Novela do Cretáceo ganha novo capítulo!

Escrito em: 25 de março de 2024

Por Pedro Henrique Lima dos Santos

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

O paleontólogo Paul Sereno e sua equipe, publicaram em 2022 um estudo no qual contesta a hipótese de que o Spinosaurus fosse um animal de hábitos aquáticos, como proposto pelo paleontólogo Nizar Ibrahim e seus colaboradores em um estudo de 2020. Essa discussão é importante pois nos ajuda a entender a evolução dos dinossauros, e sua adaptação em ambientes aquáticos.

Este grande terópode carnívoro, pertencente à família Spinosauridae, habitou nosso planeta durante o período Cretáceo, entre aproximadamente 99 e 93,5 milhões de anos atrás. Esse dinossauro é reconhecido pela presença marcante de uma estrutura óssea, similar a uma vela em suas costas, além de sua aparição no filme Jurassic Park 3.

Em 2020, o pesquisador Nizar e sua equipe propuseram ao mundo que o Spinosaurus seria o primeiro dinossauro a possuir hábitos totalmente aquáticos. No estudo, sugeriu que esses animais habitavam ambientes marinhos, costeiros ou de águas profundas, sendo excelentes nadadores e mergulhadores, destacando como um dos principais argumentos a densidade óssea do Spinosaurus.

Entretanto, o estudo mais recente de Paul e seus colegas refuta essa hipótese, afirmando que, na realidade, o Spinosaurus não seria um bom nadador, sendo inclusive incapaz de mergulhar profundamente. Segundo Paul e colaboradores, o Spinosaurus seria um animal de hábitos predominantemente terrestres, ocasionalmente frequentando ambientes semiaquáticos, onde poderia nadar apenas em áreas mais rasas. Além disso, apontam que a densidade óssea desse animal pode variar dependendo da parte do osso analisada, afirmam também  que o estudo apresentado por Nizar e colaboradores possui vários erros. 

Agora nos resta aguardar os próximos capítulos dessa novela do Cretáceo sem Era marcada para terminar!

Texto fonte:  Paul C Sereno , Nathan Myhrvold, Donald M Henderson , Frank E Fish, Daniel Vidal, Stephane L Baumgart, Tyler M Keillor, Kiersten K Formoso,Laurem L Conroy. (2022). Spinosaurus is not an aquatic dinosaur. eLife ,30 de Novembro de 2022 , Sereno et al . eLife 2022,11e80092.

Disponível em: https://doi.org/10.7554/elife.80092

Fonte e legenda da imagem de capa:  A imagem apresenta o Spinosaurus em um ambiente de águas profundas, algo próximo a teoria de Ibrahim.

Disponível em: https://www.reddit.com/r/Paleontology/comments/1jz5rji/could_spinosaurus_swim_the_fierce_dinosaur/?show=original. Créditos: David Bonadonna.


Texto revisado por: Gabriel Félix Diório, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Qual é a origem dos camaleões

Escrito em: 24 de março de 2024

Por: Octavio Augusto Greco

Camaleões são animais fascinantes, com estilos de vida que variam de arbóreos a terrestres, habitando desde matas fechadas até savanas abertas, e distribuídos da África à Ásia e Europa. No entanto, são um grupo que deixa pouquíssimos registros fósseis, o que torna muito difícil sua caracterização e o estudo de sua história evolutiva. Por exemplo, até o momento, não há registros dos primeiros ancestrais da família. Dessa forma, investigar seu desenvolvimento e dispersão é uma tarefa bastante complexa.

Como, então, isso pode ser feito, já que não há evidências fósseis abundantes para confirmar hipóteses? Para esse estudo, foram realizadas análises do DNA mitocondrial desses animais, com foco em traços evolutivos que indicam uma certa cronologia, comparando esses dados com a biogeografia histórica e atual.

Os camaleões estão distribuídos na África, Europa e Ásia, predominando na África continental e em Madagascar. Acredita-se que o táxon tenha surgido em uma dessas regiões. Uma das questões levantadas é como ocorreu a dispersão entre esses dois locais, considerando que a origem do grupo teria acontecido após a separação de Gondwana, e que as diferenças genéticas entre as espécies desses locais datam de aproximadamente 50 a 90 milhões de anos. A principal conclusão é que houve uma dispersão oceânica da África para Madagascar, hipótese sustentada por estudos das correntes marítimas da época, além do fato de que seu grupo-irmão é encontrado apenas no território continental.

Pode ser, no entanto, que uma população mais antiga desse grupo tenha existido em Madagascar e sido posteriormente extinta. Nesse caso, não temos os indivíduos viventes, para recontar essa história através do DNA e também  não teríamos (ainda) os fósseis, que corroborem essa possibilidade.

