O elo não mais perdido: O fóssil de Casuar que pode mudar tudo

Em 7 de setembro de 2019

Por: Marina P. Lodi

Paleontólogos australianos encontram fósseis que acreditam pertencer a um grupo de escassos registros e parentescos desconhecidos, o que pode ajudar a elucidar sua história.

Figura 1: Espécies viventes de Casuares. Da esquerda para a direita: Casuarius casuarius; Casuarius unapendiculatus; Casuarius bennetii
Figura 2: Comparativo da pelve (osso da bacia) de espécies atuais, à esquerda, de: (A) Emu (D. novaeholandier); (B) Casuar anão (C. bennetti); (C) Casuar do Sul (C. casuarius); e (D) Casuar do Norte (C. unnapendiculatus); e da espécie fóssil, à direita (C. lydekkeri).

Paleontólogos australianos encontraram o que acreditam ser uma espécie extinta do grupo dos Casuares, grandes aves não voadoras que habitam o extremo norte da Austrália e as ilhas de Papua Nova Guiné. O estudo, publicado em 1988 no Journal of Australian Geology & Geophysics, discute a relação entre esse novo registro e o pouco conhecido Casuarius lydekkeri, podendo ser o achado de uma nova espécie.

Por possuir registros fósseis escassos, a história natural dos Casuares (Figura 1), aves parentes dos avestruzes e Emus, ainda é nebulosa. Não há registros confirmados de espécies extintas além do C. lydekkeri, espécie de casuar anão registrada por Miller em 1962, que é um fóssil de origem desconhecida.

Os novos fósseis encontrados em depósitos de sedimentos em Pureni, Papua Nova Guiné, datam do Pleistoceno e se assemelham em forma e tamanho com os de origem desconhecida do C. lydekkeri, mas têm diferenças evidentes o que deixa a dúvida:

Seria esta uma espécie extinta ainda não registrada?

Os paleontólogos P.V. Rich, Michael Plane e Natalie Schroeder, em seu artigo, procuram discutir as possíveis relações entre estes achados e a morfologia das aves viventes, tentando estabelecer alguma ligação com os poucos dados disponíveis sobre a história natural desses animais. Para tal, se apoiam na geologia do local, e nos aspectos anatômicos dos animais do grupo (Figura 2), estudos ainda pouco precisos para a dificuldade do desafio de desvendar a história natural das aves.

Se confirmada, a nova espécie seria um marco sem precedentes na paleontologia, e ainda pode gerar muitas discussões, a começar por essa.

Artigo fonte: P. V. Rich, Michael Plane, Natalie Schroeder. A pygmy cassowary (Casuarius lydekkeri) from late Pleistocene bog deposits at Pureni, Papua New Guinea. Journal of Australian Geology & Geophysics, v. 10, p. 377- 389 (1988).

Fonte da primeira imagem: Modificada de diferentes pranchas da monografia: A monograph of the genus casuarius, de Lionel Walter Rothschild (1868-1937), disponível no sítio archive.org/details/monographofgenus00roth/page/290, acessado em: 07 nov. 2019.

Fonte da segunda imagem: Extraída e modificada da Figura 4 do artigo fonte e de pranchas da monografia citada acima.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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