Fósseis encontrados em caverna no Tocantins é conjunto fóssil mais diverso de marsupiais encontrado em uma só caverna

Escrito em: 04 de abril de 2024

Por Maria Gabriela Louzada Natividade

 Sobre os marsupiais sul-americanos, diferenciam-se duas linhagens: Ameridelphia e Australidelphia. Este primeiro, bem diversificado, abrange a família Didelphidae (que inclui os gambás, conhecidos também como saruês, de hoje em dia). No estudo em questão, os fósseis abordados se encontravam todos próximos, integrando um bloco na parede da caverna calcária denominada Gruta dos Moura, localizada em Aurora do Tocantins, parte da Província Espeleológica (regiões que possuem certas rochas características e suscetíveis à estudos) do Grupo Bambuí, que inclui territórios de Tocantins, Bahia, Goiás e Minas Gerais. 

O bloco foi lavado com água e peneirado com peneiras de diferentes tamanhos para separar os sedimentos de forma mais precisa. “A identificação e diagnóstico dos espécimes da caverna Gruta dos Moura foram feitos através da comparação morfológica de elementos cranianos e mandibulares de espécimes dos Didelphidae alojados” [trechos do artigo em questão] em diferentes instituições no Brasil e Argentina. Nessa pesquisa, foram identificadas partes do crânio e mandíbula (com dentes preservados) de 57 indivíduos, pertencentes a 5 gêneros e 8 espécies da família. 

O estudo das rochas da gruta, acrescentado ao estudo com base nos animais encontrados (os marsupiais em questão e também uma espécie extinta de queixada) e comparando com representantes vivos, seus modos de vida semelhantes, próximos, ou passíveis de certa adaptação, permitiu aos pesquisadores chegar à conclusão de que todos os indivíduos encontrados naquele bloco coexistiram no ambiente ao redor da caverna. Concluiu-se que o período em que esses espécimes viveram foi o final do Último Período Glacial (no final do Pleistoceno, cerca de 22 mil anos atrás), em ambiente seco e aberto ao redor da gruta; provavelmente uma floresta aberta. 

Com 8 espécies de didelfídeos encontrados na mesma caverna, a Gruta dos Moura apresenta a maior diversidade desta família em uma única caverna (isso aqui no Brasil), já que em lugares com número parecido ou superior (Lagoa Santa e Serra da Mesa), apresentaram materiais que vinham de cavernas diferentes. O material de estudo também é o único conjunto fóssil de que se tem certeza a datação do final do Pleistoceno.

Texto fonte:  Patricia Villa Nova; Leonardo S. Avilla; Édison V. Oliveira (2015).  Didelphidae marsupials (Mammalia, Didelphimorphia) from the Late Pleistocene deposit of the Gruta dos Moura Cave, northern Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências. Volume 87, Número 01.

Disponível em: https://doi.org/10.1590/0001-3765201520140229

Fonte e legenda da imagem de capa: Desenho de Marmosa murina, uma das espécies encontradas fossilizada na caverna e que ainda vive atualmente. Uma das 3 espécies que, nesse estudo, teve seu primeiro registro fóssil. Imagem retirada de: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:DidelphysWaterhousiiWolf.jpg


Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.

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