O contato (ou a falta dele) com a paleontologia

Escrito em: 18 de março de 2024

Por: Ívian Gomes

Quem não se lembra do primeiro contato com a paleontologia quando criança? Escavações, fósseis e, claro, DINOSSAUROS. Mais que isso, quem não se lembra de mais nada relacionado a isso? Bom, os autores do artigo A paleontologia na educação infantil: alfabetizando e construindo conhecimento fizeram dessa questão o ponto central de seu estudo. A abordagem da paleontologia é uma recomendação feita pelo PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) para ser usada no ensino de ciências para o ensino básico. Porém, o contato com a paleontologia se resume a uma visão estereotipada de exploradores que caçam ossos, não de qualquer tipo, mas sim ossos de dinossauros! Essa é a ideia com que a maioria de nós crescemos, sem saber sobre a importância e as diversas possibilidades de materiais com que essa área de estudo trabalha de fato. 

Nas aulas de geologia da escola estudamos sobre o planeta e suas dinâmicas, formação e classificação de rochas, distribuição dos continentes e demais informações gerais acerca das características físicas da Terra. Apesar de haver materiais paradidáticos para apoio para esse ensino, a produção desses apoios por parte dos paleontólogos brasileiros é muito pequena.

 O artigo sugere que tanto a falta de produção de material quanto a defasagem em sala por parte dos professores se deve, principalmente, ao fato de que, ainda hoje, as universidades dão maior importância à formação de pesquisadores em detrimento da de professores. A impressão que se passa é que a paleontologia é complexa demais para a sala de aula e por isso deve ser restrita a academia. O que muitos não sabem é que diversos resultados de pesquisas nessa área não só podem como devem ser de interesse da população externa à academia, para que todos possam melhor entender sobre nosso passado como indivíduos e como comunidade.

O artigo propõe soluções para essa defasagem através da articulação entre as diversas partes do ensino, a comunidade escolar (alunos, professores, coordenadores) e instituições de ensino superior que devem trabalhar juntas para superar essas barreiras. 

Uma das soluções sugeridas para essa lacuna de formação é o incentivo do interesse das crianças (pesquisadoras por natureza) na área, através de atividades diversas como passeios de campo para museus e exposições paleontológicas. O que dificulta essa iniciativa é a escassez desses espaços em várias cidades do país. Ficam-se então claro os aspectos mais relevantes nessa problemática:  a deficiência na formação dos educadores e alunos, deficiência de material didático e paradidático e a distância existente entre a universidade e a comunidade externa. Esses são aspectos que se organizam de maneira a formar e fomentar um ciclo vicioso que tem como resultado o desinteresse.

Universidades que priorizam a formação de pesquisadores e não professores, professores sem uma base de conhecimento satisfatórios e sobrecarregados, materiais de apoio sem revisão apropriada que acabam criando um corpo de alunos desinteressados pela falta de um contato apropriado. Com este cenário a demanda por museus e outros espaços de conhecimento não escolares voltados à paleontologia, se tornam incapazes de se sustentar e acabam em situação de sucateamento. Com essa falta de interesse não há motivação para que paleontólogos invistam na produção de mais materiais e exposições.

Outras soluções discutidas, ou melhor dizendo, os planos sugeridos para sanar essas faltas  se pautaram na introdução da paleontologia durante a educação infantil, como mencionado no título do estudo. Através de mudanças no espaço da escola e realização de dinâmicas dentro e fora de sala, para que já ocorra essa familiaridade com a área desde cedo e dessa forma esse conhecimento seja popularizado, contando com a disseminação dos aprendizados entre as crianças e delas para o mundo. Além disso, fica clara a necessidade da atuação junto aos educadores é mencionada a possibilidade de um curso de formação continuada como também a assessoria direta para as aulas. Tais medidas foram implementadas ao Colégio Pequenópolis em São Paulo, através de construção de espaço de exposição, mini jardins de exploração, a construção de uma linha do tempo com idades, períodos e eras geológicas na parede da escola, curso para complementação de conhecimento prévio dos professores e a abertura de um canal de dúvidas permanente para que os professores e educadores que participaram do curso tenham uma rede de apoio e um canal de contato permanente. A resposta a essas medidas foi tão positiva e gerou um interesse grande da parte dos alunos ao passo que os professores viram a necessidade de colocar as crianças em contato com um paleontólogo. 

Para que iniciativas como essa  funcionem devemos apoiar o extravasamento das amarras aos livros didáticos  na busca de iniciativas inovadoras, informativas e interessantes que, de preferência, se adequam à faixa etária com que se trabalha e suas limitações.

A forma como o conhecimento é transmitido é algo que se reflete durante  toda a vida, logo devemos tomar os devidos cuidados e dar a devida importância a esse papel tão marcante e definidor que tem a transmissão do conhecimento em nossas vidas.

Link para o artigo original:

https://www.redalyc.org/pdf/2510/251019515005.pdf: O contato (ou a falta dele) com a paleontologia

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