Escrito em: 08 de dezembro de 2024
Por: Vanclever Machado Vila Nova dos Santos
Um grupo de pesquisadores descreveram dois fósseis de caule de possíveis lianas encontradas na Formação Mariño, na localidade de Potrerillos, região Centro-Oeste da Argentina. Os fósseis foram descritos como pertencente à Família Bignoniaceae e foram datados como pertencente ao Mioceno (Época cronoestratigráfica que perdurou entre 23.03 e 5.33 milhões de anos), o que condiz com a formação onde eles foram encontrados.
Bignoniaceae é uma família pertencente à ordem Lamiales e conta com plantas arbóreas, arbustivas, lianoides e raramente herbáceas. Tem cerca de 100 gêneros e 800 espécies, sendo encontrados principalmente nas florestas próximas aos trópicos na América do Sul e com menor intensidade em florestas próximas aos trópicos na África, Malgaxes e sudeste asiático.
Com base em diversos critérios anatômicos e morfológicos do caule, tais como: xilema sulcado, floema com muitas dissecções e numerosos elementos vasculares os pesquisadores conseguiram se aprofundar além da Família para classificação, chegando na seguinte classificação sistemática:
Ordem
Lamiales, Bromheand
Família
Bignoniaceae, Jussieu
Tribo
Bignonieae, Dumort
Gênero
Dolichandra, Cham.
Espécie-tipo
Dolichandra cynanchoides, Cham.
Espécie
Dolichandra pacei sp. nov.
Com esses dados foram feitas diversas interpretações acerca da evolução do grupo, da paleogeografia da terra e do paleoambiente onde essas plantas poderiam ter vivido.
Conforme os dados morfológicos, os caules estudados parecem ter um dos primeiros hábitos de escalada documentados da Família Bignoniaceae. Além disso, os dados anatômicos suportam essa ideia, pelo fato dessa planta ter variante cambial onde tecidos moles se misturam com xilema secundário aumentando a rigidez e mobilidade, além de mostrarem que provavelmente essas plantas se desenvolveram em ambientes secos, concordando com a reconstrução do paleoambiente feito através dos dados do solo (cuja formação onde os fósseis foram encontrados foi depositada em ambientes áridos ou semiáridos).
Esse trabalho fornece apenas uma pequena peça do quebra-cabeça, que ainda precisa de mais dados e pesquisas para ser solucionado. Na conclusão deste trabalho é dito que a diversificação dessa espécie pode estar relacionada ao clima do ambiente e ao surgimento dos Andes, além de evidenciar a importância do Mioceno na diversificação das plantas tropicais da América do Sul. Sem contar que foi uma nova espécie descrita, relacionando o conhecimento da anatomia vegetal com o conhecimento paleontológico.
Texto fonte: FRANCO, M. Jimena; BREA, Mariana; CERDEÑO, Esperanza. (2021). First Bignoniaceae liana from the Miocene of South America and its evolutionary significance. American journal of botany, v. 108, n. 9, p. 1761-1774. Doi: 10.1002/ajb2.1736.
Disponível em: https://bsapubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ajb2.1736.
DOI: https://doi.org/10.1002/ajb2.1736.
Fonte e legenda da imagem de capa: Imagem tirada do próprio artigo. Imagem de um corte em seção transversal mostrando um fóssil de Dolichandra unguis‐cati, evidenciando o xilema e as cunhas de floema.
Disponível em: https://bsapubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ajb2.1736.
Texto revisado por: Sandro Ferreira de Oliveira e Alexandre Liparini.