Posteriormente, a dispersão para a Ásia e Europa teria ocorrido, com as espécies alcançando e se diversificando nessas regiões há aproximadamente 10 milhões de anos.

Como se pode observar, a família Chamaeleonidae é relativamente recente, especialmente quando comparada a outros grupos de répteis. Esse caso evidencia a importância da vicariância e da dispersão oceânica na evolução e no povoamento das espécies — neste caso, superando a distância média de cerca de 1000 km que separa Madagascar do continente africano.

Texto fonte: Tolley, K; Townsend, T (2013). Large-scale phylogeny of chameleons suggests African origins and Eocene diversification. Proceedings of the Royal Society, v. 280 issue 1759.

Disponivel em: https://royalsocietypublishing.org/doi/full/10.1098/rspb.2013.0184#d1e225 acessado em 24/03/2024.

Doi: https://doi.org/10.1098/rspb.2013.0184.

Fonte e legenda da imagem de capa: Imagem explicitando a evolução da família. Em azul espécies de Madagascar, em verde da África, em roxo da Ásia e em rosa da Europa, laranja Seychelles e  verde-lima Socotra.

Disponivel em: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2013.0184.

Paleotocas Megaichnus major

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por:  Lara Karoline Silva Cardoso

As preguiças-gigantes são mamíferos extintos que habitaram a América do Sul durante o Plioceno e o Pleistoceno. Esses animais pertencem à ordem Cingulata, assim como os tatus atuais, e foram responsáveis pela criação das chamadas paleotocas do icnogênero Megaichnus, definidas como túneis e salões formados pela escavação de rochas que já estavam alteradas. Dessa forma, os Megaichnus representam uma evidência fóssil das atividades desses gigantescos animais passados.  

Nas paleotocas estão registradas as marcas deixadas pelas preguiças-gigantes, além de serem locais que possuem entradas e saídas, pois eram utilizadas como abrigo. Além disso, por meio da análise da extensão das paleotocas é possível até mesmo diferenciar as que foram escavadas por preguiças-gigantes, Megaichnus major, e aquelas que foram por tatus-gigantes, Megaichnus minor. É importante evidenciar que a maior parte dos Megaichnus estão localizados na região sul do Brasil, principalmente em Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). Porém, é difícil determinar suas idades exatas, visto que não há relação entre a época de construção desses abrigos e a idade das rochas locais, contudo, alguns Megaichnus encontrados no Brasil datam do Pleistoceno, por volta de 325 mil anos.  

As paleotocas são locais instáveis para visitação, mas então como preservar e ao mesmo tempo ser acessível ao público? Para resolver isso foram criados Modelos Digitais Tridimensionais (M3D) de Megaichnus major em Doutor Pedrinho, município localizado no Estado de Santa Catarina. Dessa forma, é possível conhecer e estudar estes icnofósseis de maneira virtual, sem necessariamente ir ao local em que eles se encontram, possibilitando a ampliação do conhecimento àqueles que têm interesse de visitar o ambiente, além de que, segundo o artigo de Caroline et al. (2022) “O M3D possibilita a visualização interativa e novas possibilidades de aprendizagem, pois essa ferramenta permite fácil acesso por meio da internet e diferentes maneiras de manuseio, como girar e ampliar detalhes”. 

Dessa maneira, foi feito o mapeamento do Megaichnus major em Doutor Pedrinho, por meio da realização das medidas das dimensões dos túneis e salões, e dos levantamentos fotogramétricos, a fim de garantir uma visão detalhada das marcas deixadas pelas preguiças-gigantes e então elaborando um banco digital de dados, executado no Laboratório de Estratigrafia e Paleontologia (LEP), da UNESP, para organizar as informações que foram retiradas e, a partir disso, criar o M3D.

Posteriormente, ele foi transformado em um aplicativo de Realidade Virtual que seria acessível ao público. Por fim, a paleotoca estudada foi escavada em arenitos do Grupo Itararé e por preguiças-gigantes da família Mylodontidae, mas também houve presença de outros tipos de seres vivos, devido à alternância do tamanho dos túneis. Além disso, o processo de pesquisa realizado tornou público a visualização detalhada desse local por meio do M3D, fazendo com que esse conhecimento paleontológico pudesse ser ampliado visando atingir o maior número possível de pessoas.

Texto fonte: AUDI, C.; MEYER, D.; TJUI YEUW, T.; BARALDO, K. B.; FEY, J. D.; SPANGHERO, N. F.; MUNHOZ, M. S.; OLIVEIRA, B. J. de; BUCHMANN, F. S. (2022). Fotogrametria de um icnofóssil escavado por preguiças-gigantes (Megaichnus major). Revista Brasileira de Paleontologia, [S. l.], v. 25, n. 3, p. 208–218.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/306. Acesso em: 4 apr. 2024.

