Escrito em: 25 de março de 2024
Por: Izadora Cabral
Você já pensou em como os cientistas conseguem representar as cores dos dinossauros em séries, documentários e filmes? E se eu te contar que, para isso, basta alguns pigmentos fossilizados? É o que dizem os pesquisadores do artigo “Padrões de Coloração da Plumagem de um Dinossauro Extinto”! Para entender melhor esse processo, preciso te apresentar os melanossomas, organelas responsáveis pela síntese e deposição de melanina, que transmite uma cor. Eles conseguem variar de forma e tamanho, é aí que está o pulo do gato. Sabemos que a melanina não consegue ser preservada, certo? Mas as estruturas onde elas se encontram, os melanossomas, sim! Dito isso, conseguiu-se observar e padronizar a forma e tamanho de diversas cores, possibilitando identificar a coloração de algumas espécies fossilizadas!
Nesse achado científico, os pesquisadores analisaram tamanho, forma, densidade e distribuição dos melanossomas em um fóssil bem preservado de Anchiornis huxleyi, um dinossauro emplumado, para descobrir o padrão de coloração do espécime. E qual a melhor maneira de descobrir qual é o padrão estrutural de um melanossoma para cada cor? Pegando exemplos dos mais recentes (e vivos) dinossauros, é claro, as aves! Foram usadas diferentes aves de diferentes famílias que possuíam melanina com pigmentação preta, cinza e marrom, principalmente, pois existem duas variedades principais de melanossomas: eumelanina (associados a tons preto-acinzentados) e feomelanina (indicativos de tons avermelhados a amarelos). Outros tipos de coloração, geralmente, surgem a partir da alimentação do animal, consequentemente, não são estruturais do organismo, por isso não podem ser incluídas.
No fim das análises, os cientistas conseguiram diferenciar morfologicamente os melanossomas de A. huxleyi, encontrando as colorações cinza e preto na maior parte do corpo, branco nas pernas e braços, mas seu diferencial estaria na cabeça, um grande cocar laranja avermelhado e pequenos pontos, da mesma coloração, na bochecha. Esses padrões levam a pensar sobre o modo de vida desses animais, seu comportamento, habitat, entre tantas outras questões que estão sendo descobertas e redescobertas.
A partir desse estudo, muitos outros vieram e estão constantemente ajudando a revelar a evolução dos mecanismos de padrão de pigmentação de cores em dinossauros. Trazendo respostas às nossas perguntas tão curiosas e envolventes, que permitem o entendimento sobre a história natural, evolução e biogeografia de toda a vida que já percorreu no nosso planeta, podendo assim enxergar o mundo com novas cores.
Texto fonte: Li, Q., Gao, K., Vinther, J., Shawkey, M., Clarke, J., D’Alba, L., Meng, Q., Briggs, D., Miao, L., & Prum, R. (2010). Plumage Color Patterns of an Extinct Dinosaur. Science. DOI: 10.1126/science.1186290.
Disponível em: https://www.science.org/doi/10.1126/science.1186290.
Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução da cor da plumagem do troodontídeo jurássico A. huxleyi. Artista: MA DiGiorgio.
Disponível em: https://www.researchgate.net/figure/Reconstruction-of-the-plumage-color-of-the-Jurassic-troodontid-A-huxleyi-The-tail-is_fig4_41408373.
Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.