A mais antiga evidência de uma floresta no registro fóssil

Escrito em: 21 de junho de 2025

Por: Murilo Valdo Soares Costa

Anteriormente à formação da Pangeia, durante o Período Devoniano, entre 419 e 359 milhões de anos atrás, existia um outro continente, a Laurússia, onde os ambientes terrestres mudariam completamente, graças às plantas. O Devoniano marca uma transição morfológica nas plantas desse período, as quais passaram de pequenas e similares aos musgos à enormes árvores, constituindo complexas florestas ao final do período.

Em 2024, pesquisadores da Universidade de Cambridge observaram o mais antigo achado de uma floresta preservada, no registro fóssil. A floresta pertence à Idade geológica denominada Eifeliana, tendo existido aproximadamente há 390 milhões de anos. A descoberta ocorreu a partir do estudo da formação Hangman Sandstone, ao sudoeste da Inglaterra, onde foram preservados fósseis de árvores primitivas e marcas singulares na sedimentação local, as quais indicam a disposição dessas plantas em uma floresta relativamente densa.

As árvores preservadas, e passíveis de identificação, pertencem ao gênero Calamophyton, plantas evolutivamente próximas das samambaias atuais. Essas árvores chegavam à quatro metros de altura e se vistas de longe, pareceriam palmeiras. Foram preservadas especialmente impressões do tronco dessas plantas, porém o que consolidou a noção dessas árvores estarem dispostas em uma floresta, foram as estruturas singulares na sedimentação, induzidas por essas plantas. Se observou a presença de impressões relativamente circulares e próximas à elas, impressões alongadas, as quais demonstram um evento de queda dessas árvores frente à mudanças no ambiente, onde a planta estava fixa ao solo verticalmente e caía posteriormente. Essas impressões e outras estruturas sedimentares foram encontradas densamente agrupadas, elucidando a posição dessas árvores na floresta primitiva.

Durante a Idade Eifeliana, a área da formação Hangman Sandstone apresentava um clima semiárido e um rio com enchentes sazonais, com as árvores dispostas em suas margens. A floresta afetou profundamente o ambiente fluvial, onde o sistema de raízes das plantas aumentou a estabilidade do solo e a queda de galhos e outras estruturas supriu matéria orgânica em abundância ao ambiente. Ademais, a densidade e tamanho das árvores possibilitaram que a floresta perseverasse frente a inundações e pudesse aumentar em complexidade apesar de eventos externos.

A investigação da formação Hangman Sandstone elucidou parte da transição de plantas durante o Devoniano, quando ocorreu um aumento gradual em complexidade morfológica e de seus ecossistemas. Além disso, pôde-se observar alguns exemplos da influência dessas plantas em seu ambiente.

Texto fonte: DAVIES, N.S.; MCMAHON, W.J.; BERRY, C.M. (2024). Earth’s earliest forest: fossilized trees and vegetation-induced sedimentary structures from the Middle Devonian (Eifelian) Hangman Sandstone Formation, Somerset and Devon, SW England. Journal of the Geological Society, v. 181.

Disponível em: https://www.lyellcollection.org/doi/full/10.1144/jgs2023-204.

DOI: https://doi.org/10.1144/jgs2023-204?ref=pdf&rel=cite-as&jav=VoR

Fonte e legenda da imagem de capa: Representação de espécimes agrupados de Calamophyton. Representação da floresta encontrada no estudo.

Disponível em: https://www.cam.ac.uk/stories/earths-earliest-forest-somerset


Texto revisado por: Murilo Valdo Soares Costa e Alexandre Liparini.

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