DOI: 10.4072/rbp.2022.3.04.

Fonte e legenda da imagem de capa: Ilustração de como ocorre o processo de escavação na rocha para gerar a paleotoca.

Disponível em: Extraída do site GZH.

Asas do passado: nova espécie-fóssil de Neuroptera descoberta!

Escrito em: 28 de março de 2024

Por: Maria Eduarda Manini Soutelo

Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

Dentre os organismos no chamado Reino Animal, o grupo dos insetos é um dos maiores e mais diversos! Eles possuem enorme importância para a vida como conhecemos no planeta, seja pelos serviços ecossistêmicos que eles desempenham – como a polinização – ou por seu papel na transmissão de doenças, por suas interações com plantas e outros organismos, entre outros aspectos. Sua grande biodiversidade inclui diversos subgrupos, chamadas ordens, dentre elas a ordem Neuroptera.

A ordem Neuroptera é bastante diversa e conhecida por seus membros terem asas transparentes. Dentro desse grupo, temos uma família já extinta muito famosa: Kalligrammatidae, que habitou o planeta na Era Mesozoico, mais de 170 milhões de anos atrás! Essa família se destaca por incluir alguns dos maiores neuroptera que já existiram, havendo estimativas de espécies que podem ter atingido até 16 cm de comprimento de asa! Além disso, uma característica interessante desses insetos é a presença de ocelos, que são manchas arredondadas, nas asas.

Em 2021, foi publicado, na revista Cretaceous Research, um artigo dos pesquisadores Renato J.P. Machado, André V.L. Freitas e Guilherme C. Ribeiro, em que se descrevia uma nova espécie de Kalligrammatidae. O fóssil em que se baseia essa pesquisa foi encontrado na Formação Crato, um paleoambiente importante localizado no nordeste do Brasil. A partir dele, os autores caracterizaram uma nova espécie – com o nome Makarkinia irmae – e analisaram suas relações evolutivas dentro dessa família. Além disso, foi discutida a questão da presença do ocelo na asa posterior desse inseto, comparando com o conhecimento que temos sobre os lepidópteros atuais: borboletas e mariposas.

Dentro da ordem Neuroptera, o único outro grupo conhecido que compartilha a presença de ocelos nas asas é um gênero vivo muito raro: Pseudimares! Por isso, é comum que os Kalligrammatidae sejam comparados com o grupo das borboletas, que é conhecido por ter essa mesma característica. Os autores concordam com a hipótese de evolução paralela com a ordem Lepidoptera, em que ambos os grupos alcançaram de forma independente caracteres parecidos. Porém, na maioria das borboletas diurnas, como a família Satyrinae, os ocelos são pequenos e localizados na borda das asas. Os ocelos em Kalligrammatidae são maiores e centralizados, como ocorre em muitas mariposas noturnas, por exemplo a família Saturniidae.

Assim, no artigo é apresentado que os integrantes de Kalligrammatidae eram, na verdade, ecologicamente convergentes com mariposas. Ou seja, eles independentemente foram selecionados de acordo com certas características, sendo noturnos e usando os ocelos para evitar a predação, provavelmente de pterossauros! Entre os Neuroptera, aquele único grupo que apresenta ocelos – o inseto do gênero Pseudimares – é noturno, reforçando essa teoria!

Essa é uma descoberta importante que contribui para o conhecimento que temos da família extinta Kalligrammatidae, tanto em relação à sua divisão em subgrupos quanto relativo à ecologia desses insetos. Além disso, essa pesquisa enriquece nossa compreensão da relação desses animais extintos com a época e o local em que eles existiram!

Texto fonte: Renato J.P. Machado, André V.L. Freitas, Guilherme C. Ribeiro. (2021). A new giant species of the remarkable extinct family Kalligrammatidae (Insecta: Neuroptera) from the Lower Cretaceous Crato Formation of Brazil. Cretaceous Research, Volume 120. 104724, ISSN 0195-6671.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195667120304110?via%3Dihub.

Legenda da imagem de capa: Fotografia do fóssil encontrado, usado para descrever a espécie ‘Markakinia irmae’.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0195667120304110?via%3Dihub.

Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini.

Fungos Nas Florestas de Âmbar no Norte Europeu

Escrito em: 3 de abril de 2024

Por: Anderson Luiz Magalhães Júnior

Quando se pensa nos fósseis preservados em âmbar, geralmente vem à mente aquela típica imagem do mosquito em resina que é mostrada no filme Jurassic Park, porém outras espécies de organismos também podem ser preservados, como flores, aranhas e fungos. Infelizmente, é muito raro que os fungos e materiais fúngicos sejam preservados no âmbar, geralmente quando se tem esses fósseis são de fungos microscópicos como ascomicetos, tendo poucos achados dos fungos macroscópicos.

