Ave conservada de 46 mil anos encontrada na Sibéria!

Em 18 de março de 2020

Por: Zandora Hastenreiter

Quantos anos você daria para a ave desta imagem? Independente da idade que você atribua, provavelmente vai ser longe da idade real deste pássaro. Prontos pra saber a verdade? Este indivíduo tem aproximadamente 46 mil anos. Incrível, né? Daí você se pergunta: como?

Exemplares de animais conservados assim geralmente são encontrados em Permafrost (um tipo de solo permanentemente congelado) e pesquisadores já encontraram carcaças conservadas de mamutes, lobos e cavalos. Segundo os autores do trabalho, esse pássaro foi a primeira ave a ser encontrada em Permafrost! Diferentemente da maioria dos tipos de fossilização, a criopreservação permite que tecido mole e DNA sejam conservados ao longo dos anos. Análises do genoma de espécies já extintas podem nos trazer conhecimento que não conseguiríamos de outra maneira.

O pássaro do estudo foi encontrado na Sibéria, próximo ao vilarejo Belaya Gora, em uma região tomada por túneis cavados por caçadores de marfim fóssil. O espécime foi datado com 42 600 +/- 1100 anos BP (Before Present, antes do tempo atual) por meio de datação com Carbono-14 sendo que sua idade calibrada estimada é de 44 163 – 48 752 anos BP. Pelo fato de que havia tecido mole preservado, os pesquisadores conseguiram obter DNA, que foi sequenciado para estudos filogenéticos e identificação da espécie.

Usando um gene mitocondrial, os pesquisadores identificaram o pássaro como pertencente a espécie Eremophila alpestris, popularmente conhecida como calhandra-cornuda. Essa espécie possui diversas subespécies e o indivíduo congelado tem maior semelhança com duas delas: E. a. flava e E. a. brandti. Este resultado fez com que os autores do estudo hipotetizassem que o pássaro pertencia a uma população ancestral de E. a. flava e E. a. brandti, que posteriormente se dividiu devido às mudanças climáticas que caracterizam a transição entre Pleistoceno e Holoceno.

A área próxima de Belaya Gora é promissora para estudos evolutivos devido ao alto grau de conservação dos animais encontrados na região. As análises genéticas, possíveis graças à preservação de tecido mole, são importantes por trazerem novas informações que não são passíveis de serem recuperadas somente a partir da análise da morfologia dos fósseis.

Artigo fonte: Dussex, N., Stanton, D.W.G., Sigeman, H. et al. (2020). Biomolecular analyses reveal the age, sex and species identity of a near-intact Pleistocene bird carcass. Communications Biology, v. 3, p. 84. Doi:10.1038/s42003-020-0806-7 <Clique para acessar o artigo fonte>

Fonte da imagem: Extraída da Figura 1 do artigo fonte. Foto de Love Dalén.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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