Escrito em: 29 de maio de 2026
Por: Elen
O gênero Octopus hoje é encontrado tanto em habitats polares quanto tropicais, do mar profundo a zonas costeiras. Para conseguir estar presente em tantos ambientes diferentes foi preciso se adaptar, o que explica as mais de 300 espécies de polvos catalogadas. Uma das características que os distingue é o seu corpo mole (sem esqueleto interno ou externo).
Devido a isso o registro fóssil dos polvos é escasso. Normalmente, os tecidos moles são destruídos antes de serem fossilizados. Por mais de um século só havia um único exemplar de espécie extinta conhecido, mas, apenas cerca de 20 anos atrás, novos representantes da ordem Octopoda foram descobertos em rochas da Líbia, datados do Cretáceo.
O pesquisador Aleksandr Mironenko e sua equipe identificaram três impressões corporais de polvos em rochas sedimentares, no sítio paleontológico Pesciara, na região de Bolca, no nordeste da Itália localidade conhecida entre os paleontólogos pela diversidade fóssil de peixes marinhos.
A geologia local é composta por rochas carbonáticas de folheação fina (contendo peixes, plantas e invertebrados bem preservados) e calcário-arenitos, formados por areia e deposição de restos esqueléticos compactados. Estas rochas fossilíferas se acumularam em uma bacia rasa, na qual as condições de pouco oxigênio e o desenvolvimento de um biofilme no fundo foram essenciais para a preservação de fósseis de alta qualidade.
Os registros foram estudados com auxílio de estereomicroscópios e fotografias tiradas sob luz ultravioleta, expostas a diferentes comprimentos de onda de radiação UV para realçar as impressões do tecido na rocha.
A impressão 2D possui nível de detalhamento limitado e algumas informações foram perdidas. Os espécimes estão com corpo e os tentáculos quase completos, o comprimento varia de 65 a 25 mm, possuem um saco de tinta relativamente grande, olhos grandes e braços finos. Essas características indicam que viviam em águas rasas. A parte de trás do corpo, aparentemente, era pigmentada ou possuía um padrão de cor, cujos restos do possível pigmento foram mineralizados e são visíveis sob luz ultravioleta.
A nova espécie foi nomeada Bolcaoctopus pesciaraensis, em homenagem ao local onde foi descoberto. Esse registro possui grande relevância para a paleontologia, pois ajuda a compreender que os polvos há 50 milhões de anos atrás já viviam nas regiões marinhas do sul da Europa. Também indicam que sítios paleontológicos com características semelhantes ao de Pesciara podem conter fósseis bem preservados de animais sem ossos.
Texto fonte: MIRONENKO A., GIUSBERTI L., SERAFINI G., ZORZIN R. & BANNIKOV A.F. (2024) – The first Cenozoic octopod: a Lower Eocene record from Bolca, northeastern Italy. Riv. It. Paleontol. Strat., 130(3): 603-612. Disponível em: https://riviste.unimi.it/index.php/RIPS/article/view/23207/22109.
Disponível em: https://doi.org/10.54103/2039-4942/23207
Fonte e legenda da imagem de capa: Impressão de cefalópode em rocha carbonática do sítio paleontológico Pesciara, região norte da Itália
Disponível em: https://riviste.unimi.it/index.php/RIPS/article/view/23207/22109.
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Texto revisado por: Luís Filipe Cardoso Queiroz e Alexandre Liparini