Do T. rex ao Pardal: o que a dieta dos fósseis revela sobre a vida do passado?

Escrito em: 25 de outubro de 2025

Por: Sarah Luiza Dias Sousa

Quando pensamos em uma imagem clássica de um dinossauro, o que frequentemente vem à mente são aquelas criaturas de proporções enormes com escamas verdes e uma grande semelhança aos répteis modernos que conhecemos. Contudo, com a descoberta de novos fósseis ao longo dos anos, estudos científicos demonstram que essa visão do dinossauro clássico, tão prevalente na mídia como nos filmes “Jurassic Park” pode estar equivocada. Nossa tendência é imaginar que os dinossauros são esses grandes animais extintos que só podemos ver nos museus, mas não é bem assim, muitos dinossauros continuam a nos espreitar, voando pelos céus, pousados nas árvores e até mesmo andando pelo chão das grandes cidades. Sim! Nossas aves modernas são diretamente ligadas a um grupo de dinossauros, chamados de Theropoda. Este grupo incluía grandes carnívoros, hoje extintos, como o famoso T. rex. O que conhecemos como “a extinção dos dinossauros” foi um evento denominado como “a extinção do Cretáceo-Paleógeno” e aconteceu a cerca de 66 milhões de anos, contudo, algumas linhagens de dinossauros terópodes sobreviveram e deram origem as aves modernas.

O naturalista Charles Darwin em seu livro “A Origem das Espécies”, buscou compreender e discutir os fenômenos evolutivos. Neste livro, ele pressupõe que ao longo do tempo a humanidade encontraria fósseis “intermediários” que explicariam a evolução dos animais que conhecemos hoje em dia. A previsão feita pelo naturalista em pouco tempo seria cumprida quando pesquisadores encontraram na Alemanha um emblemático fóssil, nomeado como Archaeopteryx lithographica (nome que significa “asa antiga gravada em pedra”). A descoberta deste fóssil foi um grande divisor de águas no estudo da evolução, pois este era o fóssil de uma criatura que apesar de possuir características “reptilianas” como garras nas mãos, dentes e uma cauda longa, também eram encontrados elementos associados as aves como membros semelhantes a asas, boca semelhante a um bico e até mesmo penas. Essa descoberta tornou ainda mais claro o caminho que ligava os dinossauros e aves antigas a exemplares modernos da nossa fauna. Após a descoberta do icônico Archaeopteryx, diversos outros fósseis semelhantes foram encontrados e estudados.

O estudo paleontológico de fósseis de aves primitivas também permite a compreensão dos caminhos evolutivos percorridos pelas aves modernas. Um grande exemplar desse grupo foi encontrado no nordeste do Brasil, nomeado como Cratoavis cearensis (ave do Crato, do Ceará). Esse fóssil foi descoberto na Bacia do Araripe, local peculiar que se desenvolveu com a fragmentação do supercontinente Gondwana, o que desencadeou na formação do Oceano Atlântico. Nesta bacia hidrográfica está situada a Formação do Crato, local datado do período Aptiano (cerca de 113 milhões de anos atrás) que se destaca por suas formações fossilíferas de diversos exemplares de fauna e flora.

A Cratoavis é o fóssil de ave mais importante e mais antigo descoberto no Brasil, apesar de sabermos de suas pequenas dimensões e termos conhecimento que seu corpo era recoberto por penas, pouco se sabia sobre seus hábitos de vida e sua biologia. Felizmente, a Formação do Crato possui características excepcionais para a boa preservação de organismos, e com a Cratoavis não foi diferente. Após estudos aprofundados e análises desse fóssil, recentemente descreveram o que possivelmente seria a dieta desta ave primitiva. Dentro da região do intestino e ceco dessa ave, foram encontrados conjuntos de costelas e outros ossículos de peixes que habitavam a região no mesmo período.

Essa foi uma evidência direta da dieta do animal, uma grande descoberta, pois graças a estes achados podemos imaginar que tipo de ambiente esse animal ocupava ao analisar seus hábitos alimentares. Com os avanços nas pesquisas e análises minuciosas de fósseis, somos capazes de desvendar segredos do passado, encaixar as peças “perdidas” na história evolutiva das criaturas, revelando suas histórias de vida para compreender cada vez melhor como estes seres viviam e se adaptavam em seu ambiente.

Texto fonte:  SALGADO, Fernando Luiz Kilesse et al. (2025). Evidence of piscivorous diet in an enantiornithine bird from the Lower Cretaceous of Brazil. Cretaceous Research, p. 106161, 2025.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195667125000849.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.cretres.2025.106161.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução artistica da Cratoavis se alimentando de peixes em seu ambiente natural. Ilustração retirada do artigo, com a arte de autoria do Deverson Pepi.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195667125000849.


Texto revisado por: Sarah Luiza Dias Sousa, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Qual a cor de um dinossauro?