Primeiramente, o que é o âmbar? Cerca de 24 a 47 milhões de anos atrás, em algumas regiões da Alemanha (Báltico e Bitterfeld), provavelmente devido a condições climáticas favoráveis, se desenvolveram  grandes florestas de árvores  que armazenavam quantidades significativas de uma resina amarelada. Essa resina pegajosa permitia a conservação de organismos que ficassem presos a ela, os protegendo de ações de predadores e decompositores, quando ela atinge mais de 40 mil anos ela é chamada de âmbar. Assim, essas regiões ficaram conhecidas como florestas de âmbar, podendo ser caracterizadas pelas suas condições geológicas e taxonômicas  que permitiram a fossilização de tais organismos.

Como foi abordado anteriormente, existe uma vasta gama de organismos que podem estar preservados no âmbar, esse processo pode ocorrer de duas formas, a primeira consiste quando o ser vivo é preso na resina fresca que é muito pegajosa e vai sendo expelida aos poucos, formando camadas onde o material biológico é aprisionado. A segunda forma de inclusão ocorre quando uma generosa quantia de resina líquida desce pela árvore ou escorre até o chão e pode ocasionalmente preencher cavidades ou aprisionar material biológico nesse trajeto, inclusive fungos.

Grande parte das inclusões não são facilmente visíveis, como no caso dos microfungos que necessitam de muita técnica e experiência para serem estudados. O âmbar geralmente é coberto por uma crosta que impede a visualização, então é necessário que essa crosta seja removida, de forma que os processos de desgaste utilizados geralmente se dão por lixamento ou por uma abrasão especial que utiliza de um tambor rotativo, onde há o desgaste por areia e água facilitando a observação do material. Caso algum organismo  importante seja detectado, esse âmbar poderá ser estudado com diferentes técnicas.

 Apesar do âmbar ser uma ótima ferramenta para a visualização de seres que não costumam ser encontrados fossilizados, a inclusão de fungos maiores nessa resina é muito improvável , devido ao seu curto ciclo de vida e tamanho, logo são necessárias condições muito específicas de inclusão, como uma quantia suficiente de resina para cobrir esses fungos durante um limitado período de tempo antes de iniciar a sua decomposição que ocorre rapidamente. Outro fator limitante é que grande parte da produção da resina acontecia no início da estação chuvosa enquanto que os macrofungos se desenvolviam no final, de forma que os microfungos, principalmente os ascomicetos (líquenes), não eram afetados.

Finalmente, acerca dos ascomicetos encontrados, pode se constatar que houve uma explosão de diversificação de liquens no norte europeu entre 23-66 milhões de anos. O que de fato permitiu essa diversificação ainda não é bem compreendido, mas provavelmente pode ter sido por fatores climáticos, como clima temperado subtropical e também pela diversidade na densidade de vegetação e na estrutura das cascas mais grossas das árvores produtoras de âmbar.

Texto fonte: Hans Halbwachs.(2020). Fungi in amber forests of northern Europe, Field Mycology, Volume 21, Issue 1, Pages 18-24,

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1468164120300086.

Doi: https://doi.org/10.1016/j.fldmyc.2020.01.007.

Fonte e legenda da imagem de capa: Fotos de uma inclusão de um fungo em Âmbar Báltico.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1468164120300086.

Texto revisado por: Marina Purri, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Quem protege os fósseis no Brasil?

Escrito em: 03 de março de 2024

Por: Caju

Os fósseis são restos, impressões ou vestígios de organismos que viveram no passado geológico da Terra e foram preservados em rochas sedimentares ou em outros materiais, como âmbar (resina de árvore) e gelo. Seu estudo é fundamental para compreender a evolução da vida, os processos geológicos e a formação dos ecossistemas. Atualmente, as pesquisas ultrapassam os limites das geociências e alcançam também áreas como física, química e medicina, o que ressalta ainda mais a importância de sua preservação.

A primeira lei a assegurar a proteção dos depósitos fossilíferos no Brasil foi o Decreto-Lei nº 4.146, de 4 de março de 1942, que estabelece que os fósseis pertencem à União e são de responsabilidade do então Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), atual Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia desde 2017. No entanto, apenas em 2014, por meio da Portaria DNPM nº 542, foram estabelecidos os critérios para a extração de fósseis, bem como os responsáveis por tal atividade:

  1. A extração só pode ser feita com autorização prévia do DNPM (atual ANM);
  2. É permitida apenas para fins relacionados a projetos técnicos de salvamento paleontológico ou projetos científicos e atividades de caráter científico, técnico ou didático, destinados a museus e universidades públicas ou subsidiadas pelo Governo;
  3. É proibida a venda de fósseis.

