Trilobitas eram habitantes de cavernas? e como se comportavam?

Escrito em: 25 de outubro de 2025

Por: Luka Rodrigues Alves

Os achados de Zdzislaw Belka, Raimund Feist, Jolanta Dopieralska e Stanisław Skompski podem ajudar a compreender o comportamento complexo dos trilobitas e responder por que seus fósseis são tão abundantes em uma área montanhosa. Os novos achados foram feitos em Hamar Laghdad, no leste do Anti-Atlas, em Marrocos, principalmente nos montes Kess-Kess. Esses montes foram formados no Devoniano, um período geológico que ocorreu entre 419 e 393 milhões de anos atrás. Sua formação se deu a partir de erupções submarinas, que serviram de base para o crescimento dos montes. Após a ação vulcânica, surgiram fraturas que permitiram a saída de fluidos hidrotermais do subsolo para a superfície, formando fontes hidrotermais submarinas. Essas fontes termais liberavam compostos que facilitaram a fossilização de diversas espécies de animais ao longo dos anos, sendo uma delas os trilobitas da família Scutelluidae.

Os trilobitas são um grupo de artrópodes, assim como insetos, crustáceos e aranhas, porém esse grupo está extinto. Seus corpos são divididos em cabeça, tórax e cauda, e possuem exoesqueleto quitinoso e corpo segmentado. Por sua vez, a família Scutelluidae era composta por indivíduos de corpo achatado e olhos bem desenvolvidos. Sua acumulação nos montes Kess-Kess ocorreu abaixo do nível marinho, não sendo encontrados fósseis nos topos dos montes. Essa deposição aconteceu por meio do acúmulo nas partes desarticuladas, e não de seus corpos inteiros, ou seja, provavelmente tiveram origem de suas mudas (troca de seu exoesqueleto). Isso ocorreu em períodos de inatividade hidrotermal, quando o ambiente se tornava propício para que esses animais entrassem nas cavidades para realizar a muda. Durante esse processo, o exoesqueleto se fragmentava em partes que, com o tempo, se depositaram no fundo por gravidade e foram cobertas pelos minerais das atividades hidrotermais. 

Com base em outros achados, como o padrão de tamanho de suas parte e a composição de seus olhos, os pesquisadores puderam concluir que as trilobitas não eram habitantes permanentes do local, mas se reuniam ali para realizar mudas em massa, talvez como parte de seu ciclo reprodutivo, assim como ocorre com caranguejos modernos, ou até mesmo como uma forma de proteção contra predadores em um momento de maior vulnerabilidade.

Texto fonte: Zdzislaw Belka, Raimund Feist.; Jolanta Dopieralska.; Stanisław Skompski. A meeting in the cave: Taphonomy and ecology of scutelluid trilobites in the Devonian Hamar Laghdad elevation, eastern Anti-Atlas, Morocco. Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology,Volume 679, 2025, 113289, ISSN 0031-0182.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018225005747.

Fonte e legenda da imagem de capa: Partes desarticuladas e fossilizadas de trilobita, sendo observado principalmente pigídios e cranídeos.

Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018225005747.


Texto revisado por: Ruan Honorato Marzano Cintra, Alexandre Liparini e Sandro Ferreira de Oliveira.

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Paleontologia Hoje

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo