil ocorrem duas espécies pleistocênicas pertencentes à subfamília Gliptodontinae: Glyptodon clavipes e Glyptodon reticulatus, ambas descritas para achados no Nordeste do Brasil, já em Sergipe, fósseis de G. clavipes foram encontrados no município de Gararu, em um tanque na localidade Fazenda Charco, em associação com outros oito táxons.

Agora sobre a outra espécie de mamífero encontrada a Galea spixii, o fóssil foi um fragmento de dentário direito, contendo parte do incisivo e molar, a Galea possui molares com a coroa dentária bem desenvolvida, além disso a camada de esmalte estar presente em apenas algumas regiões dentárias. Esta família subdivide-se nas subfamílias Caviinae, Dolichotinae e Hydrochoerinae e no Brasil ocorrem dois gêneros pertencentes à subfamília Caviinae: Cavia, com seis espécies, e Galea, com duas espécies, G. musteloides e G. spixii. Sabemos que fósseis desta espécie já foram encontrados na Argentina, Bolívia e Uruguai e também no Brasil foram descritas por Winge em 1888, baseado nos achados de Peter Lund em cavernas de Lagoa Santa (Minas Gerais), sendo atribuídas ao Pleistoceno. Dessa forma, os pesquisadores baseados nas informações que já possuíam e fazendo o diagnósticos das características do fóssil identificado foi atribuído à espécie Galea spixii.

Os materiais coletados, foram formados em momentos diferentes, pois sofreram transporte, ou seja saíram do seu lugar de origem e se depositaram em outro local. Tal fato pode ser explicado pela presença de grandes clastos associados aos ossos cranianos de G. spixii e G. clavipes. Outro ponto importante, é que os pesquisadores não conseguiram realizar o processo de datação, por isso eles atribuíram os fósseis ao período Pleistoceno final Holoceno.

Por fim, o artigo demonstra a importância dos estudos fósseis para a compreensão da biodiversidade geológica do Brasil. Agradecemos sua leitura e esperamos que tenham encontrado informações interessantes.

Texto fonte: DANTAS, Mário André Trindade. (2009). Primeiro registro de fósseis de mamíferos pleistocênicos em caverna de Sergipe, Brasil. Revista Brasileira de Paleontologia, v. 12, n. 2, p. 161–164.

Disponível em: https://www.sbpbrasil.org/revista/edicoes/12_2/Artigo%206%20-%20Dantas.pdf​. Acesso em: 18/04/2025

Fonte e legenda da imagem de capa: Local da descoberta.

Disponível em:https://www.sbpbrasil.org/revista/edicoes/12_2/Artigo%206%20-%20Dantas.pdf. Acesso em: 18/04/2025

Texto revisado por: Giulia Alves e Alexandre Liparini.

A paleontologia por trás da dispersão de sementes no Brasil

Escrito em: 8 de novembro de 2024

Por: Marina Purri de Magalhães

Há 20 mil anos atrás, durante o Pleistoceno, antes de entrarmos na mais recente fase interglacial, havia nas américas uma fauna completamente diferente, a megafauna, um grupo de animais que receberam esse nome por terem uma grande proporção corporal, considerada a partir dos 44kg. A descoberta de fósseis tais como do tigre-dente-de-sabre e  da preguiça gigante fazem parte da história natural brasileira e têm extrema relevância científica e cultural para o  país. Entretanto, apesar de existirem diversas pesquisas sobre esses animais, pouco é falado sobre suas interações ecológicas no passado e como a falta desses seres vivos impactam os dias atuais.

Estudos recentes na área da paleoecologia nos mostram como a extinção dos grandes herbívoros, como as preguiças gigantes e os gonfotérios, “elefantes” de 4 presas, afetam a dispersão de algumas sementes, como as do pequi e do abacate. Sabe-se que esses animais eram dispersores de tais sementes, pois foram encontrados resquícios delas em coprólitos, fezes fossilizadas, desses grandes herbívoros. Além disso, foram efetuados estudos sobre a dentição e a biomecânica dos fósseis, que analisaram como o corpo e especialmente a mandíbula desses animais funcionava, reforçando a hipótese de que as sementes eram ingeridas pelos mesmos. 

