O que a flora fóssil pode nos dizer sobre o paleoclima?

Escrito em: 03 de abril de 2024

Por: Laura Proença

Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

“Atenção para clima quente e úmido: temperatura média anual (TMA) de 22,1 a 22,8 ºC e precipitação média anual (PMA) de 566-831 mm para o município de Jaguariúna. TMA de 24,6 a 25,1 ºC e uma PMA de 747 a 961 mm para o município de Vargem Grande do Sul.” Essas seriam possíveis previsões meteorológicas informando o clima dessas regiões, milhares de anos atrás.

Mas afinal, como é possível saber como era o clima há milhares de anos, especificamente durante o Pleistoceno (Época geológica entre 2,5 milhões e 11,7 mil anos atrás)?

Para responder a essa pergunta, vários paleontólogos e outros cientistas reuniram esforços e, a partir de estudos de folhas fósseis encontradas nos municípios de Jaguariúna e Vargem Grande do Sul, no estado de São Paulo, encontraram algumas pistas de como era o paleoclima dessas regiões.

Os municípios onde os fósseis foram encontrados apresentam rochas da formação Rio Claro, onde há uma grande riqueza de fósseis vegetais. A formação apresenta sedimentação areno-argilosa, e as folhas fósseis encontradas foram possivelmente depositadas em paleoambientes como: pântanos, rios ou planícies de inundação. 

Para chegar aos resultados encontrados, os cientistas analisaram as folhas fósseis, ao passo que são indicadores confiáveis para a reconstrução de climas de ambientes antigos, devido a sua sensibilidade às condições ambientais.

A temperatura média anual e a precipitação média anual são inferidas pela análise da margem foliar e do tamanho da folha fóssil, respectivamente. Nesse estudo foram utilizadas folhas de angiospermas eudicotiledôneas (plantas capazes de produzir flores e frutos, com dois cotilédones em cada semente). A partir de sua análise, observou-se que as condições climáticas na região eram mais quentes e menos úmidas que as atuais.

Pela observação do tipo de planta encontrado e das características das folhas, foi possível atestar que as floras fósseis estudadas representam ancestrais de um dos tipos de vegetação da Floresta Atlântica. 

Estudos como esse são fundamentais para a reconstrução de biomas tão importantes quanto a Floresta Atlântica. Sendo possível compreender a dinâmica vegetacional e climática, bem como a riqueza de sua biodiversidade ao longo do tempo

Texto fonte: Santiago, F., Jurigan, I., & Ricardi-Branco, F. (2022). Interpretação paleoclimática com base na análise da fisionomia foliar de duas floras pleistocênicas, Formação Rio Claro, São Paulo, Brasil. Revista Brasileira De Paleontologia, 25(3), 219–228. https://doi.org/10.4072/rbp.2022.3.05

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/313

Fonte e legenda da imagem de capa: Mamute indicando a previsão meteorológica nas áreas estudadas. Créditos: Francisco Santiago; Imagem original alterada por: Ana Beatriz Gualberto.

Disponível em: https://paleontologiahoje.com/wp-content/uploads/2025/08/a73e6-304a4a_1ded0e4e389f462d88bbcc7e88844f7fmv2.jpg


Texto revisado por: Murilo Valdo, Alexandre Liparini.

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