A origem da camuflagem nos insetos

22 de junho de 2021

Por: Mírian Velten Mendes

Quando falamos de paleontologia, a primeira coisa que nos vem à cabeça são fósseis, de esqueletos de grandes dinossauros, e acabamos nos esquecendo das outras maneiras de conhecer a biologia do passado. Em um estudo feito em parceria da universidade do kansas com a universidade de barcelona em 2012, foi identificado uma larva dentro de uma pedra de âmbar, da ordem Neuroptera, da família Chrysopidae. Os crisopídeos não são um inseto tão conhecido como borboletas, são pequenos insetos verdes, com asas quase transparentes, mas eles realmente são conhecidos mesmo por suas larvas, que coletam pequenos galhos e pedras para se proteger.

A larva encontrada em âmbar foi datada no início no cretáceo, e tinha já estruturas bem desenvolvidas, projetadas para coletar dejetos e se disfarçar no ambiente e se proteger de ataques de predadores. Quando reconstituída da pedra de âmbar, podemos ver as estruturas que seguram os dejetos, e alguns tricomas de uma espécie de planta, colocado sob seu corpo pelo próprio inseto.

É possível perceber que o inseto encontrado é altamente especializado, e não uma forma primitiva dos insetos atuais. E talvez essa seja a evidência mais antiga de insetos carregando dejetos, para sua proteção e camuflagem.

Artigo fonte: Perez-de la Fuente, R., Delclos, X., Penalver, E., Speranza, M., Wierzchos, J., Ascaso, C., & Engel, M. (2012). Early evolution and ecology of camouflage in insects. Proceedings Of The National Academy Of Sciences, 109(52), 21414-21419. Doi: 10.1073/pnas.1213775110 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem de capa: Larva de crisopídeo atual, coberto em pedras e gravetos. (Extraída da commons.wikimedia.com. Termo de busca “Chrysopidae Larva”. Autoria de Sanja565658 <link>).

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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