Escrito em: 3 de abril de 2024
Por: Anderson Luiz Magalhães Júnior
Quando se pensa nos fósseis preservados em âmbar, geralmente vem à mente aquela típica imagem do mosquito em resina que é mostrada no filme Jurassic Park, porém outras espécies de organismos também podem ser preservados, como flores, aranhas e fungos. Infelizmente, é muito raro que os fungos e materiais fúngicos sejam preservados no âmbar, geralmente quando se tem esses fósseis são de fungos microscópicos como ascomicetos, tendo poucos achados dos fungos macroscópicos.
Primeiramente, o que é o âmbar? Cerca de 24 a 47 milhões de anos atrás, em algumas regiões da Alemanha (Báltico e Bitterfeld), provavelmente devido a condições climáticas favoráveis, se desenvolveram grandes florestas de árvores que armazenavam quantidades significativas de uma resina amarelada. Essa resina pegajosa permitia a conservação de organismos que ficassem presos a ela, os protegendo de ações de predadores e decompositores, quando ela atinge mais de 40 mil anos ela é chamada de âmbar. Assim, essas regiões ficaram conhecidas como florestas de âmbar, podendo ser caracterizadas pelas suas condições geológicas e taxonômicas que permitiram a fossilização de tais organismos.
Como foi abordado anteriormente, existe uma vasta gama de organismos que podem estar preservados no âmbar, esse processo pode ocorrer de duas formas, a primeira consiste quando o ser vivo é preso na resina fresca que é muito pegajosa e vai sendo expelida aos poucos, formando camadas onde o material biológico é aprisionado. A segunda forma de inclusão ocorre quando uma generosa quantia de resina líquida desce pela árvore ou escorre até o chão e pode ocasionalmente preencher cavidades ou aprisionar material biológico nesse trajeto, inclusive fungos.
Grande parte das inclusões não são facilmente visíveis, como no caso dos microfungos que necessitam de muita técnica e experiência para serem estudados. O âmbar geralmente é coberto por uma crosta que impede a visualização, então é necessário que essa crosta seja removida, de forma que os processos de desgaste utilizados geralmente se dão por lixamento ou por uma abrasão especial que utiliza de um tambor rotativo, onde há o desgaste por areia e água facilitando a observação do material. Caso algum organismo importante seja detectado, esse âmbar poderá ser estudado com diferentes técnicas.
Apesar do âmbar ser uma ótima ferramenta para a visualização de seres que não costumam ser encontrados fossilizados, a inclusão de fungos maiores nessa resina é muito improvável , devido ao seu curto ciclo de vida e tamanho, logo são necessárias condições muito específicas de inclusão, como uma quantia suficiente de resina para cobrir esses fungos durante um limitado período de tempo antes de iniciar a sua decomposição que ocorre rapidamente. Outro fator limitante é que grande parte da produção da resina acontecia no início da estação chuvosa enquanto que os macrofungos se desenvolviam no final, de forma que os microfungos, principalmente os ascomicetos (líquenes), não eram afetados.
Finalmente, acerca dos ascomicetos encontrados, pode se constatar que houve uma explosão de diversificação de liquens no norte europeu entre 23-66 milhões de anos. O que de fato permitiu essa diversificação ainda não é bem compreendido, mas provavelmente pode ter sido por fatores climáticos, como clima temperado subtropical e também pela diversidade na densidade de vegetação e na estrutura das cascas mais grossas das árvores produtoras de âmbar.
Texto fonte: Hans Halbwachs.(2020). Fungi in amber forests of northern Europe, Field Mycology, Volume 21, Issue 1, Pages 18-24,
Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1468164120300086.
Doi: https://doi.org/10.1016/j.fldmyc.2020.01.007.
Fonte e legenda da imagem de capa: Fotos de uma inclusão de um fungo em Âmbar Báltico.
Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1468164120300086.
Texto revisado por: Marina Purri, Sandro Ferreira e Alexandre Liparini.