O estudo paleontológico dos Ostracodes ao longo do tempo

13 de maio de 2022

Por: Maria Fernanda Magalhães

A Micropaleontologia é a ciência responsável pelo estudo de fósseis muito pequenos, ou seja, de restos ou vestígios de organismos de dimensões relativamente pequenas, que foram preservados em rochas com o passar dos anos.

Com o avanço das tecnologias, diversas metodologias de estudo foram sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas, principalmente com o uso de microscópios mais eficientes, ampliando a rede de pesquisa no ramo de microfósseis. Dentre as diversas áreas de pesquisa, tem-se uma direcionada ao estudo do grupo dos Crustáceos Maxilópodes, mais conhecidos como Ostracodes, que é o que vamos falar mais sobre nesse texto.

Os Ostracodes são artrópodes bivalves, envolvidos por uma carapaça que não apresentam linhas de crescimento. Por mais que sejam pequenos, com cerca de 0,4 a 1,0 milímetros, as espécies deste grupo podem ser encontradas em diversos habitats, tanto de água doce, quanto de água salgada. A Ostracodologia foi apenas inserida no contexto de pesquisa paleontológica em 1830 pelo paleontólogo alemão Georg Graf von Münster, que começou a descrever as formas fósseis deste grupo.

O paleontólogo teve como foco a análise das carapaças desses animais uma vez que, por serem constituídas por quitina e carbonato de cálcio, são partes geralmente fossilizadas e preservadas.
Com o passar do tempo, mais estudos foram direcionados a essa área. Após a Primeira Guerra Mundial, o aumento da demanda de Petróleo fez com que as buscas por novas reservas fossem descobertas. Dessa forma, era fundamental a realização de um mapeamento geológico detalhado em diferentes locais, fazendo com que pesquisas micropaleontológicas se ampliassem, principalmente em relação aos Ostracodes.

Contudo, as diferenças de nomenclatura e a falta de padronização entre os estudos paleontológicos publicados acerca dos Ostracodes ainda era um empecilho para uniformização de informações. Essa problemática só foi alterada quando, em 1951, O.F. Müller direcionou suas pesquisas à descrição completa de um tipo de Ostracode atual, dos pontos de vista morfológicos, ontogenéticos, fisiológicos e da composição da carapaça desses organismos.

A partir disso, foi possível estabelecer um sólido patamar na Ostracodologia, uma vez que aumentaram as proposições acerca das regiões biostratigráficas em que foram localizados fósseis de Ostracodes. Dentre esses locais, têm-se rochas desprovidas de foraminíferos (um grupo de Protistas) e em seções paleogênicas (há 65 ou 53 milhões de anos) e neogênicas (há 23 milhões até o Pleistoceno).

Em 1958, com o objetivo de integrar mais ainda os conhecimentos, foi elaborado um manual técnico de Micropaleontologia, que incluía diversas informações sobre Ostrocodes e em relação ao uso combinado da morfologia externa e interna que permitiam melhor sua identificação e estudo do ponto de vista fóssil.
Por fim, atualmente, com o desenvolvimento de recursos tecnológicos que permitem uma melhor visualização desses microrganismos, bem como de seus microfósseis, há uma maior precisão de informações sobre o grupo dos Ostracodes e seus estudos podem ser realizados de maneira mais objetiva, padronizada e precisa.

Artigo fonte: Bergue C. T. 2010. Agulhas e pincéis: as relações entre a paleontologia e a neontologia no estudo dos ostracodes (Crustacea: Ostracoda). Terræ Didatica, n. 6, v. 1, pp. 9-24. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte e legenda da imagem de capa: Ostracode com comprimento que varia de 0,1mm a 32mm. Autoria de Anna33, extraída do site commons.wikimedia.org <link>

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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