Você sabia que é possível descobrir qual cor tinham os dinossauros?

21 de junho de 2022

Por: Catarina N. Morais

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

Claro, muito do que se vê por aí é feito por especulação, mas é possível sim descobrir a cor de um dinossauro!

Como já se sabe, alguns dinossauros tinham penas. E, ao estudar uma dessas espécies, o terópode Anchiornis huxleyi, encontrado em depósitos fossilíferos da província de Liaoning, na China, uma equipe de paleontólogos, liderada pelo pesquisador Jakob Vinther, encontrou uma maneira de inferir o padrão completo de coloração da plumagem desse indivíduo.

Mas primeiro, como saber a cor das penas? Em animais, a pigmentação se dá por células secretoras de pigmento, chamadas melanóforos, esses pigmentos são encapsulados numa organela chamada melanossoma. Então, caso esses melanossomas estejam bem preservados no fóssil, essas estruturas podem ser analisadas.

Elas são comparadas com melanossomas de outras espécies para que sejam descobertas as cores do pigmento correspondente àquele melanossoma. Diferentes cores pertencem a melanossomas com propriedades diferentes, características como densidade e proporção entre suas dimensões distinguem as pigmentações umas das outras. Por exemplo, no geral, os melanossomas que produzem pigmentos pretos ou cinzas são longos e estreitos, enquanto os que produzem pigmentos marrons ou vermelhos são curtos e largos.

Nesse caso, o espécime coletado estava bem completo e muito bem preservado. Todas as suas estruturas plumadas, desde o crânio aos membros anteriores e posteriores, possuíam melanossomas preservados. Dessa forma, foi possível traçar todo seu padrão de coloração de suas penas. Após comparar todas as amostras coletadas do fóssil com amostras de pássaros existentes foi possível chegar à coloração observada na paleoarte da imagem de capa, acima. A maior parte do corpo era coberta por melanossomas de coloração cinza e preta, na cabeça foram observadas manchas avermelhadas, penas acinzentadas alongadas na frente e nas laterais da crista parecem enquadrar uma coroa traseira mais longa e ruiva. Por fim, algumas áreas com pouca densidade de melanossomas foram consideradas despigmentadas.

O padrão de coloração do nosso terópode do final do cretáceo é muito similar ao de alguns pássaros atuais, como as galinhas hamburguesas. Já havia sido observado anteriormente diferenças entre regiões claras e escuras em plumagem de dinossauros, e agora foi possível observar um padrão bem mais complexo. Além disso, o formato das penas do Anchiornis huxleyi são todas relativamente similares, o que pode significar que a variação na coloração das penas precedeu a variação de formas delas.

Artigo fonte: Li, Quanguo, et al. Plumage Color Patterns of an Extinct Dinosaur. (2010). Science, vol. 327, n. 5971, pp. 1369–1372. Doi: 10.1126/science.1186290 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte e legenda da imagem de capa: Cor da plumagem do terópode jurássico Anchiornis huxleyi. Arte, por M. A. DiGiorgio. Extraída do artigo fonte.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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