Escrito em: 25 de março de 2024

Por: Izadora Cabral

Você já pensou em como os cientistas conseguem representar as cores dos dinossauros em séries, documentários e filmes? E se eu te contar que, para isso, basta alguns pigmentos fossilizados? É o que dizem os pesquisadores do artigo “Padrões de Coloração da Plumagem de um Dinossauro Extinto”! Para entender melhor esse processo, preciso te apresentar os melanossomas, organelas responsáveis pela síntese e deposição de melanina, que transmite uma cor. Eles conseguem variar de forma e tamanho, é aí que está o pulo do gato. Sabemos que a melanina não consegue ser preservada, certo? Mas as estruturas onde elas se encontram, os melanossomas, sim! Dito isso, conseguiu-se observar e padronizar a forma e tamanho de diversas cores, possibilitando identificar a coloração de algumas espécies fossilizadas! 

Nesse achado científico, os pesquisadores analisaram tamanho, forma, densidade e distribuição dos melanossomas em um fóssil bem preservado de Anchiornis huxleyi, um dinossauro emplumado, para descobrir o padrão de coloração do espécime. E qual a melhor maneira de descobrir qual é o padrão estrutural de um melanossoma para cada cor? Pegando exemplos dos mais recentes (e vivos) dinossauros, é claro, as aves! Foram usadas diferentes aves de diferentes famílias que possuíam melanina com pigmentação preta, cinza e marrom, principalmente, pois existem duas variedades principais de melanossomas: eumelanina (associados a tons preto-acinzentados) e feomelanina (indicativos de tons avermelhados a amarelos). Outros tipos de coloração, geralmente, surgem a partir da alimentação do animal, consequentemente, não são estruturais do organismo, por isso não podem ser incluídas. 

No fim das análises, os cientistas conseguiram diferenciar morfologicamente os melanossomas de A. huxleyi, encontrando as colorações cinza e preto na maior parte do corpo, branco nas pernas e braços, mas seu diferencial estaria na cabeça, um grande cocar laranja avermelhado e pequenos pontos, da mesma coloração, na bochecha. Esses padrões levam a pensar sobre o modo de vida desses animais, seu comportamento, habitat, entre tantas outras questões que estão sendo descobertas e redescobertas. 

A partir desse estudo, muitos outros vieram e estão constantemente ajudando a revelar a evolução dos mecanismos de padrão de pigmentação de cores em dinossauros. Trazendo respostas às nossas perguntas tão curiosas e envolventes, que permitem o entendimento sobre a história natural, evolução e biogeografia de toda a vida que já percorreu no nosso planeta, podendo assim enxergar o mundo com novas cores.

Texto fonte: Li, Q., Gao, K., Vinther, J., Shawkey, M., Clarke, J., D’Alba, L., Meng, Q., Briggs, D., Miao, L., & Prum, R. (2010). Plumage Color Patterns of an Extinct Dinosaur. Science. DOI: 10.1126/science.1186290.

Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/science.1186290.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução da cor da plumagem do troodontídeo jurássico A. huxleyi. Artista: MA DiGiorgio.

Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Reconstruction-of-the-plumage-color-of-the-Jurassic-troodontid-A-huxleyi-The-tail-is_fig4_41408373.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Primeiros fósseis de mamíferos são descobertos em caverna no Sergipe, e restos são do Pleistoceno

Escrito em: 02 de abril de 2024

Por: Lucas Freitas Viggiani

Em 1997, o registro do primeiro fóssil encontrado em cavernas no Sergipe foi um marco significativo para o estado. Na Gruta da Raposa, em Laranjeiras, dentes de tubarão, vértebras de peixes pequenos, gastrópodes e equinóides foram identificados, juntamente com a carapaça de um réptil do gênero Chelonoidis. No entanto, até então, não haviam evidências de mamíferos.

Recentemente, um grupo de espeleólogos fez uma descoberta emocionante ao encontrar restos de mamíferos nas cavernas. Foram encontrados fósseis de Glyptodon clavipes e Galea spixii, atribuídos à época Pleistoceno, embora não conseguirem uma datação precisa para esses fósseis. A presença desses espécimes enriqueceu a fauna pleistocênica sergipense, incluindo um dente trilobado peculiar com cristas de osteodentina e ramificações secundárias, mas infelizmente, sem sua face de oclusão devido a uma fratura durante a coleta.

Os fósseis de Glyptodon clavipes, semelhante a um tatu em muitos aspectos, e de Galea spixii, um roedor que ainda vive hoje, foram descobertos no teto de uma ala na Toca da Raposa, caverna situada em Simão Dias. Sua preservação provavelmente ocorreu devido às fortes enxurradas que, ao imobilizar os materiais na caverna, os levaram à fossilização.

Essa descoberta tem implicações significativas para a paleontologia, destacando a importância das cavernas como locais de interesse biológico e ecológico. Além disso, ressalta a necessidade de cuidar e preservar esses espaços naturais, reconhecendo seu valor como fontes valiosas de informações sobre o passado da vida na Terra.

Texto fonte: DANTAS, M.A.T. (2009). PRIMEIRO REGISTRO DE FÓSSEIS DE MAMÍFEROS PLEISTOCÊNICOS EM CAVERNA DE SERGIPE, BRASIL. Rev. bras. paleontol, v. 12, n. 2, p.161-164. Doi:10.4072/rbp.2009.2.06.