Assim, pesquisadores da Unicamp e Unesp iniciaram uma investigação sobre como se dava a dispersão dessas sementes. Para isso desenvolveram um modelo matemático que procura calcular as diferentes fases do processo de dispersão, o que envolve: a quantidade de frutas ingeridas, o tempo de digestão dos frutos  e a distância percorrida pelos animais até que as sementes fossem dispersas pelas fezes. Para chegar nessas extrapolações, o fator mais essencial foi o tamanho dos herbívoros.  Dessa forma, após a modelagem, que levou em conta inúmeros fatores estatísticos para que a pesquisa ficasse o mais confiável possível, foram comparados os resultados da dispersão feita pelos grandes mamíferos extintos com a dispersão do que seriam os maiores frugívoros atuais presentes nos biomas, como as antas encontradas no cerrado. Como resultado foi observado que preguiças gigantes eram capazes de dispersar sementes de 300 até 2,5 mil metros de distância da árvore mãe, os gonfotérios de 500 a 3,5 mil metros, enquanto as antas nos dias atuais dispersam apenas de 200 a 1,4 mil metros, menos da metade da distância percorrida pelos gonfotérios, marcando uma grande diferença. 

Assim, é importante questionar quais são as consequências na flora dos biomas brasileiros após a perda da megafauna e consequentemente da dispersão em larga escala de sementes. Em primeiro lugar, as plantas que possuem sementes muito grandes, como o pequizeiro e abacateiro são diretamente afetadas, pois houve toda uma coevolução entre esses organismos para que uma semente tão grande conseguisse ser dispersada pelo país, de forma que, com a extinção da megafauna, são pouquíssimos animais capazes de ingerir e transportar a semente de frutos tão grandes para que sejam defecadas e germinadas de maneira segura e por grandes distâncias. Isto posto, muitas sementes acabam apenas caindo das árvores ficando próximas da árvore mãe, o que é  menos favorável evolutivamente, colocando as sementes em risco de predação por roedores e outros animais que não mantém a integridade da semente no trato digestivo por conta de seu tamanho diminuto. Além disso, as sementes que conseguem ser ingeridas como no caso das antas acabam não chegando a uma dispersão espacial suficiente, aumentando a competição entre indivíduos da mesma espécie, que estarão muito próximos e afetando a variabilidade genética que a longo prazo prejudica possivelmente a sobrevivência dessas espécies. 

Portanto, os biomas brasileiros sofrem ainda hoje com a perda dos gigantes nativos e é de se esperar que as mudanças climáticas, que afetam os dispersores viventes além de alterar fatores abióticos, como o fluxo de água no Pantanal que permite de certa forma uma maior distribuição das sementes, tornem a situação ainda pior. Por isso, estudos como o relatado acima, que procuram entender a ecologia nos tempos antigos a partir de um casamento com a paleontologia e a matemática, se tornam essenciais também para a conservação, que não pode ser feita de maneira arbitrária, precisando sempre levar em conta a história evolutiva da terra.

Texto fonte: PIRES, Mathias M. et al. (2018). Pleistocene megafaunal extinctions and the functional loss of long‐distance seed‐dispersal services. Ecography, v. 41, n. 1, p. 153-163.

Disponível em: https://nsojournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ecog.03163.

Doi: https://doi.org/10.1111/ecog.03163.

Fonte e legenda da imagem de capa: Desenho de uma preguiça gigante comendo pequi de uma árvore, carregando uma mala com sementes, demonstrando seu trabalho como dispersora de sementes, com o título do texto; “A paleontologia por trás da dispersão de sementes no Brasil”. Ilustração de arquivo pessoal

Texto revisado por: Damiane Mello e Alexandre Liparini.

