Ensinando paleontologia à crianças surdas: uma abordagem inovadora

Em 13 de setembro de 2019

Por: Bruna Pires Rodrigues

Ensino de paleontologia nas escolas, tanto de nível fundamental como médio,
por si só já é um desafio. Entretanto, esse desafio é acrescido quando a
tarefa é ensinar paleontologia para crianças surdas em uma escola voltada
justamente para esse público. Dessa forma, Mário André Trindade Dantas e
Fernanda Torello de Mello mostram uma metodologia facilmente aplicável em
diferentes contextos escolares, no artigo “Um Conto, uma Caixa e a
Paleontologia: uma maneira lúdica de ensinar Ciências a alunos com
Deficiência Auditiva”, publicado na Revista Electrónica de Investigación
en Educacíon en Ciencias (v. 4, n.1)

Após a aplicação de uma história a alunos surdos na Sociedade de Ensino e
Reabilitação CIRAS/Rosa Azul, em Aracaju, Sergipe, os autores analisaram como
foi o aproveitamento do ensino de paleontologia por meio de uma conversa com
alguns dos alunos presentes. A metodologia apresentou um bom resultado, no qual
os alunos demonstraram ter compreendido o conteúdo passado, porém relataram a
dificuldade com algumas palavras novas, como toxodonte, gliptodonte, amonoide,
mosassauro, etc, por não serem comuns ao seu vocabulário. Entretanto tais
termos eram importantes, uma vez que são os nomes de alguns fósseis
encontrados no estado. Observou-se também que a história e a caixa de contos
são metodologias bastante eficazes para a divulgação de conhecimentos
científicos. Uma vez que contar histórias faz parte da humanidade, basta
lembrar das pinturas rupestres nas cavernas.

Os materiais para aula se mostraram acessíveis, pois é necessário apenas
alguns bonecos de Lego, alguns cenários que podem ser pintados ou impressos,
bonecos de pano em formato de dinossauro que também foram pintados de acordo
com imagens modelo dos reais e uma arca ou uma caixa para guardar os objetos.
Tal organização mostrou atrair a atenção do público por gerar curiosidade
e apreensão sobre o que poderia ser tirado da caixa durante a história.

Antes de aplicar o método, os pesquisadores participaram de cerca de três
aulas na turma dos alunos de interesse para ganharem a confiança desses. No
dia da apresentação uma das professoras auxiliou fazendo a interpretação da
história “Ema e os fósseis” através da LIBRAS para os alunos. Além
desses recursos, havia uma personagem surda na narrativa justamente para causar
empatia entre os discentes.

Tendo em vista tudo que foi apresentado até agora, este projeto se mostrou
imprescindível por dois motivos: em primeiro lugar pela importância de passar
a educar verdadeiramente os alunos surdos e não focar apenas no
desenvolvimento da comunicação; e em segundo pela importância do ensino de
paleontologia no nível básico, uma vez que essa ciência está diretamente
relacionada a outras como a Geologia e a Biologia. Todas essas três áreas
deveriam ser mais presentes nos sistemas de ensino, pois são necessárias para
melhor compreensão do surgimento da Terra e mecanismos da evolução,
incentivando o pensamento crítico e formando cidadãos ativos.

Artigo fonte: Mário André Trindade Dantas & Fernanda Torello de Mello. (2009). Um Conto, uma Caixa e a Paleontologia: uma maneira lúdica de ensinar Ciências a alunos com Deficiência Auditiva. Revista electrónica de investigación en educación en ciencias, v. 4, n. 1, p. 51-57. <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte da imagem: Figura 1 do artigo fonte

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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