Escrito em: 05 de maio de 2026
Por: Isabela Lopes
Há mais de dois séculos, entusiastas e apaixonados por tubarões se encantam com sua diversidade e se perguntam sobre sua origem, buscando compreender suas características, anatomia e evolução. Assim como as raias e quimeras, os tubarões pertencem à classe dos Chondrichthyes, conhecidos como peixes cartilaginosos.
A mesma característica que dá nome ao grupo é responsável pela dificuldade em estudar o passado desses animais, já que seu esqueleto de cartilagem não favorece sua fossilização. Por isso, a pesquisa sobre seus antepassados muitas vezes ocorre por meio do estudo de espinhos de nadadeiras, que são mais suscetíveis à preservação.
Na Bacia do Parnaíba, no Tocantins, foram encontrados doze fósseis de espinhos das nadadeiras de tubarões, supostamente pertencentes ao grupo dos Ctenacanthiformes. Localizada na Formação Pedra de Fogo, a região se destaca por apresentar divergências entre autores quanto à exatidão de sua idade geológica, havendo conflito se ela se encontra entre o Cisuraliano ou o Guadalupiano, sendo ambos do período Permiano.
Os fósseis foram estudados e, a partir da pesquisa, foram realizadas descrições morfológicas e microscópicas dos espinhos de nadadeiras desses animais, o que contribui para o enriquecimento das informações sobre essas estruturas, uma vez que possuem bibliografia limitada. Foram encontradas, além disso, dentinas trabeculares (tipo específico de tecido mineralizado dos dentes) e foi analisada a disposição dos canais vasculares presentes, o que pode ser útil para o estudo dos tubarões, visto que há muitos trabalhos acadêmicos que retratam essas características.
Entretanto, essa descoberta trouxe à tona diferentes interpretações e dúvidas sobre a sistemática desse grupo. Diversos pesquisadores entram em contradição ao tentar definir esse grupo, sendo necessárias novas pesquisas e o encontro de um exemplar mais completo para comparação com outros fósseis já classificados. De qualquer forma, o estudo ajudou na compreensão do passado dos vertebrados marinhos da região, sendo um exemplar no que tange a expansão do conhecimento paleontológico sobre as características morfológicas e a evolução dos famigerados tubarões ainda existentes.
Texto fonte: Costa, J. G. S., Fortier, D. C., Cisneros, J. C., & Morais, V. F. S. de. (2024). Novos espinhos de nadadeiras de Chondrichthyes fósseis da Bacia do Parnaíba, Formação Pedra de Fogo (Permiano) no Estado do Tocantins, Brasil. Revista Brasileira De Paleontologia, 27(1), e20240408.
DOI: 10.4072/rbp.2024.1.0408.
Disponível em: https://sbpbrasil.org/publications/index.php/rbp/article/view/408.
Fonte e legenda da imagem de capa: Análise de espinhos de nadadeiras encontradas.
Disponível em: Revista Brasileira de Paleontologia, 27(1):e20240408, 2024.
Texto revisado por: Luís Filipe Cardoso Queiroz e Alexandre Liparini.