De Frente Com Fósseis

Escrito em: 06 de Novembro de 2023

Por Clara Pincer

“Fósseis são enigmáticos, pois, mesmo quando completos, revelam apenas parte de
si e de sua história…” (BERGQVIST; PRESTES, 2014). Dizer que a curiosidade
matou o gato é fácil quando o gato não é a gente. A curiosidade pode, muitas vezes,
ser super benéfica no dia a dia, principalmente quando estamos no ambiente
escolar. Crianças e adolescentes são incentivados a buscar conhecimento quando
provocados de alguma forma, e é por isso que os professores devem, sempre que
possível, utilizar uma abordagem investigativa no ensino básico.
A paleontologia é uma área vasta e extremamente interessante, principalmente por
estudar questões da origem e evolução das espécies no nosso planeta, assunto que
desperta interesse em qualquer pessoa. Imaginem só, então, estar cara a cara com
registros fósseis de milhões de anos atrás, que contam, em detalhes, histórias
envolventes sobre os seres vivos que habitaram a Terra no passado?
É justamente esse o intuito de educadores que desenvolveram a ideia de um “Kit
Paleontológico” para o Ensino Fundamental, que permite aos alunos uma imersão
no estudo da paleontologia, bem como na história e a importância por trás de cada
fóssil.
Infelizmente, grande parte das escolas abordam de forma simples ou nem mesmo
trazem essa ciência para a sala de aula. Atualmente, têm surgido propostas de
ensino mais atrativas e com maior interação dos alunos com a paleontologia, como
informática e visitas a museus. Entretanto, apesar de fugirem da famosa e cansativa
aula expositiva, essas abordagens não apresentam uma investigação por parte do
estudante e não garantem completa absorção do conteúdo. O objetivo do uso
desses kits, portanto, é promover uma participação ativa das crianças e/ou
adolescentes com a matéria, além de servir como ferramenta interdisciplinar
futuramente, a fim de mostrar que a paleontologia não é só fósseis de dinossauros.
As réplicas escolhidas para a montagem do kit ilustram a diversidade de fósseis da
bacia fluminense, e as cartilhas descrevem informações científicas, bem como sobre
os fósseis e as bacias sedimentares. Mas você deve estar se perguntando: quando
entra a investigação, então? E eu te respondo: em uma das atividades propostas, os
alunos são desafiados a imaginar e sugerir como era o ambiente onde aqueles
animais, hoje somente fósseis, viveram, identificar o grupo a que pertencem e supor
quais necessidades ecológicas que estes animais podem apresentar. Em outra, os
estudantes são instigados a descobrir qual a idade da bacia com base na
nos fósseis característicos de cada época, por exemplo, Paleoceno.

Dessa forma, estar (literalmente) “De frente com Fósseis” auxilia no
desenvolvimento do raciocínio, proporciona uma interação da turma com o que será
estudado e garante um aprendizado profundo e completo. Afinal, quem não gosta
de colocar em prática aquilo que aprendeu?

Texto fonte: Paglarelli Bergqvist, Lílian; Serodio Prestes, Stella Barbara. (2014). Kit paleontológico: um material didático com abordagem investigativa. Ciência & Educação (Bauru), vol. 20, núm. 2, pp. 345-357.

Disponível em: https://www.scielo.br/j/ciedu/a/HNnWrrYRYkgdCt3yn6Jdmtv/ acessado em 14/04/2025

Fonte e legenda da imagem de capa: imagem de crianças escavando fósseis.

Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/a-arqueologia-infantil-explora-a-pagina-de-destino-dos-desenhos-animados-criancas-brincam-em-arqueologos-trabalham-em-escavacoes-menino-e-menina-cavando-solo-com-pa-explorando-artefatos-com-lupa-banner-web-vetorial_22752846.htm


Texto revisado por: Lucélio Batista e Alexandre Liparini.

Um fóssil exilado: Irritator challengeri e o fardo do colonialismo científico

Escrito em: 12 de abril de 2023

Por: Giulia Alves Viana

Em 1996, foi publicado pelos autores Hans-Dieter Sues, Eberhard Frey, David M. Martill e Diane M. Scott o artigo científico que descreveu pela primeira vez o espinossaurídeo brasileiro Irritator challengeri, caracterizando formalmente o espécime como holótipo.

O fóssil do dinossauro espinossaurídeo Irritator challengeri, encontrado na Formação Romualdo da Bacia do Araripe, no Ceará, é um dos casos mais emblemáticos da exportação irregular de patrimônio paleontológico brasileiro.

Publicado oficialmente em 1996, o artigo que descreveu o animal foi assinado por pesquisadores estrangeiros — Hans-Dieter Sues, Eberhard Frey, David M. Martill e Diane M. Scott — com base em um crânio do animal. No entanto, o fóssil já se encontrava fora do Brasil desde pelo menos 1991, quando foi incorporado à coleção do Museu de História Natural de Stuttgart, na Alemanha.

