Escrito em: 02 de abril de 2024
Por Yasmin Andrade
Diferente do que muitas pessoas imaginam, o âmbar não é um mineral. Embora seja frequentemente comercializado como uma gema e utilizado na manufatura de objetos ornamentais como pingentes, brincos, colares e até mesmo em objetos de decoração, na verdade, trata-se de uma resina vegetal fossilizada, com a função original de proteger a árvore e agir como um cicatrizante natural. Dentro do âmbar, é comum encontrar, não apenas plantas e insetos fossilizados, mas também outros produtos animais, como fezes, pêlos, penas e exúvias de insetos. Além disso, há registros de momentos singulares da vida, como formigas em combate e até mesmo insetos em cópula.
Sendo assim, o âmbar desempenha um papel crucial na preservação de fósseis desses pequenos animais, os quais raramente são preservados em rochas sedimentares. Nos dias atuais, apenas duas variedades de árvores possuem a capacidade de produzir a resina vegetal que, ao longo dos anos, se fossilizaria em âmbar: Uma espécie da Nova Zelândia chamada pinhos de Kauri e algumas espécies de Hymenacea encontradas nas Américas do Sul e Central e na África Ocidental.
No entanto, o âmbar não preserva apenas animais e seus insumos, mas também gotas de água e bolhas de ar. Um estudo realizado por Bernes & Landis em 1988 analisou um âmbar do Cretáceo com bolhas de ar preservadas, observando que a atmosfera desse período geológico continha muito mais CO2 e amônia em sua composição do que a nossa atual atmosfera. Além disso, os âmbares de diferentes lugares nos permitem conhecer mais sobre a flora e ambiente local da época, já que cada resina têm composições químicas diferentes e característica das plantas que se encontravam nas florestas pré-históricas.
Portanto, a importância e contribuição do âmbar para estudos paleoecológicos é gigante, visto que o mesmo fornece dados valiosos para a reconstrução de ecossistemas antigos e a compreensão das relações ecológicas entre diferentes espécies, bem como aspectos do clima.
Texto fonte: FILIPE, C. H. O.; DIAS-JUNIOR, S. C.; MARTINS-NETO, R. G. O âmbar e sua importância para estudos paleoecológicos. VIII Congresso de Ecologia do Brasil. Caxambu: [s.n.]. 2007 .
Disponível em: https://www.seb-ecologia.org.br/revistas/indexar/anais/viiiceb/pdf/1113.pdf Acesso em: 02 de abril de 2024.
Fonte e legenda da imagem de capa: “Relações ecológicas entre diferentes espécies preservadas em âmbar.” Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2023/04/o-que-sao-e-como-sao-criados-os-fosseis-de-ambar
Texto revisado por: Fernanda Moreira Batitucci e Alexandre Liparini.