Fósseis encontrados no Equador alimentam debates sobre o comportamento e o crescimento de uma espécie de gatos dente-de-sabre*

20 de janeiro de 2021

Por: Bruna Lopes Resende

*Texto publicado também no espaço biótico <confira aqui>

Em 2020, pesquisadores canadenses levantaram evidências sobre o comportamento dos populares gatos dente-de-sabre, componentes do gênero Smilodon que ocupavam as Américas do Sul e do Norte durante o Pleistoceno. O estudo de seus hábitos é motivo de desacordo entre pesquisadores, devido à dificuldade em encontrar amostras isoladas e bem preservadas. Mas, a partir de fósseis encontrados em Coralito, no Equador, foi possível inferir sobre a história e o comportamento da espécie mais conhecida dentre os gatos dente-de-sabre, os Smilodon fatalis.

Em família

Após análise de peças ósseas de S. fatalis, os pesquisadores chegaram à conclusão de que existiam dois indivíduos subadultos e um adulto naquela amostragem. Nesta, se encontravam dois ossos dentários (osso da mandíbula) esquerdos que pertenciam aos subadultos, e uma ulna (osso presente nos membros superiores) pertencente ao adulto.

Se isso já era interessante, o encontrado no dentário dos indivíduos subadultos tornou os fósseis de Coralito ainda mais atrativos. Ambas as peças possuíam o pré-molar P3, o que é raro em S. fatalis, aparecendo em aproximadamente 2-6% de indivíduos da espécie. Com essas taxas, a hipótese de que estes indivíduos eram geneticamente relacionados é a mais provável.

E sobre o indivíduo adulto? Foram formuladas duas hipóteses sobre sua presença. A primeira é de que os S. fatalis formam grupos sociais e o adulto apenas fazia parte do mesmo grupo, e a segunda é de que o indivíduo adulto era a mãe dos subadultos encontrados. Essa última é a mais provável, dado que as marcas encontradas nos fósseis eram consistentes, o que implica em um longo período de cuidado parental na espécie.

Crescimento único

Usando os ossos de S. fatalis encontrados em Coralito, os cientistas descobriram que as marcas de seu crescimento combinavam características encontradas em tigres e leões. Os pesquisadores perceberam que, apesar da erupção dentária indicar um maior amadurecimento, os ossos dos membros ainda estavam em crescimento. Os indivíduos subadultos possivelmente possuíam um tamanho corporal de 131,8kg e 140,6kg, o que, combinado aos estimados 2 anos de vida, levavam à conclusão de que a espécie crescia rapidamente, em taxas parecidas às dos tigres, e possuíam um longo período de desenvolvimento, similar aos leões.

Esse estudo traz luz sobre o comportamento social e o crescimento dos S. fatalis, indicando um prolongado período de cuidado parental e níveis de socialização na espécie, além de uma forma de crescimento única, combinando características de dois grupos atuais.

Artigo fonte: Reynolds, A. R., Seymour, K. L., & Evans, D. C. (2021). Smilodon fatalis siblings reveal life history in a saber-toothed cat. iScience, 1–30. Doi: 10.1016/j.isci.2020.101916 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Legenda e fonte da imagem: Ossos de S. fatalis encontrados em Coralita, no Equador. (Extraída e modificada do artigo fonte).

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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