Escrito em: 8 de dezembro de 2024
Por: Gabriel Félix
Atualmente, a educação básica forma alunos principalmente para o mercado de trabalho e os vestibulares, afastando-se de uma abordagem que priorize a formação de cidadãos críticos e alfabetizados cientificamente.
A cinematografia, por meio do uso de filmes no ambiente escolar, pode estimular os estudantes a refletirem sobre as questões que os filmes abordam, possibilitando questionar os aspectos das cenas e relacioná-las ao conteúdo aprendido em sala de aula. Isso ajuda os alunos a perceberem que o objetivo do filme vai além de simplesmente absorver as imagens apresentadas; trata-se de compreender como os elementos da realidade são expressos na narrativa.
Certos filmes se destacam por serem fiéis ao conhecimento científico atual, o que os torna ferramentas eficazes para o aprendizado, especialmente no ensino da paleontologia. Por meio dessa abordagem, é possível entender sobre a evolução e transformação da vida, além de reconstruir períodos e ambientes passados a partir da análise de fósseis e elementos geológicos.
O conhecimento paleontológico, contudo, ainda é restrito a museus e laboratórios, sendo no ambiente escolar escasso ou fragmentado. Isso se deve ao fato de que os livros didáticos, em sua maioria, limitam-se a abordar temas relacionados à origem da vida e à evolução.
Nesse contexto, o filme A Era do Gelo é apresentado como uma ferramenta pedagógica eficaz, por meio de uma análise qualitativa de sua narrativa. O filme aborda o período do final do Pleistoceno (2,58 milhões a 11,7 mil anos atrás), marcado pela última glaciação, ocorrida há cerca de 18 mil anos. Ele retrata a fauna da época, composta majoritariamente por clados de mamíferos – muitos deles atualmente extintos – que habitavam o continente americano. A espécie humana também já estava presente nas Américas no final do Pleistoceno, com registros arqueológicos no Centro-Oeste brasileiro datando de 12,4 a 8 mil anos atrás.
Os elementos representados no filme são recursos valiosos para o ensino da paleontologia, pois contextualizam o período a ser ensinado (Final do Pleistoceno). Essa abordagem permite que o cinema pedagógico se expresse de maneira divertida, coletiva e contextualizada, estabelecendo conexões entre os seres vivos representados e a riqueza paleontológica do continente americano, especialmente do Brasil.
Além disso, ao relacionar os elementos do filme com o cotidiano dos alunos, o conhecimento paleontológico se torna menos abstrato. A narrativa também ajuda na construção do conceito de que a paleontologia estuda tanto os seres pretéritos extintos quanto os que ainda vivem, como antas e tamanduás, que fazem parte da trama de A Era do Gelo.
Texto fonte: REZENDE, Richard Lima et al. (2017). “A Era do Gelo–O Filme”: uma análise de seu potencial para o ensino de Paleontologia. Periódico Eletrônico Fórum Ambiental da Alta Paulista, v. 13, n. 7, p. 42-54.
Disponível em: https://doi.org/10.17271/198008271372017.
Legenda da imagem de capa: Scrat, esquilo pré-histórico personagem do filme A Era do Gelo.
Imagem Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Macys_Thanksgiving_Parade_(38565565926).jpg.
Texto revisado por: Vivian Camargos Pinto e Alexandre Liparini.