Disponível em: https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/30560291/DANTAS_MAT_%282009%29_Revista_Brasileira_de_Paleontologia-libre.pdf?1391836007=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DPrimeiro_registro_de_fosseis_de_mamifero.pdf&Expires=1712281104&Signature=K6UoWOENpni~RIw~u8DTcvrCtspYsTHSVV7DE8dn54DZJh1NUqMoRn~gZOrucu8yJVqnAEqzFjRk6aJjmzek3eD8hEucbacwW3BtGmjuAWwFEYTj0pWq2KUyWjtdBUe0vTs8dkXnuXfmbwF~ezFnaVL4Shxxp1RKhu4Snso3FC~-W26z61sWUp-PPIwSeTbPMnhK6M68JJdbPuKb6uo-XhZTMQEzNc8McH~7vcZ6zSRKN~3RSimORDyW2qzLTtIasgfz1iba~R4nnVa4tkFM96l3epeiUC5y8dPE39sCTN84ilPRN4a0PF4kgeHMdgxWSHIaFVTT8IgHfeuJzhu4tw__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA.

Fonte e legenda da imagem de capa: Restos de dente trilobulado de um mamífero.

Disponível em: https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/30560291/DANTAS_MAT_%282009%29_Revista_Brasileira_de_Paleontologia-libre.pdf?1391836007=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DPrimeiro_registro_de_fosseis_de_mamifero.pdf&Expires=1712281104&Signature=K6UoWOENpni~RIw~u8DTcvrCtspYsTHSVV7DE8dn54DZJh1NUqMoRn~gZOrucu8yJVqnAEqzFjRk6aJjmzek3eD8hEucbacwW3BtGmjuAWwFEYTj0pWq2KUyWjtdBUe0vTs8dkXnuXfmbwF~ezFnaVL4Shxxp1RKhu4Snso3FC~-W26z61sWUp-PPIwSeTbPMnhK6M68JJdbPuKb6uo-XhZTMQEzNc8McH~7vcZ6zSRKN~3RSimORDyW2qzLTtIasgfz1iba~R4nnVa4tkFM96l3epeiUC5y8dPE39sCTN84ilPRN4a0PF4kgeHMdgxWSHIaFVTT8IgHfeuJzhu4tw__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Um Estudo de Robert K. Carr: “Paleoecology of Dunkleosteus terrelli (PLACODERMI: ARTHRODIRA)”

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por: Cristiano F. Filho

Introdução

Dunkleosteus terrelli é um grande Arthrodira, ordem extinta de peixes “blindados”, é também o fóssil vertebrado numericamente predominante do período Devoniano tardio — aproximadamente 382,7 milhões de anos —, além de ser um dos melhores membros da fauna Famenniana descritos. Em sessão cruzada, tem forma oval e possui um esqueleto dérmico bem desenvolvido, com ossos individuais chegando até 7,5 centímetros de largura ao longo do espessamento lateral e occipital de sua cabeça. A criatura, participante do Devoniano tardio, período limitado pela pouca diversidade de espécies, é uma das poucas espécies da fauna Famenniana, o que gerou imprecisões em seu estudo, visto que na paleoecologia, é deveras comum a utilização de analogias entre faunas com altas taxas de similaridades, dessa forma gerou várias confusões até o momento, já que tais analogias geralmente envolvem a comparação de fácies — conjunto de rochas com características distintas — e composições de fauna dissimilares, exatamente o que foi analisado no estudo de Robert K. Carr.

História Fóssil

Historicamente, a maioria dos placodermos foram vistos como organismos bênticos obrigatórios, que ingressavam às colunas de água somente para se alimentar, o que sugere que a presença das carcaças na bacia com baixa diversidade representa um acúmulo de restos originados de comunidades bênticas estabelecidas nas regiões aeradas rasas da bacia. Para os Dunkleosteus, essa afirmação é inválida, já que, através da análise da distribuição de seus elementos na Bacia Appalachian, foi descoberto que seus ossos se separaram relativamente cedo no processo de desarticulação, que teoricamente, geraria acumulação próxima ao local da morte. Ademais, os fósseis do Dunkleosteus evidenciam, além do supracitado, estimativas de peso, que os categorizam como organismos pelágicos, já que sugerem que, além de serem incapazes de descansar no fundo do oceano, devido às suas propriedades sedimentares, eles apresentavam um mecanismo de flutuação estática.

Paleoecologia do Dunkleosteus

Na paleoecologia, é impossível analisar um contexto sem estudar a região que o abrange. Dito isso, sabe-se que os espécimes de Dunkleosteus estudados foram encontrados na região de Ohio, Cleveland, em meio à Ohio Shale, uma formação geológica do tipo xisto preto. Tais formações são indícios de bacias anóxicas, e vários fatores contribuem para diversas hipóteses relacionadas aos seus desenvolvimentos, incluindo: quantidade mínima ou completa falta de oxigênio; presença de sulfeto de hidrogênio, representando uma potencial toxina; um substrato instável composto de sedimentos finos com alta porosidade; profundidades com pouca luz ou abaixo da zona fótica; e falta ou limitação de icnofóssil e bioturbação. Os efeitos combinados dos primeiros quatro fatores apresentados, claramente impactam o potencial estabelecimento de comunidades bentônicas. Desse modo, à partir da avaliação da distribuição paleogeográfica do Dunkleosteus terrelli gera-se duas possíveis hipóteses: D. terrelli viveu, morreu, e foi preservado em meio à bacia; ou, D. terrelli viveu e morreu em outro lugar, mas foi transportado para a bacia, onde foi preservado. 

