A megafauna esquecida

Em 10 de setembro de 2019

Por: Matheus Carlos Valinhas

Em maio de 2009 o artigo “The forgotten megafauna” foi publicado. Sendo uma cooperação do professor Mauro Galetti, da Universidade de São Paulo, com o professor Dennis Hansen, da Universidade de Zurich, o artigo busca discutir as similaridades entre os processos de redução da diversidade ecológica resultantes da extinção de certos grupos de mamíferos.

Megafauna é o termo usado para designar o grupo de animais de grandes proporções corporais (ultrapassando 44 kg) que conviveram com a espécie humana e desapareceram no evento de extinção do Quaternário tardio, temos como exemplo na América do Sul a preguiça gigante (Megatherium americanum) e o Notiomastodon (Notiomastodon platensis).

Há Cerca de 10 à 50 mil anos atrás ocorreu uma série de extinções desses determinados grupos, seja por causa natural ou por intermédio dos humanos. É perceptível a correlação de tais extinções com a perda de riqueza ecológica nesses ecossistemas. O ponto mais forte está na proporção entre a massa dos indivíduos frugívoros e o tamanho relativo dos frutos que os alimentavam. Pode-se ver a relação lógica diretamente proporcional entre tais. Daí, é possível analisar um outro ponto: a dinâmica da relação de tais animais com os frutos cabíveis aos seus tamanho contribuíam para a dispersão de sementes de certas espécies vegetais, que acabaram por ser afetadas após as extinções.

Os pesquisadores perceberam uma diminuição na população de espécies vegetais que dependiam da aspersão de sementes pelos animais da megafauna, verificando também um aumento nas espécies arbóreas cujos animais aspersores não foram extintos.

Ao estudar mais a fundo eventos similares ocorridos em diferentes lugares do mundo, vê-se o mesmo efeito de perda das relações ecológicas e a mudança (miniaturização) dos mamíferos dispersores de sementes.Tal efeito foi mais exacerbado nas ilhas estudadas (Madagascar e Mauritius) do que no continente sul americano.

A relação entre o tamanho da espécie propagadora das sementes é crucial para entender a dinâmica do ecossistema, e o artigo traz essa questão de maneira clara, contextualizando tais relações e comparando seus efeitos em locais separados fisicamente. O estudo foi possível graças ao registro fóssil de tais espécies, que possibilitaram um maior entendimento sobre as mesmas.

Artigo fonte: Dennis M. Hansen, Mauro Galetti. (2009). The Forgotten Megafauna. Science, v. 324, n. 5923, p. 42-43. Doi: 10.1126/science.1172393 <Clique aqui para acesso ao artigo fonte>

Fonte da imagem: Extraída do sítio altamontanha.com/a-extinao-da-megafauna/, acessado em 07/11/2019

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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