Escrito em: 26 de março de 2024
Por: Anna Luisa Matos Morato
Evidências do Plioceno e Pleistoceno (algo entre 5 milhões de anos e alguns milhares de anos atrás) mostram que as paleotocas, tocas fossilizadas de mamíferos gigantes, são icnofósseis que ajudam a compreender o comportamento e os hábitos desses animais. As paleotocas não podem possuir uma datação precisa, já que a idade das rochas formadoras não são as mesmas de quando a toca foi produzida. São classificadas de acordo com o grau de preservação e no geral possuem dois tipos de possíveis escavadores — tatu gigante e preguiça gigante.
A área de estudo onde as paleotocas foram encontradas se situa no norte de Minas Gerais, que possui a geologia local da Formação Nova Aurora (cangas/formações ferríferas associado ao Membro Riacho Poções) e geomorfologicamente, trata-se de uma área de extensas chapadas dissecadas pela erosão. Além disso, o estudo procura focar em membros de uma família de preguiças gigantes chamadas de MYLODONTIDAE (preguiças gigantes).
A metodologia de estudo se dividiu em duas partes, na primeira etapa foram determinadas as paleotocas (foram quinze no total) e na segunda etapa as paleotocas foram classificadas, mapeadas e topografadas. Todas as “tocas” foram documentadas e fotografadas. Além disso, foram quantificados o registro de marcas de garras por metro quadrado que podem ser atribuídas, de acordo com o tamanho e a morfologia, a milodontídeos cavadores (preguiças-gigantes de dois dedos). Em três paleotocas foram feitos moldes de silicone dessas marcas.
As paleotocas se encontravam em vales de encostas íngremes e encaixados em locais de falhas geológicas — isto é, entre contatos de de diferentes tipos de rochas — sendo compostas por metadiamictitos hematíticos neoproterozóicos do Grupo Macaúbas (Formação Nova Aurora) — rochas com alta dureza e muito antigas — o que sugere que os locais de repouso eram permanentes e não apenas abrigos temporários. Nas paleotocas foram encontradas de 1 a 3 áreas consideradas o local de repouso, que possuem a superfície mais “polida” em formato elíptico, devido ao atrito com a pelagem desses mamíferos gigantes.
A distribuição próxima das paleotocas que estão dispostas nos dois lados dos vales, umas em frente às outras no Vale dos Gigantes (Rio Esmeril) demonstram evidências de vida gregária para esse grupo de preguiças terrícolas, da família Mylodontidae. A diferença de estruturação das paleotocas demonstram grande diversificação nos grupos sociais, o que difere das espécies de preguiça atuais que são solitárias.
Texto fonte: BUCHMANN, F. S; et al. EVIDÊNCIA DE VIDA GREGÁRIA EM PALEOTOCAS ATRIBUÍDAS A MYLODONTIDAE (PREGUIÇAS-GIGANTES). 2016. Revista brasileira paleontologia 19(2):259-270, Maio/Agosto 2016; Sociedade Brasileira de Paleontologia. Disponível em: http://sbpbrasil.org/assets/uploads/files/09_Buchmann_et_al_pg259a270_web.pdf. Acesso em: 31 de março de 2024).
Disponível em:http://sbpbrasil.org/assets/uploads/files/09_Buchmann_et_al_pg259a270_web.pdf
Fonte e legenda da imagem de capa: Fóssil da família MYLODONTIDAE exposto em museu.
Disponível em:https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ground_Sloth,_La_Brea_tar_pit_fossil_DSC_0985_(23255634773).jpg
Texto revisado por: Leticia Lopes e Cruz e Alexandre Liparini.