Novo estudo sobre a evolução da complexidade dentária em Squamata

23 de novembro de 2021

Por: Pedro Henrique Santiago Godinho

No que diz respeito as adaptações dentárias e seu papel na evolução, foi examinado a complexidade dentária em Squamata, uma ordem pertencente à classe dos répteis, ao qual integram, por exemplo, as cobras, lagartos e anfisbenas. Neste estudo foram utilizados métodos morfológicos e filogenéticos entre fósseis e Squamata atuais para analisar a complexidade dos dentes ao longo da evolução deste grupo.

Os dentes são muito importantes para o processo de alimentação, determinando a faixa alimentar incluída pelo organismo, logo suas formas estão sujeitas a pressão seletiva do ambiente. Os Squamata podem ter dentes simples, com apenas um tipo de dente, ou dentes complexos, com mais de uma morfologia de dente. Dentes simples cônicos a laminados comumente são encontrados em carnívoros, enquanto a maior complexidade dentária com cúspides mais numerosas, permitem a trituração do tecido vegetal fibroso, decisivo para muitos herbívoros.

O estudo analisou os números de cúspides – que são as pontas formadas na extremidade dos dentes – e as dietas alimentares para 545 espécies de Squamatas incluindo toda a diversidade viva e extinta, desde a sua origem, no Permiano. Foi investigado a diversidade da extensão dentária e seu arranjo em todo o grupo, testando como a forma do dente e o número de cúspides estão relacionadas com as dietas das espécies. Em seguida, foi comparado as relações evolutivas para examinar os parâmetros da complexidade dentária e do consumo de alimentos ao longo da história evolutiva. No final foi analisado se a complexidade dentária e a evolução da alimentação impulsionaram a diversidade de Squamata.

Foi possível inferir então, que o ancestral comum dos Squamata foi unicúspide e pelo menos 24 aparecimentos independentes de multicúspide surgiram ao longo da evolução do grupo. Mas a evolução dos dentes de Squamata não foi apenas para maior complexidade: podem desenvolver morfologias múltiplas com várias cúspides ou perder as cúspides, incluindo reversões para a condição ancestral de unicúspide, porem nunca obtendo a perda completa dos dentes.

Esses resultados mostraram também que a complexidade dos dentes evoluiu e foi perdida inúmeras vezes dependendo da evolução das dietas alimentares de cada espécie, contribuindo para a diversidade dos Squamata. Logo os padrões odontológicos derivam da evolução correlacionada entre a complexidade dentária e a dieta, mostrando por exemplo, um forte indicio para um modelo ligando a “multicuspidez” e o consumo de plantas, sendo possível observar também reversões para números menores de cúspides se há diminuição no consumo de plantas.

Artigo fonte: Lafuma, F., Corfe, I.J., Clavel, J. et al. (2021). Multiple evolutionary origins and losses of tooth complexity in squamates. Nature Communications, v. 12, n. 6001. DOI: 10.1038/s41467-021-26285-w <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte e legenda da imagem de capa: A correlação entre a complexidade do dente e o consumo de plantas. (B) Relação de dados entre a diminuição e o aumento do número de cúspides ao longo do tempo. (D) Relação de dados entre a diminuição e o aumento do consumo de plantas ao longo do tempo. Imagem extraída do artigo fonte.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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