Apesar dessas diretrizes, estudos apontam uma preocupante situação de perda do patrimônio fossilífero brasileiro: mais da metade dos holótipos (material que serve para definir espécies novas) encontra-se depositada fora do país, e 64,5% dessas espécies foram descritas por estrangeiros. Há registros de fósseis brasileiros sendo vendidos ilegalmente em leilões internacionais e expostos em museus estrangeiros, contribuindo para o mercado ilegal conhecido como paleopirataria. A normatização recente no Brasil, por sua vez, agrava o problema, ao deixar muitos depósitos fossilíferos vulneráveis à destruição — especialmente em razão da atividade mineradora.

Do ponto de vista jurídico, os fósseis são considerados patrimônio cultural, nos termos do artigo 216 da Constituição Federal de 1988, que define esse patrimônio como:

“bens de natureza material ou imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.”

Entretanto, como demonstrado, a realidade da perda científica contrasta com esse reconhecimento legal. Dessa forma, diversos órgãos — inclusive internacionais — atuam em defesa da preservação paleontológica, como o IPHAN, a UNESCO e o SIGEP. Entre as propostas já implementadas, destacam-se:

  1. A criação de Geoparques (2004), que propõe a identificação de sítios geológicos ao redor do mundo, caracterizando-os como áreas de proteção e valorização de recursos geológicos;
  2. A criação da Comissão Brasileira dos Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP), cuja principal atribuição é apoiar o gerenciamento de um banco de dados nacional de geossítios.

Diante desse cenário, torna-se evidente a importância da atuação dos órgãos responsáveis e das legislações já existentes, mas também a necessidade urgente de novas normativas específicas. A ausência de uma legislação própria sobre o tema incentiva a paleopirataria e dificulta a responsabilização dos infratores.

Para conhecer outros regimentos legais sobre fósseis e os órgãos envolvidos na proteção do patrimônio paleontológico, recomenda-se a leitura do artigo “Os Fósseis Além da Paleontologia – Uma Questão Jurídica”, disponível na Revista da Academia de Ciências do Piauí:
🔗 https://periodicos.ufpi.br/index.php/acipi/article/view/1745/1576
Ou ainda, o site da Sociedade Brasileira de Paleontologia:
🔗 https://sbpbrasil.org/legislacao-brasileira/


Palavras-chave: ANM, DNPM, FOSSIL, LEGISLACAO, PALEOPIRATARIA, GEOSSITIOS

Disponível em: PIRES, Juliana Nunes. Imagem ilustrativa de fóssil. Canva, 2025. Disponível em: https://www.canva.com/design/DAGA_5KEKGE/jWMBbMNr7ViazGh7McnhDw/edit. Acesso em: 30 maio 2025.

Texto fonte: OLIVEIRA, Paulo Victor de, VIANA, Maria Somália Sales, GONÇALVES, Yana de Moura. (2022). Os Fósseis Além da Paleontologia – Uma Questão Jurídica. Revista da Academia de Ciências do Piauí, Volume 3, Número 3, p.197-210, Janeiro/Junho 2022. ISSN: 2675-9748.

Disponível em: https://periodicos.ufpi.br/index.php/acipi/article/view/1745/1576 acessado em: 20/03/2024).

DOI:10.29327/261865.3.3-13.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução do ”Ubirajara Jubatus” em vida. Um dos fósseis brasileiros contrabandeados.

Texto revisado por: Giulia Alves.

Desvendando o Passado: Uma Jornada Paleoecológica pela Fauna de Insetos do Cretáceo

Escrito em: 21 de março de 2024

Por: Jéssica da Silva Nobre

Por volta de 480 milhões de anos atrás, no período Ordoviciano, as plantas começaram a se aventurar pela terra firme, abrindo caminho para um mundo totalmente novo no qual os insetos puderam prosperar. Mesmo com mudanças nas condições climáticas globais e eventos de extinção em massa, as ordens sobreviventes foram capazes de evoluir e de se diversificar para o que são essencialmente as ordens que conhecemos hoje. No entanto, foi somente durante o Cretáceo que essa diversificação se deu de forma significativa. Novos grupos de insetos com papéis cruciais nas interações ecológicas surgiram, os polinizadores, tudo graças a algo que chamamos de co-evolução. Vespas, formigas, abelhas, borboletas e besouros, evoluíram lado a lado com as flores, ajudando-as a se reproduzirem e se dispersarem pelo mundo em troca de abrigo, locais de oviposição e alimento.

