Escrito em: 10 de abril de 2023
Por: Ana Beatriz de Lima Freitas
O fóssil pode revelar muitas coisas sobre um animal extinto, entretanto o processo de fossilização preserva principalmente tecidos duros como ossos e dentes e, quando ele é encontrado, nem sempre pode estar completo. Retratações de dinossauros como na trilogia Jurassic Park mostram o famoso T. rex com seus grandes dentes para fora da boca, o que acontece porque o tecido mole dos lábios não é preservado no registro fóssil. Essa clássica representação ocorre pelo parentesco do grupo dos dinossauros com os crocodilos, que, de fato, possuem dentes grandes e expostos, sem tecido que os recobre.
Os dentes são recobertos por uma camada de esmalte, um tecido muito duro, e os dinossauros terópodes, carnívoros que andavam sobre duas patas, possuíam uma fina camada de esmalte. Sendo assim, foi possível comparar o desgaste dental dos dinossauros e dos crocodilos, pois o esmalte não é regenerado.
Nos crocodilos, a face do dente que fica voltada para fora sofre muito desgaste, dessa forma o esmalte pode ser perdido e a dentina, o tecido interno do dente, pode ser revelada , pois o esmalte não se regenera .Os dentes dos dinossauros terópodes foram cortados para verificar a presença dessas estruturas e foi identificado que o esmalte possui a mesma espessura tanto da parte do dente voltada para dentro quanto para fora. Ou seja, não havia desgaste, o que indica que esses dentes não ficavam expostos. O esmalte, rico em minerais e pobre em água, é mantido hidratado por secreções das glândulas bucais, o que afeta muito sua resistência. Os dentes que ficam protegidos pelos lábios têm esmalte mais resistente à abrasão, consistente com o que foi observado nos dentes dos dinossauros terópodes.
Outra característica importante é a posição em que os dentes estão, nos terópodes eles se alinham verticalmente com o crânio como nos varanídeos, grupo de lagartos ao qual o dragão de komodo pertence e que possuem lábios que recobrem os dentes, diferentemente dos dentes dos crocodilos que se inclinam para fora da boca, ficando bem expostos.
Também foi realizada uma análise comparando o tamanho da relação crânio-boca e concluíram que os dentes não são tão grandes a ponto de não serem cobertos por lábios, pois se acreditava que eles eram grandes demais para o tamanho do crânio. Assim, esses resultados são importantes para reconstruções faciais de dinossauros na ciência e na cultura popular e também porque ajudam a entender como ele caçava e se alimentava.
Texto fonte: Cullen, T. et al. (2023). Theropod dinosaur facial reconstruction and the importance of soft tissues in paleobiology. Science Vol 379, Issue 6639pp. 1348-1. 10.1126/science.abo7877.
Disponível em: < https://www.science.org/doi/10.1126/science.abo7877 >, acessado em 07/04/2023.
Fonte e legenda da imagem de capa: Expectativa vs realidade aquáticas.
Disponível em : https://www.science.org/doi/10.1126/science.abo7877 , acessado em: 07/04/2023.
Texto revisado por: Leticia Lopes e Alexandre Liparini.