Os restos de Dunkleosteus terrelli descobertos no Cleveland Member são geralmente desarticulados e possuem diversos pedaços desaparecidos, vide os elementos gnatais inferiores e superiores dos arthodiras. Para isso, existem três possíveis culpados: flutuação, catação, ou transporte por correntes. Porém, na Bacia Appalachian, os dois últimos mecanismos têm pouca influência nos restos orgânicos depois de se assentarem no fundo, e outros mecanismos propostos para responsabilizar a anoxia e a deposição dos xistos pretos necessitam de um ambiente mais profundo. Ademais, um ambiente anóxico faria com que o fundo fosse insustentável para catadores macroscópicos, no entanto, ainda não exclui a possibilidade de catação à partir da flutuação de carcaças em meio à coluna de água. Outrossim, a presença de um hábitat de fundo insalubre é sustentada em parte pela falta de bioturbação e icnofósseis. Em outro ponto, o tamanho dos grãos finos dos sedimentos do Cleveland Member sugerem um ambiente deposicional de baixa energia, além da falta de correntes o suficiente para mover os fósseis relativamente grandes do Dunkleosteus terrelli. Além disso, não existem estruturas sedimentares que sugerem a presença de correntes profundas fortes na região. Dito isso, a flutuação continua sendo o mecanismo mais plausível para descrever os restos desarticulados do Dunkleosteus terrelli, já que placas gnatais isoladas sugerem que carcaças flutuantes podem ter soltado esses elementos relativamente próximos ao hábitat original das criaturas.

A presença dos restos do Dunkleosteus terrelli nos xistos pretos da Bacia Appalachian pode ser explicada tanto como uma acumulação post mortem de organismos que viviam na bacia, quanto uma “chuva” de partes, vindas de regiões aeradas, de carcaças transportadas via flutuação. Ademais, os resultados de uma análise estatística qui-quadrada desses fósseis não suportam a hipótese de que D. terrelli era restrito às áreas aeradas rasas e que sua presença nos sedimentos distais era resultado de carcaças flutuando até a bacia. Além disso, a distribuição aleatória dele pela bacia sugere que a espécie era possivelmente pelágica e não obrigatoriamente um morador das profundezas. Paralelamente, todas as evidências paleontológicas, sedimentológicas e geoquímicas apontam para a inospitalidade do ambiente do fundo de bacia, no entanto, mesmo se os peixes pudessem chegar ao fundo, o substrato era estável demais para sustentar o peso desses organismos. Dito isso, para o D. terrelli sobreviver nessas condições, devido ao seu peso, teria que nadar continuamente.

Conclusão

Após o evidenciado, torna-se claro que os registros tafonômicos não apoia a interpretação do Dunkleosteus terrelli ser um organismo bêntico, além da análise estatística qui-quadrada da distribuição dos restos da espécie ter falhado em suportar a hipótese da vivência restrita ao fundo. Assim, torna-se evidente que Dunkleosteus terrelli foi uma espécie de nado livre, o que pode ajudar a explicar sua distribuição em toda a América do Norte. Portanto, as implicações deste estudo formam as bases do trabalho contínuo na fauna do Cleveland Member, abrangendo desde a estratégia reprodutiva do animal até a completa trajetória de vida.

Texto fonte: CARR, Robert K. (2010). PALEOECOLOGY OF DUNKLEOSTEUS TERRELLI (PLACODERMI: ARTHRODIRA). KIRTLANDIA, v. 57, p. 36-45.

Disponível em: https://www.researchgate.net/profile/Robert-Carr-9/publication/235924093_The_Cleveland_Museum_of_Natural_History_PALEOECOLOGY_OF_DUNKLEOSTEUS_TERRELLI_PLACODERMI_ARTHRODIRA/links/546229a40cf2c0c6aec1a831/The-Cleveland-Museum-of-Natural-History-PALEOECOLOGY-OF-DUNKLEOSTEUS-TERRELLI-PLACODERMI-ARTHRODIRA.pdf.

Fonte e legenda da imagem de capa:  Fóssil majoritariamente completo da cabeça de um Dunkleosteus.

Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Dunkleosteus_CMNH_5768_skull.png.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

Resumo do artigo: ANATOMIA E MORFOLOGIA DE MACROFÓSSEIS VEGETAIS QUATERNÁRIOS DA FORMAÇÃO BOA VISTA DA BACIA DO TACUTU- RR

Escrito em: 30 de março de 2024

Por: Rodrigo J. de Souza Alves

Em sua dissertação, Dayse Alves Oliva realizou um estudo morfológico e anatômico detalhado de macrofósseis vegetais encontrados na Formação Boa Vista, uma unidade estratigráfica com grande potencial fitofossilífero, da Bacia do Tacutu, em Roraima. O material analisado consiste em fósseis vegetais preservados como impressões e compressões, inseridos em cascalhos e possuem similaridades mineralógicas entre si. Eles se assemelham a outras amostras retiradas de alguns afloramentos, o que sustenta a ideia de pertencerem à Formação Boa Vista.

