Escrito em: 09 de abril de 2023
Por: Lucas Oliveira
Que as galinhas são um dos parentes mais próximos dos répteis pertencentes à era mesozoica, e que habitam a terra atualmente é conhecimento difundido. Uma das evidências a essa evolução são os comportamentos dos embriões pré-históricos serem semelhantes ao das aves.
Essa hipótese de que o comportamento ser semelhante ao das aves atuais e ter sido originada/proveniente dos seus ancestrais terópodes, é sustentada pelo exemplar notavelmente preservado e com estruturas articuladas e uma ampla formação esquelética intacta guardada em um depósito no Sul da China, por 15 anos, até ser descoberto por um curador do Museu de história natural do País. Portanto, após extrair o fóssil de sua matriz rochosa, a qual estava datada em média 72 a 66 milhões de anos, foram convidados pesquisadores internacionais com o intuito de examinar o achado. Desse modo, os autores se depararam com um exemplar fóssil articulado de um feto “in-ovo”, pertencente aos Terópodes.
Entre todos os fósseis de oviraptossauros pertencentes ao tempo geológico do Mesozoico, os pesquisadores elencaram esse espécime fóssil preservado como o melhor registro embrionário que se tem dos oviraptorídeos descobertos até então. Isso para dinossauros não-aviários, dado o quão difícil é preservar estruturas articuladas, uma vez que, quando um animal morre, se não for soterrado quase imediatamente, ele geralmente perde suas estruturas articuladas (compostas por tecidos moles, que são rapidamente metabolizadas), e ainda pode acontecer o transporte de suas estruturas esqueléticas, sujeitas a intempérie do ambiente em que se encontram.
Embora o exemplar encontrado com cerca de 27 cm de comprimento e batizado como “bebê de Yingliang” pelos pesquisadores, não é possível afirmar com exatidão o estágio de desenvolvimento do embrião. Os cientistas inferiram por meio da posição das vértebras e do próprio esqueleto, ou seja, do estudo da osteologia anatômica do oviraptorídeo, que ele se encontra em estágio avançado. Essa afirmação só é possível de se comprovar pois o esqueleto está quase completo, sem muita perturbação pós-morte, como relatam os paleontólogos no artigo.
No intuito de se comprovar a hipótese abordada e debatida no artigo, de que os ovos de oviraptorídeos encontrados podem reforçar um comportamento de postura apresentado pelas aves modernas, é necessário realizar uma comparação do eixo e a forma como o embrião está localizado dentro do ovo, com as aves atualmente. No espécime descoberto, os autores utilizaram imagens geradas por meio de tomografia computadorizada e micro TC Contudo, é necessário reforçar que as imagens fornecidas por esse método são difíceis de serem geradas, uma vez que a composição que levaram a formação do espécime é rica em sedimentos como o ferro, um mineral de alta densidade, o que implica na dificuldade de interpretação do contraste apresentado entre o osso e a matriz.
Nesse sentido, primeiro é preciso elucidar os pontos principais da eclosão das aves atuais para realizar uma comparação com o fóssil. O processo de dobramento é divido em três fases: pré-dobra, dobra e pós-dobra. Dessa forma, por meio de um comportamento único em seu dobramento, as aves fazem uma série de movimentos coordenados pelo sistema nervoso central para se preparar para o evento de eclosão.
Os embriões das aves que conhecemos hoje, no final da eclosão de seus ovos, realizam uma série de movimentos coordenados de dobramento e posições do corpo para se preparar para o evento de eclosão, sendo esse tipo comportamento exclusivo das aves conhecidas hoje em dia. Isso é importante, pois a postura dobrada de forma inadequada pode acarretar no insucesso da eclosão deste embrião, o que aumentará sua taxa de mortalidade.
Nesse viés, muito do que sabemos hoje acerca da reprodução dos dinossauros bem como seu desenvolvimento embrionário e informações a respeito da morfologia, a cor do ovo e estrutura do ninho de postura, foram obtidas pelos poucos embriões “in-ovo” que foram preservados (no qual se tem registro), como o Bebê de Yingliang.
Texto fonte: Xing, L; Niu, K; Ma, W; Zelenitsky, D, K; Yang, T, R; Brusatte, S, L. (2021) An exquisitely preserved in-ovo theropod dinosaur embryo sheds light on avian-like prehatching postures. iScience, Massachusetts, United States, v. 25, n. 1, p. 163-167. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/357237659_An_exquisitely_preserved_in-ovo_theropod_dinosaur_embryo_sheds_light_on_avian-like_prehatching_postures> Acesso em: 21/07/2024.
Fonte e legenda da imagem da capa: Comparação da postura e posição anatômica do fóssil encontrado denominado “YLSNHM01266”, e ave atual “domestic chicken” Gallus gallus. Fig. 1 do artigo. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/357237659_An_exquisitely_preserved_in-ovo_theropod_dinosaur_embryo_sheds_light_on_avian-like_prehatching_postures> Acesso em: 21/07/2024.
Texto revisado por: Luiza Leite e Alexandre Liparini.