Fóssil de Pterossauro Brasileiro Indica Origem das Penas

17 de maio de 2022

Por: Lincoln Heringer

Animais gigantescos semelhantes a lagartos são as grandes estrelas do parque temático do clássico filme de Steven Spielberg, Jurassic Park, de 1993. As imagens do longa-metragem continuam a alimentar o imaginário popular de como seriam os dinossauros, animais que habitaram a terra durante a era mesozoica.

Descobertas feitas a partir da década de 90 revelam que muitos desses animais eram, na verdade, recobertos por penas, assim como seus parentes evolucionários, as aves. A presença de penas em pterossauros, porém, permanecia incerta. Algumas estruturas tegumentares encontradas em seus fósseis, chamadas de picnofibras, foram recentemente interpretadas como penas, mas sua homologia (origem à partir de um único ancestral, comum) com as penas modernas é controversa.

Em recente artigo publicado na revista Nature, foi reportado um fóssil de Tupandactylus imperator, pterossauro que habitou as terras do atual nordeste brasileiro há cerca de 115 milhões de anos, no Cretáceo Inicial, em que o tecido mole e as estruturas semelhantes a penas estavam muito bem preservadas. No estudo, foram analisadas por microscopia eletrônica estruturas elípticas chamadas melanossomas, organelas responsáveis pela síntese de melanina.

Até pouco tempo, tinham sido encontradas apenas penas de pterossauros com geometrias pouco diversas de melanossomas, indicando pouca variação de cor, sugerindo função única de termorregulação. O indivíduo do estudo, porém, apresentava melanossomas com grande variedade de geometrias em sua pele e penas. Essa característica só tinha sido observada em dinossauros do grupo Theropoda, o que inclui aves. A diversidade de cores podia ter a função de sinalização (rituais de acasalamento, por exemplo) como em pássaros modernos.

Os autores do estudo acreditam que essas características complexas muito semelhantes às dos terópodas pode refletir um provável cenário evolutivo profundo das penas que remonta a um antepassado avemetatarsaliano comum do Triássico Inicial a Médio. Entretanto, os autores não descartam a possibilidade de desenvolvimento independente dessas características em ambos os grupos.

Artigo fonte: Cincotta, A., Nicolaï, M., Campos, H.B.N. et al (2022). Pterosaur melanosomes support signalling functions for early feathers. Nature, vol. 604, p. 684-702. Doi: 10.1038/s41586-022-04622-3 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte e legenda da imagem de capa: Representação gráfica do pterossauro Tupandactylus cf. imperator. Figura extraída do artigo fonte. Ilustração de Julio Lacerda.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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