Foi feita a criação de um banco de dados para armazenar informações sobre os fósseis encontrados, que consistiu na preparação, descrição e inclusão de 24 espécimes nesse banco de dados, conseguindo identificar ao todo 16 espécimes, as outras amostras foram agrupadas em 5 morfotipos e também descritas. A unidade estratigráfica estudada cobre a região do Graben do Tacutu, datando do final do Pleistoceno ao Holoceno, sendo considerada uma unidade sedimentar relativamente rasa, cuja espessura muda de acordo com a conformação do terreno, variando entre 15 a 120 metros. Análises sugerem que o clima de Roraima no Quaternário era semelhante ao atual, com predominância de plantas adaptadas a ambientes secos, bem semelhante a uma savana, a qual é constituída por poáceas e ciperáceas dominando em áreas mais abertas e com plantas arbustivas e arbóreas em áreas de vegetações mais fechadas.

Texto fonte: OLIVA, D.A. (2022). ANATOMIA E MORFOLOGIA DE MACROFÓSSEIS VEGETAIS  QUATERNÁRIOS DA FORMAÇÃO BOA VISTA DA BACIA DO TACUTU- RR, Repositório institucional-UFC. 74.:il.color.

Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/67133.

Fonte e legenda da imagem de capa: Fóssil foliar de um espécime de Psidium.

Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/67133. Figura 7 do artigo.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira.

Frondes Pecopterídeas

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por: Matheus Borges Freire Pereira

As frondes pecopterídeas, são um grupo de samambaias exclusivas do período Paleozoico, apesar disso, seu primeiro registro foi datado no final do Mississipiano, há cerca de 350 milhões de anos. As folhas de Pecopteris são pequenas, têm uma aparência simples e o padrão de veias são as principais características que as distinguem. Neste estudo, as coletas de amostras e dados de campo foram realizadas na bacia sedimentar do Paraná, mais especificamente na Formação Teresina, caracterizada por rochas com grãos finos como os siltitos, e arenitos finos.

Apesar de estarem espalhadas pelo mundo, várias formas das folhas de Pecopteris foram encontradas na Bolívia, Argentina e no Brasil durante o Paleozoico, causando debates devido à diversidade de registros e preservação. Cientistas usaram critérios visuais para reduzir os morfotipos, mas pequenos pedaços e diferentes estágios de desenvolvimento aumentaram a contagem do número de espécies. Isso levou a várias revisões nas classificações das folhas. Pecopteris é conhecido por ser um grupo amplo que engloba características do Paleozoico Superior da Bacia do Paraná, e suas folhas férteis geralmente estão associadas a estruturas reprodutivas.

Durante o Paleozoico, as frondes pecopterídeas eram comuns nos domínios paleofitogeográficos gondwânicos, mas desapareceram durante uma extinção no limite Permiano-Triássico. No Permiano, essas plantas eram subjugadas por outras na região oeste do Gondwana. Elas eram encontradas globalmente, com distribuição variável ao longo do tempo. No início do Permiano, eram predominantes no Brasil, especialmente no estado de São Paulo. Os gêneros Pecopteris, Asterotheca e possivelmente Dizeugotheca têm semelhanças e diferenças na aparência e densidade das folhas. As frondes pecopterídeas são classificadas em dois gêneros principais: Pecopteris e Dizeugotheca. Asterotheca é a mais antiga registrada para o Permiano na Bacia do Paraná, embora algumas tenham sido realocadas para o gênero Pecopteris devido à sua polimorfia.

Texto fonte: CAMBRIA, Vittor et al. Elementos de frondes Pecopterídeas do Permiano do Extremo Sul da Bacia do Paraná, Brasil. Terr@ Plural, v. 15, p. 1-17, 2021.

Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/tp/article/view/18261

DOI:https://revistas.uepg.br/index.php/tp/article/view/18261

Fonte e legenda da imagem de capa: Figura 2 do artigo. Elementos de frondes Pecopterídeas do Permiano do Extremo Sul da Bacia do Paraná, Brasil

Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/tp/article/view/18261


Texto revisado por: Ruan Honorato Marzano Cintra, Alexandre Liparini, Sandro Ferreira

Um Novo Exemplar de Escorpião Chicote Encontrado no Brasil

Escrito em: 02 de abril de 2024

Por: Pedro Augusto de Oliveira

Os escorpiões chicotes, como o nome sugere, apresentam uma aparência semelhante a de escorpiões comumente conhecidos, mas, por incrível que pareça, estão mais relacionados com as aranhas. Eles são reconhecidos por seus pedipalpos robustos, suas “garras” táteis e um flagelo longo, esbelto e semelhante a um chicote. Esses animais sobrevivem em regiões tropicais e subtropicais, próximos de serapilheiras, vivendo sob troncos podres e se alimentando de Diplópodes, como o piolho de cobra, e de escorpiões menores.

