Paleo comportamento: a longa caminhada de um adolescente e uma criança de colo 10 mil anos atrás

Escrito em: 04 de abril de 2023

Por: Eduardo Danilo Castro Silva

Ao final do Pleistoceno, cerca de 10 mil anos atrás, um adolescente ou um adulto pequeno com uma criança no colo, deixou pegadas cerca de 1,5 km. E, como se não bastasse só isso, perto delas, haviam pegadas de preguiça-terrestre-gigante e de um mamute colombiano, porém, todos esses registros não marcam que elas estavam fugindo desses animais ou que estavam sendo predados.
O rastro é bem grande e conta com mais de 400 pegadas ao longo dele, inclusive da criança que foi colocada sobre o chão, que além de tudo, estava escorregadio pela chuva e isso pode ser identificado por conta da precisão dos métodos 3D utilizados para verificar até os dedos que escorregavam sobre o solo. Em relação ao mamute e a preguiça, não houve nenhum tipo de disputa ou tentativa de predação, embora creia-se que a preguiça tenha sentido o cheiro dos humanos que andavam, pois ela em algum momento ficou sobre dois pés, presumidamente para sentir o cheiro. As pegadas infantis dizem-se a respeito de um indivíduo de aproximadamente 3 anos .Embora seja muito impreciso dizer o que aconteceu, presume-se que ela tenha sido apenas colocada no chão para que o adulto que a segurava pudesse se organizar e pegá-la, novamente.
Portanto, essa trilha marca algo muito positivo para a paleontologia, os icnofósseis, que são fósseis de um registro/ação de um ser biológico, seja ele qual for e o que fez, por exemplo: toca, marca de alimentação, furos, pegadas e outros que podem ser usados em estudos, inclusive comportamentais acerca dos nossos antepassados.
Logo, podemos levar a uma conclusão de uma história através desse registro, onde: Um adulto jovem ou um adolescente que carregava em seus braços uma criança, com idade de aproximadamente 3 anos, viajando com uma certa pressa em um terreno escorregadio e sem muitos erros no trajeto, o que indica que esta pessoa estava indo para um lugar conhecido e como foi feito de uma forma mais apressada, pode-se indicar que os viajantes estivessem correndo risco em meio a megafauna da época.. Os icnofósseis ainda indicam em qual lado a criança era mais levada por conta das dimensões dos pés.
Finalmente, é importante ressaltar, mais uma vez, a contribuição desses estudos para a paleontologia como, também, estudo do passado de pessoas, com histórias, pensamentos e vidas diferentes das quais se vê hoje e como registro de icnofósseis que são bem importantes dentro do campo de paleontologia.

Texto fonte: Bennett, M., Bustos, D., Odess, D., Urban, T., Lallensack, J., Buska, M., Santucci, V., Martinez, P., Wiseman, A., Reynolds, S. (2020). Walking in mud: Remarkable Pleistocene human trackways from White Sands National Park (New Mexico). Quaternary Science Reviews. volume 249.
Doi: https://doi.org/10.1016/j.quascirev.2020.106610
Disponivel em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0277379120305722#! Acessado em 01/07/2024

Fonte e legenda da imagem de capa: Marcas de pegada, disponível em: http://footprints.bournemouth.ac.uk/ Acessado em 01/07/2024


Texto revisado por: Vicente Sousa

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