A princípio, os pesquisadores acreditavam estar lidando com um maniraptor, mas ainda em 1996, o paleontólogo brasileiro Alexander Kellner publicou um artigo em que propôs nova classificação para o fóssil: tratava-se, na verdade, de um espinossaurídeo. A hipótese ganhou força ao se comparar o Irritator com outro espécime encontrado na mesma região, batizado por Kellner de Angaturama limai. Por muito tempo, considerou-se a possibilidade de que os dois fósseis pertencessem ao mesmo indivíduo, o que foi descartado posteriormente — entre outros motivos, porque ambos apresentavam um mesmo dente na mesma posição anatômica.

Apesar do interesse científico despertado pelo fóssil, o caso do Irritator também revela um enredo de violações legais e práticas questionáveis. O crânio havia sido extraído ilegalmente, em condições precárias, e adulterado com gesso e rocha matriz, numa tentativa de torná-lo mais “comercializável” antes de ser vendido a pesquisadores europeus. Essa adulteração, inclusive, causou tamanha frustração à equipe científica que o nome do dinossauro acabou sendo inspirado nessa experiência: Irritator, literalmente “irritante”.

À época da exportação, a legislação brasileira já era clara quanto à proteção dos fósseis. Desde 1942, o Decreto-Lei nº 4.146/42 estabelece que fósseis são bens culturais pertencentes à União, inalienáveis e insuscetíveis de saída do país sem autorização prévia.

Em 1990, a Portaria nº 55, emitida pelo então Ministério da Ciência e Tecnologia, reforçou essas diretrizes, determinando que nenhum holótipo — ou seja, o exemplar que serve de base para a descrição de uma nova espécie — poderia ser levado para fora do território nacional. Ao tratar de espécimes holótipos, o art. 42 da Portaria, declara de forma inequívoca: “O MCT, por intermédio da instituição brasileira co-participante e co-responsável, reterá, do material coletado, para destinação a instituições científicas brasileiras”. O que, por si só, já configuraria a ilegalidade da saída do Irritator do país.

Além disso, o Brasil é signatário da Convenção da UNESCO de 1970, ratificada em território nacional pelo Decreto nº 72.312/73, que promulga a convenção sobre as medidas a serem adotadas para proibir e impedir a importação, exportação e transportação e transferência de propriedade ilícitas dos bens culturais. Embora a Alemanha só tenha ratificado essa Convenção em 2007 — bem depois da entrada do fóssil em seu território — isso não altera o fato de que a exportação violou a legislação brasileira vigente à época. Também não isenta a instituição europeia de responsabilidade, considerando o atual entendimento sobre colonialismo científico e a apropriação de bens naturais de países em desenvolvimento.

Em 2023, a devolução do fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus ao Brasil reacendeu os debates sobre repatriação de fósseis. O retorno foi fruto de intensa mobilização entre a comunidade científica brasileira, entidades governamentais e a sociedade civil, que se engajaram em campanhas públicas como a #UbirajaraBelongsToBR. Desde então, esforços semelhantes têm sido direcionados à repatriação de outros fósseis emblemáticos, entre eles, o próprio Irritator challengeri.

Mais do que uma disputa institucional, trata-se de uma luta pela preservação do patrimônio paleontológico nacional, pela integridade científica e pelo respeito à soberania brasileira sobre seus bens naturais. A experiência com o caso Ubirajara deixou claro que a recuperação desses fósseis não é apenas possível — ela é necessária e urgente.

Texto fonte: Sues, H. D., Frey, E., Martill, D. M., & Scott, D. M. (2002). Irritator challengeri, a spinosaurid (Dinosauria: Theropoda) from the Lower Cretaceous of BrazilJournal of Vertebrate Paleontology22(3), 535–547.

Disponível em: https://doi.org/10.1671/0272-4634(2002)022%5B0535:ICASDT%5D2.0.CO;2.

Doi: 10.4072/rbp.2022.3.04.