Esse grupo possui um escasso número de fósseis bem preservados. Por isso, até então existiam apenas dez espécies catalogadas desses animais, sendo que a maioria foi encontrada no âmbar de Mianmar, que fica no sul da Ásia e fossiliza inúmeros resquícios de seres datados do Cretáceo, 145 milhões de anos atrás. Contudo, no artigo “A new specimen of whip scorpion (Arachnida; Thelyphonida) from the Crato Formation, Lower Cretaceous of Brazil” publicado pela revista Revista Brasileira de Paleontologia em 2023, foi relatado um novo exemplar de um escorpião chicote encontrado na Bacia do Araripe, uma das maiores bacias do interior do nordeste brasileiro, possuindo uma espessura de aproximadamente 70 metros. Nessa pesquisa, é mostrado que o fóssil pode ser de uma nova espécie de escorpião chicote, uma vez que, mesmo estando incompleto e sendo maior que os outros já listados (acima de 45 mm), ele possui características muito semelhantes desses escorpiões atualmente, como pernas estreitamente alongadas, perna anteniforme, pedipalpos maciço e bem desenvolvido e um flagelo esbelto e longo. 

O que mais chamou a atenção nesse fóssil foi a preservação de pulmões foliáceos, pois já existem indícios da existência dessas estruturas em certos grupos de aranhas, mas nunca em um fóssil de escorpião chicote. Isso foi chocante e de extrema importância para o desenrolar da história evolutiva desse grupo, pois seus fósseis geralmente não são tão preservados, deixando muitas dúvidas sobre certas características estruturais desses animais. Além disso, faz com que novamente esse grupo se assemelhe cada vez mais às aranhas e ajuda na compreensão do passado desse grupo de animais e de todo o mundo pré-histórico.

Texto fonte: Gabrielle de Melo Alberto; Francisco Irineudo Bezerra; Márcio Mendes; Alessandro Ponce de Leão Giupponi(2023), A new specimen of whip scorpion (Arachnida; Thelyphonida) from the Crato Formation, Lower Cretaceous of Brazil, Revista Brasileira de Paleontologia,p. 147-155. Doi: 10.4072/rbp.2023.3.01  Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/404/187

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/404/187

DOI: https://doi.org/10.4072/rbp.2023.3.01.

Fonte e legenda da imagem de capa: Figura 1 do artigo. Escorpião chicote atual, espécie semelhante ao fóssil encontrado.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/404/187.


Texto revisado por: Ítalo Augusto de Oliveira Barboza, Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

ESTROMATÓLITOS GRUPO BAMBUÍ

Escrito em: 29 de março de 2024

Por: Aline Karen Maciel de Castro

Quando penso em tempo geológico, sempre me vêm à cabeça “marcas”. A Terra, em todo o seu processo natural, nos forneceu marcas que nos permitem desvendar o mistério de sua história. Por eu ser de cidade interiorana, sempre me apego aos detalhes; minha cidade pertence ao Grupo Bambuí e o que mais me chamou a atenção em todo o território próximo foram os estromatólitos na região de Sete Lagoas. O que eu não sabia é que os estromatólitos são estruturas formadas pela atividade de microrganismos desde o Neoproterozoico, registrando laminações que se desenvolveram quando a região ainda era mar.

A pedreira Sambra, local onde foram realizadas as observações, localiza-se próximo ao povoado de Inhaúma, aproximadamente 50 km a noroeste de Belo Horizonte e 14 km a oeste-noroeste da cidade de Sete Lagoas. A exposição é constituída pela alternância de camadas de microesparitos laminados, que são massas de cristais de calcita de granulação muito fina, com camadas fibrosas de calcário cinza escuro. Os calcários microesparíticos são finamente laminados e os calcários cinza escuro são compostos por mosaicos de calcita, formando as camadas fibrosas. O afloramento na pedreira Sambra em Inhaúma
encontra-se em propriedade particular e o crescimento de líquens tem mascarado partes do afloramento. Seções restritas, mas bem representativas, podem ser preservadas com a aplicação de um verniz, uma medida viável para não se perder a beleza sustentada desse afloramento rochoso.

Essa região está cheia de marcas, deiadas com o tempo para nos contar as histórias. As marcas deixadas no tempo a cada período que passou nos levam a pensar: quais marcas estamos deixando para os inexplicáveis futuros?

Texto fonte: HOPPE, Andreas; KARFUNKEL, Joaquim & NOCE, Carlos Maurício. (2002). Sítio Inhaúma, MG: camadas aragoníticas pré-cambrianas. Sítios geológicos e paleontológicos do Brasil. Brasília: CPRM – Serviço Geológico do Brasil, 2002. (SIGEP, n. 88).

Disponível em: https://sigep.eco.br/sitio088/sitio088.pdf.

Fonte e legenda da imagem de capa: Mapa geológico do Grupo Bambuí.

Disponível em: https://sigep.eco.br/sitio088/sitio088.pdf.


Texto revisado por: Giulia Alves Viana e Sandro Ferreira.

