Raro fóssil de ave do Pleistoceno é encontrado na Sibéria

18 de janeiro de 2021

Por: Guilherme Marinho

Estado de preservação fóssil do animal permitiu identificação da espécie, seu sexo e idade

Um grupo de cientista suecos encontrou uma carcaça de ave em um estado de preservação excepcional. Segundo os pesquisadores, achados desse tipo são mais comuns para grandes mamíferos, mas dessa vez eles encontraram uma ave, quase intacta. Isso foi possível porque o animal estava em permafrost, um solo congelado específico, típico do Ártico e importantíssimo para o entendimento e reconhecimento de ambientes passados. Até a data do trabalho, que foi publicado num periódico vinculado ao grupo de uma das mais renomadas revistas científicas do mundo, a Nature, nenhuma outra ave nessas condições havia sido descrita como pertencente à época do Pleistoceno.

O local do achado foi a aproximadamente 30 km do centro urbano de Belaya Gora, no estado da Iacútia, na região siberiana da Rússia. Enquanto caçadores de fósseis de marfim escavam túneis, a carcaça foi encontrada a uma profundidade de cerca de sete metros. Por meio de datações de radiocarbono, foi estimado que a ave tenha vivido há cerca de 46 mil anos.

Imagem 1: O ponto vermelho indica a localização onde o fóssil foi encontrado, ao nordeste da Sibéria (extraída do artigo fonte)

O estado de congelamento do fóssil também permitiu que DNA fosse extraído de uma pequena amostra de tecido do animal com a finalidade de se realizarem análises genéticas detalhadas. Esses estudos concluíram que a ave era uma calhandra-cornuda (Eremophila alpestris), também chamada de cotovia costeira. Além disso, técnicas avançadas de biologia molecular permitiram inferir que se tratava de uma fêmea.

Imagem 2: Vista ventral da carcaça (Foto: Love Dalén) (extraída do artigo fonte).

Os autores do estudo ressaltam que achados desse tipo são de suma importância para a Paleontologia, a fim de entender como as mudanças climáticas afetaram os organismos ao longo da história geológica da Terra. Não somente, a Biologia Molecular e a Filogenia – área de estudos que se dedica à classificação das espécies e à relação de parentesco entre elas – também são contempladas.

Espécies de cotovia, em geral, são pouco compreendidas nessa época geológica do Pleistoceno devido à escassez de dados. A linhagem desse exemplar encontrado já está extinta, mas foi descrita como mais aparentada a uma outra linhagem hoje vivente na Escandinávia e ao norte da Rússia, na região do planeta conhecida como Paleoártica.

Artigo fonte: Dussex, N., Stanton, D.W.G., Sigeman, H. et al. (2020). Biomolecular analyses reveal the age, sex and species identity of a near-intact Pleistocene bird carcass. Communications Biology, v. 3, n. 84. https://doi.org/10.1038/s42003-020-0806-7 <Clique aqui para acessar o artigo fonte>

Publicado por Alexandre Liparini

Mineiro, gaúcho, sergipano, e por que não, alemão? No caminho sempre a paleontologia como paixão e agora como profissão. Adora dar aulas e pesquisar sobre origens e evolução. Se esse for o tema, podem perguntar, por que não?

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