Desvendando o mistério de paleotoca escavada por preguiças gigantes em Santa Catarina

Escrito em: 08 de novembro de 2023

Por Millena Vieira Simões de Freitas

Na Formação Taciba, importante unidade litoestratigráfica Eopermiana do Grupo Itararé, localizada no município de Doutor Pedrinho em Santa Catarina é caracterizada pelo predomínio de rochas sedimentares como: arenito, diamictito e fácies heterolíticas que nos dão algumas pistas sobre um passado distante da Terra: 

Os icnofósseis Megaichnus, que consistem em túneis e salões escavados, evidenciam a atividade biológica dos mamíferos que habitaram o planeta há milênios, os Folivora (Megaichnus major) – grupo das conhecidas preguiças gigantes – e Cingulata (Megaichnus minor) – os atuais tatus – que viveram durante os períodos Plioceno e Pleistoceno, compreendidos entre 2,588 milhões e 11,7 milhões (2,588 e 11,7, um número arredondado e o outro não? Padronize isso) mil anos atrás tinham hábitos escavadores e faziam grandes galerias subterrâneas.

A maioria dos Megaichnus está concentrada na região Sul do Brasil, principalmente nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Alguns vestígios também foram encontrados em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Desvendar os segredos desses icnofósseis nos permite viajar para o passado e entender como criaturas como as preguiças gigantes, tatus gigantes (escolha entre gliptodontes ou tatus gigantes, são sinônimos) e tatus atuais deixaram sua marca na Terra. As paleotocas, que são evidências da vida preservadas ao longo do tempo, são verdadeiros tesouros geológicos que nos permitem apreciar a complexidade da vida que já existiu em nosso planeta.

Estes icnofósseis foram esculpidos em saprolitos, que são corpos rochosos soltos e desintegrados no ambiente devido à ação do tempo. Esses saprolitos incluem uma variedade de rochas, como granitos, basaltos, metadiamictitos, metacalcários, siltitos, arenitos e conglomerados. A datação precisa desses icnofósseis tem sido desafiadora, pois nem sempre coincide com a idade das rochas onde estão presentes. No entanto, cientistas na Argentina conseguiram datar Megaichnus pliocênicos em aproximadamente 3 milhões de anos, enquanto no Brasil alguns desses icnofósseis foram associados ao Pleistoceno com cerca de 325 mil anos.

Para tornar esse tesouro paleontológico acessível globalmente, um grupo de cientistas desenvolveu um aplicativo de Realidade Virtual (RV) disponível para smartphones Android com giroscópio e óculos de RV. Esse aplicativo permite explorar virtualmente o interior das paleotocas, percorrendo seus túneis elípticos, galerias transversais e crotovinas (paleotoca preenchidas por sedimentos). Os Modelos Digitais Tridimensionais não apenas preservam digitalmente as paleotocas, mas também desempenham um papel importante na divulgação científica e educacional.

Através do site Sketchfab é possível visualizar dois modelos da paleotoca: o túnel E (GoPro) em https://skfb.ly/6RYyn e túnel E (Nikon D60) em https://skfb.ly/ooprJ. O aplicativo de RV pode ser baixado em https://archive.org/details/paleotoca-doutor-pedrinho-go-pro para embarcar em uma jornada única para explorar as emaranhadas escavações deixadas pelas preguiças gigantes. Essa tecnologia avançada não apenas preserva digitalmente esses registros fósseis, mas também democratiza o acesso ao conhecimento paleontológico. A preservação digital e a disseminação do conhecimento são os fundamentos desse estudo, proporcionando uma oportunidade única para cientistas, estudantes e entusiastas explorarem as paleotocas das preguiças gigantes do pleistoceno. Embarque nessa jornada virtual para desvendar os mistérios do passado e se conectar com as maravilhas que a Terra já abrigou. 

Texto fonte: Audi, C., Meyer, D., Tan Tjui-Yeuw, Kleber Barrionuevo Baraldo, Jesica Daniela Fey, Natalie Fernandes Spanghero, Marcelo Schereiber Munhoz, Júlio, B., & Francisco Sekiguchi Buchmann. (2022). Fotogrametria de um icnofóssil escavado por preguiças-gigantes (Megaichnus major). Revista Brasileira De Paleontologia, v. 25, n. 3, p. 208–218, 26 nov.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/306/125.

Doi: 10.4072/rbp.2022.3.04.

Fonte e legenda da imagem de capa: Captura gerada através do modelo de Realidade Vitural gerado no site Sketchfab: Paleotoca de Doutor Pedrinho (SC). Modelo digital tridimensional do Túnel E.

Disponível em: https://sketchfab.com/3d-models/paleotoca-3d-727a5400ce29415a94757eb06bfeebcd.

Texto revisado por: Damiane Mello, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.