Cientistas chineses comprovam a existência de angiospermas no período Jurássico

Em 12 de setembro de 2019

Por: Ana Maria Abreu Santos

Uma pesquisa liderada por Xi Wang e Zhong-Jian Liu, do Centro de Conservação e Pesquisa de Orquídeas, em colaboração com cientistas do mundo todo, descreveu, em 2018, um fóssil de angiosperma, a qual nomearam Nanjinganthus – Nanjing se refere à cidade chinesa onde o fóssil foi encontrado, e anthos significa flor em latim – que compartilhava várias características com as angiospermas atuais.

Através de técnicas de datação de rochas e comparação de suas características-chave – como por exemplo as estruturas reprodutivas e grãos de pólen – com outras angiospermas, como as Malváceas (família do hibisco) e Rosáceas (família das rosas), e gimnospermas, como ginko e coníferas, comprovou-se a hipótese de que realmente se tratava de uma angiosperma do início do Jurássico, datada de aproximadamente 174 milhões de anos. Essa análise também revelou que a dispersão de pólen e sementes era realizada através do vento, o que era de se esperar por se tratar de um ancestral que ainda não teve tempo para estabelecer relações ecológicas com polinizadores e dispersores, como fazem a maioria das angiospermas atuais.

As angiospermas são um dos grupos mais diversos de plantas, e são conhecidas pela habilidade de gerar flores e frutos. Elas se diversificaram durante o período Cretáceo, e, atualmente, contam com cerca de 300.000 espécies, ocupando quase todos os biomas, terrestres e aquáticos.

Estudos recentes com modelos de DNA sugerem que as angiospermas surgiram há 145 milhões de anos, antes do Cretáceo, e talvez até antes, há 201 milhões de anos, antes do Jurássico. Antes desse achado, o registro fóssil mais antigo datava de apenas 135 milhões de anos, bem depois do fim do Jurássico. Além disso, trabalhos sobre flores do Jurássico não têm sido bem aceitos pela academia – seja pelo baixo número amostral ou por puro ceticismo – mas a descoberta do Nanjinganthus mudou essa perspectiva. Agora, o próximo passo será a análise de parentesco com outros grupos de angiospermas, além do estudo de novos fósseis para melhor estudar suas características.

Artigo fonte: Qiang Fu e colaboradores. (2018). An unexpected noncarpellate epigynous flower from the Jurassic of China. eLife, v. 7, p. e38827. Doi: 10.7554/eLife.38827.001 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte da imagem: Extraída do sítio sciencephoto: jurassic-landscape-illustration

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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