Você sabia que dinossauros tinham câncer?

Escrito em: 22 de abril de 2025

Por: Giovanna Melo Bruzzi Corrêa

Você sabia que dinossauros tinham câncer? É isso que revela a revisão bibliográfica publicada por Garcês et. al. em 2024. No imaginário popular, é muito comum associarem o câncer aos tempos modernos. No entanto, esse estudo indica que os tumores, que são crescimentos anormais de células, existem em vertebrados há pelo menos 350 milhões de anos! Esse dado vem de um achado fóssil de um peixe do Devoniano (Phanerosteon mirabile) (Phanerosteon mirabile) que continha indícios de osteoma, um tumor ósseo benigno, situação na qual geralmente não é grave. Pra você ter ideia, esse período está entre 0,4 a 3,2 milhões de anos atrás. Também nesse artigo, há evidências de tumores benignos e malignos (câncer) em mamutes e até em dinossauros, com a família Hadrosauridae contendo a maior incidência de registros tumorais. Além disso, outra revisão, desta vez publicada por Galassi et. al., também em 2024, sugere que os tumores podem estar correlacionados com fatores da antiguidade  o gás radônio que é  que é uma fonte natural de radiação, infecções virais causadoras de câncer como o HPV, toxinas liberadas por plantas e microrganismos e outros elementos. 

Com a ajuda de estratégias como tomografia computadorizada e análises histológicas, pesquisadores dos artigos originais conseguiram mapear os fósseis e encontrar sinais de tumores, principalmente em ossos. Isso ocorre porque as partes moles se decompõem muito mais rapidamente e raramente são preservadas com o passar do tempo, o que inviabiliza uma análise robusta do histórico de tumores na Terra através desses tecidos. 

No entanto, ainda sim é possível realizar um estudo sobre ocorrências tumorais ao longo dos anos: em 2024, Garcês et. al. e Galassi et. al. reuniram diversos artigos de registros fósseis com evidências de tumores e analisaram esses achados, trazendo a informação que tumores não são exclusivos da modernidade. Mas porque é importante pesquisar o passado, se esses seres já não estão entre nós e não estão mais sofrendo com essas doenças terríveis?

A paleontologia também dialoga com a área da saúde, e pesquisas como essas são extremamente importantes para o estudo de doenças do passado, que também estão presentes atualmente, e para o entendimento do comportamento destas no futuro. Tudo isso reforça a importância da preservação de sítios fossilíferos e de seus registros e principalmente da valorização da profissão do paleontólogo. Sem um bom estudo do passado, é muito mais difícil compreender o presente e “especular sobre o futuro”.

Texto fonte: GARCÊS, Andreia; PIRES, Isabel; GARCÊS, Sara. “Ancient Diseases in Vertebrates: Tumours through the Ages”. Animals, Basel, v. 14, n. 10, p. 1474, 2024. DOI: https://doi.org/10.3390/ani14101474. Disponível em: https://www.mdpi.com/2076-2615/14/10/1474. Acesso em: 22 abr. 2025 e GALASSI, Francesco M. et al. A historical and palaeopathological perspective on cancer. Journal of Preventive Medicine and Hygiene, [S.l.], v. 65, n. 1, p. E93–E97, 2024.

Disponível em: https://www.jpmh.org/index.php/jpmh/article/view/3221.

DOI: https://doi.org/10.15167/2421-4248/jpmh2024.65.1.3221.

Fonte e legenda da imagem de capa: Tumores ósseos de vertebrados da antiguidade.

Disponível em: https://www.jpmh.org/index.php/jpmh/article/view/3221.


Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.

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