Antes dos pássaros, vieram os pterossauros

Escrito em: 19 de abril de 2025

Por: Letícia Almeida

Você já ouviu falar dos pterossauros? Eles foram os primeiros vertebrados a voar de verdade, muito antes dos pássaros. Mas por muito tempo os cientistas não sabiam ao certo de onde eles vieram. Afinal, não existiam fósseis que mostrassem como esses répteis desenvolveram asas e começaram a voar. Isso mudou nos últimos anos, com o estudo de um grupo de animais chamados “lagerpetídeos”.

Os lagerpetídeos eram pequenos répteis que viveram há mais de 200 milhões de anos, no período Triássico. Eles tinham corpo leve, andavam em duas patas e, provavelmente, comiam insetos. Seus fósseis foram encontrados em lugares como o Brasil, Argentina, Estados Unidos e Madagascar. No início, os cientistas achavam que esses animais eram mais próximos dos dinossauros, mas novas descobertas sugerem que eles estavam mais próximos dos pterossauros.

Usando tecnologias modernas, como tomografias de fósseis, os cientistas conseguiram ver detalhes dos cérebros e ouvidos desses animais. As estruturas encontradas são muito parecidas com as dos pterossauros. Isso indica que eles podiam ter um bom senso de equilíbrio e coordenação, algo importante para animais que saltavam ou planavam entre galhos — e talvez até para o voo.

Outra pista está na alimentação. Tanto os pterossauros mais antigos quanto os lagerpetídeos parecem ter sido insetívoros. Isso pode ter influenciado o comportamento e a evolução desses bichos, pois caçar insetos exige movimentos rápidos, boa visão e agilidade. Tudo isso pode ter ajudado os ancestrais dos pterossauros a dar os primeiros passos — ou saltos — rumo ao céu.

A pesquisa mostra que os lagerpetídeos talvez não voassem, mas já tinham características que mais tarde apareceriam nos pterossauros. Por isso, eles são considerados um elo importante para entender como o voo surgiu entre os répteis. A evolução, afinal, não acontece de uma hora para a outra. É feita de pequenos passos — ou pulos de galho em galho.

Estudar esses fósseis ajuda a contar uma parte esquecida da história da vida na Terra. E também mostra como a ciência está sempre mudando. Às vezes, basta olhar com outros olhos para descobrir algo novo no que já se conhecia.

Texto fonte: SILVA, João Lucas da; PINHEIRO, Felipe Lima; SANTOS, Mateus Anilson Costa; GARCIA, Maurício. De galho em galho — Lagerpetidae & a origem dos pterossauros. Paleontologia em Destaque, v. 37, n. 77, p. 34–41, 2022. DOI: 10.4072/paleodest.2022.37.77.04.

Disponível em: https://revistaig.emnuvens.com.br/derbyana/article/view/778.

DOI: 10.4072/paleodest.2022.37.77.04.

Fonte e legenda da imagem de capa: Reconstrução artística do lagerpetídeo Ixalerpeton polesinensis, um pequeno réptil do Triássico Superior. A ilustração destaca estruturas filamentosas na pele, sugerindo a presença de tegumento semelhante a penas primitivas. Essa representação visualiza hipóteses recentes sobre a aparência e a ecologia desses animais, que são considerados parentes próximos dos pterossauros e fornecem pistas sobre a evolução do voo nos vertebrados.

Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/372264521_DE_GALHO_EM_GALHO_-_LAGERPETIDAE_A_ORIGEM_DOS_PTEROSSAUROS.


Texto revisado por: Natália Ferreira de Freitas Medeiros e Alexandre Liparini.

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