Roteiro de Aula Prática – Deriva Continental e Placas Tectônicas

Escrito em: 11 de dezembro de 2025

Por: Vicenzo Blaso, Angélica Souza, Lira Luisa, Matheus de Quadros

A Terra, desde a sua formação há cerca de 4,6 bilhões de anos, nunca foi um planeta estático. Sua superfície é dinâmica e está em constante transformação graças ao movimento das placas tectônicas, grandes blocos rígidos que compõem a litosfera — a camada externa e sólida do planeta. O movimento das placas pode ocorrer de forma divergente (afastando-se), convergente (colidindo) ou transformante (deslizando lateralmente), explicando fenômenos como terremotos, vulcões, formação de cadeias montanhosas e a abertura de oceanos. Grande parte dos geólogos e paleontólogos se debruçam sobre este tema, que parece não ter esgotamento, e é alvo de grande pesquisas científicas.

O ensino de Paleontologia pode ser um desafio, ainda mais considerando a dimensão da disciplina que diz respeito à história da Terra e dos continentes. Nesse sentido, nosso grupo buscou desenvolver uma sequência didática voltada para alunos do 3º ano do Ensino Médio, que busca passar o conteúdo relativo à Deriva Continental e à Tectônica de Placas com uma abordagem mais próxima do ensino por investigação, fugindo de aulas muito expositivas. Nos baseamos no livro “A Paleontologia na sala de aula”, de autoria de Marina Bento Soares, para elaborar esta sequência, que conta com alguns elementos do material, adaptados para uma nova forma de aplicá-los.

Assim, convidamos os leitores do Paleontologia Hoje para descobrir, ler e discutir sobre nosso trabalho. Esperamos que gostem!

Texto fonte: SOARES, Marina Bento (Org.). (2020). A Paleontologia na sala de aula. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Paleontologia. E-book p. 699-702.

Disponível em: https://www.paleontologianasaladeaula.com/.

Disponível em: https://www.paleontologianasaladeaula.com/.


Texto revisado por: Vicenzo Soares Blaso.

Roteiro disponível:

Público alvo: 3ª série do ensino médio

Simulando a Formação de Fósseis Foliares – Roteiro do Professor

Escrito em: 25 de novembro de 2025

Por: Ana Luísa Ferreira Martins de Oliveira, Gabriel Félix Diório, Lívia Seixas Botelho, Mariana Andressa de Oliveira Almeida e Tiago Lopes Siqueira

Público alvo: Ensino Médio

Modalidade: Atividade em grupo

Relação com a BNCC:

  • Competência Geral 2: Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 
  • Competência Específica 2: Analisar e utilizar interpretações sobre a dinâmica da Vida, da Terra e do Cosmos  para elaborar argumentos, realizar previsões sobre o funcionamento e a evolução dos  seres vivos e do Universo, e fundamentar e defender decisões éticas e responsáveis.

Código: EM13CNT205 

Tempo de duração: Duas aulas de aproximadamente 50 minutos, uma para preparar os moldes, e a outra para “escavar”. É necessário separar a atividade em duas para ter tempo suficiente de o gesso secar.

Objetivo: Exemplificar o processo de fossilização das folhas, e como é feita uma escavação/extração de um fóssil enterrado. Mostrar a formação de moldes, assim como explicar a preservação do material por processos de fossildiagênese.

Conhecimentos prévios:

  • Conhecimento dos diferentes grandes grupos vegetais e suas características básicas, como surgimento e anatomia geral;
  • Conhecimento dos diferentes tipos de rochas;
  • Conhecimento geral dos períodos geológicos;
  • Conhecimento básico sobre os processos de fossilização.

Introdução:

A paleontologia é a ciência que estuda os fósseis, esses são registros de seres vivos que viveram em nosso planeta muito antes da nossa sociedade. A paleontologia procura analisar e classificar esses antigos seres vivos, assim como estudar a sua evolução, suas interações com outros seres e com o próprio ambiente.

A fossilização é um acontecimento extremamente difícil e raro de acontecer. A maior parte dos indivíduos quando morrem  sofrem decomposição, destruição por fungos e bactérias. Mas é possível, nas condições corretas de local e tempo, que o material biológico se preserve por milhares, ou até milhões de anos. 

Um dos trabalhos de um paleontólogo é o processo de escavação e preparo do material, que depois de localizado no ambiente, seja por uma quebra natural das rochas, ou devido a uma construção no local, será extraído como um bloco de rocha, e no laboratório, irá ser preparado e limpo, para que seja possível identificar o que era esse organismo.

A partir do foco nesse processo de escavação, o roteiro abaixo propõe uma atividade de forma a introduzir os alunos ao trabalho de um paleontólogo de forma prática. Além de relembrá-los dos grandes grupos vegetais e suas origens.

Essa prática pode utilizar qualquer grupo biológico como foco, no caso escolhemos as plantas pela facilidade de encontrar indivíduos para “enterrar”. Nesse roteiro, focamos nas pteridófitas, plantas vasculares sem sementes, como as samambaias e avencas; nas gimnospermas, plantas que desenvolveram sementes mas não possuem flores ou frutos, como pinheiros, ginkgos e cicas; e nas angiospermas, o grupo mais diversos das plantas, possuindo flores para reprodução e frutos para a proteção das sementes, como o Ipê ou uma árvore de manga.