Em um estudo de 2024, geólogos brasileiros buscaram esclarecer o cenário paleoecológico da fauna de insetos da Formação Crato no Brasil, na região de Nova Olinda. Localizada na Bacia do Araripe, no Nordeste, é uma formação geológica datada do Cretáceo Inferior (Aptiano) que conserva grande riqueza paleontológica, seja de vertebrados, invertebrados ou plantas. Seus sítios fossilíferos chamam a atenção de pesquisadores, principalmente por apresentarem ocorrências do tipo Lagerstätte: depósitos sedimentares com uma ampla gama de condições geológicas capazes de conservar até mesmo tecidos moles. É composta por formações  de rochas siliciclásticas e rochas carbonáticas, nas quais se destacam calcários laminados de diferentes tonalidades.

Os pesquisadores examinaram cerca de 1135 espécies de insetos fósseis agrupados em 55 famílias. A coleção está sob os cuidados do Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e inclui insetos encontrados em calcários cinza-escuro e amarelo-claro. Como resultado, descobriu-se que os insetos terrestres eram mais comuns do que os insetos aquáticos e semiaquáticos. Surpreendentemente, muitas das famílias de insetos foram encontradas em ambos os tipos de rochas, sugerindo que a diversidade de insetos não sofreu grandes flutuações ao longo do tempo.

Além disso, observou-se que as rochas amarelo-claro indicam períodos mais úmidos, com mais insetos aquáticos e semiaquáticos. Isso sugere que essas rochas foram formadas durante inundações ou durante o surgimento de zonas úmidas e pântanos. Já a maioria das famílias de insetos registradas nos calcários cinza-escuro representam indivíduos terrestres associados a áreas de vegetação arbórea ou arbustiva. Evidências de interações inseto-planta também foram encontradas neste sítio.

Ao examinar a preservação dos insetos, descobriu-se que, nas rochas cinza-escuro, a proporção de fósseis desarticulados (com partes do corpo soltas) era maior. Isso nos faz pensar que esses insetos podem não ser originários do local de onde foram encontrados, podendo ter sido levados para o lago depois de morrerem em terra, por exemplo. Isso também pode ter ocorrido devido a processos físicos e bioquímicos atuantes sobre os sedimentos após a deposição. Já nas rochas amarelo-claro, a proporção de insetos totalmente articulados era maior. 

Considerando a literatura taxonômica, o número de espécies dentro dos paleópteros (libélulas, donzelinhas e efêmeras) é maior na paleoentomofauna do Crato do que em outras formações do Cretáceo Inferior. Já para o número de espécies descritas de besouros e vespas, observa-se o contrário, mas ainda não se sabe bem o porquê.

Texto fonte: IRINEUDO Bezerra, Francisco; MENDES, Márcio. (2024). A palaeoecological analysis of the Cretaceous (Aptian) insect fauna of the Crato Formation, Brazil. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology , [s. l.], v. 641, ISSN 0031-0182, 2024.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018224001238?via%3Dihub.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.palaeo.2024.112134.

Fonte e legenda da imagem de capa: Exemplos de diferentes insetos do Crato em calcários amarelos-claros (A, B e C) e cinza-escuro (D, E e F). A: Larva de Nothomacromiidae ; B: Mesoblattinidae ; C: Gryllidae tegmina; D: Blattodea; E: Blattullidae e F: Orthoptera. Todas as barras de escala = 1 cm.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018224001238?via%3Dihub.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Titã da Patagônia: Patagotitan mayorum, o maior dinossauro do mundo

Escrito em: 24 de março de 2024

Por Lívia Maria Alves Ferreira

No mundo dos dinossauros titânicos, uma nova descoberta está revelando segredos sobre os titanossauros, um grupo de saurópodes gigantes que surgiram há cerca de 150 milhões de anos. Um estudo de 2017 chamado “A new giant titanosaur sheds light on body mass evolution among sauropod dinosaurs” trouxe uma revelação sobre esses gigantes pré-históricos. Os pesquisadores encontraram um novo titanossauro gigante na região da Patagônia, que viveu entre 113 e 83,6 milhões de anos atrás. Este titanossauro representa o maior aumento de massa corporal já registrado entre os dinossauros desse grupo.

Dentro do grupo dos titanossauros, já foi observada uma grande variação de tamanhos corporais, desde os maiores, pesando mais de 60 toneladas, até os menores, com cerca de 6 toneladas. Essas mudanças de tamanho ao longo do tempo nos ajudam a entender como esses dinossauros evoluíram e se adaptaram ao seu ambiente ao longo dos anos.

Os fósseis deste novo titanossauro foram encontrados na região argentina da Patagônia, na área da fazenda ‘La Flecha’ da família Mayo, e por isso, a espécie identificada recebeu o nome de ‘Patagotitan mayorum‘. Estudos estimam que esses animais poderiam pesar até 69 toneladas, o que os torna um dos maiores dinossauros já descobertos.

