O que pode ser descoberto através de uma costela de um animal extinto?

Escrito em: 03 de Abril de 2024

Por: Giovanna Lage Almeida

O Coendou magnus Lund, 1839, é uma espécie extinta de um porco espinho sul-americano, pertencente à ordem Rodentia e à família Erethizontidae, formada por indivíduos de hábitos noturnos e arbóreos e que possuem uma dieta de frutas e sementes. Pesquisadores brasileiros fizeram uma análise histológica e difração de raios-X de uma costela de C. magnus, encontrada na caverna Toca da Barriguda em Campo Formoso (Bahia), a qual está situada na Caatinga brasileira.

A histologia do osso tem como objetivo analisar microscopicamente a sua estrutura, já a difração de raios-X permite a identificação de processos de diagênese do fóssil, ou seja, as mudanças ocorridas no sedimento em que ele se encontra e as mudanças químicas e minerais, que ocorreram no próprio fóssil.

Como resultado da análise histológica, os cientistas observaram que o osso coletado está bem preservado, sem grandes alterações de sua microestrutura. Além disso, eles puderam observar uma matriz óssea fibrolamelar muito vascularizada, com feixes vasculares desorganizados, o que indica deposição rápida de tecido ósseo fibroso e altas taxas de crescimento no primeiro estágio de vida. Contudo, os pesquisadores também verificaram tecido fibroso disposto paralelamente com menor vascularização, indicando uma deposição mais lenta de tecido e menor taxa de crescimento ósseo na segunda metade da vida do animal. Por último, eles analisaram que há 5 linhas de pausa de crescimento nessa amostra, indicando que o animal analisado morreu no sexto ou sétimo ciclo de crescimento.

Como resultado da difração de raios-X, os pesquisadores observaram que não havia calcita no osso, que é um mineral muito comum de ser encontrado em fósseis de cavernas, portanto, sua falta indica que houve pouca substituição da matéria óssea original. Além disso, eles verificaram que há silicato de cálcio (Ca2SiO4) no fóssil, mineral que ajuda a preservar o esqueleto.

Portanto, foi possível concluir que o C. magnus analisado teve sua microestrutura bem preservada e teve uma fase de crescimento rápido e uma de crescimento mais lento e com pausas, falecendo já adulto. Ademais, concluiu-se que esse fóssil foi pouco exposto aos intemperismos químicos e físicos e que passou por baixa substituição por minerais.

Texto fonte: Miquéias A. N. Oliveira; Elvis C. da Silva; Leomir dos S. Campos; Mário A. T. Dantas; Luciano A. Leal. (2023). Osteohistological analyses and preservation stage of Coendou magnus Lund, 1839 (Rodentia, Erethizontidae) fossil recovered at Toca da Barriguda cave, northeastern Brazil. Revista Brasileira de Paleontologia, v. 26, n. 4, p. 330-336. Doi:10.4072/rbp.2023.4.06.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/410.

Legenda da imagem de capa: Porção óssea com tecido fibrolamelar e vascularização. Seta amarela: Ósteo. Seta preta: canais vasculares.

Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/410.

Texto revisado por: Tiago Lopes Siqueira e Alexandre Liparini

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