  • Para mais informações sobre esses temas ou muitos outros, é recomendado o livro “Paleontologia na Sala de Aula”, encontrado no site: www.paleontologianasaladeaula.com.
  • A atividade foi adaptada do livro citado acima! Você pode encontrar a referência que usamos ao abrir o livro nas páginas 525 a 530, ou procurando no índice “Prática 8 – Simulando a Formação de Impressões Foliares”.

Material:

  • Jornal ou papel velho para conter a sujeira

Para cada molde: 

  • Água;
  • Gesso em pó; 
  • Espátula para misturar;
  • Recipiente descartável para preparar o gesso;
  • Recipientes descartáveis para moldar o gesso durante a secagem. Ex: caixa de leite aberta, isopor, potes de plástico, etc;
  • Exemplares foliares (de preferência folhas mais achatadas);
  • Papel filme;
  • Tinta guache;
  • Caneta hidrocor;
  • Pincéis. 

Procedimentos:

Dia 1

  1. Coletar folhas representantes de três grandes grupos vegetais (pteridófitas, gimnospermas e angiospermas);
  2. Cortar o papel filme nas mesmas dimensões do molde, que será utilizado nas folhas mais finas;
  3. Para o preparo da massa, colocar a água no recipiente e depois derramar de forma lenta e constante o gesso em pó sobre a água (a proporção de gesso e água é 1:1). Deixar 5 minutos hidratando sem misturar. Passado o tempo determinado, misturar bem para deixar a mistura homogênea (Como outra possibilidade, algumas embalagens de gesso também possuem escritas o método de utilização, então é possível seguir o que já estiver escrito);
  4. Despejar o gesso líquido até a metade do recipiente de molde, em alguns, colocar a folha escolhida sobre o líquido (nas folhas mais finas, cobrir também com a lâmina de papel filme), em outros, fazer uma placa vazia, sem material (para representarem outros períodos geológicos). Por fim, despejar o gesso líquido até cobrir o resto do recipiente, e deixar secando por, no mínimo, 20 minutos. 

Dia 2

  1. Após a mistura secar e enrijecer, remover do recipiente;
  2. Com a ajuda de um responsável, fazer a “escavação” do fóssil: com movimentos leves, e a utilização de uma pinça grossa (ou outro objeto relativamente pontudo, que possa receber pressão, de preferência utilizar uma pinça antiga),  bater no gesso e quebrá-lo até que se chegue na folha;
  3. Retirar as folhas e analisar a impressão que estas deixaram no gesso;
  4. Pintar cada molde com uma cor distinta e anotar o período condizente com o do surgimento daquele grupo de plantas, para as placas sem material vegetal, anotar o restante dos períodos geológicos;
  5. Empilhar todas as placas na ordem cronológica correta.

Instruções para os alunos:

Os alunos devem repetir todos os passos dos procedimentos, com exceção da confecção das placas sem material vegetal.

Observações:

  • O professor pode pedir para que os alunos coletem o material vegetal e levem para a aula (mas é sempre importante o professor também ter o material necessário);
  • O recipiente usado para moldar o gesso pode ser caixas de leite, que também pode ser pedido dos alunos.
  • É sugerido que o professor tenha auxílio de um monitor para ajudar a acompanhar a turma, para que assim,  o professor não fique sobrecarregado e não comprometa a fluidez da aula.
  • Fazer uma revisão breve sobre fósseis e os grupos de plantas antes da prática do dia 1.

Questionário para os estudantes:

IMPORTANTE: É sugerido que as perguntas sejam feitas ao longo da atividade, para que após cada etapa os alunos sedimentem o conteúdo.

  • Qual a ordem de surgimento desses três grandes grupos vegetais? E quais suas características principais? (quando o material vegetal for apresentado, logo antes de começar a prática)
  • Como o processo que estamos realizando se assemelha ao processo real de fossilização? (após a etapa 4) (abordar o soterramento e o tempo em que o organismo fica no solo)
  • Quão próximo essa etapa de “escavação” é do trabalho de um paleontólogo? (durante a etapa 6)
  • De qual/quais períodos geológicos as folhas/impressões são remetentes? (após o fim da prática)
  • Qual grupo de plantas poderá ser encontrado na camada geológica mais antiga representada na atividade, e qual grupo só pode ser encontrado na camada geológica mais recente? Use seus conhecimentos em evolução. (após o fim da prática)

Texto fonte: SOARES, Marina Bento (Org.). (2020). A Paleontologia na sala de aula. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Paleontologia. E-book.

Palavras chave: Fósseis, Plantas, Escavação, Simulação, Gesso, Fossilização, Prática, Angiospermas, Gimnospermas, Pteridófitas.

Fonte da imagem de capa: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fukui_Station_Dinosaur_Professor.jpg

Legenda da capa: Professor dinossauro, escultura localizada na estação de metrô Fukui no Japão.


Texto revisado por: Gabriel Félix Diório e Alexandre Liparini.

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