Além disso, outros grupos de titanossauros, como Dreadnoughtus e Alamosaurus, também aumentaram significativamente de tamanho ao longo do tempo, embora não tenham atingido as proporções gigantescas do Patagotitan. Por outro lado, algumas linhagens de dinossauros diminuíram de tamanho ao longo da evolução, incluindo os Rinconsauria e algumas linhagens dentro de Lithostrotia, possivelmente devido a eventos de nanismo.
Essas descobertas nos ajudam a entender melhor a diversidade e evolução dos titanossauros, revelando histórias sobre o passado distante da Terra e os gigantes que uma vez dominaram o nosso planeta.

Texto fonte: Carballido José L., Pol Diego, Otero Alejandro, Cerda Ignacio A., Salgado Leonardo, Garrido Alberto C., Ramezani Jahandar, Cúneo Néstor R. and Krause Javier M. (2017). A new giant titanosaur sheds light on body mass evolution among sauropod dinosaurs. Proc. R. Soc. B.2842017121920171219 http://doi.org/10.1098/rspb.2017.1219 volume: 284 número: 1860.

Disponível em: https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2017.1219.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução de um Patagotitan comparado com um ser humano.

Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/ea/Patagotitan_restoration_2019.png/640px-Patagotitan_restoration_2019.png acesso em 26/05/2025.

Texto revisado por: Lucélio Batista, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.

Descoberta de Fósseis Revela Novas Informações Sobre a Evolução das Aves

Escrito em: 4 de novembro de 2023

Por Ana Laura Mendes N. da Silva

Imagine um mundo pré-histórico onde aves antigas vagavam pela Terra. Agora, graças a descobertas recentes, estamos desvendando segredos fascinantes sobre a evolução dessas criaturas aladas. Vamos explorar o que os cientistas descobriram sobre os ossos do palato em aves ancestrais e como isso afeta nossa compreensão da história das aves.

As aves são classificadas em duas categorias principais: Neognathae e Palaeognathae. As aves Neognathae, grupo que comporta  a maioria das aves que temos hoje. Elas possuem o céu da boca (palato) mais flexível e crânio mais móvel. Já as aves Palaeognathae têm crânios mais rígidos, com alguns ossos fundidos em um só elemento. Neste grupo temos animais como o avestruz, a ema e o casuar.. Essa condição é considerada ancestral para as aves modernas, conhecidas como Neornithes.

Recentemente, os paleontologistas fizeram uma descoberta impressionante. Eles encontraram fósseis de uma ave dentada do final do período Cretáceo que possuía um pterigóide muito semelhante ao das aves aquáticas e terrestres existentes, um grupo chamado Galloanserae. Essa ave foi chamada de Janavis finalidens. Em termos gerais, Janavisem se assemelha à conhecida ave mesozoica chamada Ichthyornis, mas Janavis itálico  é muito maior e tem uma estrutura pós-craniana mais pneumática, o que significa que  seus ossos eram mais leves e aerados, semelhantes aos ossos pneumáticos das aves modernas.

Essa descoberta é significativa porque Janavis representa o primeiro membro bem preservado do grupo Ichthyornithes, além de Ichthyornis itálico , e confirma a existência desse grupo no final do período Cretáceo. Além disso, Janavis sugere que aves não coroadas do Mesozoico tinham um palato semelhante ao das aves coroadas atuais, conhecidas como Galloanserae.

Os cientistas há muito tempo usam a estrutura do palato para classificar aves vivas. Isso levou à identificação de dois grupos principais de aves coroadas: Palaeognathae, que significa “mandíbulas antigas,” e Neognathae, que significa “mandíbulas modernas.” Os paleognatos têm os ossos do palato fusionados e rígidos e possuem uma estrutura óssea (basipterigóides) alongada que dá suporte ao palatino fusionado. Por outro lado, os neognatos têm ossos separados e móveis  e em sua maioria não tem basipterigóides, que quando existem são bem pequenos. 

No entanto, a escassez de fósseis que contenham ossos delicados do palato das primeiras aves coroadas e dos avialans mesozoicos que estavam se aproximando das aves coroadas tornou difícil avaliar diretamente se o palato ancestral das aves coroadas era paleognático. É como tentar montar um quebra cabeça com muitas peças faltando. A descoberta do pterigóide tridimensionalmente preservado de Janavis, um parente de Ichthyornis, preenche uma das poucas lacunas em nossa compreensão, ajudando  a montar este quebra cabeça. Janavis se destaca por sua pneumaticidade mais acentuada (ossos mais aerados) nas vértebras torácicas e costelas, revelando grandes aberturas pneumáticas nas vértebras e tubérculos fenestrados.

