E se em uma excursão escolar você descobrisse um fóssil de pinguim gigante? Veja o que aconteceu com crianças na Nova Zelândia

15 de novembro de 2021

Por: Victória Pereira

No verão de 2006, o Clube Naturalista Júnior de Hamilton reunia alunos e líderes em uma excursão para caçar fósseis no porto de Kawhia, na Nova Zelândia. Após andarem um pouco, os alunos avistaram o que parecia ser uma hélice enferrujada, mas após a análise dos especialistas, perceberam que haviam descoberto uma nova espécie de pinguim gigante, o qual viveu há cerca de 30 milhões de anos.

“É meio surreal saber que uma descoberta que fizemos quando crianças há tantos anos está contribuindo para a academia hoje”, disse Steffan Safey, que tinha 13 anos quando ele e seus amigos encontraram o fóssil, em um comunicado à imprenssa local.

A equipe de especialistas paleontólogos da Massey University e do Bruce Museum usaram técnicas de digitalização 3D para criar um modelo digital do pinguim gigante encontrado. Eles compararam seu modelo com espécies existentes em todo o mundo e descobriram que era uma nova espécie que existiu entre 27,3 e 34,6 milhões de anos atrás, quando a região estava ainda submersa. O fóssil de pinguim gigante, um dos espécimes mais completos até hoje, teria aproximadamente o tamanho de uma criança de 10 anos.

Embora o fóssil compartilhasse uma semelhança com outros encontrados na região, ele tinha pernas muito mais longas. A equipe decidiu nomear a nova espécie de Kairuku waewaeroa, que significa “pernas longas” na língua regional Maori.

“Essas pernas mais longas teriam tornado o pinguim muito mais alto do que outros Kairuku enquanto caminhava na terra, talvez cerca de 1,4 metros de altura, e podem ter influenciado a velocidade com que ele poderia nadar ou mergulhar mais fundo”, disse em um comunicado o autor do estudo Daniel Thomas, Paleontólogo da Massey University. “Foi um verdadeiro privilégio contribuir com a história deste incrível pinguim. Sabemos o quão importante este fóssil é para tantas pessoas.”

Em comparação, os pinguins-imperadores, que são os maiores pinguins vivos hoje, têm cerca de um metro de altura. Os pinguins gigantes que viveram há milhões de anos também eram consideravelmente mais magros do que os pinguins modernos.

Artigo fonte: Simone Giovanardi, Daniel T. Ksepka & Daniel B. Thomas (2021) A giant Oligocene fossil penguin from the North Island of New Zealand, Journal of Vertebrate Paleontology, DOI: 10.1080/02724634.2021.1953047 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Fonte e legenda da imagem de capa: A. Desenho de linha do novo espécime; B. A foto do fóssil; C. Uma comparação esquelética e de tamanho da nova espécie de pinguim gigante, Kairuku waewaeroa, com um pinguim imperador, Aptenodytes forsteri. Imagem extraída do artigo fonte.

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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