Embora o material craniano de Janavis seja limitado, a descoberta desse fóssil nos ajuda a entender melhor a evolução das aves e como seus palatos desempenharam um papel crucial na classificação e na adaptação das espécies ao longo do tempo. Cada nova descoberta nos aproxima um pouco mais de desvendar os mistérios do passado e entender as criaturas que habitaram a Terra antes de nós.

Texto fonte:  Benito, J., Kuo, PC., Widrig, KE et al. (2022). A orniturina do Cretáceo sustenta um ancestral neognato da ave-coroa. Nature 612 , 100–105 .

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-022-05445-y . Acessado em: 04/11/2023.

DOI: https://doi.org/10.1038/s41586-022-05445-y. 

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução do esqueleto de: J. finalidens (NHMM RD 271).

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-022-05445-y . Acessado em: 04/11/2023.

Texto revisado por: Ana Damiane Mello e Alexandre Liparini.

Dentes Escondidos? A descoberta sobre os lábios do T-Rex

Escrito em: 07 de novembro de 2023

Por: Pedro Henrique Vicente Pereira Trindade

Desde o início da era do cinema, os dinossauros têm sido representados na tela, com o avanço das tecnologias e dos estudos paleontológicos, sua aparição tornou-se mais frequente, especialmente no século XX, com filmes como “The Lost World” e “Jurassic Park”. Estas produções destacavam o Tiranossauro rex, tornando-o o terópode mais reconhecido pelo público em geral, principalmente devido ao seu tamanho e seus grandes dentes visíveis.

Os terópodes compõem um grupo de dinossauros conhecido por ser carnívoro e bípede. Entretanto, estudos recentes realizados por paleontólogos fornecem evidências de que os dentes desses dinossauros não eram visíveis, como frequentemente retratado, mas sim cobertos por lábios.

Inicialmente, acreditava-se que esses dinossauros exibiam os dentes devido à sua semelhança evolutiva com os crocodilianos, os quais possuem dentes visíveis. No entanto, um dos pontos analisados nestes estudos é o padrão dentário dos terópodes. Apesar da distância evolutiva em relação aos lagartos varanídeos, seu padrão dentário é similar, e esses lagartos possuem escamas labiais que ocultam os dentes.

Outra evidência da presença de escamas labiais está relacionada à anatomia dos dentes, parte do dente é coberta por gengiva, enquanto outra parte é revestida por uma fina camada de esmalte, que requer hidratação constante para evitar desgaste. Ao comparar a espessura do esmalte entre os dentes do maxilar superior e inferior, verificou-se que era idêntica. Isso seria possível somente com a presença de lábios, os quais evitariam o desgaste por desidratação nos dentes do maxilar superior.

Adicionalmente, os ossos da mandíbula dos terópodes, com poucas aberturas próximas, assemelham-se à mandíbula de lagartos e crocodilianos extintos, sugerindo uma evolução independente dos crocodilianos atuais em sua própria linhagem.

Comparando o tamanho dos dentes em relação ao tamanho dos esqueletos dos terópodes com o dos Dragões de Komodo, que possuem lábios, constatou-se que os dentes dos Dragões de Komodo são proporcionalmente maiores. Análises da mecânica de fechamento da mandíbula dos terópodes indicam que, caso esses animais não possuíssem lábios e tentassem fechar a boca, poderia ocorrer quebra de ossos ou da articulação da mandíbula. Por outro lado, se mantivessem a boca aberta sem lábios, provavelmente sofreriam desidratação.

Após estes estudos e testes, os resultados sustentam a ideia de recriar esses animais com escamas labiais. Essa descoberta é de extrema importância não só para mudar a imagem tradicional desses animais, mas também para destacar a relevância das escamas labiais na resistência dos dentes, na alimentação próxima ao osso e no desmembramento de carcaças, assim como na biomecânica desses dinossauros.

Texto fonte: .Thomas M. Cullen, Derek W. Larson, Mark P. Witton, Diane Scott, Tea Maho, Kirstin S. Brink, David C. Evans e Robert Reisz. (2023). Theropod dinosaur facial reconstruction and the importance of soft tissues in paleobiology. Revista Science, Vol 379, Issue 6639 pp. 1348-1352 Acesso em: 8 nov. 2023b.


Disponível em: //file:///C:/Users/Win10/Downloads/Cullen-et-al_2023_Science.pdf. 

legenda da imagem de capa: Comparação da evolução dos modelos de crânio e mandíbulas de T.rex.

Fonte da imagem de capa: https://www.science.org/doi/10.1126/science.abo7877.

Texto revisado por: Leticia Lopes a e Alexandre Liparini.